Dez Anos

28 Capítulo Vinte e Sete


Notas iniciais
Capítulo dedicado a rafasc que recomendou, muuuuito obrigada :D Entramos na reta final, mais uns 5 capítulos mais ou menos e acabamos :( Então, boa leitura ♥

Capítulo Vinte e Sete

Isabella Swan

Minha mãe morreu devido a um câncer, ele agiu muito rápido. Ela passou um ano inteiro se tratando, até que não aguentasse mais e falecesse. Eu estava em Seattle trabalhando quando aconteceu, eu tinha conversado com ela por telefone mais cedo naquele dia e minhas últimas palavras para ela foram:

— Estarei ao seu lado o quanto antes, mãe.

Então, ela disse de volta:

— Eu sempre estarei ao seu lado, filha.

Quando minha irmã ligou e avisou que mamãe estava morta, eu senti o mundo desabar em cima de mim. Pensei que nada poderia ser pior, ou mesmo chegar perto daquele momento.

Até aquela manhã de fim de novembro, com a temperatura caindo loucamente do lado de fora, enquanto eu via Edward em perigo.

Eu não sei como consegui descer aquela escadaria sem cair correndo sobre meus saltos finos, mas em um segundo eu já estava no fim dela, tentando tirar o policial de perto de Edward. Os olhos dele estavam marejados, suas mãos algemadas sujas de sangue como sua camiseta, em uma terrível coincidência a mesma camiseta que usava quando nos conhecemos.

Parte de minha mente registrou Jacob inconsciente no chão, mas Edward era quem detinha toda a maior parte da minha atenção.

— Por favor, o soltem, por favor — implorei ao policial.

— Senhora, ele está sendo preso em flagrante por agressão, solte-o — O outro policial falou, enquanto o que tinha algemado Edward tentava levá-lo para fora do prédio.

Eu estava na sala de Carlisle, o ouvindo falar coisas do tipo:

— Meu filho é o bem mais precioso que minha esposa e eu temos, Isabella, nós não o queremos em problemas. Você deve ser uma boa pessoa, mas ainda é um problema para Edward, o que há entre vocês foi longe demais.

Até que a secretária dele entrou na sala apressadamente, dizendo que Edward estava envolvido em uma briga dois andares abaixo de onde estávamos. Nós praticamente nos teletransportamos até lá.

— Bella, eu não queria fazer isso — Edward sussurrou, as lágrimas escorrendo por seu rosto. — Jacob, ele vai ficar bem, né? — perguntou transtornado.

— Vai Baby, ele vai — garanti afagando seu rosto molhado, o policial forçou Edward a andar.

— Não, não! — gritei, os acompanhando para fora do prédio, mesmo consciente do que estava acontecendo e de que todos os funcionários ali estavam me vendo naquele papel.

Edward foi colocado na viatura e, vários curiosos ali já estavam reunidos vendo o que estava acontecendo. Uma ambulância chegou e paramédicos correram até Jacob ainda desmaiado no interior do prédio.

— Vai ficar tudo bem, você não vai passar muito tempo lá, eu prometo — falei para Edward pela janela do banco de trás da viatura.

Ele assentiu, ainda perdido.

— Eu te amo — foi a última coisa que ouvi dele antes da viatura seguir caminho para fora do campus.

Voltei ao prédio, buscando por Carlisle. Ele parecia tão em choque quanto Edward, enquanto checava o trabalho dos paramédicos, a senhora Madison ao seu lado tentando forçá-lo a tomar um copo de água.

— Senhorita Swan. — Ela entregou minha bolsa, que deixei para trás na sala de Carlisle quando a segunda bomba do dia explodiu.

— Carlisle, você precisa ligar para Esme, precisa fazê-la ir até a delegacia e tirar Edward de lá — falei, minhas mãos trêmulas e suadas.

— Sim, eu preciso. — Ele piscou, enquanto os paramédicos retiravam um Jacob ainda inconsciente em uma maca.

Ele tinha de sobreviver, era um filho da puta que tentou nos prejudicar por ter tirado notas baixas, mas ele não podia morrer, não podia. Isso afetaria Edward de mil formas, isso já estava o afetando agora.

— Você pode dirigir, eu... — Me passou as chaves do seu carro.

Eu aceitei, indo com ele para fora do prédio onde tudo ainda era um caos por conta dos curiosos. Entrei no banco do motorista da Mercedes de Carlisle, enquanto ele ia para o banco do carona, falou o endereço da delegacia para mim, então discou algo em seu celular.

— Esme?! — Gelei ao ouvir o nome dela, agradecendo por ele não ter colocado no viva-voz. — Sim, desculpe-me, sei que você está no tribunal e que este número é só para emergências. — Carlisle ainda parecia fora de si. — Sim, é uma emergência. E-E... — Carlisle começou a chorar.

