Dez Anos
34 Capítulo Trinta e Três
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Três
Isabella Swan
Eu o tinha, ele estava ali. Em cima de mim, aos meus lados, dentro de mim.
Edward estava comigo, Edward não iria a lugar algum. Eu me sentia aliviada, abençoada e principalmente apaixonada.
Segurei em seu rosto, puxando-o para um beijo, enquanto Edward ia mais fundo, fazendo com que eu gemesse em sua boca. Aquela noite parecia uma volta para casa, um reencontro ainda que nunca tivéssemos pego caminhos distintos, mas a mera ideia de tê-lo se afastando mexeu mais comigo do que imaginado. Então, ele ficou e isso era tudo.
— Amo você — eu disse, arfando quando ele nos trocou de posição, sendo a pessoa por baixo.
Passei a ditar nosso ritmo, cavalgando em cima dele, com Edward ajudando-me nos movimentos. Ele gozou primeiro, então sai de cima dele, desabando ao seu lado na cama, sua mão vindo até minha boceta, enquanto sua boca atacava a minha, seus beijos e seus toques fazendo com que eu chegasse ao meu clímax com um gemido abafado em seus lábios.
Eu senti meu corpo apagar momentaneamente, apenas registrando o fato de Edward deixando a cama, o barulho da porta do banheiro, então seu retorno ao meu lado no colchão. Rolei na cama até ele, aconchegando-me debaixo do seu braço, descansando meu rosto em seu peito.
— Você está bem? — perguntei, o notando quieto demais.
Me movimentei, virando o rosto na direção do dele. Edward tinha os olhos fechados, mas eu já conhecia suficiente dele para saber que ele não estava dormindo.
— Edward? — insisti.
— Estou, está tudo bem, apenas descanse — pediu, afagando minhas costas nuas.
Suspirei, era óbvio que ele estava preocupado com o que a mãe dele tinha dito aquela manhã após seu julgamento. Eu também estava, claro, em algum tempo seria processada por assédio, mas realmente não queria começar o sofrimento sobre aquilo naquele momento.
Edward finalmente estava livre de problemas com a justiça, ainda teria o trabalho comunitário, o financiamento do tratamento de Jacob e a doação de cestas básicas, mas ele não seria preso e isso era o importante. Pensar no fato de que eu seria a pessoa presa em alguns meses, quebrava todo o clima bom que o resultado do seu julgamento tinha nos proporcionado.
— Baby. — Esfreguei seu rosto, fazendo com que Edward olhasse para mim. — Vamos apenas tirar isso da mente, certo? — perguntei, lançando um grande sorriso a ele. — Nós dois estamos de férias até o recesso de fim de ano terminar, logo você voltará à livraria, começará o trabalho comunitário e eu terei aulas para dar. Eu amo a época de natal, o frio, a neve, a comida, vamos ficar apenas aconchegados um no outro pelas próximas semanas, sem pensar nos problemas.
Toquei meus lábios nos seus rapidamente.
— Não poderemos fugir dela para sempre, Bella, em algum momento seremos atacados novamente. — Respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos. — Por minha própria, mãe, aquela que deveria mais do que qualquer um querer me vez feliz, mas que está fazendo o contrário com tudo isso.
— Eu sinto muito. — Sentei na cama, puxando o lençol para cima de mim para que eu pudesse me cobrir. — Por você estar com tudo isso sobre seus ombros.
— Você também está. — Edward sentou também, beijando meu ombro.
— Eu já aguentei muita coisa, Edward. Você sabe, sou uma garota antiga — brinquei, ele riu em meu ouvido.
— Obrigado por tentar me distrair no meio de todo esse caos.
— Sempre.
Voltei a derrubá-lo sobre a cama.
— Agora, foque-se apenas em mim, Baby. Nós iremos comemorar pelo resto do dia o resultado positivo do julgamento.
— E como faremos isso? — ele perguntou dando um sorriso safado, arqueando uma sobrancelha.
Eu me inclinei até a mesinha ao lado da cama, pegando o fraco de lubrificante e uma menta.
— Você verá como. — Pisquei para ele, jogando a menta em minha boca.
***
Edward e eu combinamos não trocarmos presentes de Natal, mas ainda assim eu precisava ir até o shopping fazer compras para isso. Sendo assim, ele concordou em me acompanhar naquela missão, o que se tornou desgastante para ele na segunda loja.
