Dez Anos
38 Capítulo Trinta e Sete
Notas iniciais
Capítulo Trinta e Sete
Isabella Swan
Eu não ia ter filhos, foda-se, não mesmo. Ou Edward e eu adotaríamos, ou ele teria de pagar por uma barriga de aluguel, mas eu nunca tiraria uma criança de dentro da minha vagina, parecia um filme de terror.
Foda-se, eu não precisava mesmo ser mãe. Nós poderíamos nos virar com cães e gatos pelo resto da vida, isso parecia mais simples.
Mas, não, sem chances de que eu teria um bebê abrindo passagem pelo meio das minhas pernas. Eu estava traumatizada pelo resto da vida e a ideia de ter minha barriga cortada, tomar uma anestesia e tudo mais também era assustador.
Desculpe, nós não vamos ter um bebê, Edward!
Gritei em minha mente.
Se a mãe de Emmett contando sobre o parto de vinte horas era terrível, assistir ao parto de Noah foi traumático em diversos níveis. Primeiro por Rosalie xingando qualquer um que cruzasse seu caminho, enquanto chupava gelo e dizia que queria drogas pesadas para parar de sentir dor, depois por Emmett tendo crises existências chorando pela chegada próxima do filho.
— Eu vou ser um péssimo pai, o que eu fiz? Que loucura, que loucura! — ele repetia para Edward e eu, sentado no chão do corredor, enquanto Rose dentro do quarto gritava por culpa de mais uma contração.
Então, teve o parto em si, que fui obrigada a assistir e gravar. O sangue, partes de Rosalie que não queria ter visto e Emmett quase desmaiando.
Sem filhos, eu estava decidida!
Depois que Noah foi arrancado de dentro de sua mãe, eu fui nada gentilmente retirada do quarto. Me mandaram para fora para que pudessem cuidar dele e da mãe, como a placenta ainda não tinha saído, eu curti muito ser mandada embora, sem ter como Rosalie me obrigar a ficar ali.
— Então, como foi? Como ele é? — Edward perguntou entusiasmado quando me encontrou do lado de fora.
Apenas fiz uma careta, pegando distância dele. Contando mentalmente se minha menstruação estava no tempo certo, pois eu não queria estar grávida e passar por toda aquela reprodução de filme de terror, nós estaríamos voltando a usar preservativo imediatamente.
— Eu não vou ter um bebê — anunciei, Edward gargalhou alto, ganhando um olhar feio da enfermeira que passou por nós.
— O que aconteceu?
— Edward, é pior do que O Exorcista e O Iluminado juntos!
Ele riu novamente, mas baixo daquela vez.
— Não deve ter sido tão ruim. — Tirou a câmera da minha mão, assistindo a gravação. — Oh merda, eu nunca mais vou conseguir encarar Rosalie depois disso — sussurrou.
— Sim, eu também não. Talvez eu nunca mais faça sexo depois disso também, pois eu só consigo pensar em elasticidade, em sangue. — Senti vontade de vomitar.
— Bom, não acho que concordo com você nesse ponto, volte a pensar em sexo. — Ele desligou a câmera, a outra enfermeira que passou por nós nos encarando como se fossemos tarados no parque.
Mas, ei. Edward era dez anos mais novo, foi meu aluno e já tínhamos passado por olhares muito piores desde que nosso namoro foi à tona alguns meses antes, enfermeiras nos olhando como pervertidos sexuais poderia ser até um elogio comparado a tudo que passamos e ainda passávamos vez ou outra.
Não era mesmo fácil namorar um cara mais novo quando isso estava claro no rostinho jovem dele, mas ele era magnífico na cama, então foda-se os olhares. Aquilo levou minha mente diretamente ao sexo e me vi obrigada a concordar com ele, não dava para parar de pensar em sexo, não com ele por perto.
— Nós podíamos ir atrás de um quarto desocupado, o que acha? — perguntei maliciosamente, passeando minha mão por seu peito despreocupadamente.
— Eu gosto de como isso soa. — Ele segurou em minha cintura com a mão livre, colocando-me contra a parede, falando perto demais do meu rosto. — Você parece o tipo de garota que foderia em um hospital.
