Dez Chamas

10 Capítulo 010 - Despertar


Notas iniciais
Olá pessoal, mais uma vez, desculpe o atraso. Eu já tinha boa parte desse capítulo escrito, mas com a correria acabei tendo que adiar a postagem do mesmo. Sinceramente me deu mais vontade de postar pois alguns leitores vieram me "cobrar" de forma gentil, e acabei o capítulo. O próximo deve sair em breve. Tenham uma boa leitura.

O Sol já tinha nascido quando Aiyra acordou. Aparentemente todos na casa ainda dormiam. Ela observa o ambiente e nota que está dormindo sozinha no monte de panos, enquanto os dois garotos e sua mãe dormiam no monte de palhas com panos, que vinha a ser sua cama e de sua mãe. Por que sua mãe estava dormindo lá? E mais, por que estava dormindo abraçada com o cliente mais jovem?

– Mestra, ei, Mestra – tenta acordar a Xamã, sem acordar os clientes, mas sem sucesso. Ela nota que Rojo parece mais incomodado, enquanto Aka estava com uma expressão mais tranquila. O estranho era seu cabelo loiro, mais loiro que o normal. Será que tem a ver com a ativação do dia anterior?

– Ka-i-la! – teima a jovem, ainda sem sucesso – droga.

Nesse momento Rojo acorda e olha para a jovem ali em pé. Ele então senta, para tentar repor as ideias na sua cabeça, até estar se lembrando o motivo de estar ali. Aiyra estava parada pois não sabia qual seria a reação de Rojo ao ver a Xamã dormindo com seu irmão mais novo. Logo o garoto mais velho já estava de pé, encarando a jovem, sem ligar muito para os outros dois dormindo.

– E agora? – Pergunta o rapaz.

– Agora o que? – se surpreende a garota com a pergunta.

– Como eu faço para controlar as chamas? Meu irmão conseguiu ontem. E eu?

– Bem, o estranho foi seu irmão liberar chamas de cor e características bizarras ontem. O normal seria isso só acontecer depois de algumas horas.

– Por que as chamas dele eram douradas e tomaram forma humanoide? – indaga o irmão.

– De fato isso é estranho, chamas de forma humanoide e com vontade própria são propriedade do fogo Magenta. E aquela cor... é diferente, dourado, cor de ouro.

– Está bem, mas e eu? Como faço para liberar uma chama?

– Como faz? Deveria ser natural. Só sinta energia e tente liberá-la, emaná-la, coisas do tipo. Você parecia bem saber o que fazer ontem quando... me protegeu – termina meio envergonhada.

– Protegi? Sabia? Eu fui instintivo na hora.

– Pois bem, faça de novo. Mas vamos ali para trás, não quero destruir mais a casa.

Após chegarem na parte de trás da casa, que possui vista para o lago, notam o estrago com queimaduras.

– Isso vai dar um trabalho de consertar... – afirma a garota – agora aponte seu braço para frente como fez ontem, e tente lançar a energia.

– Assim? – pergunta o jovem, firmando-se sobre uma boa base para as pernas, e apontando o braço direito para a frente enquanto a mão esquerda segurava neste para dar apoio.

– Isso mesmo – diz a jovem se envergonhando de novo ao se lembrar da cena mais uma vez.

– Ok, então.... Há! – logo depois do grito de Rojo, só ouviu-se uma pequena explosão em frente a sua mão, fazendo-o cair para trás, e sentir sua mão queimada – ai ai ai, eu me queimei, droga.

– Mas, o que foi isso? – pergunta a jovem – não saiu chama nenhuma, só estourou. Você deve ter tentado liberar força demais e com isso não conseguiu controlar. Tenta de novo – então a jovem ficou em guarda, e materializou um pequeno bastão em forma de fogo verde – controle a energia. Saiba quanto você precisa.

