Dez Anos

2 Capítulo Um


Notas iniciais
Boa leitura ♥

Capítulo Um

Isabella Swan

Trinta.

Era apenas um número, certo? Mas, por que isso me deixava tão nervosa e triste? Eu não devia estar surtando por conta da idade, não era como se eu estivesse caindo na terceira idade, ou qualquer coisa parecida, só era trinta anos, dois dígitos simples, nada assustador.

Não, era muito assustador, muito mesmo.

Eu suspirei alto, sentando em minha cama já sabendo que não conseguiria dormir mais. O rádio relógio ao lado informava que era pouco mais de quatro da manhã, oficialmente uma mulher de trinta.

Peguei o celular sobre a mesinha de cabeceira e, mesmo que fosse de madrugada e, sabendo que eu seria amaldiçoada, fiz a ligação. Ela atendeu no terceiro toque, sendo mais rápida do que esperei.

— É bom você ter um excelente motivo para me ligar às quatro da manhã, garota. — Sua voz era irritadiça, mas ainda era mais sonolenta do que qualquer outra coisa.

— Bom, mulher, não? Como você disse são quatro da manhã, já é meu aniversário — resmunguei, recostando-me nos travesseiros atrás de mim. — O título de garota definitivamente não funciona mais para mim.

— Sério, sua crise não poderia esperar até um horário mais decente? — ela bufou, ouvi o barulho de portas, então de água sendo colocada em um copo.

— Não, que graça teria ter uma crise no meio do dia? Perderia todo o sentido de ter uma, sabe, a insônia é um grande mal de crises.

— Você me dá enjoo, Bella.

— Não, o lindo bebê em sua barriga causa algumas alterações em seu corpo, o enjoo vem dele, culpe-o.

— Eu vou ensinar esse bebê a te chamar de vovó Bella, ai sim você vai se sentir velha. Pare com essa merda, toda, okay? É apenas trinta anos, não é o fim do mundo. Você acabou de ser contratada para o emprego dos seus sonhos, tem um apartamento comprado, não alugado e, seus peitos ainda não caíram. Não há nada para se preocupar.

— E eu moro com uma gata, tenho dois sobrinhos e, um ex marido. Sou um bom molde para uma tia solteirona.

— Lady é um presente meu, sua vadia, não reclame dela. E, os seus sobrinhos não tem nada a ver com sua crise, sua irmã provavelmente tem, mas não vamos discutir isso agora. Quanto a Mike, você sabe que é só pedir que eu vou até aquele babaca e chuto as bolas dele.

Ela realmente chutaria, eu sabia disso. Rosalie era extremamente leal, eu tinha uma grande sorte em tê-la em minha vida.

— Tudo bem, estou apenas surtando.

— Sim, você sempre surta por tudo. — Rosalie suspirou alto. — Emm, você deveria estar na cama. Sim, é Isabella — respondeu a pergunta do marido que não ouvi. — Emmett, isso... — Ela riu baixinho. — Oh Emmett. — gemeu. — Falo com você depois, okay?

— Por Deus, desligue antes de começar a foder, isso é nojento!

Desliguei a ligação antes de ouvir o sexo todo, isso era algo que eu realmente não precisava. Já tinha flagrado os dois fazendo sexo mais do que era necessário quando dividi o quarto na faculdade com Rosalie, ouvi-los transar não era algo que queria.

Olhei para o rádio relógio mais uma vez, o tempo parecia correr, especialmente para mim.

***

Eu amava estar de volta a Seattle, Phoenix, até mesmo Forks, qualquer um daqueles locais não se comparavam a cidade que eu tomei como minha quando fiz dezoito anos. Gostava de como tudo funcionava ali, uma cidade que podia ser ao mesmo tempo um grande centro urbano, mas ainda ter seu toque familiar e aconchegante.

E, era melhor ainda ter tido cerca de dois meses durante o verão para colocar meu novo apartamento em ordem antes do meu novo trabalho começar. O que queria dizer que tudo estava em perfeito lá, um motivo a menos para possíveis surtos.

Quando minha manhã de fato começou no dia do meu aniversário, eu estava um pouco mais tranquila com toda a paranoia de estar fazendo aniversário, não era mais do que isso, apenas nervoso normal. E, não devia ser tão ruim assim, Rosalie tinha razão, eu tinha uma boa vida para quem estava nos trinta anos.

