Dez Anos
39 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
Quarenta.
Por mais que eu tentasse me convencer, sabia que não era apenas um número. Não, definitivamente não era, ele era bastante representativo, eu estava fechando mais uma década e abrindo outra, mais um ciclo em minha vida.
Quarenta.
Porém, diferente dos trinta, eu não estava com medo dos quarenta. Okay, talvez um pouquinho. Mas, com os quarenta chegou uma quantidade absurda de cabelos brancos, isso era assustador, nunca fiquei tão feliz com a existência de tinta para cabelo.
Quarenta.
Eu tentei me lembrar de todas as metas que tinha para meus quarenta anos, mas as deixei de lado. A quem eu queria enganar? Eu tinha tido uma reviravolta em minha vida muito grande aos trinta, as metas antigas eram apenas isso, parte de um passado.
Quarenta.
Ainda assim, todas as metas novas estavam lá. Desde a parte que incluía uma família com o homem que eu amava a ter experiências sexuais novas, sim isso quer dizer anal, não que eu vá tecer um grande comentário sobre. Apenas algo: é bom!
Quarenta.
Suspirei alto, cansada de ficar na cama, mas ainda podia ouvir toda a movimentação no andar de baixo, então sabia que para não decepcionar as três pessoas que mais amava, eu devia me manter no quarto quietinha fingindo estar dormindo. Eu tinha estragado o dia das mães ao sair cedo demais do quarto e no natal tive de ir apagar o incêndio se formando na minha cozinha, então os deixaria ter seu momento de glória no meu aniversário.
Meu aniversário de quarenta anos, confuso e assustador, mas ao mesmo tempo instigante e cheio de novas expectativas em seu embalo.
Ouvi os passos se aproximando, então deslizei para o colchão, fechando os olhos, fingindo estar dormindo. Finalmente poderia terminar o teatro de Bela Adormecida e comer algo, estava mesmo com fome, que eles tivessem conseguido cozinhar algo comestível daquela vez, eu sempre seria aterrorizada pelos waffles do Natal.
— Feliz Aniversário!
O grito deles me fez sorrir, no instante seguinte já estava acordando, fingindo surpresa ao ver o bolo, a bandeja com comida e os balões. Eles tinham caprichado aquele ano.
— Oh Meu Deus, eu não suspeitava! — exclamei, Edward revirou os olhos para meu fingimento, enquanto se aproximava com o bolo.
Achei aquilo seguro, deixar o bolo nas mãos de Renesmee ia ser um perigo ao carpete da casa. Por isso eu o amava, ele era inteligente.
Olhei para meus filhos, EJ carregava a bandeja, parecendo muito concentrado naquilo para não deixar nada cair no chão. Ele era uma cópia física minha, quando estava grávida e Edward e eu imaginávamos como o pequeno seria, nós dois o imaginávamos como uma miniatura do pai, mas foi totalmente o contrário.
Com seus oito anos de vida, EJ era um garotinho não tão alto assim, de cabelos e olhos castanhos. A única coisa de Edward nele eram os fios capilares bagunçados, uma vez que até em suas feições eu me fazia mais presente.
Em contrapartida, Renesmee era toda Edward. Mesmo com cinco anos de idade, a garotinha já era alta demais, com cacheados cabelos ruivos e olhos verdes expressivos. Eu via muito de Esme nela também, então agradeci aos céus por minha sogra não me odiar mais, ou seria muito difícil ter uma cópia dela em casa.
— Mãe, mãe, eu enchi os balões todinhos! — Nessie cantarolou, pulando junto de mim na cama, entregando os fios dos balões para que eu segurasse.
— Você foi ótima em seu trabalho, querida.
— Grande coisa, papai deixou eu fazer a massa das panquecas — EJ anunciou, colocando a bandeja sobre meu colo, ocupando o outro lado da cama.
— Ei EJ, não desmereça o trabalho da sua irmã — Edward chamou a atenção dele de forma firme.
