Dez Anos
25 Capítulo Vinte e Quatro
Notas iniciais
Capítulo Vinte e Quatro
Edward Cullen
Bella estava em um dia de compras com Rosalie, na sexta-feira seguinte ao melhor fim de semana da minha vida. Entre ela confessando estar apaixonada por mim ao pedido de Emmett e Rosalie que eu fosse padrinho de Noah, aquele iria ser um fim de semana que eu nunca esqueceria.
Nossa ligação consistia em Bella narrando para mim toda a loucura de Rosalie sobre os artefatos do quarto do filho, o que as levou as compras aquele noite com a amiga. Como eu tinha me tornado o padrinho, Bella achou que seria justo que eu participasse da loucura de Rosalie junto dela.
Jasper estava chegando ao nosso apartamento, sozinho, enquanto Bella e eu desligávamos.
— Eu ligo para você mais tarde — falei, notando o olhar dele sobre mim, mesmo que o loiro tentasse se concentrar em arrumar a bagunça de papeis em suas mãos sobre a mesinha da cozinha/ sala de estar/sala de jantar.
— Sim, se eu não me matar por Rosalie estar surtando por conta de um papel de parede azul. — Rosalie gritou algo do outro lado da linha, mas não fui capaz de entender. — Eu já disse que isso é azul, Rosalie, você que é maluca! — Bella exclamou de volta. — Até mais tarde, Baby — voltou a falar comigo, em um tom doce.
— Até mais, não irrite Rosalie.
— Eu irei, ela merece. Vou sentir sua falta na cama hoje...Ai Rosalie, não, você não vai colocar um papel de parede em tom pastel. Baby...
— Eu sei, vá cuidar da loucura de Rosalie.
Nós desligamos e Jasper não se importava mais em realmente fingir não me encarar.
— Tudo bem? — ele perguntou, deixando sua papelada de lado.
— Sim — confirmei, pegando uma garrafa de água na geladeira. — Alice disse que ia sair com os pais hoje, né?
— Sim — ele confirmou de volta.
— Certo, eu vou para meu quarto.
Jasper era meu melhor amigo por anos, mas durante as últimas semanas nossa amizade estava claramente estremecida por conta do meu relacionamento com Bella. Nós quase não nos falávamos, o que se tornava ainda mais estranho uma vez que morávamos no mesmo apartamento.
— Você não vai sair hoje? — ele perguntou, antes que eu pudesse desaparecer no meu quarto.
— Não, Bella está ocupada com uma amiga.
— Nós poderíamos pedir uma pizza? Que tal? — Jasper sugeriu. — Você não precisa ficar trancado no quarto só porque eu estou aqui, Edward.
— É melhor do que ver seus olhares curiosos e ou julgadores.
— Tudo bem, isso é confuso para mim — ele admitiu, enfiando as mãos nos bolsos da caça jeans. — Mas, ainda sou seu amigo, Edward. Não quero que as coisas fiquem estranhas entre a gente para sempre. E, eu quero meu melhor amigo de volta. Se você está envolvido com sua professora, ou não, isso realmente não tem grande importância para mim, contando que esteja bem.
— Eu estou — garanti. — E não estou apenas envolvido com ela, Bella e eu estamos namorando.
Jasper suspirou, assentindo.
— Pizza? Eu pago! — Tirou o celular do bolso.
— Claro — concordei.
Jasper ligou para a pizzaria para fazer nosso pedido, enquanto eu ligava a televisão, colocando em um filme qualquer de ação que serviria de plano de fundo para o nosso jantar. Ele foi tomar um banho, quando saiu, a pizza chegou e sentamos no sofá para comer.
— Então, como estão as coisas? Você e ela...Tudo bem?
— Sim — respondi, pegando mais um pedaço de pizza. — Bella está apaixonada por mim.
Choque estampou o rosto de Jasper.
— E você não pode acreditar nisso? — indaguei.
— Eu acredito, só estou surpreso. Eu tenho de ser franco, não pensei que isso iria tão longe, vocês estão juntos por quase dois meses agora?
— Sim, dois meses dia 30. Ela é incrível, Jazz — sussurrei pensando em Bella. — Eu não a vejo como minha professora quando estamos fora de aula, então não é como se estivesse tendo meu psicológico abalado por isso. Tudo bem, eu me encantei a primeiro momento por ela naquela sala, mas eu conheço a Bella pessoa de verdade agora, não apenas a professora linha dura. Sei sobre tudo a respeito dela, eu serei mesmo até padrinho do filho dos melhores amigos dela.
— Você será? — Jazz perguntou de boca cheia.
— Sim, Noah. Ele nascerá em poucos meses, então acho que está na hora de eu começar a lidar com a ideia de que irei trocar fraldas. — Sorri.