— Bom dia, Lady! — Saudei a gatinha de três meses quando entrei na sala, ainda com tempo de sobra para me preparar para o começo do meu dia. Agachei no chão junto da caminha dela ali, pegando aquela adorável bolinha de pelo em minhas mãos, ela roçou a cabeça em mim ronronando e, agradeci por ainda não estar arrumada para sair, ou acabaria cheia de pelos brancos na roupa. — Isso é um feliz aniversário? Você está feliz por me ver mais velha, Lady? — brinquei.

Ela miou, fazendo-me sorrir.

— Eu sei, você me ama, não é, bonitinha? — Afaguei seu pelo.

Oh Deus, era isso, eu estava totalmente encantada por Lady. Rosalie tinha me presenteado com ela no mês anterior e, no começo eu não estava gostando tanto assim da ideia de ter uma gata, ou qualquer que fosse o animal que Rose quisesse me dar, mas Lady era amável, era impossível não cair de amores pela gatinha persa de olhos azuis.

— Vem, vamos tomar um belo café da manhã de aniversário. — A coloquei no chão, andando até a cozinha, sendo seguida por ela, que se enroscava em minhas pernas, era muito bom não ter caído com isso, seria vergonhoso ir parar no hospital por ter sido derrubada por minha própria gata.

O apartamento era um sonho, tão amplo e claro. Tinha custado uma pequena fortuna, mas eu ainda tinha conseguido um bom desconto com o dom de Rosalie de negociar, então não era dinheiro jogado fora.

Três quartos, sendo o meu maior uma suíte com direito a uma grande banheira. Um dos outros dois eu tinha adaptado para uma pequena biblioteca, um bom lugar que eu podia trabalhar quando estivesse em casa também e, o terceiro um quarto de hospedes para o caso de receber alguma visita.

A sala e a cozinha eram separadas, o que eu amei no momento que entrei ali. Depois de dois anos da faculdade morando em um dormitório que tudo era integrado, em seguida um apartamento minúsculo para o qual Rosalie e eu nos mudamos e ficamos até o fim da faculdade e alguns anos depois, assim como o apartamento que morei com Mike, que mesmo sendo maior ainda tinha cômodos integrados, ter um apartamento como uma casa de verdade parecia algo melhor, me fazia sentir bem.

— Aqui bonitinha, coma tudo. — Coloquei a comida para Lady, então fui preparar meu café, nada muito elaborado, apenas algumas torradas, frutas e café puro.

Meu celular tocou antes que eu pudesse chegar a metade do café, então logo o peguei para atender vendo o nome da minha irmã ali. Respirei fundo antes de falar:

— Hey Ângela!

— Dakota, largue o cabelo do Peter e vá terminar o seu café! — ela gritava com os filhos, fazendo com que eu afastasse o celular do meu ouvido para não terminar surda. — Oi Isabella, como você está? — perguntou, a voz tinha um tom irritado que já era algo característico da minha irmã mais velha.

— Estou bem — respondi, dando uma mordida em uma maça. — E você? — perguntei de boca cheia.

— Não fale de boca cheia! — ordenou, como se eu fosse um dos seus filhos. — Enfim, liguei para te desejar feliz aniversário, algum plano para hoje?

— Não, é terça-feira e, de qualquer modo vou me apresentar na Universidade hoje, então estou envolvida demais no trabalho para pensar em qualquer coisa. Mas, eu posso tentar dar uma passada em Forks no fim de semana, quero matar a saudade de vocês, como papai está?

— Bem, teimoso como sempre, se achando ainda forte suficiente para continuar trabalhando. — Ângela bufou. — Enfim, feliz aniversário, Bella. Você sabe que eu te amo, não é?

— Claro.

— Bom, então, ontem Mike me ligou...

— Eu não vou entrar nesse joguinho, Ângela — a cortei rapidamente. — Esqueça essa história, okay? Preciso desligar. — Finalizei a chamada antes que ela pudesse voltar a falar sobre Mike.

Perdendo a fome com aquilo, eu guardei toda a comida e fui me arrumar para sair. Tirando minha mente do meu ex marido e, de toda o caso dos trinta anos, eu estava em um dia muito mais importante por ser o começo do meu tempo como professora na Universidade de Washington do que por ser meu aniversário.