— Foi mal, pai. — EJ pediu envergonhado. — Desculpa, Ness — pediu a ela, que apenas deu um sorriso triunfante.
Sim, igualzinha à avó.
— Feliz aniversário, amor — Edward falou por fim, me dando um beijo.
— Eca! — As crianças fizeram coro, nos fazendo rir e nos separar.
— Obrigada — agradeci Edward, afagando seu rosto.
Ele era tão lindo aos trinta quanto era aos vinte, talvez um pouquinho mais. Como um bom vinho, meu marido só fazia ficar mais bonito. Eu era tão sortuda. Ter Edward, as crianças, amigos e uma família maravilhosa.
Nós tínhamos passado por tanta coisa e ainda passávamos, mas saber que tinha pessoas especiais ao meu lado era a força para continuar em frente.
Edward e eu tínhamos nos casado dois meses depois que eu descobri sobre EJ, uma cerimônia pequena apenas para os mais próximos. Mas, tivemos nossa primeira dança ao som de The Way You Look Tonight e emendamos com Something, sem duvida alguma nossas canções preferidas. Então, no ano seguinte EJ nasceu e dois anos depois veio Renesmee completando tudo.
Nos mudamos para uma casa próxima a de Rosalie e Emmett quando EJ fez um ano, o apartamento se tornando pequeno demais para todos nós. Isso significava que um mês após a mudança Edward já estava levando para casa um cachorro, um grande e atrapalhado labrador.
Eu não me surpreendi quando ele o nomeou de Harry. Lady odiava Harry, enquanto o cachorro a seguia com admiração para cada canto da casa, tendo uma paixão platônica pela gata.
Era bom para mim que ele era a pessoa em casa pela maior parte do dia, sendo um escritor de grande renome, Edward se dedicava a apenas isso nos últimos anos. Então, ele mantinha a casa longe de incêndios causados pelas crianças, ou pela nossa gata e cachorro, enquanto eu ia dar aulas.
— O que? Café na cama e nada de cereal dessa vez? Você está me decepcionando, senhor Cullen — falei para Edward, que riu, passando seu nariz por meu rosto.
— Não julgue meus dotes culinários.
— Nunca, Baby. — Voltei a beijá-lo e mais uma vez o coro aconteceu.
— Eca!
Edward e eu não nos importamos com os resmungos das crianças, continuando a nos beijar. Era bom demais para parar.
Mais tarde naquele dia, a casa estava montada para minha festa de aniversário, com todos amigos e familiares mais próximos ali.
Morando perto de Rose e Emm pelos últimos anos, eu já estava cansada de cozinhar para eles, então naquele dia fiz os dois não me azucrinarem por comida. Eles tinham parado em Noah, Rosalie afirmou que não poderia lidar com outra criança e Emmett concordou prontamente com ela.
Carlisle tinha se aposentado no ano passado, Esme estava pisando em seu próprio freio, então eles também viviam constantemente pela nossa casa querendo mimar os netos. Esme era uma avó excelente, ela levá-la os meninos a beira da mimação exagerada, mas nunca contrariava meus próprios limites.
— T, você não podia ter arranjado uma namorada que falava a nossa língua? — Edward perguntou a amiga quando nos encontramos em algum momento da festa.
Mia não tinha durado muito, por mais legal que fosse. Então, quando se formou Tanya começou a rodar o mundo em suas viagens, a nova namorada dela, Lupita, era argentina e não dizia mais que os cumprimentos formais em inglês.
— Ou talvez, você grande escritor, pudesse se dedicar e aprender espanhol — Tanya rebateu.
— Boa sorte com isso. — Bebi mais um pouco do champanhe na minha taça. — Edward parecia uma criança birrenta quando tentei ensiná-lo português, nem mesmo EJ chora tanto quando tem de aprender matemática.
Edward bufou, mas se manteve ao meu lado, sua mão brincando com minhas costas nuas graças ao decote do vestido que eu usava.