— Eu sou totalmente este tipo de garota. — Mordi meu lábio inferior. — Eu posso ser a enfermeira safada se você for o médico gostoso...
— Por Deus, parem com isso Cougar Bella e Jovem Edward, estamos em um hospital. Venham conhecer o afilhado de vocês! — Eu me calei ao ouvir a voz de Emmett, Edward bufou, afastando-se de mim.
— Por que você sempre está nos interrompendo, Emmett? — Edward questionou, segurando em minha mão, puxando-me junto a ele até o quarto onde Rosalie estava.
— Talvez porque vocês sempre estão se comendo por ai — Emmett rebateu, abrindo a porta do quarto.
O médico e todo o resto de sua equipe já tinham sumido, deixando apenas Rosalie e seu pequeno bebê ali. Com tudo terminado, o quarto não parecia mais a locação de um filme de terror, pelo contrário, as coisas estavam até mesmo parecendo um paraíso.
Rosalie estava deitada na cama com Noah em seus braços, ele parecia adormecido, então ela fez um sinal de silencio para nós. Eu praticamente corri até a cama, querendo ver um pouco mais do meu afilhado, que já estava livre de todo o sangue.
Ele tinha os cabelos escuros como o de Emm, os olhos fechados me impediam de ver a cor, mas eu tinha a vaga recordação de também serem escuros. Ele era igualzinho como o pai, Emmett devia estar nas nuvens com isso.
— Podemos pegá-lo? — Edward perguntou aos sussurros para Rosalie, enquanto afagava minhas costas.
— Claro, você Edward, Bella é desastrada demais, o deixaria cair — Rose falou brincando, ganhando um olhar feio meu.
Eu ajudei Edward a segurar Noah, que apenas se remexeu um pouco, por fim ficando acomodado nos braços do padrinho. Edward parecia extremamente nervoso com ele nos braços, mas ainda assim sorria, seus olhos verdes fixo no rostinho de Noah.
Não pude deixar de sorrir, não apenas por meu afilhado finalmente estar ali entre a gente, mas por tudo estar indo bem. Minha carreira mantida em segurança, meu namoro com Edward, ele longe de qualquer problema e com o primeiro livro que seria lançado em agosto.
Desde meu julgamento em janeiro, nós passamos pelos melhores dois meses de todos. Eu ia trabalhar todo dia como se fosse novamente meu primeiro dia na universidade, a animação e empolgação por estar vivendo um dos meus sonhos. Então, tinha Edward, que enquanto não estava pagando sua pena em trabalho comunitário, estava trabalhando em seu livro ou no escritório de advocacia na mãe.
Isso tinha sido uma surpresa para mim no começo, em algum momento Esme o chamou para trabalhar com ela e ele surpreendeu todo mundo aceitando, mesmo tendo sido difícil para ele largar Nelly e a livraria. Mas, entendi que além de querer se beneficiar de estar envolvido em histórias que despertariam sua imaginação para romances policiais sendo assistente de Esme, ele também queria estreitar os laços novamente com sua mãe.
Isso estava funcionando, Esme estava muito mais receptiva ao nosso namoro. Obviamente eu nunca seria a nora dos sonhos dela, mas pelo menos ela nunca mais me ameaçou com processos, pelo menos não falou nada disso alto. Eu até mesmo ganhei um elogio dela quando cortei um pouco meu cabelo, então estava realmente lucrando.
Claro que ainda tinha minha família como parte negativa de tudo aquilo, meu pai não aceitava minhas ligações e eu me recusava a ligar para Ângela. Ela me ligou algumas vezes, mas depois do nome dela ter sido chamado naquele tribunal, eu não esperava que ela quisesse qualquer coisa boa comigo. Isso doía demais, mas Edward e eu tínhamos enfrentado muita coisa, finalmente estávamos tendo paz, não queria perturbar esse momento com os preconceitos da minha família.
— Ele é tão bonito, não consigo acreditar que Emm fez um filho bonito! — Edward brincou, Emmett e Rosalie riram, emotivos demais pela chegada do filho para se deixarem levar por provocações.
— Eu mudei de ideia — sussurrei para Edward, que me olhou curioso.
— Sobre?
Acariciei a mãozinha de Noah.
