Dez Anos
19 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
Capítulo Dezoito
Edward Cullen
Acordei naquele domingo antes de Bella, um pouco desnorteado por não estar em meu próprio quarto, encarando as costas brancas diante de mim. Porém, não foi necessário muito para reconhecer o local onde estava e a pessoa ao meu lado.
Passei meus dedos por suas costas, sentindo-a se arrepiar em minha mão, mas não o suficiente para fazê-la acordar. Eu continuei a tocando, lentamente e apenas em lugares que não fossem lhe ofender por estar inconsciente.
Isabella Swan era uma mulher linda, de fora para dentro. Eu podia ver o quanto ela era inteligente em sala de aula, mas ao mesmo tempo divertida, como vi com seus amigos na noite anterior. O sorriso dela parecia tomar conta de toda sala, sendo a única coisa a se admirar quando ela o lançava. Seus olhos podiam passar de severos a gentis em um piscar de olhos. E, o que mais parecia me fascinar em Isabella Swan, a forma como a combinação entre seu sorriso e olhar se tornava uma combinação fatal para mim.
Na noite passada, enquanto ela e eu tínhamos sexo no sofá, Bella confessou algo:
— Eu estava esperando por você o dia inteiro para tê-lo aqui mesmo, Baby! — exclamou, ainda extasiada por seu orgasmo. Seus cabelos bagunçados, um filete de suor deslizando por seu corpo, um sorriso brincalhão e seus olhos brilhantes.
Era assustador para mim também, mas eu estava apaixonado por aquela mulher. Não foi planejado, sequer era algo fácil de lidar, ou que eu realmente queria.
Porra, era tudo tão difícil e assustador. Tinha tanta coisa nos afastando, nos proibindo.
Claro que eu preferiria estar apaixonado por uma garota da minha idade, que não fosse minha professora. Mas, eu não podia lutar contra aquilo, contra a vontade de estar ao lado de Bella que parecia consumir meu coração.
Deixei o quarto um pouco depois de acordar, após uma visita ao banheiro eu fui até a cozinha tomando a liberdade para preparar algo para que Bella e eu comermos no café da manhã. Logo teria de voltar para meu apartamento e estudar, então qualquer questão de tempo com ela seria bem-vindo.
Além do mais, Isabella queria que eu a fizesse sentir o mesmo que eu sentia. Minha mente só conseguia imaginar pequenos gestos, doses diárias de minha própria paixão que a fizessem perceber que eu estava apaixonado, com um pouco de sorte conseguindo fazê-la despertar aquilo dentro de si.
Pois, eu sabia, sabia que ela não podia estar apenas naquilo por questões sexuais. A forma como ela me olhava...Tinha algo ali.
— Ah, você ainda reside aqui — resmunguei ao topar com Lady na cozinha, que bebia um pouco de água em sua vasilha rosa com seu nome bordado ali, ao lado uma amarela, também com seu nome.
Deus, Bella gostava mesmo daquela gata.
Minha mente viajou, bem longe, imaginando como seria se nós um dia morássemos juntos e eu decidisse adotar um cachorro. Ela provavelmente surtaria, Lady, não Bella.
— Nem tente, você e eu não seremos amigos só porque você gosta de ficar se esfregando na minha perna — falei para a gata, enquanto eu vasculhava a cozinha atrás de comida para café.
Depois de todo o jantar preparado por Bella na noite passada, minha pouca sabedoria na cozinha tinha sido reduzida em números drásticos.
— O que você quer de mim? — reclamei com Lady quando ela começou a miar mais alto. — Okay, você terá de aprender a falar inglês, coisinha, eu não sei falar sua língua.
Decidi fazer panquecas, era um clássico de café da manhã. Tudo bem que tinha muito tempo que eu não fazia, mas não era como se fosse colocar fogo na cozinha de Bella.
— Já disse que não sei o que você quer — falei para Lady, enquanto começava a preparar a massa, até que ela pulou na cadeira ao meu lado. — Saia, eu tenho certeza de que você não tem permissão para ficar pulando nos moveis da cozinha, vai espalhar pelo por toda a comida.
A enxotei da cadeira, ganhando mais cabeçadas na perna quando ela voltou ao chão.
— Porra, você é chata demais, coisinha.
Ela miou mais, então, me lembrei de quando o maldito gato de Tanya, Fofinho, ficava miando sem parar quando queria comer.
