Dez Chamas

3 Capítulo 003 - Xamã


Notas iniciais
Bom, como eu estava um pouco inspirado, acabei escrevendo mais um capítulo hoje mesmo, espero que gostem!

Mais um dia nesta pequena vila começava. O primeiro raio de sol passou pela janela, adentrando o quarto e chegando finalmente em seu rosto, acordando-a. Ela abre seus olhos, mas não se levanta. Como sempre, agradece à natureza por fornecer-lhe a vida, e em seguida senta, e leva a mão esquerda à cabeça.

Então... er... vejamos, hoje um jovem virá aqui para ter seus pontos de energia liberados... melhor me levantar logo – pensa a xamã. Logo, dá dois tapas no rosto, de leve, e ao mesmo tempo, e levanta-se de seu monte de palha coberto com diversos tecidos macios. Estava nua, como de costume, uma vez que acredita que dormindo desta maneira está em melhor contato com a natureza. A luz adentrando a janela ilumina seu belo e jovem corpo, ela possuía 25 anos, mas já era xamã há algum tempo.

– A luz do sol torna seu cabelo castanho escuro quase loiro – diz uma garota que encontrava-se entrando no quarto.

– É? Prefiro ele mais escuro – afirma a mulher.

– Bem, eu prefiro ele mais claro – confronta a jovem, que continua observando a mulher atentamente. O corpo da mais velha no quarto era bem bronzeado, seus olhos verdes quase brilhantes, com ótimas curvas para sua idade, um busto nem tão grande, nem tão pequeno, mas mais próximo do “grande”. Seus cabelos castanhos se estendiam até pouco abaixo de sua cintura, e eram lisos, porém meio ondulados nas extremidades. A única coisa não natural a notar, era um tererê que se estendia pelo lado esquerdo de seus rosto, até a altura do ombro, da cor verde, utilizando várias linhas de diferentes tonalidades da cor e, ao final, uma pena verde muito linda, pouco maior que um dedo – espero chegar na sua idade como você.

– Provavelmente você consegue, lembre-se que temos o mesmo sangue em nossas veias, basta você se cuidar – incentiva a mulher, após analisar a jovem, que possuía cabelos longos e lisos como os seus, porém pretos, que se estendiam até a cintura. Sua pele era bem mais clara, e seus olhos eram castanhos escuros. Usava uma pequena saia e uma pequena blusa que deixa sua barriga a mostra. Seus seios ainda não eram muito desenvolvidos, afinal, ela tinha apenas 14 anos, mas dava para notá-los. Somado a isso, ela contava com acessórios, como um tererê que se estendia pela lateral direita de seu rosto, composto de várias cores de linhas, como azul, verde e vermelho, e com algumas pequenas pedras nas extremidades. Ainda usava um conjunto de várias cordas coloridas e finas em seu pulso esquerdo, e um tipo de chinelo de palha que prendia em seu tornozelo – você se arrumou rápido hoje...

– Bem, hoje você terá clientes, e sei que você ainda vai se banhar no lago, então, vou colher alguma coisa para que possamos comer – dito isto, a garota sai do quarto e se dirige para fora da casa, que é cercada por pequenas plantações.

Na parte de trás da casa, no quintal, há um pequeno Lago, formado pelo desvio subterrâneo natural da água do rio que corta a vila. As duas mulheres utilizam-no para se higienizar. O lago foi murado com pedras a fim de garantir uma melhor privacidade para as duas. Dentro do muro também se encontrava um pequeno pedaço de terra (oposto ao lado da casa) de onde se estendia uma árvore mediana que crescia inclinada para a direção do lago, fazendo sombra em uma parte da água.

– Ahh... como isso é refrescante – desabafa a mulher ao emergir da água.

Logo, ela entra em casa pela porta de trás, que leva a cozinha. Finalmente ela se veste, com uma roupa bem parecida com a da mais jovem, mas somada a ela, um tipo de manga que se estendia do pulso até quase o cotovelo, cobrindo apenas o Braço, sem ligação com a camisa, e finalmente come algo junto a sua companheira.

– Os clientes de hoje são especiais, ou só mais desse pessoal normal que encontramos por aqui? – pergunta a jovem.

– Eu não me encontrei com o jovem em questão, mas com os pais do mesmo. Mas pela conversa dele, parece que não será um manejador de fogo laranja, como de costume... – diz a xamã.

– Olha só, já é um avanço. Não lembro qual foi a última vez que você liberou alguém que não fosse do laranja. Eles disseram qual a cor em questão? – pergunta a jovem, ansiosa.

– Bem... eles afirmaram que a linhagem era de fogo vermelho, mas ninguém da família tem seus portões abertos há várias gerações, então eu não tenho tanta certeza... – diz a mulher, sem querer criar falsas expectativas.

– Pelo menos tem uma chance... – insiste a garota.

– Sim, tem uma chance... Vamos preparar as coisas por aqui – completa a mais velha.

“Preparar as coisas” significava “purificar” o lugar em que ela faria o processo de liberação dos portais de energia. Embora gostasse de utilizar este termo, ela apenas perfumava e limpava o local, tudo com perfume natural de flores da região, a fim de dar um ar mais puro e natural ao local. Espalharam incensos e velas, que acenderiam assim que o cliente chegasse, além de recipientes com água misturada com ervas naturais. Não significa que este processo seja vital para a conclusão do trabalho, mas a xamã tinha convicção de que quanto mais natural parecesse o local, melhor as energias fluiriam por ali, e facilitariam o trabalho.

– Eles já devem estar chegando, a essa hora – afirma a mais jovem – vou para a porta recebê-los.

– Tudo bem, vou acender as velas e incensos... – diz a xamã.

Ao abrir a porta, e sentar-se nos degraus da entrada (que eram três), a jovem observa o vento passar pela pequena plantação, que se movimentava. Em seguida nota a pequena cerca feita de madeira que envolvia a plantação. A casa possuía um formato cilíndrico, desta forma, a plantação e a cerca seguiam o mesmo padrão. Após alguns minutos, uma família de aparência bastante humilde apareceu em seu campo de visão, e, sem dúvidas, caminhava em direção à casa. A jovem se levanta e espera que os mesmos cheguem mais perto para se apresentar e recebê-los.

Engraçado, desde que acordei, estou com um pressentimento bom, parece ansiedade... Deve ser só bom humor – pensa a xamã enquanto aguarda seu cliente chegar – pronto, tudo aceso aqui – termina de pensar a frase com um belo sorriso no rosto.

Notas finais
Como sempre digo, criticas positivas e negativas são bem vindas, além de sugestões e "toques" sobre erros de ortografia. Obrigado por lerem!