Dez Anos

29 Capítulo Vinte e Oito


Notas iniciais
Tentem não me matar, sou uma boa pessoa...

Capítulo Vinte e Oito

Edward Cullen

Nunca fui um tipo de garoto problema, a única coisa que enlouquecia meus pais era o fato de eu não querer seguir carreira no direito, mas fora isso nunca dei qualquer tipo de dor de cabeça a eles. Nada de acidentes de carro, ossos quebrados, namoradas adolescentes grávidas e muito menos prisões.

Até aquele momento.

Após todo o processo inicial na delegacia, eu simplesmente fui colocado em uma cela com mais quatro caras, enquanto aguardava o delegado se dar ao trabalho de me ouvir. Não que eu achasse que ele fosse se importar com qualquer coisa que eu falasse em minha defesa, a camiseta manchada de sangue era um grande indicativo da merda que eu tinha feito e, minhas mãos ganharam nada mais do que uma lavagem com água para serem limpas depois de coleta de material para indicar que eu tinha quase matado Jacob Black.

— E ai cara, o que você fez? — Um dos homens na cela perguntou, eu estava em pé próximo a grade, ainda absorvendo a ideia do estrago causado por mim mesmo em minha vida aquela manhã. Olhei para os meus companheiros de cela, me dando conta em um instante que todos eram latinos, talvez eu devesse fugir para o sul com eles se fosse solto algum dia, Bella gostaria de um pouco de calor?

Pensar nela fez meu estômago doer, seu rosto estava completamente atormentado quando me viu naquela situação. Eu me odiei por colocá-la naquela posição.

— Eu bati em um cara — murmurei, gesticulando para minha roupa imunda. — E vocês?

— Imigração ilegal, nós conseguimos cruzar metade do país até esses malditos caras no pegarem — outro homem respondeu, com um forte sotaque em sua fala. — Sou Juan, estes são Pablo, Nunes e Diego. — Apontou para cada um ao dizer os nomes, apenas assenti. — Já ligou para seu advogado? Você não tem cara de que ficará por muito preso sendo tão branquelo.

Engoli em seco, eu sabia muito bem quem iria cuidar da minha ficha policial e tinha pânico de como isso afetaria todo o resto. Eu recusei meu telefonema de direito, papai tinha visto tudo, ele provavelmente já tinha comunicado minha mãe, ou a advogada Esme Cullen, no caso.

— O que ele te fez? Tentou roubar sua garota? Eu dei um soco no cara que tentou roubar Lupita de mim — Pablo ou Diego disse, eu realmente não tinha associado os nomes aos rostos.

— É, não, mas ele colocou a minha garota em risco. — Dei de ombros, colocando as mãos nos bolsos da calça. Pude jurar ouvir papai gritando em algum lugar da delegacia, então suspirei de alivio por pelo menos ele estar ali. E Bella? Ela tinha ido até ali também, ou aquilo foi demais para ela? — Ela é mais velha, algumas pessoas não podiam saber disso ainda, então esse cara espalhou a noticia e eu perdi o controle e quebrei a cara dele.

Se eu não estivesse apavorado que o cretino do Black morresse, eu ficaria muito contente de ter quebrado a cara dele e provavelmente o resto do corpo também.

— Uma chica mais velha, em? — Nunes perguntou, mexendo as sobrancelhas. — Ela é quente?

Eu o encarei com raiva, mas contive meu recém adquirido espírito agressivo apenas para mim, só o que faltava era me meter em mais confusão. Principalmente se eu colocasse quatro caras contra mim de uma só vez.

— Sim, eu tenho certeza de que ela é quente! — Juan exclamou rindo, fazendo um high Five com o cara mais próximo.

— É ela quente! — Bufuei.

Porra, muito quente, eles mal sabiam.

Eu olhei para fora da cela, desejando que Bella surgisse ali e dissesse que estava tudo bem, mas ao mesmo tempo não querendo que ela me visse atrás das grades. Pelo menos aquela experiência maldita poderia servir para algo, então voltei minha atenção aos homens ali, querendo descobrir um pouco sobre como eles entraram ilegalmente no país.

— Então, como atravessaram a fronteira?

Já sabia qual seria o tema do meu próximo livro, se eu deixasse aquele lugar para poder escrevê-lo.

***

Eu só fui falar com o advogado quando Esme chegou, isso me deu tempo de conversar um pouco com Juan e companhia e fazer uma dezena de notas mentais de pontos que poderia abordar em meus livros. Desejei voltar aquela cela no momento que entrei na sala do delegado e os olhos de Esme queimaram sobre mim, eu nunca tinha a visto tão raivosa.