Eu respirei fundo, mantive uma mão no volante, enquanto estendia a outra para Carlisle, ele não hesitou em me passar o celular.

— Esme Cullen, aqui é Isabella Swan. Sou a professora de Edward, nós nos conhecemos na festa da universidade cerca de dois meses atrás, lembra? — falei, o mais confiante possível, aquela mulher podia me esmagar de mil jeitos se quisesse.

— Eu lembro, o que está fazendo junto ao meu marido? — ela questionou, ouvi uma porta bater com força, a voz dela era rígida e fria.

— Edward foi preso — murmurei, sentindo as lágrimas pinicarem meus olhos, mas me concentrei em dirigir.

— O que? — ela gritou, eu precisei afastar um pouco o telefone do ouvido por conta do som. — Preso? Meu filho foi preso? Foi aquela garota quem o colocou em problemas? Tanya! Onde está Carlisle? Por que ele não fala comigo? O que Edward fez?

— Edward agrediu outro aluno da Universidade, ele foi preso em flagrante por agressão.

Esme prendeu a respiração.

— Não, não pode ser, meu filho não é violento — falou desacreditada.

— Edward perdeu o controle...Ele precisa da sua ajuda, Esme, por favor tire seu filho da cadeia. — Solucei ao imaginar Edward preso, o choro fluindo por fim.

— Qual sua ligação com meu filho, senhorita Swan? — Esme perguntou cautelosamente.

— Eu sou a namorada dele, eu o amo — falei, então desliguei, devolvendo o celular a Carlisle.

Esme não retornou a ligação.

***

Ninguém queria nos dar informações na delegacia, então, enquanto Carlisle gritava com todos lá dentro, sem sucesso, eu me refugiei do lado de fora. Ligando para a única pessoa que poderia me dar um pouco de conforto naquele momento.

— Estava prestes a te ligar, será que você e Edward tem um tempo livre esses dias para verem como o quartinho do Noah está ficando?

Eu chorei ainda mais, encolhendo-me diante o vento frio que cortou a área externa da delegacia.

— Bella?

— Edward foi preso, um garoto da universidade nos viu, Edward perdeu o controle, bateu nele...Rosalie, está tudo dando errado.

— Qual a delegacia? Eu vou até ai agora mesmo!

— Não, você está grávida!

— Qual a delegacia? — insistiu, eu murmurei o endereço, sem conseguir debater mais. — Acalme-se, okay? Logo estarei ai.

Mas, antes de Rosalie, Esme chegou. Ela saiu de seu carro vermelho batendo a porta com força com a ponta do salto, jogando a bolsa por cima do ombro e caminhando de cabeça em pé, meu choro deve ter sido o que ela notou, pois quando solucei ela se virou para o banco onde estava encolhida.

— O que você fez com meu filho, sua vagabunda? — gritou comigo, os olhos verdes dela, assim como os de Edward, encarando-me com ódio.

— Esme, não, eu... — Me levantei, mas ela tentou me bater. — Não vou deixá-la me bater, não ainda. — Segurei seu pulso. — Você pode fazer o que quiser comigo depois, apenas tire Edward daqui o quanto antes.

— No local que você provavelmente o colocou, sua... — Me mediu de cima a baixo, então Carlisle apareceu ali. — Namorada de Edward? E você sabia disso por quanto tempo?

— Edward está preso, Esme, nós não temos tempo para isso — ele afirmou, os olhos vermelhos do choro anterior.

Ela entrou com o marido na delegacia, após me lançar um último olhar ameaçador.

Voltei a desabar no banco, ouvindo meu celular tocar na bolsa. Era Tanya.

— Isso é verdade? — ela perguntou, chorando, quando atendi.

— Sim — confirmei, passando o endereço para ela, sabendo que iria vê-la ali em breve.

— Ele vai ficar bem?

— Jacob ou Edward?

— Foda-se Jacob, ele pode...Porra, não, aquele desgraçado não pode morrer. Eu...Foda-se, eu mesma tirarei Edward daí se for necessário. — Desligou sem dizer mais nada.

Não sei por quanto tempo fiquei na frente daquela delegacia, sem saber o que fazer. Minha mente viajava entre Edward sendo preso, a denuncia de Jacob e tudo que podia resultar disso. Processos por assédio sexual, uma possível prisão e a perda do meu direito de ensinar.

Isso tudo seria muito aterrorizante, mas ter Edward em algum lugar no interior daquela delegacia parecia pior do que a ideia de eu ser presa, ou perder toda a carreira que construí até ali. Esme estava certa, eu tinha o colocado naquele lugar, nada disso teria acontecido se nós nunca tivéssemos nos apaixonado.

A culpa pesou em meus ombros.

Tanya chegou primeiro, seguida de um garoto loiro de cabelos cacheados.