— Tudo bem, tudo bem — deixei a preparação do café de lado por um instante, indo a procura da comida de gato. — Aqui, eu entendi o que você quer. Será que pode ser colaborativa comigo e dizer a sua dona que fui um bom cara te alimentando? — Coloquei o que deduzi ser uma quantia razoável na vasilha amarela que estava vazia.
Lady ignorou-me, tendo o que queria, ela passou a comer, esquecendo-me facilmente. Livre de seus ataques e do pânico de acabar ensanguentado no meio da cozinha de Bella, voltei a preparar o café.
Terminei com panquecas queimadas, um café perigosamente ralo e um suco de laranja bem mais azedo do que deveria ser ideal para consumo. Desistindo daquilo, como me sentindo um idiota, eu tive de fazer a caminhada da vergonha e me livrar de toda a comida que estraguei.
Logo Bella acordaria e eu não tinha feito nada além de ter desperdiçado sua comida, desejei ter um pouco de dinheiro extra para poder descer e comprar alguma comida na cafeteria ali perto. Mas, eu tinha a grande suspeita de ser um local caro demais para meu orçamento.
— O que eu faço agora, coisinha? — perguntei a Lady, que lambia suas partes.
Nojento!
Desviei o olhar para um dos armários, deparando-me com cereal. Bom, se Bella tinha cereal em casa isso queria dizer que ela gostava, eu não estaria sendo um babaca muito grande levando cereal, certo?
Servi duas tigelas com cereal e leite, pegando a bandeja que encontrei. Aquilo também foi um indicativo que Bella esperava por café na cama, ninguém tinha uma daquelas para qualquer outra finalidade, tinha?
Bella estava despertando quando entrei no quarto, remexendo-se na cama, virando-se de um lado para o outro. Parecendo inquieta demais.
Eu apoiei a bandeja ao seu lado na cama, sentando-me de novo no lado esquerdo. O lado que ela tinha me empurrado na noite passada, declarando que duas noites seguidas sem dormir do lado direito iria lhe enlouquecer.
Ela era controladora a esse ponto.
— Ei, acorde! — Afaguei seu rosto com as costas da mão, vendo-a inspirar fundo uma vez, então abrir seus olhos cor de chocolate.
— Oi — murmurou, parecendo confusa. — Você sempre acorda tão cedo? — Seus olhos estavam quase se fechando novamente.
— Na verdade já é quase dez da manhã — respondi, inclinando-me em sua direção para beijar seu rosto, se tornando impossível ficar afastado dela por muito tempo. — Sente-se, eu trouxe seu café.
Bella abriu os olhos por completo, virando-se para olhar a bandeja sobre sua cama.
— Isso é sério? — perguntou.
Assenti, sem conseguir decifrar sua expressão. Talvez um pouco chocada.
— Oh Deus, você me trouxe cereal na cama — completou murmurando, sentando-se abruptamente, segurando o lençol ao redor de seu corpo.
Chutei-me mentalmente, que tipo de idiota levava cereal como café na cama para a mulher madura que estava tentando conquistar? Edward Cullen, é claro.
— Desculpe, isso foi ridículo, eu vou me livrar desse show — sussurrei, segurando a bandeja, sentindo um segundo depois a mão de Bella se enrolar em torno do meu pulso.
— O que está fazendo? — perguntou, voltei a olhá-la, encontrando confusão em seus olhos.
— Levando isso daqui. — Gesticulei com a cabeça para a bandeja. — Por Deus, foi um erro estúpido trazer cereal, mas eu queimei as panquecas, meu café parecia uma água suja e o suco causaria gastrite de tão ácido que ficou, eu sou um idiota.
Bella suspirou, soltando minhas mãos da bandeja, as colocando em seu rosto.
— Edward, eu pareço achar que sua ideia de café da manhã foi errada?
Fixei em seu olhar, não vendo repulsa ou sentimentos negativos ali.
— Não? — arrisquei.
— Não — ela confirmou. — Eu adorei, ninguém nunca me trouxe café na cama antes...Quer dizer, minha mãe, quando tive catapora aos sete anos de idade fez isso, mas ninguém além dela. Quanto a sua escolha de menu. — Bella sorriu, olhando para a bandeja. — Eu amo cereal, por que acha que tenho cereal em casa? Porque eu o como!
— Porra! — Expirei, depositando um beijo em sua testa. — Eu pensei que você me consideraria um idiota por isso.
