Dez Anos

35 Capítulo Trinta e Quatro


Notas iniciais
Lembrando que Dez Anos tem marcação em 4 gêneros, entre eles está o gênero drama, então, por favor, entendam que a história é um drama tanto quanto um romance. Reta final, mais 3 capítulos e o epílogo, gente! Boa leitura! ♥

Capítulo Trinta e Quatro

Edward Cullen

Bella me deu um pouco de seu champanhe quando a mãe de Emmett se afastou, eu suspirei aliviado, a senhora era uma boa pessoa, mas não a aguentava mais falando sobre as vinte horas do parto do filho. Ela era muito descritiva, mais do que eu como autor, eu poderia narrar até minha terceira narração como foi o parto que trouxe ao mundo Emmett McCarty, teve muito, muito sangue envolvido e talvez coisas mais nojentas do que isso.

— Eu nunca mais conseguirei comer depois de tudo que ouvi — resmunguei, Bella riu suavemente, esfregando a parte interna do meu braço.

— Sinto muito, Baby — pediu. — A senhora McCarty sempre extrapola demais em suas histórias, pelo menos você foi poupado sobre o temido assunto do verão na casa de campo.

— O que aconteceu lá? — perguntei curioso.

— Sério, você não vai querer saber, nem mesmo eu que sou dessa família gosto de tocar nesse assunto, é constrangedor demais! — Rosalie disse surgindo perto da gente, segurando na base de suas costas. — Eu tenho pena de Noah que saberá de tudo isso antes de sequer souber fugir da avó falante que é a mãe de Emm. — Ela sorriu para a sogra, que do outro lado da sala lhe mandou um beijo sendo bastante gestual também.

Bella e eu estávamos na casa de Rose e Emmett, que ofereciam a festa de ano novo. Nós dois tínhamos tido uma semana infernal depois da forma que tudo se deu com sua família e meu pai saindo de casa por não concordar com as decisões de Esme, nós até mesmo cogitamos apenas ficar no apartamento de Bella, ou ir jantar com meu pai no hotel que ele estava hospedado temporariamente, mas Rosalie e Emm foram enfáticos nos mandando ir para a festa deles.

— Você tem uma sogra maravilhosa, tirando os assuntos constrangedores que ela conta, não reclame — falei. — Bella tem uma sogra terrível e nem está reclamando.

— Edward?! — Bella chamou minha atenção, tirando a taça de champanhe de mim. — Chega de álcool para você, Cullen.

— Qual é, Bella? Você sabe que é verdade. — Bufei. — Minha mãe é pior do que vilã de livros, ela vai nos levar a um julgamento.

— Não, ela vai levar Bella a um julgamento, você ela apenas quer manter longe das garras da Cougar ai — Rosalie falou, gesticulando para Bella.

— Tanto faz. — Dei de ombros. — Ela vai atingir a mim por tabela ao atingir Isabella. Estamos vivendo uma tragédia grega.

Rosalie riu, dando um tapinha em meu ombro.

— Você pelo menos teria uma sogra ótima, Renée era fantástica, eu as vezes fingia que ela era minha mãe, fazia biscoitos deliciosos.

Vi Bella sorrindo, parecendo perdida em seus pensamentos.

— Rosalie, querida, venha aqui contar a sua mãe sobre o verão na casa de campo! — A mãe de Emm gritou do outro lado da sala.

— Ela está bêbada. — Rosalie suspirou. — Minha mãe sabe essa história de trás pra frente. Eu gostaria de poder beber também, bebam por mim — ordenou, antes de se afastar até sua mãe e sogra.

— Minha mãe ia te amar — Bella declarou, segurando em minha mãe. — Sério, ela ia ficar fascinada por seus livros, ela realmente ia te tratar como um filho.

Sorri para ela, beijando o topo de sua cabeça.

