Dez Chamas

1 Capítulo 001 - Rojo


Notas iniciais
Primeira história postada por mim, espero que gostem, embora tenha criado-a como uma história protótipo.

O dia estava quente enquanto Rojo acordava. Ao seu lado ainda dormia seu irmão menor, Aka. A diferença de idade entre os dois era de aproximadamente 3 anos. Enquanto Aka era um jovem de 12 anos, Rojo estava prestes a completar 15. Rojo era um jovem de pele morena clara, e estatura mediana para sua idade. Seus olhos eram castanhos, um pouco mais claros que seus cabelos. Quanto a Aka, tanto sua pele, quanto olhos e cabelos eram mais claros que os de seu irmão. Ambos dormiam em um monte de palha espalhado no chão de seu quarto. Eles dividiam o quarto com um terceiro irmão, o mais velho, Rot, que como Rojo notara, não estava no local. Rojo se levantou rápido, e, por sentir uma leve tontura, se apoia na janela que estava aberta, dando uma boa olhada no lado de fora. O sol já estava nascendo, e os vizinhos saiam de suas casas para começar suas jornadas de trabalho exaustivas para sobreviverem. A comunidade em que moravam não possuía muitos recursos, mas também não eram miseráveis. Mesmo assim, Rojo não se sentia confortável com a situação de sua família, e sabia que toda a esperança de uma boa mudança de vida da mesma, estava sobre suas costas. Hoje seria o dia em que seus pais o levariam até o xamã da comunidade, uma consulta muito cara e esperada. Seus pais juntaram bastante suas economias para este momento.

– Então hoje é o dia, hein? – ouve Rojo, que ao se virar, vê seu irmão mais novo sentado no monte de palha.

– É... hoje... espero que de tudo certo... – responde Rojo de forma negativa.

– Por qual motivo não daria? Seja mais positivo! – retruca o irmão.

– Mas e se eu não conseguir controlar direito? Digo, não teremos outra chance de juntar este dinheiro, agora que penso, é melhor deixar para voc... – é interrompido neste momento por seu irmão, que fala:

– Não diga besteiras, está decidido que será você há muito tempo, e pessoalmente eu não ligo – afirma Aka – e ponto final – termina, ao perceber que Rojo tentaria argumentar novamente.

Neste momento Rojo apoia suas costas na janela, e olha para seu quarto. Não havia muita coisa ali, nenhuma cômoda, para ser exato, o que lhe parecia engraçado, uma vez que seu pai era carpinteiro, e trabalhava inclusive com marcenaria . Haviam três montes de roupas, uma de cada irmão, alguns objetos espalhados, e o monte de palha no qual dormiam os três. Ele se vira para seu irmão, que o encara por alguns segundos, e responde com um sorriso a sua cara de preocupado. Neste momento ambos ouvem a voz de sua mãe, enquanto essa coloca sua cabeça pelo portal do quarto:

– Vejo que os dois acordaram, Seu pai está tomando banho, Rot entrará em seguida, e depois é a vez de vocês – diz ela sorrindo – preparado para hoje, Rojo? Iremos ao xamã logo depois do almoço.

– Droga, não gosto de tomar banho aqui, Rojo, vamos tomar banho no rio? – Diz Aka se levantando rapidamente, animado.

– Mas a água já está pronta – questiona a mãe – hoje é um dia importante, vamos nos preparar em família!

– Devo concordar com Aka que não gosto muito de ter que usar a água que os outros dois já usaram para se banhar, e ele ainda toma depois de mim – diz Rojo, tentando não contrariar sua mãe, mas concordando com o irmão.

– Então está decidido! – diz Aka pegando algumas peças de roupa em sua pilha e pulando a janela – vamos, Rojo, venha logo! – diz ao sair correndo.

– Estarei de volta rápido, mãe! – garante Rojo ao seguir seu irmão.