— Eu quero filhos, nossos filhos.
***
O restante do mês de abril, maio e junho passaram rapidamente por mim. Quando me dei conta já estávamos em julho. Eu estava de férias da universidade, Noah já era um garotinho de três meses e Edward tinha finalizado seu livro sobre imigração ilegal, terminado de cumprir sua pena e feito vinte e um anos.
Para comemorar o aniversário dele em junho, ele me arrastou para um bar, nada surpreendentemente o mesmo que estivemos quase um ano antes, logo após nos conhecemos na universidade. Eu podia ver toda a animação dele em ser o cara pagando pelas bebidas, finalmente podendo fazer aquilo sem uso de carteiras de identidade falsa e no fim daquela noite, depois de termos feito sexo na sala do meu apartamento, depois de eu chupá-lo no corredor de entrada, as palavras escaparam da minha boca.
— Venha morar comigo, Baby — pedi, ainda ofegante do meu orgasmo recente.
Edward varreu os cabelos do meu rosto, seus olhos buscando a verdade em minhas palavras.
— Eu venho.
— Ótimo, você se muda amanhã mesmo — declarei empolgada. — Antes disso quero ter uma noite inteira de sexo.
E nós tivemos.
Então, em julho, Edward estava morando comigo por um mês, mais ou menos. Foi uma dor de cabeça no começo, ele não conseguia aceitar o fato de que mesmo trabalhando para Esme, com uma parcela de adiantamento por seu livro e até mesmo fazendo trabalhos freelancer para a coluna de um jornal, eu ainda tinha a renda maior e a maior parte das despesas seriam por minha conta.
Isso sempre acabava se resolvendo na cama, eu estava suspeitando que ele começava as brigas justamente para ter sexo.
— Já? — Edward perguntou tenso quando sai do banheiro, parando de andar de um lado para o outro no quarto.
Neguei, colocando o teste sobre a cama, encarando aquilo junto dele.
— Mais um minuto.
Respirei fundo, cruzando os braços na frente do meu corpo. Tinha que ser real daquela vez, estávamos transando sem camisinha desde o ano novo, isso já era por mais de seis meses aquela altura, eu já devia estar grávida, até mesmo visitei uma médica que disse estar tudo certo com meu corpo para uma gravidez, mas a minha menstruação ainda vinha todo mês.
Porém, em julho as coisas pareciam estar mudando. Eu já tinha uma semana de menstruação atrasada, isso só podia significar gravidez, sempre fui regular demais. Ainda assim, não foi o que o teste de farmácia indicou.
— Negativo — Edward murmurou decepcionado, pegando o bastão sobre a cama.
Inspirei fundo, sem acreditar naquilo.
— Tudo bem, nó continuamos tentando, não é um sacrifício, não é mesmo? — Tentei brincar, mas era claro em minha voz a minha decepção também.
— Eu acho que é a minha hora de fazer exames, Bella — falou sério. — E se eu não puder ter filhos? Talvez se for rápido ainda possa ter algum tipo de tratamento — continuou encarando o bastão em suas mãos.
— Tenho certeza de que você não é infértil.
— E se eu for? Porra, eu não vou me perdoar se nunca conseguir te dar um filho.
— Baby, vai ficar tudo bem, calma.
— Vou marcar os exames. — Ele jogou o teste sobre a cama. — Quando voltarmos de Forks irei ao médico.
Saiu do quarto, parecendo além de decepcionado, irritado consigo mesmo. Suspirei, sentando na cama, encarando o teste ali, odiando mais do que nunca um negativo.
Pensei em desistir da viagem para Forks mais tarde naquele sábado, mas eu não iria ser mais fraca ainda. Edward e eu estávamos apenas surtando, talvez seis meses não fosse um tempo tão longo assim para tentar ter um bebê, talvez ele não tivesse problema algum.
— Vamos? — ele voltou ao quarto, segurando a casinha transportadora de Lady.
Com Noah em casa, nós não poderíamos deixá-la com Rosalie e Emm. Tanya estava viajando com sua nova namorada, Mia. Jasper e Alice não sabiam nada de gatos, ou de manter uma outra vida viva, então a pessoa que nos restou para cuidar de Lady para que não precisássemos levá-la para Forks, foi Esme.