— Enjoo de novo? — perguntei quando Alice e Jasper passaram por nós, eles apenas assentiram, entrando na casa para que ela pudesse vomitar. Eu não sentia falta alguma daquela parte da gravidez.
— Dakota, ela parece péssima por ter perdido seu aniversário. — Ângela sussurrou ao meu lado, passando seu celular para mim.
Atendi a ligação da minha sobrinha, enquanto via minha irmã se afastar até o filho e o novo marido. Edward tinha a apresentado a Ben, seu agente, alguns anos antes, não fiquei nada surpresa quando o destinou jogou na minha cara que Ben era sete anos mais novo do que Ângela.
Ela tentou resistir a isso no começo, mas não conseguiu por muito tempo. Era incrível como o mundo podia dar voltas. Charlie tinha ficado chocado, mas depois de passar por mim e Edward, Ben e Ângela não era algo muito surpreendente.
Depois que finalizei a ligação com Dakota, que estava na universidade em Chicago. Edward me conduziu para o bolo, para que pudessem cantar parabéns.
— Vamos passar por isso de uma vez para que possamos mandar todo mundo embora e transar — ele sussurrou no meu ouvido, abraçando-me por trás, enquanto Rosalie acendia a vela.
— Ouvi isso, Cullen — ela falou.
— Ótimo, então sabe que não deve prolongar sua estadia aqui mais do que o necessário — ele disse brincando.
Eu apenas ri, deixando-me levar pela música irritante de aniversário.
Edward estava falando sério quando queria todos fora assim que possível, então depois dos convidados irem embora. Ele subiu com as crianças para as colocarem no quarto, enquanto fiquei na biblioteca que tínhamos montado na casa nova quando nos mudamos para lá.
Eu tinha mãos o caderno onde Edward e eu escrevíamos nossa história, escrevendo ali sobre aquela noite.
— Enfim sós.
Sorri com Edward me abraçando por trás, devolvendo o nosso livro para a estante.
Ele beijou meu ombro, deslizando o vestido para fora do meu corpo. Como eu não usava um sutiã, suas mãos logo estavam em meus seios, enquanto ele me imprensava contra a estante mais próxima.
— Já disse o quão linda você é? — ele perguntou, encaixando minhas pernas em sua cintura, sustentando meu corpo.
— Mesmo com quarenta? — perguntei, sentindo sua ereção.
— Principalmente com quarenta.
Edward segurou em meu rosto, beijando minha testa gentilmente.
— Você sempre será a mulher mais linda e a única que eu amarei, senhorita Swan.
Ouvi-lo me chamar daquele jeito me deixou desesperada por mais, fazendo com que eu atacasse sua boca.
— Você sempre será o único para mim também — falei, gemendo alto quando sua boca foi até meu pescoço. — E meu melhor aluno. — Edward sorriu contra minha pele.
Ele me manteve segura em seus braços, me conduzindo até a mesa da biblioteca, sentando-me até ali. Se inclinou sobre mim, tirando algo da gaveta.
Eu ri ao ver a maçã em sua mão, ele pensava em tudo.
— Não seria um bom aluno caso não trouxesse uma maçã para minha professora preferida.
Peguei a fruta da mão dele, mordendo um pedaço enquanto mantinha meus olhos presos em seu rosto.
— Eu lhe darei uma nota A, basta fazer o que faz de melhor — provoquei, o empurrando delicadamente.
Edward sorriu maliciosamente, tirando minha calcinha, ajoelhando-se diante de mim. Seus dedos encontrando-se com meu clitóris inchado de prazer.
— Eu já disse que sempre fui um excelente aluno.
Ele com certeza era. Dane-se os dez anos de diferença, eu sempre teria um cara incrível comigo independente da idade dele. Mordi mais um pedaço da minha maçã, enquanto Edward guiava-me para o paraíso.
No livro, eu tinha escrito:
“E ao assoprar as velas do bolo de quarenta anos, Bella percebeu algo, não importava quanto tempo passasse, ela ainda se sentiria a mulher de trinta perdidamente apaixonada pelo garoto dez anos mais novo.”
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