— Cale-se! — ela mandou, pegando minha camisa do dia passado que estava jogada aos pés da cama, vestindo-a, ficando nela e em sua calcinha, eu usava apenas minha cueca. — Deixe-me comer meu precioso cereal. — Capturou sua vasilha, recostando-se no espelho da cama.
Peguei a minha também, assumindo o lugar ao lado dela. Nossos ombros se tocando, enquanto Bella entrelaçava suas pernas na minha, seu pé esquerdo movendo-se por minha perna direita.
— Oh Edward, você deveria virar chefe! — Bella provocou depois de comer a primeira colherada.
Apenas ri, comendo um pouco depois.
— Eu gosto de como você combinou os sabores dos ingredientes, é único — continuou.
— Bella! — gemi.
— Estou brincando. — Ela beijou meu ombro. — Não seja tão sensível, você não sobreviverá ao meu lado se eu for jogar na sua cara todos meus dotes culinários.
Sorri com a ideia de sobreviver junto de Bella, de tê-la por tanto tempo ao meu lado que ela seria capaz de esfregar seu dom na cozinha em minha cara.
— Agora, conte-me, você queimou as panquecas?
— Todas, foi mal ter estragado comida. Eu devia culpar Lady por estar por perto me ameaçando, mas fui eu mesmo.
— Deus, Lady! — Bella gritou, colocando-se de pé na cama, pulando para fora da cama.
— Já a alimentei — contei, fazendo Bella parar no meio do caminho até a porta. — Pelo menos eu acho que era comida de gato, tinha um cheiro horrível.
— Você alimentou Lady? — indagou, voltando a cama, mas daquela vez sentando de frente para mim.
— Sim, antes que ela destruísse sua cozinha.
— Isso foi gentil, obrigada.
— De nada, então, você que deu a ela o nome ridículo de Lady? — Bella riu baixinho, voltando a comer.
— Rosalie a nomeou, se você quer continuar tendo uma cabeça é melhor não repetir que o nome é ridículo. Além do mais, está apenas sendo resmungão por achar que odeia Lady.
— Eu não acho, eu odeio. — Revirei o cereal em minha vasilha.
— Você a alimentou — Bella cantou. — Você não alimenta alguém que odeia. — Ergueu a vasilha em sua mão, querendo comprovar sua teoria. — Ou você me odeia, Edward Cullen? — rastejou até mim, deixando seu cereal sobre a bandeja.
Toquei em seu rosto, varrendo uma mecha de cabelo para trás de sua orelha. Os olhos dela pareciam divertidos, mas ainda podia lembrar-me do medo neles na noite passada quando a questionei sobre nós dois.
Eu também tinha aquele medo.
— Não, eu nunca poderia odiá-la, Bella.
***
Voltei para meu apartamento não muito depois do café de improviso no apartamento de Bella, deparando-me com a pilha de trabalhos para o dia. Arrastei minha bunda até a escrivaninha e comecei a produzir, agradecendo ao fato do local estar silencioso, uma vez que Alice e Jasper iam passar o dia fora, pelo menos era o que uma mensagem dele dizia, a outra era interrogativa.
Jasper: Dormindo na casa de Tanya outra vez? Se eu não a conhecesse até pensaria que ela não é homossexual. Em algum momento terá de me contar quem é a dona do apartamento que esteve se escondendo no fim de semana, Cullen.
Já estava no meio da tarde, quando peguei meu celular, deixando um pouco de lado o trabalho de filosofia.
— Você não deveria estar estudando? — Bella perguntou assim que atendeu, eu podia ouvir Paul McCartney tocando do outro lado da linha.
— Estou fazendo uma pausa, não me julgue. — Repousei minha cabeça na tampa da mesa. — Eu odeio Sócrates.
— Sim, ele era um cara chato, mas você tem de passar por ele, Baby.
— Por Platão também?
— Sim. — Pude sentir o sorriso em sua voz.
— O que está fazendo? — perguntei.
— Apenas ouvindo um pouco de música e lendo, nada muito novo.
— Eu sinto sua falta, queria estar com você.
— Também queria que estivesse aqui, mas você tem de estudar, Edward.
— Falando nisso, eu já fiz seu trabalho, você vai querer me chutar por ter defendido Lewis?
— Veremos. — Ela riu. — Mas não converse comigo sobre o trabalho é antiético.
— Claro, de tudo que fizemos nos últimos dias isso é o mais antiético — zombei.
— Edward!
— Estou brincando — me defendi. — O que você está vestindo?