Surpreendente, claro. Mas, diferente do filho ela gostava de gatos.
— Você conseguiu a colocar rápido ai — falei, pegando minha bolsa, nossas malas já colocadas no meu carro.
— Sim, nada que um suborno com comida não resolva. — Edward deu de ombros, eu ri, esticando-me em meus pés para beijar seu rosto. — Desculpe estar surtando sobre o bebê — pediu envergonhado. — Mas o quero tanto quanto você, a essa altura você já devia estar grávida, estou me sentindo um incompetente.
— Vai dar tudo certo, na hora que for pra acontecer. — Afaguei seu rosto. — Nós já passamos por coisas mais desesperadoras.
— Isso me faz perguntar, tem certeza de que quer ir até Forks? — Acenei positivamente com a cabeça.
— Eu não estava aqui ano passado para ir visitar o tumulo da minha mãe, não vou deixar Ângela, Charlie ou qualquer um em Forks me manterem longe disso. — Foi a vez dele de afagar meu rosto. — Além do mais, não estou indo ao encontro deles, se os encontrar será apenas um golpe de má sorte.
Edward concordou, então logo estávamos saindo em direção a casa dos seus pais. Eu continuei no carro, enquanto ele levava Lady e toda sua tralha até Esme parada na porta da casa. Esme sorriu para a gatinha na transportadora, então acenou para mim, acenei de volta, parte de mim grata por minha sogra não me querer mais presa.
Isso poderia se tornar divertido em alguns anos.
— Do que está rindo? — Edward perguntou quando voltou ao carro, deixando com que eu tirasse o carro da garagem dos Cullen, começando a seguir caminho para Forks.
— Estou pensando que em algum tempo nós iremos rir sobre o fato de sua mãe ter tentado me processar.
Edward me encarou em choque, eu só consegui rir mais.
— Bella, seu humor negro me assombra. — Ele riu por fim. — Sinatra os Beatles? — Apontou para o som do carro.
— Nenhum dos dois — neguei. — Apenas fale comigo por todo caminho até Forks, sua voz é melhor do que qualquer canção.
Quando chegamos a minha cidade natal, já era de noite. Edward e eu apenas comemos em um restaurante próximo a pousada que ficamos, então fomos dormir. Ele foi, eu mal conseguia ficar quieta na cama pensando que estava em Forks, mas que minha família poderia atear fogo em mim como se eu fosse uma bruxa se me vissem ali.
Na manhã seguinte, Edward e eu seguimos para o cemitério. Além do claro fato de estar péssima por ser aniversário de morte de mamãe, a noite insone não acalmava em nada minha mente.
Edward e eu depositamos lírios sobre o túmulo de Renée, suas flores preferidas, um detalhe que fiz questão de compartilhar com ele. Então, logo eu estava chorando, sendo invadida pelas saudades da mãe que amava, que infelizmente não tinha mais ao meu lado.
— Vem. — Edward me colocou em seus braços, deixando com que eu chorasse em seu ombro, eu me agarrei a ele, grata por ter alguém tão especial em minha vida. Suspeitava de que alguma forma isso tinha sido obra de Renée, mesmo não sendo a pessoa mais religiosa do mundo, eu me sentia bem com a ideia de que de algum lugar minha mãe estava cuidando de mim ao colocar Edward em meu caminho.
— Bella?
Eu senti minha espinha gelar, ao tempo que Edward apertava-me mais contra si. A voz familiar para mim causando-me pânico, eu ainda podia lembrar de todo a raiva e julgamento naquela voz da última vez, todas as ofensas.
Afastei-me de Edward, que relutou em deixar isso acontecer, mas cedeu, apenas entrelaçando sua mão nas minhas. Então, vi Ângela e Charlie, o homem que tinha me chamado de vagabunda, o mesmo homem que presumidamente deveria cuidar de mim por ser meu pai.
— Bella, oi! — Ângela tentou chegar até mim, assim como Edward e eu, ela tinha escolhido lírios.
— Não! — Edward exclamou em uma voz dura, afastando-me de Ângela antes mesmo que eu pudesse processar o fato da minha irmã querendo me abraçar.