— Você gosta mesmo dela — Jasper murmurou.
— Tanto quanto você gosta de Alice — esclareci, o deixando entender aquilo.
— Eu tenho algo sobre Alice que preciso conversar com você — Jasper disse, coçando a nuca. — Tente não me matar.
— Você a traiu? — indaguei alarmado. — Jasper, eu não posso acreditar que...
— Não, não. — Ele riu. — É algo bom, pelo menos para ela e eu, não sei como irá reagir a isso.
— Vá em frente e diga. Acredite, eu não acho que depois de estar apaixonado por Bella qualquer coisa possa me surpreender no mundo.
— Certo. — Jasper acenou a cabeça positivamente. — A colega de quarto de Alice, que dividi o apartamento com ela, irá fazer um intercâmbio para a Austrália no começo do ano que vem. E, Alice eu achamos que esse é o momento ideal para nós morarmos juntos pra valer.
— Isso quer dizer que Alice irá se mudar de vez para cá, certo. — Dei de ombros, ela já passava a maior parte do tempo ali mesmo, não seria algo diferente.
— Não, na verdade não é isso — Jasper falou.
Eu entendi a hesitação em seus olhos.
— Você está me colocando para fora — falei.
Jasper era a pessoa com o nome no contrato de aluguel do nosso apartamento, se ele ficasse ali e me quisesse longe, ou se fosse embora, eu teria de seguir suas vontades. Foi a primeira vez que me arrependi de não ter colocado meu nome no contrato, tudo porque se fizesse isso teria de usar meus pais como fiadores e não queria eles dando sugestões, mais sugestões, sobre onde eu estava indo morar.
— Nós vamos procurar um apartamento de um quarto, menor e mais acessível para as despesas não ficarem muito altas — Jasper continuou falando, parecendo péssimo com aquilo. — Não é nada contra você Edward. — Soltei uma risada, me dando conta de que em janeiro eu seria um sem teto. — Alice e eu só queremos ver como isso funciona, para que no futuro pensemos em noivado e casamento como uma ideia certa, não decisões precipitadas. E, com o dinheiro que conseguirmos economizar vamos montar uma poupança para comprar um apartamento nosso.
— Isso é animador.
Era, de verdade, ver que pelo menos alguém naquela sala tinha planos para o futuro. Jasper já estava estagiando em uma escola, Alice tinha um trabalho e logo teria um diploma que lhe renderia bons empregos na área de sua escolha.
O que eu tinha mesmo? Um livro inacabado e a total falta de vontade de me tornar professor.
— Você pode alugar o apartamento em seu nome — Jasper disse, eu gargalhei, meio desesperado.
— Por favor, Jasper. — Revirei os olhos. — Você sabe que isso nunca iria dar certo, eu mal consigo pagar minha parte, quem diria pagar tudo só. E, ir atrás de um novo colega de quarto agora está totalmente fora de questão, eu acabaria com algum psicopata de quarenta anos de idade, ou um calouro cheio de energia.
— Esquece, Alice vai entender, nós três podemos morar aqui.
— Não, não mude seus planos por mim! — exclamei, jogando o resto de pizza em minhas mãos na caixa, já sem fome. — Eu darei um jeito, arrumo outro trabalho para conseguir alugar um apartamento menor, ou sei lá, volto pra casa dos meus pais.
A última ideia parecia assustadora, principalmente levando em conta Bella. Como diabos ela se sentiria ao lado de um cara de vinte anos que ainda morava com os pais? Até eu achava aquilo ridículo.
— Eu falo com você depois, Jasper. — Levantei do sofá.
— Edward, sério, me desculpe por isso. Mas, Alice e eu...
— Não estou bravo, sério — afirmei, sorrindo para ele. — Entendo o que vocês dois querem e tem meu total apoio nisso. Somos amigos, certo? É o que amigos fazem, se apoiam.
Jasper se levantou também.
— Desculpe por qualquer coisa sobre Bella, você estava bem animado falando dela, posso ver que isso está dando certo para você. Eu espero que continue assim.
— Sim, espero que em breve vocês se conheçam. Antes de eu ser expulso daqui — provoquei, Jasper riu.
— Nosso sofá sempre poderá servir de sua cama — provocou de volta, eu olhei para o sofá, então para Jasper. Ele tinha sido o comprador daquilo também.
— Estou com um pouco de raiva de você agora, Whitlock. Você não ficará com o sofá, mas pode levar a mesa.
— É quase como um divórcio.
— Acredite, é você quem terá a guarda de Alice, eu estou feliz quanto a isso.