— Você realmente precisa comprar um presente para cada pessoa que conhece? Sério, meu pai não precisa de um presente, ou apenas pegue qualquer gravata e vamos logo — implorou entediado, carregando em sua mão duas sacolas grandes da loja de roupas femininas que tínhamos ido antes, onde comprei presentes para as mães de Emmett e Rosalie, para Ângela, Rose, Tanya e até mesmo Alice.
— Claro que preciso — teimei, em duvida entre duas gravatas para Carlisle. — Seu pai me deu um ingresso para o show do Paul McCartney, Edward — lembrei, o encarando, vendo-o revirar os olhos. — Não revire os olhos para mim, Cullen. Você ficou tão surtado naquele show quanto eu, nós não conseguiremos retribuir a altura para seu pai mesmo que nosso primogenito tivesse o nome dele.
— Na verdade eu já tenho outro nome em mente, então nada de Carlisle — falou, apontando para a gravata vinho. — Ele gosta de cores escuras, mal ia conseguir disfarçar a cara de terror ao ver a gravata azul turquesa.
— Sério? — indaguei surpresa com aquilo.
— Sim, você tem de ver o escritório dele em casa, tem as paredes todas...
— Não, não sobre as gravatas — falei. — Sobre o nome.
— Ah claro. — Ele sorriu, aproximando-se de mim e afagando meu rosto como pode enquanto segurava meu batalhão de sacolas. — Desde que falamos sobre filhos no outro dia, eu já tenho um nome em mente.
— Compartilhe! — pedi ansiosa.
— Edward.
Franzi a testa.
— Não sabia que era tão convencido assim, Baby!
Ele riu, beijando o topo da minha cabeça.
— Eu sou, um pouco, sabe disso. Mas, a verdade é que quem escolheu meu nome foi o pai de Esme. Ela sequer estava grávida, mas ele pediu a ela que quando tivesse um filho, colocasse o nome de Edward, que era o nome do pai dele e seria o nome dela se fosse um garoto. É um nome de família, gostaria de repassá-lo adiante, mas claro, se você não se importar com isso.
— Não me importo. — Me estiquei para beijar sua bochecha. — Eu amo seu nome, será incrível ter um pequeno EJ correndo por ai.
— Você já o apelidou? — Edward perguntou entusiasmado.
— Sim, Baby, eu quero esse filho.
— Queria muito engravidar de Mike, não é? — perguntou, ficando sério.
— Edward, eu teria ficado em Seattle se realmente quisesse ter um filho com Mike — respondi honestamente. — Quero ter um com você, essa é a verdade aqui agora — anunciei. — Sério, meu relógio biológico está gritando, porque agora só consigo pensar em um garotinho com seu nome, carregando características nossas em comum.
— Depois do julgamento — ele começou a falar, largando as sacolas no chão, segurando no meu rosto com ambas as mãos, soube que o julgamento em questão ali seria o meu. — Depois que isso for finalizado, depois que tudo se acalmar, nós iremos começar a tentar.
— Edward, você ainda será novo...
— E eu realmente não dou a mínima, vou precisar de um emprego que possa cobrir mais as despesas do bebê, mas quero te dar um filho, quero que tenhamos um. Nós iremos ter — falou nervoso e vi o medo em seus olhos devido ao meu futuro, uma vez que um processo podia ser aberto a qualquer momento, dependendo da sua mãe. — Irei arranjar um emprego, Emmett falou que talvez consiga algo para mim no banco, ou eu posso conseguir algo com meu pai, sei lá.
— EJ?
— EJ — confirmou, voltando a sorrir. — Mas, a gente realmente precisa pensar em um nome para a garota se ela decidir vir primeiro.
— Ainda temos tempo — falei. — Junte minhas sacolas, vá treinando para quando eu estiver grávida, gorda e cansada.
— Não deixe Rosalie ouvir essa descrição, por favor.
Nós dois rimos.
Paguei pela gravata de Carlisle, a roupa escolhida para meu pai, então deixamos a loja. Seguimos até uma de brinquedos, onde comprei mais de um presente para meus sobrinhos, por fim indo até a loja de roupas de bebês.
Edward compraria algo para Noah também, então passamos bastante tempo lá procurando pelos presentes perfeitos para nosso afilhado. Estávamos saindo da loja, quando trombei com alguém, Edward rapidamente me puxou para perto dele, me assustando com sua ação rápida, pois para mim tinha sido apenas um esbarrão, até eu ver quem era a pessoa que colidi.
— Isabella?! — Mike exclamou perplexo, desligando o celular que antes estava contra sua orelha.
— Oi Mike.
