Dez Chamas
11 Capítulo 011 - Acordo
Notas iniciais
Estavam Aiyra, Rojo, Aka e Rot ao lado de fora, próximos ao lago, aguardando enquanto a Xamã e a jovem garota conversavam no lado de dentro.
– Eu não acredito que eu não posso ficar lá para ouvir também... – reclama a filha da Xamã.
– Talvez se fizéssemos mais silêncio desse para ouvir, a final, parece que a porta que tinha aqui foi destruída – aponta Rot.
– Sim, e graças a você a outra porta também – contra argumenta, deixando Rot meio sem jeito.
– Mas o que houve aqui? – indaga Aka ao irmão, ao notar a porta destruída.
– Sério mesmo que você não se lembra?
– É comum memórias de antes da pessoa que liberou portais descansar sejam perdidas. Mas geralmente são conversas apenas – afirma Aiyra.
– Estão dizendo que isso aqui foi culpa minha? – o irmão mais novo pergunta, confuso.
– Espere um pouco aí, o Aka fez isso? – se surpreende Rot.
– Foi com minhas chamas? Por qual motivo não consigo usá-las mais?
– Não consegue usar? – Pergunta o mais velho, preocupado.
– Eles só não aprenderam a controlar ainda – acalma a ajudante da Xamã.
– Aliás quem é aquela garota, Rot? – pergunta Aka, desviando do assunto.
– Ela? Bem, por incrível que pareça é uma longa história.
– Mas qual o nome dela? – pergunta Rojo.
– Eu... não sei. Ela disse que não podia dizer “ainda”...
– Essa história está muito estranha. O que será que ela quer com minha mãe? – nota-se o incômodo no tom de Aiyra.
– Você está dizendo que a Xamã é sua mãe? – pergunta Rot meio espantado.
– Sim, ela é, qual o problema?
– É que ela parece tão...
– Tão...?
– ...jovem – completa Rot, finalmente.
– Agora que você falou, realmente... – concorda Rojo.
Todos ficaram então encarando a paisagem por alguns segundos até que novamente o silêncio foi quebrado, desta vez por Rojo.
– Vamos voltar a tentar usar as chamas então! – Mais uma vez terminando em uma pequena explosão próxima a sua mão.
– Então as explosões eram isso – conclui o irmão mais velho.
– ...Eu simplesmente não consigo usar... e pensar que me escolheram ao invés de você Rot, eu sint... – começa a se arrepender o irmão do meio antes de ser interrompido.
– Não vamos voltar a isso, irmão. Foi decisão minha também, gostaria que você respeitasse. E além do mais, tem tão pouco tempo, vamos, você vai conseguir.
– Já eu nem explosão consigo por exemplo – afirma o caçula, enquanto tentava fazer algo, soltar poder de alguma forma, e nada acontecia.
Enquanto isso, a conversa no interior da casa a conversa se desenrolava de forma que Kaila não esperava.
– Você está falando sério? – sem expressar completa surpresa com a situação – “Se isso for verdade, pode ser muito bom financeiramente falando. Mas ao mesmo tempo poderia causar um problema ‘político’. Embora caso anda seja feito haverá um problema desta natureza de qualquer jeito.” – pensava a Xamã.
– E então? – pergunta a ansiosa garota.
– Mesmo que eu seja forte, acho que precisaríamos de muito mais pessoas para resolver um problema desses, você não chamou mais ninguém?
– Eu estava fugindo, então é a primeira vez que paro de fato em algum lugar... Mas tenho certeza que existem entre eles, aqueles com quem posso contar.
– Não será barato.
– Estou ciente disso.
– Você disse... que estava fugindo e este foi o primeiro... Merda... Está me dizendo que eles podem estar vindo para cá agora?
– Não acho que me encontrem facilment...
– O vilarejo todo pode estar em perigo se você continuar aqui. Logo agora, provavelmente minha casa é o local que mais chamará a atenção por causa do que aconteceu ontem à noite.
