Dez Desejos

7 Como não ceder ao inevitável?


Notas iniciais
Olá leitores, tudo bem? Ok, agora sim o capitulo novo. Vamos ficar frustradas, porque simplesmente eu gosto de deixa-las nervosas. As coisas andam rápido nesta fic, então não espere normalidades. Eu as odeio. As coisas vão pular que nem pipoca aqui! Hehe. Boa desordem para vocês!

Capitulo 07 — “Como não ceder ao inevitável?”

— Muito, muito obrigada por deixar nós ficarmos em sua casa por enquanto, Sue. — Eu agradeci novamente, sentindo o meu peito subir e descer rápido, impossível de controlar.

Dizer que eu estava feliz era pouco. Eu havia entrado no livro em que eu mais amava, tinha andado Rabbit de Jacob e tinha mesmo um imprinting por Seth! E só de pensar que iria dormir no quarto ao lado do dele, minha barriga afundava e as borboletas se agitavam-se terrivelmente.

Tudo graças à Sue.

Sue era uma mulher linda e tinha um grande coração. Ela aceitou sem nem ao menos hesitar o pedido de Seth para ficarmos algum tempo no quarto de Leah quando Seth lhe contou que se tratava de mim.

Estávamos agora na casa da Sue, em La Push, que era sem sombra de dúvidas a cidade mais mato que já conhecera. Em todos os lugares que se olhava tinha arvores, mato e terra. Enquanto dávamos a volta ao longo da praia, indo em direção à casa de Sue, eu pude ver as casinhas simples formando um pequeno município perto de uma floresta gigantesca. Exatamente como eu vira no Google Maps a tempos atrás.

Jon parecia entediado pela minha falta de atenção para ele, o que era verdade, já que eu não me dirigira mais a ele nem uma palavra desde que entramos no carro apertado de Jacob. Eu tinha que admitir, mesmo depois de eu pedir desculpas — Já que de algum modo ele virou o jogo fazendo eu virar a culpada — eu o estava dando um pequeno tratamento de gelo... Uma pequena vingança da minha parte, eu admito.

Sue me abraçava de lado enquanto nos conduzia a sala e Seth e Jake assistia tudo em um canto, encostados na parede, com os braços igualmente cruzados, como se fosse dois irmãos gêmeos. Se não fosse pela diferença de tamanho era possível os confundir.

Saber que tinha os olhos de Seth em cima de mim, sem desgrudar um único momento me deixava momentaneamente boba e o meu cérebro parecia demorar mais do que o normal para responder coisas simples. Eles só giravam em torno do pensamento sobre quando ficaria a sós com Seth e em antecipação ao tal momento — que poderia facilmente não acontecer, considerando tudo — meu corpo já estava um caos total.

— Não foi nada! Sei que Sethie vai ficar muito feliz em ter companhia. — disse Sue frisando a palavra levemente e Seth mandou um olhar estranho para ela, como se a alertasse. Eu prendi um riso. — E também, eu já estava me sentindo sozinha aqui agora que Leah se foi. Seth quase não para em casa.

— Obrigado mesmo assim. — Respondeu Jon colocando o seu braço em meus ombros. — Prometemos não dar trabalho.

— Não é nada! — Ela riu deixando o clima da sala mais leve — Mas me conte direito essa história de vocês fugirem de casa. Quero dizer, dois adolescentes saíram de casa de mãos abanando! Seus pais não estão preocupados com vocês?

Eu contorci minhas mãos, nervosa.

— É que... O pai de Jonathan não aceita que nós dois, han, fiquemos juntos.

Jon limpou a garganta.

— Nossas famílias então em pé de guerra! Resolvemos sair de cena por algum tempo. Deixamos um bilhete avisando que só voltaríamos quando os dois estivessem em paz.

— Vocês acham que vai resolver fazer isso?! No momento que suas famílias mais precisam de vocês? — Questionou Sue, assombrada — Eu dou abrigo á vocês com gosto, mas não acho certo o que fizeram...

— Acredite Sue, eles precisam de uns tempos sozinhos para pensar. — Disse Jon, colocando a mão sobre o ombro da anfitriã — Juramos que se eles nos procurarem, voltaremos para casa, tudo bem?

— É, não se preocupe. — Eu reforcei, sentindo minhas mãos tremendo.

Sue nos observou por algum tempo antes de se pronunciar novamente.

— Tudo bem. Não vou insistir para voltarem para casa, mas eu irei cobrar essa promessa se ouvir algo deles, estamos entendidos? Talvez ligar algumas vezes para dizer que estão bem, hm? — nós balançamos nossas cabeças firmemente e ela suavizou a expressão, se levantando — Alguém quer um lanche?

Sue saiu da pequena sala, indo diretamente para a cozinha, e nos deixando em um silêncio um pouco constrangedor. Eu respirei aliviada. Eu não havia pensado que Sue poderia dar tanto trabalho.

Seth sorriu para mim quando meu olhar passou por ele.

— Obrigada Seth. — eu disse — Prometemos que não iremos incomodar.