Usando um vestido preto social de corte reto e, que era devidamente decente para uma professora e, de cabelos devidamente escovados, com um par de saltos altos, deixei meu apartamento aquela manhã. Não chovia em Seattle, mas o tempo nublado estava ali e, o tempo ruim que podia ser detestado por outras pessoas, para mim era muito bem vindo, Sol não era meu melhor amigo.

Eu dirigi até a Universidade com o trânsito já parando em alguns pontos de engarrafamento, então coloquei na rádio e, deixei a música que tocava lá me distrair. E, um dos melhores pontos positivos do meu apartamento era não ficar tão distante assim do campus da universidade, então logo estava lá, estacionando na vaga que eu tinha conquistado quando fui admitida para o cargo.

Sai do carro com um grande sorriso ao ver a placa com meu nome ali.

Professora Swan.

Isso, Swan. Não mais Newton. A porra do nome do meu ex tinha ido junto com todo o orgulho dele e, era maravilhoso ser Swan novamente.

Entrei no prédio de cabeça erguida, sentindo-me triunfante aquela manhã, o fato de estar mais velha sendo esquecido em minha mente com toda aquela súbita carga de animação por estar realizando aquele que era um dos meus grandes sonhos. Dez anos antes, quando era apenas uma estudante naquela universidade, eu queria desesperadamente ser uma professora da instituição e, depois de muito esforço, o pote de ouro estava ali, esperando por mim no fim do arco-íris.

— Olá, sou Isabella Swan. — Apresentei-me a assistente do reitor, estendendo uma mão a ela, que educadamente devolveu o aperto. — Vim ter uma reunião com o senhor Cullen.

— Ah claro, querida — a mulher, que devia ter seus quarenta anos disse, balançando a cabeça positivamente ao procurar por algo em seu computador. — O senhor Cullen está esperando pela senhora, vou lhe anunciar. — Ela se levantou. — Me chamo Judith Madison, a propósito, nos falamos algumas vezes por telefone.

— É um prazer finalmente conhecê-la, senhora Madison — falei, notando a aliança em seu dedo. Eu tinha tido conversas com ela por ligações durante aquele período de contratação, era uma mulher agradável.

Ela seguiu na frente até a porta dupla da sala do reitor, bateu uma vez, então as abriu permitindo que eu entrasse junto. O reitor, que não devia ter nem sessenta anos ainda, estava sentado atrás de uma grande mesa. Assim que nos viu pediu desculpas a pessoa com quem falava por telefone e, prometeu ligar outra hora, desligando em seguida.

— Senhorita Swan? — Sorriu para mim, enquanto ficava de pé e abotoava seu terno. Sorri de volta, apertando a mão que ele estendeu para mim. — Muito obrigada por trazê-la até aqui, senhora Madison — agradeceu. — Você deseja algo, senhorita Swan? Um café, água?

— Estou bem, muito obrigada — falei para ele, então me voltei para sua assistente. — Obrigada também, senhora Madison.

— Se precisarem de algo é só falar — a mulher disse, então deixou a sala, fechando as portas atrás de si.

— Por favor, sente-se, senhorita Swan — o homem pediu, apontando para a cadeira próxima a mim.

Imediatamente fiz aquilo, colocando minha bolsa e pasta na cadeira ao lado, querendo ficar confortável.

— É muito bom conhecê-la, senhorita Swan — ele disse, já voltando ao seu lugar. — Mais uma vez gostaria de lhe agradecer por ter sido tão solicita com o pedido da faculdade de se juntar ao corpo docente tão em cima da hora.

— Ah não, senhor Cullen. — Ri baixinho. — Acredite, não foi problema algum aceitar o cargo. É algo que almejo desde que era uma aluna daqui, estou vivendo um sonho — confessei, ele sorriu, assentindo.

— Eu lhe entendo, ainda assim você se ajustou a tudo muito mais rápido do que qualquer outra pessoa faria. Estamos muito contentes com sua integração a nossa equipe, senhorita Swan. Seu currículo é fantástico, mesmo que ainda seja nova.

Não tão nova assim, pensei.

— Como foi seu tempo em Londres?

— Maravilhoso — falei. — Foi muito enriquecedor passar um ano especializando-me em Oxford.

— É uma excelente instituição. — Ele assentiu. — Lamento muito não ter estado aqui quando veio assinar seu contrato, mas espero que Carmen tenha cuidado de tudo como pedi.

— Oh sim, ela é uma excelente profissional. Foi minha professora, então nós nos demos bem imediatamente. Estou muito feliz com ela sendo minha coordenadora na faculdade de Inglês, já me colocou a par de tudo que precisava saber.