– Está me dizendo que podem nos achar fácil então? Não consegue lidar com eles?
– Você tem noção de com o que estaríamos lidando? Eu irei ajudar, me decidi, mas não podemos ficar aqui. Além disso, teremos que encontrar mais pessoas a lutar pela causa, ou pelo dinheiro.
– Você gosta tanto assim de dinheiro?
– Eu tenho os meus motivos, mas isso não vem ao caso. Se quiser minha ajuda, partiremos pela manhã.
– Por mim tudo bem, mas para onde vamos?
– Vamos nos afastar, mas não em linha reta. Precisamos de um lugar afastado que dê para treinar, mas não podemos nos isolar, se não, não conseguiremos encontrar ajudantes. Tenho uma ideia de para onde ir. Você não conhece muito a relação de vilarejos, cidades e países não é? – dizia kaila com uma cara pensativa – “e eu achava que teria uma vida mais tranquila por bastante tempo”.
– De fato, não conheço – dizia com uma cara de decepção e impotência.
– Então deixe comigo. Vai entrar como extra, como uma taxa de estrategista. – disse a xamã, sorrindo.
Enquanto isso, no lado de fora, enquanto o sol da tarde batia em seus rostos, não houve nenhum avanço nas tentativas dos dois irmãos em utilizarem as chamas.
– Seu olho ficou legal Aka, gostei – afirma Rot ao notar que um deles havia ficado dourado.
– Valeu irmão, não sinto, porém, nenhuma diferença na minha visão nem nada, deve ser só estético – dizia o mais jovem enquanto estendia o braço como seu irmão do meio, mas sem nem mesmo provocar explosões.
– Você pretende destruir mais parte da minha casa com essas explosões? – pergunta kaila enquanto andava para o lado de fora.
– Ah, terminaram a conversa? – perguntava uma levemente raivosa Aiyra.
– Sim. Aiyra, pegue suas coisas, estamos de saída.
– Está b... Estamos o que? – pergunta a jovem surpresa.
– Para onde vão? – pergunta Rojo, que tinha esperanças de ser treinado pela Xamã.
– Por essa noite, para a casa de vocês. Vocês também terão que arrumar suas coisas. Estamos partindo pela manhã.
– Aonde vamos? – pergunta Aka calmamente.
– Nós? – já Rojo pergunta mais assustado.
– Estão com problemas em controlar suas chamas, não? Pois bem. Virão comigo para treinar.
– Você não pode decidir coisas assim sem a permissão de nossos pais – aponta Rot, meio intrigado.
– Lembra que eles acordaram que ambos iriam ficar aqui comigo? Então. Mas precisamos ir para outros lugares para treinar.
– Qual o motivo disso de repente? Qual foi o assunto da conversa com essa garota? – questiona Aiyra, indignada.
– “Essa” é? – diz a garota em questão, chateada.
– Bem, eu não sei seu nome.
– Sim, nenhum de nós sabe – afirma Rot.
– Pois bem, me chamem de... Puinen – revela a garota finalmente.
– Então é “Puinen” – murmura Rot.
– E vão para nossa casa agora por...? – Começa a perguntar Rojo.
– Por estratégia minha. Além disso, preciso falar com seus pais sobre isso e, afinal, foram os irmãos aqui que quebraram minha casa não é? – dizia a Xamã fazendo menção à parte de trás da casa queimada, aos utensílios quebrados na sala por Rojo e a porta da entrada arrombada por Rot, por exemplo.
– Bem, er... – começa Rot.
– Aiyra, já está pronta? – pergunta a mãe apressada.
– Está bem, espere, vou pegar algumas coisas.
– Sério que isso está acontecendo? – pergunta Rojo
– Daqui a pouco já é noite, o que vai fazer, irmão? – questiona um Aka bem tranquilo.
– Droga, ainda tem isso... – reclama o irmão do meio.
– Ah, o duelo não é? – diz a Xamã – Você vai mesmo sem conseguir usar chamas?
– Eu tenho que ir... – afirma Rojo.