Ele encarou Edward segurando em minha cintura, então as sacolas da loja de bebês em nossas mãos e a própria atrás da gente, de onde tínhamos saído.
— Vo-Você está grávida? — Mike perguntou gaguejando.
— Não, não! — respondi rapidamente, mas seu olhar continuava fixo em Edward me abraçando de lado.
— Esse é Edward Cullen, filho de Esme Cullen, por que estão fazendo compras juntos e se tocando assim? — Mike falou, ainda chocado, Edward bufou. — É seu aluno! — quase gritou aquilo para que todos no shopping ouvissem.
— Sou namorado de Isabella — Edward falou irritado, seu rosto pintado em vermelho.
— Você está se envolvendo com um aluno? — Mike me perguntou enojado. — Esse é o seu cara? Porra, Bella, você é doente!
— Escute aqui, seu filho da... — Detive Edward de se aproximar de Mike, colocando-me entre os dois.
— Edward, não, não vale a pena! — afirmei desesperada, Mike era um advogado, ele poderia mais fácil que Jacob Black e seu pai abrir um processo contra agressão em cima de Edward. Ele tinha acabado de sair de um, não precisaria passar por aquilo de novo, principalmente correndo o risco de sua punição ser muito mais rígida daquela vez.
— Espere, seus pais sabem disso, garoto? — Mike perguntou a Edward.
— Fique fora disso, Mike! — ordenei, puxando Edward em direção ao elevador que nos levaria até a garagem no subsolo onde meu carro estava.
Mike nos seguiu até o elevador, ainda questionando sobre minha relação sobre aquilo.
— Isso é loucura, você perdeu o juízo, Isabella.
— Eu mandei ficar fora disso! — exclamei, Edward já estava dentro do elevador e podia ver o ódio em seu rosto, misturado a todo seu autocontrole para não voltar a dirigir sequer uma palavra para Mike que pudesse encrencá-lo.
— Sua família ficará sabendo disso, alguém tem de detê-la — Mike anunciou. — Não posso acreditar que fui casado com uma vagabunda.
Eu levantei a mão para bater nele, mas senti Edward segurar em meu braço, puxando-me para o interior do elevador, impedindo-me de ser a próxima acusada de agressão.
— Mike, vá se foder, seu merda! — Edward disse a ele, então as portas se fecharam, o último vislumbre que tive do meu ex-marido foi seu olhar de ódio.
***
Eu dirigia com tanta concentração, que poderia ganhar uma honraria por aquilo. Mas, não era apenas pela neve na estrada, ou o trânsito, sequer era por temer um acidente na véspera do natal, era por pânico.
Entre o sábado onde Edward e eu encontramos Mike no shopping, ao sábado seguinte véspera de natal onde estávamos indo para Forks, tudo que conseguia pensar era se meu ex-marido já tinha contado a minha família sobre Edward. Eu tinha ligado brevemente para meu pai um dia antes de encontrar Mike, avisei que estava indo para Forks e que meu namorado ia comigo, que ficaríamos em uma pousada, ele não gostou de nada daquilo pelo que senti em seu tom de voz, mas também não me mandou ficar longe.
Porém, se Mike realmente tivesse contado a eles como ameaçou, sabia que assim que chegasse lá com Edward a terceira guerra mundial eclodiria. Minha ideia de passar as férias de fim de ano em calmaria, totalmente extinta, nós estávamos dirigindo para o inferno.
— Edward! — resmunguei quando ele trocou a estação do rádio para um com músicas natalinas tocando. — Mude isso — implorei.
— É Natal, Bella, você tem de entrar no espírito da coisa. — Brincou, sabia que era a vez dele de tentar me distrair, mas não estava surtindo muito efeito.
Além de estar prestes a enfrentar minha família e todos seus preconceitos, ainda tinha o fato de que nós dois, ou mesmo Carlisle, sabíamos o que estava se passando na mente de Esme. Eu temia voltar para casa depois do natal e, me deparar com uma intimação anunciando que teria de prestar depoimentos sobre meu envolvimento com Edward.
Dirigi direto para a pousada onde reservei um quarto para a gente, sabendo que levar Edward para a casa de Charlie comigo o deixaria mais louco ainda com a ideia de eu estar namorando alguém dez anos mais novo, que até algumas semanas atrás era meu aluno.
Eu queria apenas ficar na pousada aquele dia vinte e quatro, ir até a casa do meu pai só na manhã seguinte e encarar o Natal e tudo de uma só vez. Então, convenci Edward aquilo, por sorte ele relaxou e dormiu aquela noite, mas fiquei acordada pensando em como minha família reagiria a tudo.