— Alguma noticia? — Tanya perguntou, sendo seguida pelo garoto. — Este é Jasper, aliás — o apresentou rapidamente.

O garoto sequer me olhava, parecendo muito bravo.

— Eu não sei, Esme está lá dentro, a ouvi gritar uns três minutos atrás e...Eu não sei. — Voltei a chorar.

— Quem eu tenho que pagar pra tirá-lo daqui? — Tanya indagou a ninguém em especial, enquanto entrava na delegacia.

— Eu sabia que isso não ia acabar bem — Jasper falou em um sotaque do sul acentuado, eu me concentrei em seu rosto. — Vocês dois, quero dizer. Edward estava cego por você...

— Ele me ama, ele não está cego — falei aquilo tentando convencer a nós dois da veracidade das minhas palavras. E se eu merecesse mesmo um processo por assédio sexual? Edward me conheceu em sala de aula, ele podia ter confundido seus sentimentos. Mas, ele dizia que me amava, ele estava apaixonado, eu não podia desacreditar nisso, podia? Só que, eu também estava e por minha culpa ele parou naquele lugar.

— Eu e minha namorada nos amamos, nenhum de nós dois já parou em uma delegacia por conta do que sentimos — Jasper rebateu, me acertando com suas palavras mais do que com um tapa. — Isso não parece tóxico para você? Edward era um cara muito livre antes de você aparecer, então tudo se resumiu a mentira e segredos, ele não era assim.

Jasper suspirou, olhando para mim uma última vez antes de entrar na delegacia também.

Eu estava aos prantos quando senti braços fortes me rodearam, não precisei de muito para saber que era Emmett. Então, apenas me apoiei em meu amigo, querendo um pouco de conforto no meio de tanto caos.

— Eu convenci Rosalie a ficar em casa, não seria bom para ela ficar aqui por estar grávida — explicou, afagando meus cabelos gentilmente.

— Destruí a vida de Edward — foi tudo que consegui falar e repetir pelo resto da manhã.

***

Carlisle não parecia muito disposto a me dar informações, ainda assim ele disse que Jacob estava em coma induzido por conta de tantos sofrimentos, mas que o garoto sobreviveria. Ele também disse que Esme estava tentando um habeas corpus para Edward, mas que o pai de Jacob, Billy Black, já estava deixando a cidade inteira de ponta cabeça sobre o acontecido, querendo Edward pelo maior tempo possível preso.

— O conselho da universidade já recebeu um pedido para que Edward seja expulso da instituição por ter agredido outro estudante nas dependências — Carlisle disse, respirando fundo. — Eu não sei se serei capaz de impedir que isso aconteça.

— E-Ele não pode ser expulso — murmurei nervosa, todos estávamos em uma cafeteria vinte e quatro horas ao lado da delegacia. — É tudo minha culpa, eu deveria me entregar, dizer que...

— Eu acabei de ver meu filho, Isabella — Carlisle me interrompeu, passando as mãos pelos cabelos loiros, que se encontravam em uma completa bagunça. — Tudo que Edward conseguia dizer era perguntar sobre você e pedir que eu te mantivesse em segurança. Eu vou cumprir com minha palavra de mais cedo, não irei denunciá-la por assédio. — Carlisle riu por um instante. — Por Deus, como se Edward fosse uma criança sendo coagido a ter qualquer relação com você. Eu posso garantir que não será denunciada por mim e, sinceramente, duvido muito que Billy se preocupe com isso agora que o filho está no hospital. Até mesmo Billy sabe que Jacob nunca foi um dos garotos mais espertos, ele sabe sobre todas as medias baixas, ele está pouco se importando realmente com isso, o Black tem dinheiro suficiente para pagar Harvard e fazê-los aceitar Jacob mesmo com conceitos ruins. Porém, ao mesmo tempo Billy tem o filho todo quebrado em um hospital, ele não irá medir esforços para ter o meu filho pagando por isso.

Carlisle engoliu em seco, encarando a xícara a sua frente.

— Como cidadão eu deveria estar ao lado dele, Edward foi um completo inconsequente atacando Jacob, ele deve pagar pelos seus atos. Mas, ainda é meu filho, eu ainda quero protegê-lo do mundo inteiro. — Carlisle voltou a me olhar. — Inclusive de você, Isabella. Entretanto, não é comigo que tem de se preocupar.

— Esme.

— Ela não está nada bem com essa situação, ela não entende, ou quer entender. No momento que ela tiver Edward em segurança fora da cadeia, ela se voltará contra você e as consequências sabe quais são.

— Eu o amo, eu amo seu filho. Foi tudo muito rápido, mas é tudo verdadeiro. — Agarrei minha xícara de café, querendo que o calor contivesse o frio em minhas mãos.