— Ótimo, ainda assim, qualquer coisa pode vir até mim, senhorita Swan. Eu posso ajudá-la com o que for preciso — ele disse, então vi um brilho passar por seus olhos azuis. — Meu filho está em uma de suas classes — contou. — Edward Cullen, eu não tenho uma foto dele comigo neste momento, mas nós dois somos os únicos Cullen por aqui, então você saberá quem é.

— Eu ficarei de olho nele — prometi brincando.

— Faça isso, por favor. — O senhor Cullen riu, passando a mão pelo cabelo loiro. — Você pode ir agora, senhorita Swan, não quero tomar muito do seu tempo, os corredores ainda parecem calmos, mas até o fim da semana será uma grande loucura.

E, eu sentia falta da loucura que era estar naquela universidade.

— Muito obrigada por me receber e, me dar esta oportunidade, senhor Cullen — agradeci quando caminhamos até a porta.

— Espero que seu tempo lecionando aqui seja o mais agradável possível. — Abriu a porta para mim.

Eu também esperava e, sabia que seria incrível.

***

Cheguei ao meu apartamento no fim do dia cansada, mas ainda mantendo um bom sorriso em meu rosto. O trabalho tinha sido maravilhoso como eu esperava e, mesmo com os alunos voltando do verão e de férias, eles foram receptivos e nem todos estavam querendo dormir sobre suas mesas, o que me animou.

Além do mais, eu tinha uma sala de aula só para mim e, um escritório anexo a ela. Era mesmo a porra de um sonho se concretizando e, todos os professores ali também foram gentis e educados ao me receberem, mesmo sendo a novata.

— Foi a melhor experiência da minha vida, Rose! — falei para ela no celular, enquanto esquentava minha comida e trocava a água de Lady. — Eu nunca me senti tão bem quanto no momento que dava as aulas.

— Estou tão feliz por você, Bella — Rose falou. — Gostaria de estar em condições para irmos comemorar tudo isso devidamente, mas eu me sinto tão cansada — resmungou com chateação.

— Isso passará logo — mantive o animo em minha voz. — Ângela era assim durante o primeiro trimestre das gestações dela.

— Não me compare a Ângela, isso é horrível! — Rosalie guinchou do outro lado da linha, fazendo-me rir.

— Desculpe — pedi, pegando o prato do microondas quando o sinal sonoro tocou.

— Mas, nós devíamos fazer algo no fim de semana, o que acha? Ir a um bar, ou algo assim.

— Você nem pode beber. — Sentei a mesa, ainda com o celular no viva voz sobre ela.

— Poupe-me, eu não preciso de bebida para estar em um bar, ainda serei a pessoa mais interessante da mesa. Mas, é sério. Emm precisa de um pouco de diversão, nós estamos sempre tão ocupados com trabalho e, planejando tudo sobre o bebê.

— Tudo bem, eu verificarei se posso ir. Já tinha dito a Ângela que estava pensando em ir passar o fim de semana em Forks, estou realmente com saudades de todos.

— Claro, eu entendo. Não como você sente saudades da mala da sua irmã, mas tudo bem — Rose reclamou. — Enfim, Emm e eu estamos trabalhando em alguns nomes para o bebê.

— Os compartilhe comigo, por favor — implorei ansiosa, fazendo Rosalie rir.

— Thomas... — Ela foi cortada pelo celular anunciando uma nova ligação.

— Ah Rose, é meu pai, vou atendê-lo, nos falamos amanhã?

— Claro, até mais. Amo você!

— Amo você também! — exclamei antes de desligar a ligação dela e atender a de Charlie. — Olá pai! — Eu não tinha a permissão de chamá-lo pelo nome.

— Bella, olá! — ele tinha um tom grave em sua voz. — Como você está?

— Bem. E você? Ang me disse que você tem trabalhado demais, pai, eu posso lhe mandar algo...

— Não vou ser sustentado, Isabella! — exclamou bufando, fazendo com que eu suspirasse. — Como foi o trabalho?

— É um excelente trabalho, eu amei tudo — contei.

— Eu tenho certeza de que é. — Suspirou.

— Quando você vem nos ver?

— Pretendo ir no sábado.

— Ótimo, me mantenha informado. Feliz aniversário!

— Obrigada, pai — agradeci sinceramente.