Toquei a campainha no dia seguinte, minha mão livre trêmula, Edward rapidamente estava a envolvendo na sua, acalentando-me como podia. Então, quem abriu a porta foi Eric, com uma garrafa de cerveja em mãos e um sorriso debochado no rosto.
— Isabella, nós ainda não tínhamos certeza se viria, pensei que ficaria na creche tomando conta do seu garotinho.
Puxei Edward para mais perto quando ele fez menção de avançar sobre Eric, aquilo não era seguro. O temperamento explosivo dele estava à beira desde a briga com Jacob.
— O que você está fazendo aqui? — Ângela apareceu na porta, espiando através do marido, olhando para Edward como se ele fosse um assassino. — O que há na sua cabeça para vir até a casa do meu pai e desrespeitá-lo trazendo consigo este garoto que está envolvendo em seus joguinhos sujos?
— Ângela, eu preciso que me deixe entrar, Edward e eu...
— Você não vai entrar! — Charlie apareceu ali também, passando por Eric e Ângela, Edward e eu recuamos, as lágrimas já rolando por meu rosto.
— Papai, por favor, apenas me escute antes de me atacar — implorei.
— Não, você é uma pecadora, Isabella — ele disse, seus olhos castanhos como os meus olhando-me com nojo.
Eu já tinha recebido olhares semelhantes de Esme, mas era ainda pior receber aquele tipo de olhar do meu próprio pai.
— Charlie...
— Calado! — Charlie gritou com Edward. — Você sequer deveria estar aqui, menino, volte para a barra da saia da sua mãe, mal saiu das fraldas. E você. — Charlie se voltou para mim. — Você é a vergonha desta família. — Aquilo foi como um tapa em mim. — Sua mãe iria se envergonhar tanto de você, é bom que Renée já esteja morta, melhor do que ver a filha dela sendo uma vagabunda.
Esme tinha me chamado assim, Mike, minha vizinha. Porém, ouvir Charlie falar aquilo, foi o fim.
— Eu não sou uma vagabunda! — gritei, soltando-me de Edward, andando até Charlie, sentindo as lágrimas em meu rosto aumentarem, ao mesmo tempo em que minha confiança tomava força. — E não diga para mim como minha mãe se sentiria sobre isso, pois ela era bondosa e amorosa, diferente de você que só faz me julgar desde que rompi meu casamento de merda com aquele filho da puta que vocês tanto idolatram.
Charlie abriu a boca para falar algo, mas eu já estava voltando minha atenção para Ângela de Eric, sem deixá-los falar qualquer coisa.
— E vocês dois, espero que continuem se amando muito nesse casamento perfeito que possuem — debochei. — Quem você vai comer hoje, Eric? Sua secretária? A garota da loja de conveniência, que olhe só, nem deve ser maior de idade? Ou qualquer outra mulher que cruze seu caminho? E Ângela? O que fará enquanto seu marido fode com outra mulher? Irá sentar em sua cama e rezar por ele? Irá agradecer por ter um marido, mesmo que ele seja um grande cretino?
Meu olhar percorreu entre os três rapidamente, então para Edward parado atrás de mim.
— Eu amo Edward, mas tudo que esta família consegue ver é a imagem distorcida que todos tem sobre nossa relação quando olham para a gente e veem a diferença de idade. Mas, não se preocupem, nunca mais precisarão olhar para nós dois. — Fui até ele, segurando sua mão. — Nunca mais voltarei às vidas de vocês. — Olhei para a casa onde cresci, vendo Dakota e Peter com os olhos grudados na janela da sala, sorri para eles, eu os procuraria quando fossem maiores, até lá não poderia chegar até eles com o avô e seus pais agindo daquela forma. — Feliz Natal!
Edward me deixou dirigir, mesmo comigo claramente nervosa. Nós tínhamos acabado de parar na frente da pousada, para recolhermos nossas malas e ir embora daquela cidade, quando o celular dele tocou indicando uma mensagem.
— Edward? — perguntei vendo o terror em seu olhar. — O que foi?
— Meu pai está saindo de casa, ele e mamãe brigaram — murmurou — Ela disse que irá preparar seu processo logo mais, ele disse que não pode compactuar com isso. — Edward começou a chorar. — Está tudo desmoronando!
Eu não disse nada, tudo que pude fazer foi chorar junto a ele. Por nós dois e por nossas famílias.
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