— Por que diabos está me perguntando isso? — indagou confusa, eu podia imaginá-la arqueando uma sobrancelha.
— Apenas para alimentar minhas fantasias sórdidas uma vez que não a terei em pessoa esta noite — falei.
Ouvi Bella prender a respiração antes de voltar a falar.
— Está dizendo que quer se masturbar pensando em mim?
— Você não se masturba? Isso é uma prática extremamente saudável, senhorita Swan.
— Cl-Claro que me masturbo — gaguejou.
Eu endireitei minhas costas, aquele assunto ficando interessante demais.
— Quando foi a última vez que se masturbou?
— Edward, isso, Deus!
Contive uma risada de sua clara vergonha.
— Quando? — insisti.
— Sábado passado, depois que você me beijou — respondeu, parecendo meio irritada.
— E-eu — foi minha vez de gaguejar. Bella tinha se masturbado pensando em mim? Puta que pariu!
— O que? Você ficou sem palavras agora, senhor Cullen?
— Eu não estava mesmo esperando por isso — confessei.
— Oh querido, você ficou envergonhado agora? Sabe como me senti antes — debochou. — Mas, agora, diga-me, já se masturbou pensando em mim?
— Estou prestes a começar a me masturbar agora mesmo com a ideia de você se tocando enquanto geme meu nome.
Bella se engasgou do outro lado da linha.
— Calcinha e regata — ela disse quando voltou ao normal.
Eu sorri.
— E suas mãos, onde elas estão? Uma no celular, quanto a outra?
— Na minha taça de vinho.
— E você não quer deslizá-la para o interior de sua calcinha?
— Ah Edward — Bella gemeu. — Não vamos fazer isso.
— Sexo por telefone?
— Sim.
— Okay, você pode começar a se tocar quando desligar.
— Eu não farei isso.
— Nós sabemos que você fará. Na verdade, eu preciso voltar a Sócrates agora, avise-me mais tarde se você cedeu e voltou a se masturbar pensando em mim.
— Em seus sonhos. — Ela voltou a rir.
— Pode apostar que estará neles, Bella. Até depois.
— Até.
Nós desligamos juntos, eu girei em minha cadeira para jogar o celular sobre a cama para que ele não me distraísse. Então, vi Jasper parado na porta do meu quarto, avaliando-me atentamente.
— Bella de Isabella? Como Isabella Swan sua professora?
Meus ombros caíram.
— O quanto você ouviu? — perguntei incomodado.
— Mais do que eu queria, na verdade. — Jasper descruzou os braços, entrando no quarto, deixando a porta aberta como já estava durante todo aquele dia.
Merda, eu tinha de aprender a fecha-las.
— Alice?
— Ela voltou para casa — respondeu. — Tinha trabalho a fazer. Edward, você está transando com sua professora?
— Jasper...
— Não comece a me julgar, Jasper! — exigi, vendo o olhar sério em seu rosto.
— Eu não vou. — Jasper bufou, sentando na beira da minha cama. — Mas você sabe a grande merda que isso pode se tornar, não sabe? Ela é sua professora, bem mais velha...
— Apenas dez anos, além do mais não é como se ela fosse uma idosa de sessenta anos que eu estivesse tirando de um asilo. — Passei a mão pelos cabelos, irritado e estressado.
— Vale a pena arriscar tanta coisa por conta de sexo?
— Não é só sexo, eu estou apaixonado por ela, Jasper — declarei, vendo a surpresa correr seu rosto. — Muito apaixonado.
— Ainda assim — ele voltou a falar, parecendo meio desnorteado com minha revelação. — Não acho que isso seja algo que devia estar acontecendo.
— Bom, eu não pedi sua opinião! — exclamei bravo, levantando e indo até a porta, mantendo-a escancarada para que Jasper saísse.
— Edward, não reaja assim, eu sou seu melhor amigo.
— E eu adoraria que você não contasse sobre o que sabe a ninguém, mas eu não vou deixá-lo interferir no que há entre Isabella e eu. — Apontei para fora do quarto. — Saía, eu tenho muito o que fazer.
Jasper bufou novamente, levantando e parando diante de mim.
— Edward, você está apaixonado e ela? Sente qualquer coisa por você?
— Sim, ela só ainda não vai admitir. — Jasper franziu a testa para minha frase.
— E se ela nunca admitir?
Eu não respondi, apenas indiquei que ele saísse novamente, tentando não pensar em Bella negando seus sentimentos para sempre. Eu poderia lidar com aquilo?
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