— Eu só quero abraçar minha irmã — Ângela disse a ele em voz baixa, mas em um tom firme.
Apenas parte de mim estava prestando atenção nela, eu acabei focando mais em Charlie. Ele me olhava de forma familiar, a mesma forma que tinha em seus olhos quando me viu com Edward em dezembro passado.
— Nós já estávamos de saída — sussurrei, tentando tirar Edward de lá, mas o corpo dele parecia pregado no chão.
— Isabella não é uma vagabunda, Charlie! — falou para meu pai, vi o ódio percorrer seus olhos verdes ao citar o xingamento.
— Edward, vamos apenas embora, por favor — pedi.
— Ela é uma mulher incrível e eu sei que sabe disso — ele me ignorou, continuando a falar para Charlie. — Eu ser dez anos mais novo, ou ex-aluno dela não significa nada, porque nós dois nos amamos, nós dois colocamos o amor que sentimos acima dos preconceitos alheios, então Charlie, abra seus olhos e reveja tudo que falou para Bella no último natal.
— Eu sinto muito — Charlie pediu para mim, mas seu tom ainda não era convincente, seu olhar ainda não era convincente. Sequer seu olhar para Edward tinha mudado, ainda o encarava como um erro, eu não podia lidar com aquilo.
— Amo vocês — falei de Charlie para Ângela. — E se algum dia realmente aceitarem Edward e eu, nós podemos voltar a ser uma família de verdade, mas eu não vou colocá-lo em posição de pessoa odiada. Nós dois estamos muito bem agora para passarmos por mais caos.
Puxei Edward para fora do cemitério, então ele por fim cedeu, saindo comigo.
— Bella, Bella, Bella!
Estávamos quase em meu carro, quando a voz de Ângela nos parou. Então, eu parei de andar, virando-me e esperando por ela.
Esperei por uma centena de frases, mas tudo que ela fez a primeiro momento foi me abraçar.
— Também amo você, irmã — sussurrou.
— Você ia prestar um depoimento contra mim — murmurei, a afastando, vendo em seus olhos a verdade em minha palavras. — Ângela...
— Eu me divorciei — ela contou, pegando-me de surpresa. — No começo do mês assinamos toda a papelada, você estava certa, eu estava sendo uma estúpida.
— Fico feliz que tenha aberto seus olhos para o grande cafajeste que era Eric. — Sai de seus braços, olhando para Edward esperando por mim junto ao carro. — Eu preciso ir agora, mande abraços e beijos a Dakota e Peter — pedi.
— Sinto sua falta — ela murmurou, lágrimas cobrindo seus olhos.
— Eu também, mas não quero sofrer mais. — Beijei a bochecha dela. — Ligue-me se um dia deixar de ver o erro entre Edward e eu.
— Ele parece te amar — ela sussurrou, perdida em suas palavras e pensamentos.
Voltei a olhá-lo, sorrindo para ele.
— Sim, ele ama.
***
A COLINA,
por Edward A. Cullen
Dedicatória
Dedico este livro a pessoa mais especial em minha vida, aquela que o leu primeiro, aquela que o amou primeiro, aquela que por uma sorte no destino é quem eu amo e quem me ama também. Dedico este livro a Bella Swan, que minhas palavras sempre possam dizer a ti o quanto te amo.
Sorri para o exemplar de A Colina em minhas mãos, levantando o olhar para a fila que se formava para que as pessoas pudessem pegar um autografo de Edward. O sorriso no rosto dele enquanto conversava com os leitores era tão real e intenso, que tudo que eu podia fazer era sorrir também.
Sendo a pessoa que tinha realizado um dos seus sonhos ao me tornar professora na Universidade de Washington, eu sabia exatamente como ele estava se sentindo ao realizar o seu.
Estávamos no fim de agosto, o livro finalmente sendo lançado. Na manhã seguinte Edward entraria em uma turnê de duas semanas pela costa oeste para divulgar seu livro, voltando antes do meu aniversário. Eu iria com ele para a costa leste na turnê por lá depois, sem querer perder a oportunidade de passar por New York, nós tínhamos ingressos para um novo show do Paul McCartney que realmente não queríamos perder.