— Desculpe por Esme, Bella, gostaria que ela fosse uma sogra legal, quem sabe uma segunda mãe para você. — Ri sem humor algum, aquilo nunca iria acontecer. Minha família estava quebrando e minha mãe odiava Bella, isso nunca mudaria.

— Não se desculpe, eu não estou me desculpando pela forma que meu pai e minha irmã te trataram. Chega de assumirmos o peso do mundo em nossas costas. É errado tomarmos a responsabilidade de erros alheios para a gente, nós não estamos fazendo nada de errado, certo?

— Nem um pouco.

— Então, não vamos nos sentir culpados. — Ela olhou ao redor, antes de me puxar para a cozinha e arranjar uma garrafa de champanhe, então me arrastou até a escada que levava ao segundo andar que ficava ali.

— Bella, o que você está tramando? — perguntei quando entramos no quarto de hospedes.

Ela trancou a porta, dando um sorriso malicioso para mim. Abriu a garrafa de champanhe, deixando o carpete molhar.

— Rosalie vai te matar — falei, sem esconder meu sorriso.

— Ela já fez coisas piores que me atingiram, isso é a graça de uma melhor amiga, sempre teremos dividas uma com a outra, sempre pagaremos quando podermos. — Estendeu a garrafa para mim depois de beber um gole. — Eu estive pensando. — Ela arrancou tão rápido seu vestido dourado que quase me perdi em seus movimentos. — Que podíamos ter uma comemoração privada, Baby. Sem precisar ouvir qualquer assunto constrangedor, ou passar por toda a contagem regressiva para a virada do ano.

— E o que quer fazer? — perguntei, já tirando minhas roupas também.

Bella caminhou até mim depois de chutar seus saltos para longe, jogando-me contra a cama.

— Eu quero tê-lo dentro de mim quando o relógio marcar meia-noite — sussurrou em meu ouvido, mordiscando minha orelha.

— Seria a melhor forma de iniciar o ano. — Nos rolei na cama, ficando por cima, tocando em seus seios já nus graças a ausência de sutiã. — Mas, nós não temos camisinha aqui e eu duvido que vá querer sair perguntando aos convidados se eles possuem uma no bolso para que possam te emprestar — falei, ganhando uma risada dela.

— Nós não precisamos de uma — Bella disse, voltando a ficar séria, seu rosto voltado para o meu, enquanto esfregava-se contra mim.

— O que quer dizer?

— Você me prometeu um filho, vamos ver se nessa loteria o trazemos de primeira.

Eu senti um grande sorriso se expandir em meu rosto, mas ainda precisava saber se ela estava sóbria suficiente para estar realmente querendo aquilo.

— Qual era o nome do gato maluco de Tanya que tentou me matar?

— Fofinho — respondeu estalando a língua. — Passei no teste, senhor Cullen? — Deu um sorriso safado para mim, trocando nossas posições mais uma vez. — Vamos, Baby, tire suas roupas — pediu, começando a arrancar minha calça e cueca.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Bella já estava entre minhas pernas chupando meu pau. Eu tombei a cabeça contra os travesseiros, deixando-me levar por sua boca que sempre acabava me enlouquecendo.

Quando eu estava duro suficiente, Bella parou. Ela me fez sentar na cama, então veio para meu colo. Encaixei meu pau em sua entrada, sentindo nossos corpos se encontrando pela primeira vez de forma direta, a sensação era incrível, muito melhor do que qualquer outra vez.

— Porra, porra, porra — Bella praticamente cantarolou, agarrando meus ombros, movendo-se com pressa sobre mim. — Você é tão grande, eu adoro isso.

Segurei em sua cintura, a ajudando nos movimentos, enquanto ia fundo nela. Ao longe registrei a contagem das pessoas no primeiro, andar, mas aquilo pouco me importava.

Eu tentei demorar o máximo a gozar, mas Bella cavalgando em cima de mim, sem qualquer látex nos separando era demais, então eu explodi dentro dela, ao mesmo tempo em que atacava sua boca, abafando seu próprio gemido quando alcançou seu orgasmo junto comigo.