– Mas... eu não acredito nisso! – desabafa a mulher – é sempre assim, no fim das contas, não posso fazer nada mesmo...

As casas eram bem próximas na pequena comunidade, e as ruas eram barro e lama, mesmo que não chovesse há dias. Enquanto corriam, uma terceira pessoa se juntou a eles, Nan, um amigo de infância de Rojo. Nan possuía um tom de pele igual ao de Rojo, porém olhos azuis, um cabelo castanho bem claro, além de seu cabelo ser bem mais liso que o de Rojo. Ele carregava um embrulho longo coberto por um pano amarrado. Os irmãos e Nan chegaram rápido a margem do rio, e foram andando beirando sua margem em sentido contrário a corrente, para se afastarem das residências. O rio era relativamente limpo, não muito largo nem fundo, além de suas águas serem calmas. Conforme se afastavam das casas, a margem ficava cada vez mais verde e a água, mais pura.

– Resolveram tomar um banho no rio hoje, é? – pergunta Nan, rindo.

– Exatamente – responde Aka – e você, faz o que aqui?

– Vim mostrar a vocês dois isso aqui – diz ele movimentando o que carregava embrulhado em pano e cordas.

– Nos mostre logo o que é, estou curioso – diz Rojo, se virando e estendendo a mão na intenção de pegar o embrulho.

– Não, não! Não posso deixar que toquem! – diz o jovem, desviando o embrulho da direção da mão de Rojo – vocês devem apenas olhar.

Nan começa neste momento a soltar as cordas que, ao estarem frouxas o suficiente, deixaram o pano cair, de modo a revelar uma bainha, e em seguida, o resto de uma espada. A espada embainhada parecia só uma espada normal, bainha de couro marrom, com um detalhe em metal em sua extremidade, e um cabo simples metálico, sem protetor. Nan a desembainhou devagar e cuidadosamente, revelando uma lâmina simples, porém bem cuidada.

– Era a espada que meu pai usava – afirma – ele me deu, de aniversário, para eu prestar o exame para o exército.

– Isso é incrível, Nan! – parabeniza Rojo – com certeza você se sairá bem... já eu...

– Valeu! E... ele ainda está pessimista com aquilo, Aka? – pergunta Nan, guardando sua espada, voltando a embrulhá-la.

– Eu já falei com ele hoje, e ontem... e sempre, mas ele sempre volta a ficar negativo assim – explica Aka.

– Vocês não entendem o motivo de eu ficar assim, se esquecem do peso sobre mim, tudo que isso significa! – reclama Rojo.

– Ele dirá que seria melhor se eu visitasse o xamã – sussurra Aka para Nan.

– Seria melhor se usássemos o dinheiro para o xamã com o Aka – diz Rojo, fazendo os outros dois rapazes rirem baixinho – do que estão rindo? – pergunta meio irritado.

– Irmão, eu sei que você vai conseguir controlar, Nan também sabe. Rot, papai e mamãe também – encoraja Aka – Inclusive não parece tão difícil, o xamã abrirá seus Portais de Energia, assim você conseguirá manipular fogo. Não há tanto mistério. Agora está na hora de você lembrar do motivo de estarmos aqui! – diz o irmão menor empurrando o maior dentro do rio, mas segurando suas roupas para não se molharem – minha vez! – grita ao dar as roupas limpas de ambos nas mãos de Nan, e mergulhando.

– Você me jogou de roupa e tudo! – reclama Rojo.

– Assim aproveitamos e lavamos as roupas também – diz Aka rindo – além disso essas roupas estão todas surradas de qualquer jeito.