— Sente-se — ela ordenou, apontando para a cadeira ao seu lado, me dando uma avaliação geral, seus olhos pararam sobre o sangue na minha camiseta e ela torceu a boca.

— Mãe, eu... — comecei apreensivo.

— Estou aqui como sua advogada, você conversará com sua mãe quando deixar esse maldito lugar — falou séria e eu sabia que o inferno aconteceria quando eu deixasse aquela delegacia. — Pode começar a coleta do depoimento agora — disse para o delegado.

Então, pelos próximos minutos eu contei sobre a denúncia de Jacob, sobre ele tentando me derrubar na escada, então sobre nossa briga e o desfecho de tudo aquilo.

— Está me dizendo que apenas perdeu a cabeça? — o delegado indagou.

— Sim, eu nunca colocaria a vida de alguém em risco se estivesse em plena consciência, mas Jacob me tirou do sério nesta manhã. Então, aconteceu o ataque dele na escada, você pode conferir as câmeras de segurança do prédio e ver que ele iniciou tudo...

— Não diga o que eu devo fazer, garoto — ele disse como seu fosse a porra de um adolescente. — Prossiga.

— Eu sei que errei — continuei. — Que nunca devia ter batido em Jacob daquela forma, mas foi apenas uma reação involuntária.

— Vamos averiguar o caso, você colocou o outro garoto em sérios riscos.

Parei de respirar, se aquele filho da puta morresse, eu nunca deixaria aquela prisão, quer dizer, deixaria para ir para um presídio. Eu não achava que Bella fosse se dar ao trabalho de manter o namoro com um cara dez anos mais novo, que matou outro e que passaria o resto da vida preso por homicídio.

Eu estava a perdendo, podia sentir isso.

— Pode levá-lo agora! — o delegado ordenou para um policial ali, que me colocou de pé em um movimento único, puxando meus braços para trás do meu corpo.

Foi quando pânico varreu os olhos de minha mãe e ela chorou baixinho.

— Desculpe, por favor, desculpe — implorei a ela, sabendo que aquilo tudo deveria estar sendo um pesadelo para Esme também. Apesar de tudo ela era minha mãe, me ver naquela situação deveria ser horrível.

— Eu vou tirá-lo daqui, filho. — Ela afagou meu rosto gentilmente, o policial me forçando a ir até a porta, pouco se importando com as palavras dela. — Eu vou tirá-lo daqui e devolver sua vida, ninguém mais irá colocá-lo em problemas. Nem mesmo aquela mulh... — A porta se fechou atrás de mim e não ouvi o final de sua frase, mas tinha a grande suspeita de que ela estava falando sobre Bella.

***

Meu pai foi me visitar pela parte da tarde, nós nos encontramos em uma salinha especial para isso e Carlisle me deu um forte abraço. Ele começou a chorar no momento que cruzou a porta, então minhas lágrimas vieram junto as dele um segundo depois.

— Pai, eu fui um babaca, me desculpe — pedi, me agarrando a ele. — Como Bella está? Pai, por favor, não deixe isso voltar contra ela, por favor, cuida dela. — Olhei para seu rosto, nos afastando. — Eu a amo, eu não vou suportar colocá-la em problemas por minha estupidez, por favor, garanta que ela vai ficar segura, por favor.

— Ela está bem. — Carlisle sentou em uma das cadeiras ali, eu sentei em outra, aliviado com suas palavras. — Está lá fora, toda vez que a vejo está chorando...

— Isso não quer dizer que ela está bem! — exclamei aflito, podia me lembrar com exatidão de todo o choro de Bella no dia do aniversário de sua mãe, se ela estivesse minimamente perto disso queria dizer que estava mal, o que me deixava péssimo. — Peça que ela vá para casa descansar, dormir um pouco...

— Ela é maior de idade — ele me interrompeu. — Você melhor do que ninguém sabe que Isabella é uma mulher feita, eu não estou em posição alguma de dizer a ela o que deve ou não fazer.

— Pai, você não entende, eu a amo. Amo como você ama minha mãe, eu não posso sequer imaginar Isabella chorando lá fora sozinha. — Solucei.

— Ela não está sozinha, tem um cara grandão com ela nos braços — eu notei seu tom sugestivo e aquilo me deixou irritado.

— Isabella não está com nenhum amante, ou qualquer merda dessas — frisei. — Este é Emmett, o marido da melhor amiga dela. Eu serei o padrinho do filho desse cara ao lado de Bella, não fale dela como se estivesse esfregando-se com qualquer um enquanto é minha namorada.

Carlisle engoliu em seco.

— Desculpe-me Edward, isso foi tolo.

— Sim, foi — confirmei.