***
Alice e eu estávamos no fim do nosso expediente na segunda-feira, procurando por apartamentos de um quarto. Um para ela e Jasper, outro para mim. Não fazia ideia de como conseguiria pagar aluguel e todas as contas que vinham junto a uma casa, mas eu definitivamente não iria morar junto dos meus pais de novo, isso seria um caos em minha vida.
Eu ainda não tinha contado para Bella sobre minha mudança que logo aconteceria, não a queria preocupada com isso. Principalmente quando a revelação sobre nosso relacionamento aconteceria ao mesmo tempo da mudança. Isso poderia dar ideias erradas para ela, talvez fazê-la pensar que eu estava querendo que morássemos juntos e isso não parecia uma ideia boa para nós, não ainda.
— Eu gostei desse! — Alice apontou para um apartamento na página de classificados na tela do computador sobre o balcão. — E não fica muito longe do trabalho de Jazz, isso é ótimo. Onde sua namorada mora? — ela perguntou, ao mesmo tempo em que ouvíamos a porta da livraria abrir, a pessoa inteligente entrando ali não conseguia ler a placa informando que estávamos fechados?
— Nós não estamos mais... — comecei a falar, voltando a atenção para a porta, calando-me ao ver a figura imponente de meu pai em seu terno ali. Ele tinha ouvido a pergunta de Alice? — Ei, oi pai!
— Edward. — Se aproximou do balcão. — Oi Alice, como você vai, querida? — Apertou a mão dela.
— Olá, senhor Cullen. — Sorriu para ele. — Muito bem e o senhor?
Eu não via, sequer falava com meus pais desde o jantar na casa dos Martin. Mamãe estava cada vez mais enchendo minha caixa postal com mensagens irritadiças, mas eu não estava no clima de conversar com nenhum dos dois depois da bomba que se estourou a respeito de Tanya. Meu pai, por outro lado, não tinha tentado qualquer aproximação, até aquele momento.
— Você está ocupado? — ele perguntou para mim. — Pensei que podíamos jantar em algum restaurante aqui perto, o que acha? Alice, gostaria de vir?
— Na verdade eu combinei de ir jantar com Jasper — ela mentiu rapidamente, Jasper estava envolvido em um trabalho grande aquele dia, ela sequer ia para nosso apartamento para não distrair o namorado.
— Tudo bem — cedi ao pedido de Carlisle. — Você pode fechar tudo? — perguntei a Alice, que confirmou rapidamente.
Eu fui com meu pai para fora da livraria, ele entrou em sua Mercedes e eu peguei meu Ford. Passei o caminho inteiro enquanto o seguia, prevendo o quão irritante aquele jantar poderia ser. Desde o assunto sobre Tanya, até minha escolha profissional, eu me proibiria de falar sobre minha mudança.
Estacionei atrás de seu carro, Carlisle me esperava na porta do restaurante que escolheu. Atravessei a rua rapidamente e, no momento que cheguei ao lado do meu pai, a porta se abriu e vi Rosalie deixando o restaurante, então Bella atrás dela, rindo enquanto soltava os cabelos do coque.
Eu paralisei, aquele encontro não parecia algo bom. Rosalie me viu primeiro, arregalando os olhos, enquanto Bella trombava nela, vendo-me por fim ao lado de Carlisle.
— Senhorita Swan, olá! — Ele acenou para ela, Bella tirou os olhos de mim rapidamente, lançando um sorriso educado ao meu pai.
— Senhor Cullen, como vai? — Eu podia sentir o medo na voz dela e, sabia que papai também, ele parecia confuso quanto a isso.
— Muito bem — ele respondeu, voltando-se para Rosalie. — Carlisle Cullen — se apresentou a ela.
— Claro, claro! — Bella exclamou nervosa. — Esta é Rosalie Hale-McCarty, senhor Cullen, minha melhor amiga. — Rosalie e meu pai apertaram as mãos rapidamente. — Rosalie, este é Edward Cullen, um dos meus alunos.
— Oi. — Apenas acenei para ela. — Pai, será que podemos ir comer agora? Estou com fome — falei impaciente, tentando atuar o quanto foi possível no meio daquela situação terrível.
— Sim, vamos. — Carlisle percorreu seus olhos azuis mais uma vez entre nós três. — Até mais, senhorita Swan. Foi um prazer conhecê-la, parabéns pelo bebê — falou para Rosalie, que sorriu pela primeira vez no meio de tudo aquilo.
— Obrigada — agradeceu em um murmúrio.
— Até mais! — Bella falou, segurando na mão de Rosalie, a puxando até a rua, onde pararam um táxi e entraram rapidamente.