A pré-venda tinha sido incrível, vendendo bem mais do que o estipulado por Kate. Edward era um escritor fantástico e eu sabia disso, mas Tanya tinha sido uma publicitária que nem mesmo ela sabia que tinha o dom para ser, ao divulgar o livro por todas suas mídias sociais, o fato era que homens e mulheres sempre iriam parar e prestar atenção no que a loira tinha para falar, Kate a queria no marketing da editora, Tanya estava estudando a proposta.
Localizei a melhor amiga do meu namorado em um canto da livraria, sorrindo enquanto conversava com a namorada. Mia era linda e ela e Tanya fazia um belo casal, Mia tinha tido tantos problemas para se assumir homossexual quanto T, então as duas se entendiam bem de diversas formas diferentes.
— Eu fico com o livro se você ficar com seu afilhado, ele pesa! — Eu ri ao ouvir a voz de Rosalie, virei para o lado, vendo-a com um quase adormecido Noah em seus braços.
Nós trocamos, então ela segurava o livro e eu o bebê que tanto amava.
— Onde está Emmett? Não o vejo desde que chegaram.
Rosalie percorreu os olhos pela livraria, indicando o bar, onde Emmett estava com Alice e Jasper.
— Você sabe — ela começou em um tom provocativo. — Meu marido está passando por uma crise tardia dos trinta, ele se sente muito bem junto de Edward, Jasper e Alice, é como uma fonte da juventude para ele.
— Que bom que eu tenho parte desta fonte dormindo toda noite comigo. — Pisquei para ela, que sorriu.
— Ele fez um bom trabalho, não? — ela perguntou, apontando para Edward, que autografava o livro do pai, eu não sabia onde Esme tinha se enfiado aquela noite, então era bom saber que pelo menos Carlisle estava ali. Ainda que antes ele estivesse cheio de resmungos por não poder beber, mas todos nós estávamos controlando sua saúde desde o enfarte em janeiro, não queríamos mais sustos.
— Você não leu o livro ainda? — perguntei descrente para Rosalie, que deu de ombros, folheando meu exemplar em suas mãos.
— Ainda não, entre Noah, o trabalho e Emmett ficando maluco a cada fio de cabelo branco que encontra, eu não parei para ler.
— Sei que isso é tudo desculpa, Rosalie — rebati. — Você me liga toda as noites para comentar sobre séries, isso é só você sendo preguiçosa para leitura.
— Que seja! — Ela riu suavemente. — Mas, eu não estava falando sobre o livro quando disse que ele fez um bom trabalho.
— Era sobre o que então? — perguntei, voltando a olhar para Edward, que autografava o exemplar de Nelly.
— Sobre vocês — Rosalie disse. — Você não teria se envolvido se ele não tivesse iniciado tudo, se ele não tivesse insistido inicialmente por vocês. Sei lá, o máximo que chegariam era ao sexo, então você poderia se arrepender, mas o Jovem Edward te fez sentir, ele foi muito bom nisso, nos tempos atuais são poucas as pessoas que lutam pelo amor, vocês dois lutaram e isso foi excelente.
— Você se tornou muito sentimental depois de Noah — falei, concordando com cada palavra de Rosalie.
Ela apenas assentiu, rindo baixinho.
— Tenho de concordar, mas sexo ainda é melhor do que falar sobre sentimentos. Edward ainda te faz gritar?
— Sempre — anuncie.
— Ótimo! — Rosalie comemorou, nós trocamos novamente Noah pelo livro. — Continue gritando, senhorita Swan. Eu vou levar esse garotinho para um lugar calmo e fazê-lo dormir enquanto o padrinho dele gasta o pulso assinando. — Um sorriso malicioso espalhou-se no rosto dela. — Melhor gastando com assinaturas do que com punheta, né?
— Deus, Rosalie!
Então, ela se afastou, dando cotoveladas nas pessoas que bloqueavam seu caminho.
— Sua amiga é divertida.
— Ai merda! — praticamente gritei ao ouvir a voz de Esme ao meu lado.
— O que? — Ela me encarou. — Não está feliz em ver sua sogra, querida nora?
— Sempre estou. — Sorri para ela. Okay, nem sempre, mas em oitenta por cento das vezes. — Onde estava? Demorou a chegar.