— O ama suficiente para suportar um processo que a própria mãe dele irá abrir? Amará mesmo se for presa? Amará se perder sua licença? — Carlisle jogou algum dinheiro sobre a mesa, sem esperar qualquer resposta minha, sendo sincera naquele momento eu não sabia como responder nenhum daqueles questionamentos. — Saia disso antes que tudo desabe de vez.

***

Tanya, Emmett e eu passamos o resto do dia naquela cafeteria, esperando por qualquer noticia de Edward, mas a espera parecia eterna. Segundo Tanya, Jasper tinha ido trabalhar no inicio da tarde, depois que eles tiveram uma discussão na porta da delegacia.

— Jasper acha que pode julgá-los, eu pensei que ele era melhor do que isso! — exclamou revoltada, enquanto fazia uma bola com lenços de papel. — Ele nunca te viu com Edward, não vê como vocês dois se amam.

— Edward realmente me ama? — indaguei a ela, Tanya cravou seus olhos em mim, parecendo mais furiosa ainda.

— Você está brincando, né porra? — Emmett arregalou os olhos para a fala dela.

— Tanya...

— Edward te ama mais do que tudo, senhorita Swan! — ela gritou, largando a bola de papel sobre a mesa, colocando-se de pé. — Espero que abra os olhos para isso e não caia em toda a ladainha dos Cullen, ou de Jasper.

Ela não me esperou falar mais nada, saindo apressadamente da cafeteria.

— Edward te ama...

— Emmett, por favor, agora não.

— Não, é sério, olhe para mim! — exigiu, então olhei. — Edward te ama, eu sei que sua mente deve estar toda fodida agora com toda essa merda acontecendo, mas o garoto é apaixonado por você. E, Isabella, você também é por ele. Não fuja agora, você vai arrepender se perdê-lo.

— Eu o coloquei em problemas — murmurei. — Eu me coloquei em problemas. Edward pode ficar preso por muito mais tempo, ser expulso da universidade. Eu posso ser processada, ter minha licença de ensino suspensa. É a porra do mundo acabando e eu não posso fazer nada.

— Você pode, continuar ao lado dele mesmo com o mundo de vocês passando por um apocalipse. — Emmett beijou minha cabeça. — Eu preciso ir para casa, Bella, está tarde e Rosalie precisa de alguém caso algo aconteça. Venha comigo.

— Não, eu não vou a lugar algum até Edward ser liberado.

— Bella...

— Não! — afirmei. — Você pode ir, eu dou noticias se algo acontecer.

Ele hesitou por um instante, mas cedeu por fim. Me abraçou e foi embora.

Eu me mantive na cafeteria, sem ter para onde ir ou o que fazer. Em algum momento da noite, muito perto da madrugada, Esme entrou na cafeteria, sentando-se diante de mim.

— Como ele está? — perguntei a mulher que claramente me odiava.

— Como você acha que uma pessoa pode ficar enquanto está preso? — rebateu. — Eu consegui o habeas corpus, pelo menos uma de nós duas fez algo benéfico para Edward, ele será solto pela manhã. Carlisle está na universidade, estudando o caso da expulsão, procurando um meio de tirar Edward de mais problemas. Eu disse que deveríamos alegar que Edward está passando por uma crise por conta de todo o assédio cometido por você, Isabella.

— Eu não o assediei — sussurrei. — Eu o amo, é diferente.

Ela riu, mas seus olhos estavam cheios de lágrimas.

— Você destruiu a vida do meu filho, Isabella!

— Esme, eu não queria que nada disso acontecesse.

— Mas aconteceu — ela falou em um tom enojado, enquanto me olhava atentamente. — Edward está preso, terá seu nome fichado com a policial para sempre, corre o sério risco de nunca poder voltar a universidade e nunca se formar. E, Isabella, isso tudo é culpa sua. Você destruiu meu menino, eu irei destruí-la quando chegar a hora.

Esme se inclinou sobre a mesa, seus olhos verdes não pareciam mais como os de Edward, eles eram frios demais para ser como os dele.

— Entretanto, estou lhe dando uma chance. Se você terminar toda essa história com Edward, no momento que ele cruzar a porta daquela delegacia, eu não a processarei e garantirei por mim mesma que sua carreira, seu cargo na universidade e todo o resto da sua vida continuará ilesa. Para isso, você apenas precisa dizer a Edward que acabou. — Esme se levantou, os olhos ainda fixos no meu. — Você tem o resto da madrugada para se decidir.

Então, ela foi outra que partiu, deixando-me para trás com duas alternativas:

1. Continuar com Edward e arriscar minha vida profissional;

2. Deixar Edward e machucá-lo, mas garantir que minha vida não se abalaria.

Notas finais
Qualquer coisa vocês tem que matar a BELLA, não eu hahahah Já contratei o pessoal do FBI pra cuidar da minha segurança pessoal. Beijos! Lola Royal. 10.11.16