— Sua mãe estaria muito orgulhosa de você — Charlie murmurou. — Com o trabalho e tudo mais.

Não falei nada, a menção de mamãe levando lágrimas aos meus olhos.

— Vou deixá-la dormir agora, Bells — ele disse. — Boa noite.

— Boa noite, pai.

Ele era a última da lista de pessoas que eu sabia que iria ligar aquele dia, então desliguei o celular. Olhei em volta para a cozinha e, mesmo com Lady ali não pude deixar de me sentir só.

***

Quarta-feira foi um dia bom, normal, eu estive na universidade até mais tarde, então quando voltei para casa estava tão exausta que apenas tomei um banho, alimentei Lady e dormi. Mas, quinta-feira não estava sendo tão calmo quanto o dia anterior e, tudo começou com Mike ligando-me enquanto eu deixava o apartamento.

Eu atendi, mesmo sabendo que não devia, mas fiz aquilo para saber o que ele ainda podia querer comigo.

— Oi Mike!

— Bella, ei, que bom falar com você, amor.

— Não me chame de amor, Mike! — o repreendi, ignorando a senhora ao meu lado, esperando pelo elevador, que parecia incomodada com minha fala rude. — O que você quer?

— Te desejar um feliz aniversário.

— Isso foi há dois dias — falei, entrando no elevador e socando o botão do andar da garagem. — Você está um pouco atrasado — debochei.

— Bella, por favor — ele pediu usando seu tom doce que antes sempre me amolecia. — Escute-me, nós podemos sair para jantar, o que acha? Podemos ir aquele restaurante grego que você gosta. Eu quero tanto te ver, amor. Desculpe, eu só...Eu preciso mesmo te ver. Tem tanto tempo, quero conversar.

— Não temos nada para conversar, Mike. — Bufei. — Você falou tudo que tinha para falar quando fui embora. Fiz minha escolha, você fez as suas, temos de lidar com isso.

— Isabella, eu ainda te amo — ele falou sério.

Engoli em seco, apoiando minha cabeça na parede do elevador, ainda ignorando a senhora ali. Eu não sabia se ainda o amava, tinha sido um termino tão conflituoso, mas ainda tinha sentimentos por ele, foi meu namorado por anos, então meu marido, era uma droga.

— Nós temos que conversar, quem sabe podemos recomeçar.

Como ele podia propor aquilo? Ele tinha tido um ataque com a coisa toda de Oxford.

— Eu preciso desligar, Mike — falei quando o elevador chegou a garagem. — Nós nos falamos outra hora, eu tenho de ir para o trabalho.

— Você vai pensar sobre o jantar? — perguntou em expectativa.

Suspirei alto, abrindo a porta do meu carro depois de desligar o alarme.

— Sim, mas pare de ligar para Ângela, seu assunto é comigo, não com minha irmã.

— Claro, claro — ele concordou. — Espero sua ligação sobre o jantar. Bom dia, Bella.

— Bom dia — falei, desligando em seguida.

Entrei no carro, apoiando a cabeça no encosto para tentar conter a dor de cabeça. Aquilo era um inferno, como eu ainda podia cogitar tentar algo com Mike? Ele tinha sido meu melhor amigo desde o último ano da faculdade, então meu namorado e porra, meu marido, ele não era qualquer um, mas ainda era o cara que não me apoiou como devia.

Quando me acalmei, um pouco, dirigi até a universidade. Mas, já sabia que meu dia estava arruinado com aquilo sobre Mike.

Eu estava dando minha primeira aula do dia e, mesmo que adorasse o livro em questão e a discussão que estava tendo com os alunos sobre, minha cabeça ainda latejava e tudo que queria era um pouco de paz. Uma aluna estava falando, quando a porta se abriu em um barulho alto e que nos atrapalhou rudemente.

Lancei um olhar irritado para a pessoa ali e, foi quando o vi pela primeira vez. Alto, cabelos acobreados bagunçados, camiseta de banda, jaqueta de couro preta, calça jeans detonada, all star e olhos verdes profundos.

Eu ainda não sabia, mas em algum tempo iria amaldiçoá-lo por seu atraso, não o daquela aula, mas o de ter nascido dez anos depois de mim.

Notas finais
Olha lá a Bella conhecendo o futuro sogro hahaha Comentem bastante para que eu possa vir logo com o capítulo do Edward, ele é tão precioso, quero que o conheçam melhor logo xD Beijos! Lola Royal. 20.09.16