Após um rápido, porém bom banho, Rojo sentia mais tranquilo, porém, ao sair do rio com seu irmão e começarem a colocar suas roupas, eles ouvem uma voz familiar e nada agradável:

– Estão precisando se secar? – pergunta a voz em tom de ironia, enquanto uma fina chama se dirige aos 3 com certa velocidade, que os obriga a desviar para os lados. O dono da voz era Kan, um jovem da mesma idade que Rojo e Nan, porém mais briguento, de aparência um pouco mais robusta, e mais forte que os dois. Possuía olhos castanho-escuros, porém puxados, de modo a desviar a atenção da cor para a fisionomia dos mesmos, e cabelos pretos bastante lisos. Sua pele era branca, com um certo tom que a deixava levemente amarelada. De fato Kan conseguia chamar a atenção na comunidade por esta aparência diferenciada. Ele vinha seguido de seus amigos que sempre o acompanhavam, Tin, um jovem magro e alto, branco e de cabelos e olhos castanho-claros, Jin, irmão de Tin, um pouco mais cheio, mas não chegava a ser gordo, também com olhos e cabelos castanho-claros, ambos também possuíam a característica dos olhos puxados, e Teno, um jovem de pele meio escura, olhos pretos e cabelos também, sendo este último encaracolado. Um pouco acima do peso, mas forte. Os dois grupos não se davam muito bem desde que se cruzaram pela primeira vez.

– Você está louco? Quase nos acerta com esse fogo! – grita Rojo.

– Ora, foi só uma brincadeira inocente. E se te incomoda, rebata fogo com fogo! – diz Kan antes de gargalhar.

– Por mim só parece se gabar por ter aberto seus Portais de Energia a pouco tempo – retruca Aka.

– Olha como falam com Kan! – grita Teno, demonstrando irritação – realmente pretendem arranjar briga com o Kan, que já podemos manipular as chamas laranjas?

– Qual a necessidade disso? – pergunta Nan, começando a soltar as cordas que prendiam o pano a sua espada.

– Ele pretende fazer alguma coisa – alerta Tin.

– Se está se preparando para brigar, só podem estar loucos – diz Kan mostrando uma pequenina bola de fogo laranja queimando acima da palma de sua mão direita, que se apagou. Com raiva, ele se concentra em sua mão até outra chama aparecer.

– Parece que você ainda não sabe controlar direito – afirma Rojo.

– Está brincando com a minha cara? – pergunta Kan, se preparando para investir.

– Que tal esperar para essa briga até amanhã a noite? – pergunta Aka – Meu irmão irá visitar o xamã hoje, aposto que a noite de amanhã ele saberá controlar melhor suas chamas que você.

– Está subestimando meu fogo?? – grita Kan.

– Na verdade isso parece interessante, Kan – sussurra Jin em seu ouvido – Imagine, se você queimá-lo numa luta de fogo versus fogo, não vão poder alegar que ele não podia usar fogo ainda. Além disso, não tem como ele controlar em algumas horas mais que você que já controla há alguns dias — conclui Jin.

– É, você está certo – concorda Kan, sussurrando – Amanhã a noite, abaixo da Grande árvore do vilarejo.

– Ele estará lá – afirma Aka, vendo os 4 garotos se afastarem.

– Você ficou louco?! – pergunta Rojo a seu irmão mais novo – como posso enfrentá-lo? Ele já sabe controlar as chamas, mesmo que seja um pouco!! – se desespera Rojo.

– Por outro lado você pode conseguir, dar uma surra nele e finalmente ele poderia parar de nos perturbar – contra-argumenta Aka.

– Não queria interromper, mas vocês não deveriam se encontrar com seus pais logo? – pergunta Nan.

– Ah é mesmo! Vamos nos apressar, irmão! – grita Aka rindo e puxando seu irmão por uma mão, e carregando suas roupas sujas na outra, carregando-as contra o peito, enquanto tentava desajeitadamente se despedir de Nan.

– Ainda não acredito no que você me meteu... – reclama Rojo, desanimado, acompanhando o irmão.

Notas finais
Sugestões, críticas, todo tipo de comentário é bem-vindo para me ajudar a melhorar a história e seu rumo. Agradeço a quem leu este capítulo até o final, e até a próxima!