Ela apenas apontou para o canto onde eu tinha visto Tanya antes, então vi além de Mia com ela, as pessoas que presumi serem os pais da Martin.
— O que eles estão fazendo aqui?
Eu podia sentir de longe a tensão entre os quatro, mas também podia ver o sorriso no rosto da mãe de Tanya e o pai dela conversando educadamente com Mia.
— Se eu consegui abrir meus olhos, eles também conseguem. — Esme deu de ombros. — Por falar nisso, como está seu pai e sua irmã?
— Estão bem — respondi, Edward e eu tínhamos sido convidados para um churrasco na casa do meu pai no começo daquele mês. Tinha sido desconfortável a principio, mas até que passamos por aquilo sem danos. — Ângela conseguiu o trabalho aqui em Seattle, ela está vindo com as crianças em algumas semanas.
— Excelente. — Esme sorriu para mim, então acenamos para Edward quando ele nos viu. — Obrigada por fazer bem a ele, Bella.
— Sempre. — Afaguei suas costas.
— Quando vai contar? — perguntou, lançando-me um olhar analítico.
Eu gelei ao constatar que ela sabia.
— Como sabe? — perguntei surpresa.
— Eu sei. — Ela pegou um livro de Edward na pilha à venda. — Deixe-me saber quando for a hora de contar para Carlisle, vamos ter cuidado com o coração daquele homem.
— Eu entrarei em contato com você — afirmei, ela assentiu.
— Você é uma boa mulher — sussurrou em tom de confissão. — Eu mal acredito que iria te colocar atrás das grades.
Nós duas rimos daquilo.
— Eu disse a Edward que em algum momento isso se tornaria engraçado, ele não entendeu meu humor negro.
— Ele é doce demais para isso. — Esme afastou o cabelo acobreado de seus olhos. — Irei pegar meu autografo agora, já que só uma de nós tem dedicatória impressa.
— Você sabe, seu nome está nos agradecimentos. — Apontei para o livro, os olhos dela se arregalaram, então Esme colocou na última página do livro. — Você foi a pessoa que ensinou tudo sobre direito a ele, o livro não estaria aqui se ele não soubesse tanto sobre. Edward sempre será muito agradecido a você, por um milhão de coisas, ele a ama.
— Ah que se dane! — Esme exclamou, então jogou seus braços ao redor de mim. — Você é a nora que nunca sonhei, mas estou grata por tê-la.
Ela se afastou tão rápido que não tive tempo de ver seu rosto, apenas sorri. Ela também não era a sogra dos sonhos, mas a cada dia eu também agradecia por tê-la.
Naquela noite, depois da sessão de autógrafos, de todo sairmos para jantar, Edward e eu voltamos para casa. Nós já estávamos nos agarrando no momento que cruzamos a porta do apartamento.
— Eu te amo, eu te amo, eu te amo — ele repetiu, parecendo em êxtase, enquanto deslizava beijos por todo meu rosto, ombros e colo.
— Eu também, tenho um presente para você — contei.
— Você pode me dar depois? — perguntou, carregando-me no colo facilmente. — Eu viajo no começo da manhã, duas semanas longe, gostaria de aproveitar cada minuto com você.
— Acredite, você vai gostar do presente, leve-me para a biblioteca — pedi, ele suspirou alto, frustrado por ter seu sexo adiado, mas carregou-me até a biblioteca.
— O que você me comprou? — perguntou, colocando-me no chão, enquanto eu pegava a caixa que tinha deixado ali antes de sairmos para o lançamento.
— Foi um trabalho manual — confessei, o fazendo sentar no sofá, sentando junto a ele.
Edward me olhou curioso, abrindo a caixa, revelando o caderno vinho de capa dura e a caneta dourada.
— Bella. — Sorriu para mim com diversão em seus olhos. — Amo você, linda. — Afagou meus lábios. — Mas duvido que você tenha confeccionado sozinha uma caneta e um caderno, isso requer maquinário.
— Okay, eu comprei a caneta e o caderno, mas fui eu quem usou a caneta para escrever o que está no caderno.
Edward me encarou surpreso, rapidamente tirando o caderno da caixa, o abrindo.