– Muito bem, então, deixe eu dar uma dica, que serve para qualquer usuário de qualquer tipo de chama: Não tente se comparar a outros manipuladores. Ninguém é igual. Veja o que consegue fazer, e utilize isso a seu favor – ensina Kaila, confiante.
– Humn... – Rojo começa a pensar – “Mas essa dica serve para quem consegue manipular as chamas, diferente de mim... a não ser que... ela esteja falando para usar minha desvantagem de não controlar a meu favor? Mas como? Tenho que pensar...”
– Mãe, venha me ajudar com as coisas que vamos precisar, afinal, eu não sei o que você planeja e tal – reclama a garota, de dentro da casa.
– Como vão todos para nossa casa? – se pergunta Rot – não temos comida nem espaço para todos.
– Estou levando comida e suprimentos para alguns dias, não se preocupe – diz Kaila, de dentro da casa.
– Cara, nossos pais não vão gostar muito disso – dizia Rojo, enquanto seus dois irmãos assentiam com a cabeça.
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A uma certa distância daquele vilarejo aparentemente esquecido pelas pessoas “importantes” daquele reino...
– Ainda vamos demorar muito para chegar naquele fim de mundo nojento, Major? – Indagava um rapaz vestido de forma exuberante, com joias e diversas camadas de roupas. Seu tom de pele era bastante escuro, embora seus olhos fossem verdes bem claros. Suas sobrancelhas, cílios e cabelos eram de um tom de loiro quase branco, enquanto seus lábios eram escuros assim como o resto de sua pele. Dentre suas diversas camadas de roupas, haviam vários tons de cores, desde laranja, passando a verde e roxo.
– Mais algumas horas, vossa excelência – respondia calmamente o rapaz que aparentava ter uns 30 anos, de tom de pele parda clara, que vestia uma roupa de guerreiro, cheias de peças de madeira, uma vez que era um oficial do exército. Seu uniforme era Branco e vermelho, além das partes marrons que remetiam a sua proteção de madeira.
– Uma coisa me incomoda, Major.
– O que seria isso, Vossa Excelência?
– Tem certeza que eu estarei protegido apenas com a presença de um Major, uns 10 soldados, e um capitão? Sabe, sou uma pessoa importante, tantos podem atentar contra minha preciosa vida.
– Não se preocupe, Vossa Excelência. Eu fui designado pois já fui morador deste vilarejo. Ele não apresenta perigo. E também confio nos meus homens. Tudo irá ocorrer bem – afirmava o militar, com segurança – “O que mais me preocupa mesmo é esse capitão que vêm conosco, esse corrupto”.
– Lembre-se que sua missão principal é me proteger, minha vida é mais importante que a de qualquer um do vilarejo ou de vocês soldados.
– Estou ciente disso, Senhor – dizia o Major.
A carruagem em que se encontravam era relativamente pequena. Uma cortina levemente transparente separava o nobre do militar. Na presença deste nobre, haviam crianças. Quatro crianças de pele branca, com roupas muito simples, porém limpas, exigência de sua excelência. Possuíam correntes em seus braços e pernas, além de uma outra que vinha da gargantilha que todas possuíam no pescoço. Três garotos e uma garota. Eles serviam como escravos. Massageando, servindo água e comida, ou até mesmo abanando sua excelência. O major tinha que aguentar o que via e ouvia. Como na ocasião em que a pequena escrava fora ordenada a servir água a seu mestre, e devido aos buracos da estada em que se encontravam, a carruagem veio a balançar, e algumas gotas de água foram derramadas na roupa do senhor. A jovem foi espancada por ser “incompetente”. O máximo que ele poderia fazer era tentar puxar assunto para desviar a atenção do homem de alto status. Isto ia totalmente contra seu senso de Justiça, mas ele tinha que aguentar, pelo bem de uma pessoa que ele amava. Uma coisa era certa para este oficial: Ele não gostava de estar na presença de nobres nem de outros oficiais corruptos, e queria que esta missão convocada às pressas acabasse logo.
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