— Mas, pare de pensar em Isabella agora, devemos nos importar com a sua saída daqui. Eu liguei para Caius, ele está tentando algo, mas sabe como isso pode demorar. Sua mãe está ficando louca e...

— E?

— Billy Black vai abrir um processo na universidade pedindo sua expulsão da instituição.

Meus ombros caíram, minha boca secou.

Eu não me formaria? Eu não sonhava desde criança com meu diploma em inglês, mas a ideia de sequer tê-lo também não parecia nada boa. Que futuro eu teria depois disso? Nenhuma editora dava importância para mim e não possuía qualquer capacitação profissional diferenciada para ter um trabalho que me permitisse alugar um apartamento que fosse sem precisar contar com um colega de quarto.

— Vou fazer de tudo para mantê-lo, filho, mas eu não sei até onde isso será possível. Já tivemos casos de expulsão por agressão antes, eu mesmo estava à frente dos votos a favor da expulsão do aluno.

— Porra, porra, porra! — Enfiei meu rosto entre as mãos.

Mesmo se eu fosse solto, eu ainda perderia Bella. Eu não teria condições em dar um futuro a mim mesmo, como daria um a ela? Nós nunca tínhamos ido muito longe em nosso futuro, mas ela tinha sido casada uma vez e estava tentando ter um filho, sabia que matrimônio e família era algo que ela queria. Podia ver em seus olhos toda vez que Noah era mencionado.

Nem mesmo eu perderia tempo com um cara totalmente fodido como eu era naquele momento.

— Peça para Bella ir, pai, peça para ela sair disso enquanto há tempo — foi meu último pedido.

***

Enquanto meus novos amigos, todos vindo do México, dormiam, eu fiquei acordado. Aquela, sem duvida alguma, foi a pior noite da minha vida. Estava sentado ao lado da grade, mesmo que Nunes tenha insistido para que eu fosse deitar no meu espaço ali, encarando a lâmpada do corredor.

Eu me sentia um merda, queria chorar e agiria como um bebê abandonado se estivesse sozinho. Podia ouvir meu pai dizendo que eu era sensível demais, que isso algum dia me prejudicaria, bom, prejudicou.

Fui conduzido por meus sentimentos e me apaixonei por Bella, a amei. Então, eu deixei a raiva tomar conta e explodi com Jacob. O resultado disso era perder tudo que eu tinha minimamente conquistado até ali, principalmente Bella.

Não podia acreditar que quando nossos sentimentos finalmente estivessem alinhados, o mundo inteiro saiu de rota. Mas, não podia deixá-la ser prejudicada, não quando ela implorou ao meu pai em sua sala para ser acusada por assédio só para livrar minha cara.

Quando amanheceu, eu me sentia exausto. Os primeiros raios de Sol surgiram timidamente pelo gradeado no alto da parede, tocando meu corpo, mas não o suficiente para aquecê-lo.

Brinquei com o feixe de luz, minha mão fria parecendo incompleta sem a de Bella ao redor. Eu daria tudo para entrelaçar meus dedos aos seus mais uma vez, beijar seus lábios, ouvir sua risada, vê-la mordendo o lábio inferior, tocando a buzina desesperadamente. Ou, simplesmente sentada em seu sofá, os óculos de grau pendendo na ponta do nariz, enquanto lia e fazia anotações.

Bella sempre dizia que era uma leitora, talvez esse tenha sido um dos motivos que me fez amá-la tão rápido. Eu era o escritor, ela a leitora, nós nos encaixávamos, nós nos entendíamos, porém, com uma virada cruel do destino, nós não ficaríamos juntos.

***

Mais tarde naquela manhã, eu me despedi de Nunes, Juan, Pablo e Diego, finalmente associando os rostos aos seus respectivos nomes. Um policial me levou até a sala do delegado, onde ele e meus pais esperavam, o habeas corpus tinha saído, mesmo com minha prisão em flagrante, Esme Cullen tinha mexido céu e inferno para tirar o filho da cadeia.

Assinei toda a documentação necessária e peguei de volta a única coisa que estava em meu bolso quando fui preso. Meu chaveiro.

— Filho, tudo bem? — papai me perguntou, estendendo para mim uma sacola com roupas.

— Sim — sussurrei, vendo a chave do apartamento de Bella no meio das minhas. Eu jogaria aquilo fora na primeira oportunidade. — Tem alguma noticia dela? — perguntei baixo ao meu pai, enquanto mamãe estava distraída conversando com o delegado.

— Ela não está lá fora, eu não a vi desde ontem, quando disse que ela deveria ir — ele sussurrou de volta. — Deixe-a ir, Edward, isso será melhor.