— Você escreveu?
— Sim, sei que não sou uma escritora tão boa quanto você, mas eu quis arriscar. Vamos, leia — pedi ansiosa.
Logo ele começou a ler, aquilo tinha sido trabalhoso, eu era péssima em colocar meus sentimentos em um papel, mas gostei do resultado geral.
“História de Edward & Bella
Tudo começou em setembro de 2016, enquanto ela era a nova professora da Universidade de Washington, Edward um aluno que andava pela Terra destruindo corações sem sequer notar as mulheres formando fila atrás dele. Ela estava feliz, Bella não podia imaginar que sua vida podia melhorar, ela tinha seu maior sonho se realizando, mas tudo mudou quando ele chegou.
— Desculpe.
Foi a primeira coisa que Edward disse, Bella ainda não sabia ali, mas desde aquele momento ela e Edward nunca mais se afastariam. Aquele pedido de desculpas bem que podia ser para todo o tumulto que ele causou em seu coração.
Depois, veio a fase do medo. Tanto medo do que sentiam, ele ainda mais do que ela naquela época, então, ao fim de cinco atos, eles chegaram ao limite, ela disse:
— Você tem só dez minutos para se livrar de tudo isso e encontrar-me no meu carro, eu estarei no estacionamento perto da livraria.
Então, Edward correu contra o relógio, mas ele chegou a tempo. Ele não estava atrasado, ele estava entrando no momento certo na vida dela, de onde nunca mais saiu.
A partir disso, eles entregaram-se ao que sentiam, vendo-se impossibilitados de lutarem contra a paixão, contra o amor. Ele prometeu a ela:
— Eu farei com que sinta por mim o mesmo que sinto por você.
Edward conseguiu, um tempo depois eles deixaram suas paredes, ganharam liberdade e no refúgio de ambos Bella pode dizer:
— Estou apaixonada por você, Edward Cullen.
Algum tempo mais tarde, enquanto o medo a rondava, ela o ouviu dizer as palavras:
— Eu amo você, Bella.
Tudo que ela pode dizer de volta, apesar do medo, foi:
— Eu também te amo.
Então, como em um conto de fadas, os vilões apareceram. Eles tentaram a todo custo os separar, mas Edward e Bella se amavam, Edward e Bella prometeram encarar tudo juntos, foi o que fizeram.
Resistiram bravamente aos furacões, viram o dia amanhecer novamente e trazer consigo a calmaria.
A vida era simples de novo, só tinha restado amor, eles estavam felizes, mas ainda faltava algo.
Até o fim de agosto, quando sentados na biblioteca, lendo sobre sua história. Edward viu Bella pegar caneta e escrever:”
Edward me olhou em expectativa, eu peguei a caneta e o caderno de sua mão, escrevendo as três palavras ali.
“ — Eu estou grávida.”
Ele sorriu, enquanto lágrimas invadiam seus olhos. Sua mão foi de encontro a minha barriga, afagando meu ventre onde nosso bebê crescia. Eu tinha descoberto no dia anterior, então pensei que contar a Edward de uma forma tão nossa sempre seria lembrado por nós.
— Baby, nós vamos ser pais — falei, sentindo as lágrimas em meu rosto.
Edward apenas pegou caneta e caderno da minha mão, escrevendo ali também.
“Edward era o homem mais feliz do mundo ao ouvir aquelas palavras, mas ainda tinha algo faltando para ele. Sendo assim, ele beijou Bella, ajoelhou-se na frente dela, segurou em sua mão e mesmo sem nenhum anel, perguntou:
— Casa comigo?”
Ele repetiu tudo que escreveu ali, ajoelhando-se a minha frente e perguntando.
— Casa comigo?
Soltei-me dele, escrevendo a resposta no caderno.
“ — Sim! — Bella gritou de felicidade.”
— Sim — respondi em voz alta.
Edward sorriu, voltando-se a unir a mim no sofá, seus lábios chocando-se nos meus. Aquilo não era tudo, eu sabia que estávamos apenas no começo da nossa própria história e por mais que fossemos leitora e escritor, nossa realidade ainda era melhor do que qualquer ficção.
Fale com o autor