Eu permaneci calado, falando apenas quando o garçom tomou notas dos nossos pedidos. Mas, mesmo depois disso, fingi estar muito ocupado lendo cada linha do cardápio.
— Ela é uma boa professora?
— Desculpe? — Sequer olhei para meu pai, eu sabia muito bem o que ele tinha perguntado, mas não estava confiante em minhas próprias palavras.
— Isabella Swan, você tem aula com ela, não?
— É, tenho. — Dei de ombros, finalmente o olhando. Ele estava muito sério. — Eu não tive uma nota boa na primeira prova dela, terei de me matar no teste final. — Revirei os olhos.
— É uma mulher bonita.
— Se você acha. — Limpei a garganta, amaldiçoando o garçom pela demora em trazer nossas bebidas.
— Eu ouvi o que Alice disse — ele começou, curvando-se sobre a mesa. — Você tem uma namorada? Quando vamos conhecê-la?
— Em breve — falei sinceramente, mais alguns meses até a bomba vir à tona.
— Como ela se chama? — Carlisle indagou.
Porra!
— Jane — menti, obrigada Bella por não parar de falar em Austen.
— Sobrenome?
Forcei uma risada.
— Não comece um questionário sobre minha namorada, pai — pedi.
— Ela se juntará a gente na Ação de Graças? Sua mãe e eu adoraríamos conhecer Jane.
Eu não deixei de perceber o tom diferente quando ele falou o nome.
— Não, ela estará viajando para visitar a família.
Não era uma total mentira, Bella ia para sua cidade natal no feriado passar um tempo com sua família.
— Espero que possa conhecê-la em breve. — Carlisle mantinha seus olhos fixos nos meus. — Eu tenho certeza de que fez uma boa escolha, ela parece alguém legal.
O que ele queria dizer? Não era possível que ele tenha desconfiado de mim e Bella. Foram apenas três minutos, okay, teve toda a tensão desnecessária, mas...Sério? Ele era a porra de um detetive?
— Ela é, muito. — Engoli em seco. — Eu estou apaixonado.
— Sei que está. — Papai suspirou. — Posso ver em seus olhos. — Então, ele sorriu. — Espero que estejam usando camisinha.
— Nós estamos — falei envergonhado, abaixando o olhar novamente para o cardápio.
— Ótimo, você é novo demais.
Novo demais para ser pai? Ou novo demais para estar com Bella? Eu não iria dizer nada aquela noite, mas parte de mim insistia em acreditar que Carlisle já sabia de tudo.
— Como andam seus livros? — ele mudou de assunto, me pegando de surpresa.
— Eu tenho trabalhado na revisão do livro que escrevi durante o verão — contei.
— Fale-me sobre ele. — O garçom finalmente apareceu com nossas bebidas.
— Sério?
— Sim! — papai exclamou. — Eu sou seu pai, Edward, estou aqui para ouvi-lo.
Então, eu falei. Nada sobre Jane/Bella, nada do que eu realmente achava que ele queria ouvir. Mas, ainda assim Carlisle pareceu atento a cada uma das minhas palavras.
***
Tanya se recusou a ir passar a Ação de Graças na casa dos meus pais, mesmo que eu tenha insistido nisso, mesmo que até Carlisle tenha ligado para convidá-la. Então, com Jasper no Texas, ela acabou aceitando o convite de ir passar o feriado com Alice e sua família.
A Ação de Graças na casa dos meus pais, foi apenas com nós três. Me surpreendendo ainda mais aquela semana, meu pai não falou sobre minha namorada misteriosa para minha mãe e, ainda contou a ela sobre tudo que sabia a respeito do livro que eu estava trabalhando, fazendo-me falar um monte também.
Porém, Esme não se deu por vencida e no meio do jantar já falava sobre minha formatura, como estava contando que eu despertasse e aceitasse ir para o direito enquanto ainda era tempo. Foi um longo jantar, mas consegui passar por ele sem enlouquecer.
Depois de comermos, enquanto meus pais se acomodavam na sala de estar para ver um filme, eu fugi até meu antigo quarto para ligar para Bella. Certifiquei-me de trancar a porta, então me sentei na cama, discando o número dela.
Ela tinha ficado uma pilha de nervos na segunda-feira quando todos nós topamos na porta daquele restaurante, a tranquilizei como pude dizendo que Carlisle não tinha desconfiado de nada. Eu tinha estado com ela na noite passada, por apenas duas horas até que ela me expulsasse do seu apartamento para que pudesse terminar de arrumar suas malas para viajar no começo da manhã daquela quinta-feira.
— Oi — ela atendeu, ouvi a porta bater com força, então barulho de molas.
— Tudo bem? — perguntei, notando o tom irado dela.
— Não, Mike está aqui em Forks!
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