— Não irão incomodar. Sério. Podem ficar o tempo que for preciso.

Concentrei-me na minha respiração, percebendo que quando nossos olhares se encontravam daquele jeito eu esquecia até mesmo de respirar.

Em algum momento da minha concentração, Jacob e Jon se lançaram em uma conversa que não me dei o trabalho de ouvir quando a palavra “carros” foi envolvida. Seth também não se envolveu, me observando assim como eu o observava.

Ali, parados a poucos metros um do outro, eu podia ver o que me trouxe até aqui. O que me fez sonhar noites e mais noites com ele. Havia estática naquela sala, entre nós dois. Havia um amor que poderia atravessar realidades e se conectares por simples palavras em um livro qualquer.

Por um momento me perguntei como a autora do livro sabia dessa realidade em que eu estava, mas logo me esqueci por completo quando vi o sorriso dos meus sonhos se abrir para mim, exatamente como eu sonhara.

Vi o corpo dele balançar, como se ele fosse andar até mim.

— Eu e minha namorada, sempre gostamos de motos. — Disse Jon totalmente alheio a uma certa conversa silenciosa que estava tendo com Seth.

Vi o sorriso de Seth morrer e aquilo pareceu um ultraje ao mundo; Priva-lo de algo tão lindo e doce como aquele sorriso. Seth faz uma careta ao ouvir a palavra “namorada” e eu também já não sorria mais, sentindo o quanto aquilo tudo iria dar errado.

Se Jonathan iria me ajudar, porque raios ainda tínhamos que manter aquele namoro de faixada?

—... Podem usar aquela moto que está na garagem da Sue, já que os dois sabem pilotar. — Ouvi o final da frase de Jacob.

Eu sabia pilotar uma moto — Eu e Jonathan havíamos feito juntos o teste para tirar a carteira, porém não era o meu meio de transporte preferido. Eu tentei fingir que prestava atenção na conversa deles.

— Obrigada. — Eu sorri para ele agradecida — É muita gentileza sua. Estamos realmente sem nada.

Jon riu.

— Pelo menos nós não nos perdemos um do outro na floresta, porque se não estaríamos completamente sem nada mesmo. — Ele segurou minha mão. Eu ri nervosa, vendo a cara de Seth.

Acho que Jon percebeu o clima estranho que ficou na sala, pois mudou o assunto.

— Vamos lá ver a moto? Se ela está lá faz tanto tempo como você disse, talvez seja bom eu dar uma olhada, não é? — Disse Jon, parecendo mais descontraído do que seu rosto falava.

— Você mexe com motos? — Jake subiu a sobrancelha, parecendo interessado.

— É... A gente tenta. — Jon riu coçando a nuca e Jacob o acompanhou.

— Vão vocês, eu vou atrás de Sue. — Eu disse empurrando Jon com o ombro. Jake seguiu para a porta.

— Você disse que elas são de qual marca... — Jon saiu pela porta com Jake em sua cola, me deixando para trás.

Eu suspirei aliviada. Não queria passar horas juntos de dois garotos olhando uma moto velha. Automotores. Não entendo a paixão dos homens por eles. Eles são apenas... úteis.

Balancei a cabeça sozinha. Garotos são tão previsíveis.

— Hãn, você parece não gostar muito de moto como Jonathan disse — Riu levemente Seth, me fazendo dar um pulo de susto.

Ok, nem tão previsíveis.

Ele estava com uma camisa preta e a um passo e meio de distância de mim. Respirei fundo para ver se meu coração parava de tentar pular pela minha boca, enquanto eu sentia as minhas próprias pupilas dilatarem com a visão do paraíso.

— Só acho que não vale a pena ficar discutindo sobre elas. — Eu respondi depois de me recuperar da falta de ar. — Não sei qual é a graça que vocês, homens, veem em falar sobre isso.

Ele sorriu, parecendo mais à vontade.

— Talvez seja a mesma que vocês, mulheres, tem quando conversam sobre bolsas e sapatos.

— Você está exagerando. Nem todas as mulheres gostam de falar sobre disso.

— E nem todos os homens gostam de falar de motos. — ele me desafiou, me olhando com uma cara fofa de nariz empinado.

Eu fui obrigada a concordar.

A conversa morreu ali e quase imediatamente minha respiração dobrou. Minhas mãos suavam frio e eu queria dar um soco no meu próprio estomago por causa daquelas drogas de borboletas que me deixavam ansiosa em ficar sozinha com aquele homem.

Fala sério, a um segundo atrás eu estava desejando este momento e agora que o tenho, eu malditamente não sei o que dizer?

Droga, odeio ficar ansiosa. Eu preciso sair daqui.

— Bom... Eu vou atrás de Sue — Tentei escapar daquela sensação torturante.

Me virei para ir em direção ao que eu achava ser a cozinha, mas eu não pude dar nem dois passos. Eu fui impedida.

Senti uma mão extremamente quente puxar meu braço e me girar delicadamente para ficar de frente para ele, e de sobra, fazendo meu coração parar por uns dois segundos.