Assenti, eu não podia tragar Bella para mais problemas. Peguei a sacola de roupas e segui até o banheiro imundo da delegacia, voltando a me encontrar com meus pais depois e deixando o local com eles, livre das roupas sujas de sangue.

Eu tinha acabado de pisar fora da delegacia quando a vi sair de seu carro, seus cabelos soltos balançando atrás de si, enquanto corria em seus saltos até mim. Eu parei, uma parte gritante de mim aliviado em vê-la, a outra detestando o estado de seu rosto inchado e cheio de lágrimas.

A amava muito para lidar com a ideia de tê-la sofrendo por minha culpa.

— Seu idiota, eu deveria matá-lo! — ela exclamou quando se jogou em meus braços, me abraçando com força. — Você me deixou tão assustada, eu fiquei morrendo de medo do que podia acontecer — falou, começando a beijar meu rosto.

— Está tudo bem — tentei dizer, mas ela voltou a me sufocar em seus braços. — Você deveria estar na universidade, ainda é terça-feira.

— Dane-se a escola, eu só me importo com você agora! — Ela bateu em meu braço com força, fazendo com que eu resmungasse de dor.

— Droga, T, isso machucou! — reclamei.

— Isso é por sua estupidez — Tanya falou. — Dá próxima vez que tentar se meter em uma briga lembre-se que eu também sei bater. — Outro tapa no outro braço. — E, se você for preso de novo, eu irei arrancar seus olhos e suas bolas com uma pinça de sobrancelha.

— Tanya, tudo bem, você pode ameaçar Edward depois — papai pediu rindo, mamãe tinha uma expressão satisfeita em seu rosto que me confundiu, ela estava raivosa até o momento que deixamos a delegacia, o que tinha mudado?

— Desculpe, tio Carlisle — Tanya pediu a ele, rindo também, então afagando meu cabelo. — Que tal eu levá-lo para casa, Edward?

— Eu acho que ele deveria vir para casa conosco — mamãe falou. — Há muito que tratar ainda — completou.

— Eu realmente quero passar no meu apartamento — falei para ela. — Tomar um banho, dormir por algumas horas na minha própria cama, por favor — pedi, ela não gostou daquilo, mas concordou com um aceno de cabeça.

— Esteja em nossa casa amanhã de manhã! — ela ordenou. — Tente não se meter em mais confusões até lá.

Papai deu um tapinha em meu ombro, lançou-me um último olhar e seguiu com mamãe para sua Mercedes. Tanya logo me arrastou até seu carro, eu apaguei no primeiro minuto do caminho no banco do carona, finalmente sendo vencido pelo cansaço.

— Hora de acordar, dorminhoco! — Tanya soou animada em algum lugar distante da minha mente.

Eu pisquei algumas vezes, então abri os olhos de vez, olhando ao redor. Aquela não era a fachada do meu prédio, era a fachada do prédio de T.

— O que estamos fazendo aqui?

— Eu achei que você teria um pouco mais de privacidade e conforto no meu apartamento — ela falou. — Jasper e Alice irão te encher de questionamentos que eu sei que não quer lidar agora.

— É você está certa. — Tirei o cinto. — Obrigado por isso.

— De nada — piscou para mim. — Você pode descer aqui? Vou sair para comprar algo para comermos mais tarde. Aqui, leve isso com você. — Me entregou uma chave, eu pensei na de Bella em meu chaveiro, mas não estava pronto para me desfazer dela. — Use o quarto de hospedes.

— Sou um ex detento, mas não é como se fosse um cara doente que não pode usar sua cama sem contaminá-la — bufei, sabendo que o colchão do quarto principal era muito melhor.

— É sério, quarto de hospedes, ou eu vou matá-lo. — Tanya apontou para a porta, revirei os olhos, então desci do carro.

Segui diretamente para o elevador, quase dormindo em pé, então entrando no apartamento de Tanya. Eu estava trancando a porta, quando ouvi passos no corredor de entrada, virei-me para trás, vendo Bella parada ali.

Ela estava em roupas informais, calça jeans e camiseta, descalça, os cabelos presos em um coque bagunçado. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, indicando seu choro e ela estava pálida.

— O que está fazendo aqui? — consegui perguntar sufocado.

Eu quis correr até ela e abraçá-la, mas minha mente ainda gritava como eu era um problema em sua vida.

— Eu te amo, não vou a lugar algum sem você ao meu lado, Edward. Se tenho de escolher, escolherei você todas as vezes.

Notas finais
Cês conseguem ouvir o som da absolvição? hahahaha Eu não conseguiria fazer Bella fazer outra escolha, amo demais esses dois aqui em D.A para separá-los. Agora, eles que encarem toda essa bagunça juntos, porque eu tô livre de ameaças o/ Beijos! Lola Royal. 10.11.16