Logo após Rojo tentar mais uma vez, apenas para obter o mesmo resultado e cair para trás de novo, Kaila aparece segurando-o, para não cair.

– Mas o que vocês estão fazendo? Para que tanto barulho? – reclama a Xamã.

– Ah então ao menos isso serviu para você acordar – disse Aiyra.

– Eu estava dormindo tão bem.

– Sei bem o motivo... – diz a filha.

– Ei, o que está insinuando? – reclama a mãe.

– Pessoal, e quando a minha chama? – aponta Rojo.

– O que tem a sua chama? – se surpreende Kaila.

– Ele não consegue liberar nenhuma, quando ele tenta só explode próximo a mão dele.

– Isso é estranho. Talvez seja a má distribuição dos pontos dele, como você notou ontem – responde a Xamã.

– Então não tem a ver com algo que eu possa ter feito errado por ser iniciante?

– Não, você fez tudo direito até onde eu vi. O problema pode ser simplesmente dele. Sempre avisamos que as vezes acontece de pessoas liberarem os portais e mesmo assim não conseguirem controlar chamas.

– Isso quer dizer que eu posso simplesmente ser inútil? – se decepciona Rojo.

– Bem, você está liberando energia com a explosão, já é um início, tentemos praticar isso. Esses irmãos são problema hein, os jovens que vieram aqui nas outras semanas foram normais – explica a Xamã.

– Problema? Ah, e você deve estar falando do Kan... O duelo! Eu preciso aprender a controlar essa chama! – grita enquanto olha pra sua mão com um pouco de queimadura – Mais uma vez! Há! – de novo só uma mini explosão, e nada mais.

– Ei, se acalme – pede Aiyra.

– Meu irmão conseguiu usar ontem, vou perguntar a ele!

– Ele disse duelo? – pergunta Kaila, observando-o adentrando correndo pela casa, e entra também, seguida por sua filha.

– Aka, ei, Aka, acorda, me ensina a usar aquela chama que você usou, ei, ei, acorda! – diz Rojo enquanto sacode seu irmão para acordá-lo.

– Hey, hey, que foi, que foi – diz Aka abrindo os olhos. Este ato surpreende Rojo, pois seu irmão estava com um dos olhos, o direito, de cor diferente do normal. Virara dourado.

– O que houve com seu olho?

– Para que essa barulheira logo cedo, irmão? Meu olho? Não sinto nada diferente.

– Eu gostei – diz Kaila, ao notar a mudança, tanto no olho quanto no cabelo.

– Deixa disso, Aka, como você fez para controlar as chamas? – pergunta de novo.

– Controlar? Chamas? Do que está falando?

– Não se lembra do que ocorreu ontem? – pergunta Aiyra.

– Na verdade não – diz o mais jovem.

– Você fez algo incrível ontem – diz Kaila – tente emanar sua chama agora.

– E como eu faço isso? – Pergunta Aka.

– Só tente liberar sua energia – responde Aiyra.

Aka se levanta direito e tenta fazer o que foi pedido. Ele se posiciona, tenta lançar a energia e... nada. Simplesmente nada acontece.

– Era para acontecer alguma coisa? – pergunta o rapaz.

– Estranho – dizem as duas mulheres ao mesmo tempo.

– Eu preciso aprender a usar esse poder para não levar uma surra hoje! – grita Rojo.

– Surra? Você já arranjou briga antes de saber se poderia usar os poderes? Ontem você falou sobre dar vida mais digna à sua família com a chama, não? – questiona a Xamã.

– Sim, mas por vários motivos isso aconteceu. Vai ser só dessa vez! – afirma Rojo – me ensine a usar as chamas!

– A culpa dessa briga meio que é minha – explica Aka.

– Meio? – reclama o irmão.

– Eu não posso fazer nada enquanto você não libera chama de verdade, só combustão. Tente se focar na chama – explica Kaila – isso serve para os dois.