— Espera. — Ele me soltou imediatamente quando nossos olhos se encontraram — Han... Quero dizer, eu... eu não sei porque eu fiz isso. Se quiser, você pode ir, se você for, hã...

Eu ri, com a sua doçura desajeitada. Ele pareceu se calar com a minha risada, parecendo constrangido.

— Se quiser eu te faço companhia.

Ele arregalou os olhos, agitando as mãos.

— Não, não. Você pode ir, eu fui meio, sei lá, estranho. — Ele olhou para os pés — Entendo que você queira falar com ela...

O seu olhar meigo me deixou fraca. Talvez eu estivesse tendo uma sincope.

— Acho que eu tenha dito isso errado, eu queira dizer que eu quero te fazer companhia. — eu ousei, o interrompendo.

Ele ficou atônito por vários segundos, antes de um pequeno sorriso brotar no canto da sua boca.

Ele assentiu firmemente para mim, me lançando um olhar de carinho. Um olhar que fazia meu coração aquecer.

Eu podia ver, da distância que estávamos, que pelos do braço dele estavam arrepiados. Podia ouvir como o coração dele parecia martelar tão rápido quanto o meu e a respiração falhava.

Ele se aproximou mais de mim com uma passada lenta e uma expressão maravilhada, me fazendo me perder em seus olhos. Parecia que havia um imã o puxando para mim. Eu me sentia como se hipnotizada. Ele esticou a mão, tocando o meu rosto com a ponta dos dedos.

Automaticamente, eu inclinei meu rosto para sua mão, sentindo a textura de sua pele e o calor que ela transmitia. Uma corrente elétrica passando das minhas bochechas para todo o resto do corpo. Eu me senti, de súbito, muito calma.

Ele era muito mais alto que eu, isso era visível, mas seu rosto foi ficando mais próximo do meu com uma ajudinha das pontas dos meus sapatos.

— Eu trouxe um... — Sue apareceu na portada sala, me fazendo dar um pulo e me afastando bruscamente de Seth.

Sue olhou para nós dois, no batente da porta, segurando uma badeja com alguns sanduiches. Eu senti-me extremamente envergonhada, e queria que um buraco se abrisse no chão naquele momento para eu me enterrar dentro.

Porra, não fazia nem cinco minutos que estava na casa dela e ela me pega quase beijando o seu filho? Que tipo de pessoa qualquer um pensaria que eu sou?

Ah, e eu tenho um maldito namorado também!

— Certo... Eu acho que eu esqueci ... — Sue disse lentamente, dando meia volta e indo de volta para cozinha.

Eu ouvi uma risadinha mal disfarçada por uma crise de tosse?

Eu dei um passo vacilante para longe dele, com a intenção de tentar fazer aquela conexão nossa se quebrar por um segundo.

Anna respire, você ainda está namorando o seu maldito melhor amigo! Bom Deus, por quê???

— Anna, eu... — ele começou, mas eu evitei seu olhar

— Não é, não foi nada. — Eu respondi sem jeito. Precisava fugir dali. — Eu vou levar minha flor para cima e... A gente se vê.

Eu passei pegando a planta e subindo para o antigo quarto de Leah — provisoriamente meu —, ainda sentindo o meu rosto vermelho.

Ah, o que tinha acontecido? Aquela força que era incontrolável. Minha cabeça rodava. Eu estava em La Push, como cara que eu sonhara a semanas e nós quase nos beijamos e agora eu estava fugindo dele! QUE MUNDO CRUEL EU TINHA ME METIDO?

Entrei no quarto e quase imeditamente fechei a porta. Eu não tinha entrado antes, mas eu não me surpreendi ao encontrar um quarto simples, uma cama de solteiro, uma cômoda e um bom espaço. Caberia um colchão tranquilamente ali.

Tentei me livrar dos pensamentos sobre Seth com um abanar de cabeça. Coloquei o vaso com planta no parapeito da janela que dava de frente com a casa e me joguei na cama, sentindo todo o meu corpo cansado depois daquele teste lá em baixo.

Só sabia que aquela história de namorado só iria complicar mais ainda o que já era complicado. Tudo seria tão fácil se Jon não tivesse vindo junto.

Um barulho de motor de moto sendo ligado me chamou a atenção e eu fui até a janela ver o que se passava.

Ali, em frente a casa, Jonathan sorria em cima da moto e Jacob dava risada de alguma coisa que ele dissera. Segundos depois Seth apareceu dando risada também, parecendo concordar com o que eles diziam.

Eu suspirei olhando para eles se dando bem por um segundo. Jon era meu melhor amigo e estava comigo sempre. Talvez, eu não devesse reclamar dele, mesmo eu tendo que fazer coisas (MUITO) desnecessárias como fugir daquele beijo.

Ele sempre esteve comigo nas piores horas e sei, que se estivesse aqui sozinha, iria desejar ele comigo. Afinal, ele é meu melhor amigo e disse que ajudaria. Eu tinha que confiar em sua palavra.

Não foi o que ele disse?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Mil beijos!