– Nossos clientes tendem a aprender sozinhos, somos pagas apenas para liberar os portais – responde Aiyra.

– Há! – grita mais uma vez, seguido de mais uma pequena explosão. E de novo, e de novo, várias vezes, enquanto o impacto acabava derrubando algumas coisas da casa e quebrando-as. Rojo parecia desesperado para lançar chamas. Aquelas explosões além de terem um barulho irritante, ainda mais para quem acabou de acordar, estavam danificando ainda mais a casa. De repente Rojo começa a fazer uma sequência de explosões até a Xamã interrompe-lo gritando:

– PAREE!!!

Nesse momento a porta é arrombada e duas pessoas com capas entram na casa, surpreendendo todos no local. Nesse milésimo de segundo, Rot nota uma mulher, a Xamã mudando sua expressão de irritada para uma de surpresa, enquanto ao mesmo tempo começa a projetar um tipo de material de chamas verdes como uma forma de autodefesa instintiva ao notar alguém adentrando sua casa. O mesmo era feito pela outra garota, que se posicionava na frente dos garotos enquanto também projetava algo. Rojo estava caído no chão, com a mão mais queimada e reclamando um pouco de dor. Ainda era visto um resquício de fumaça no local onde ocorreu a mini explosão. Aka por sua vez parecia não se incomodar muito com o que estava acontecendo, embora tenha ficado surpreso. A garota que era puxada por Rot para dentro da casa simplesmente não entendia o que estava ocorrendo. Finalmente as chamas verdes tomaram a forma de escudos, e com a correria, o capuz sai da cabeça de Rot, revelando-se.

– Ah, é o irmão mais velho – diz a dona da casa.

– Rot? O que faz aqui? – indaga Rojo, que estava se levantando, ainda com um dos olhos fechados em expressão de desconforto com a dor.

– Nossa, a mãe deve ter ficado preocupada realmente – diz Aka.

– Qual a necessidade de arrombar nossa casa? – pergunta Aiyra.

– Bem, é que eu ouvi... – começa Rot, mas é interrompido pela fala de sua companheira:

– Uau, chamas verdes! Que legal! Ela é a Xamã de que me falou? – pergunta para Rot.

– Sim, é el... – de novo o rapaz é interrompido.

– Você é forte? Sabe lutar? – continua a jovem entusiasmada.

– Err... Bem... quem é você mesmo? – pergunta Kaila.

– Humn – começa a garota, diminuindo sua ansiedade – Eu só posso responder isso se eu tiver certeza de algumas opiniões suas. Podemos conversar?

– Que manhã movimentada... – desabafa a filha.

+ + +



Longe dali, entre as montanhas...

– Já a encontraram?

– Ainda não, senhor, sentimos muito!

– Incompetentes!

– Mas acabamos de receber uma informação, meu senhor, sobre um incidente em um vilarejo de uma região não tão distante. Achamos que pode estar relacionado com ela.

– Incidente? Do que se trata? Vamos, diga logo!

– Sim senhor, parece que durante a noite, chamas, chamas da cor dourada cortaram os céus do vilarejo. Algo nunca antes visto nas proximidades, acreditamos que a senhorita pode ter a ver com isso.

– Quem enviaram para lá?

– Ainda ninguém senhor, viemos notificá-lo antes.

– Ninguém ainda? Mas o que está esperando?! Envie agora guerreiros para lá!

– Sim, como desejar, meu Senhor.

Ela acha que pode escapar de mim e de seu destino. Ela não sabe do que sou capaz. Mas acho que esse jeito dela acaba me atraindo de verdade um pouco... – pensava enquanto deslizava sua cauda de um lado para o outro lentamente... – Dispensados. E espero boas notícias logo. Vão!

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Notas finais
Espero como sempre que tenham gostado, e estou aberto a criticas e sugestões! Elas são importantes sim! Até o próximo capítulo pessoal, obrigado de verdade por acompanharem até aqui!