— Isso foi a melhor coisa do mundo — falei, me recusando a sair de dentro dela, respirando com dificuldade, mas voltando a ficar duro logo.

— Feliz ano novo, Edward. — Ela afagou meu rosto, voltando a rebolar, o êxtase de seu orgasmo ainda podendo ser visto em seus olhos.

— Definitivamente o melhor ano de todos! — A beijei. — Fique de quatro, nós vamos sair daqui só no dia dois. — Bella riu, mas fez aquilo, sem duvidas melhor ano novo.

***

O recesso na faculdade acabaria na quarta-feira, dia quatro e na quinta-feira seria a decisão do conselho estudantil interno sobre meu afastamento definitivo, ou minha permissão de volta a universidade. Então, na quarta-feira, Bella e eu fomos visitar meu pai no hotel que ele estava para um jantar, para que pudéssemos tentar me preparar o máximo possível para o que viria a seguir.

— Esse hotel é caro demais, eu deveria ter vindo mais bem vestida — Bella reclamou, puxando a barra de sua camiseta quando viu uma mulher passar por ela com um vestido que poderia muito bem ser usado em um casamento, ou qualquer coisa que exigisse roupas tão exageradas quanto aquelas.

— Não ligue para isso — falei, a recepcionista já tinha nos dado liberação para subir até o quarto do meu pai, então guiei Bella até o elevador.

Foi quando a vi, sentada em uma poltrona no saguão encarando o nada, até que seus olhos desviaram para mim. Ela suspirou, sorrindo minimamente, um sorriso que até eu notei estar quebrado. Esme se levantou, tentando ir até mim, mas apenas coloquei Bella no elevador e apertei o botão para fechar as portas rapidamente.

— Tudo bem? — Bella perguntou, eu sabia que ela não tinha visto minha mãe, então achei aquilo melhor.

— Sim — menti.

— Edward, você está gelado — Bella esfregou minha mão nas suas. — Tem certeza de que se sente bem? Talvez tenha tido uma queda de pressão.

— Estou apenas nervoso sobre a escolha do conselho amanhã — murmurei, encarando as portas do elevador enquanto este subia.

— Vai ficar tudo bem — Bella prometeu, beijando meu ombro.

Logo estávamos na porta de papai, com ele a abrindo nada animado para a gente.

— Que bom que vieram, entrem.

— Bella, você pode nos dar licença por um segundo? — pedi a ela, ganhei um olhar confuso seu, mas ela seguiu para a sala do quarto, deixando a mim e Carlisle no corredor de entrada. — O que ela estava fazendo aqui? — perguntei em voz baixa a ele, sabendo muito bem a quem eu me referia.

— Pediu que eu voltasse para casa, queria saber se a sua audiência na universidade será mesmo amanhã. — Suspirou. — Ela não disse qualquer coisa sobre Bella...

— Você perguntou sobre o processo?

— Sim, ela apenas disse que te amava, que queria te proteger, que faria o que fosse preciso para mantê-lo a salvo. Então, eu simplesmente a mandei embora. — Papai engoliu em seco. — Isso é difícil para mim, Edward, ela não é a apenas a mãe do meu filho, ela é minha esposa, a mulher por quem sou apaixonado por mais de vinte anos, é terrível para mim estar no meio desse fogo cruzado.

— Você pode voltar para casa — murmurei, esfregando meu rosto de forma nervosa. — Está certo, é sua esposa. Não entre nesta batalha por mim.

— Eu já entrei, Edward. — Carlisle apertou meu ombro, fazendo com que eu o olhasse. — Vou com você até o último momento.

— Obrigado, por ficar ao meu lado. — O abracei, agradecendo que mesmo no meio daquela confusão eu o tinha cuidando de mim.

***

Mais tarde naquela noite, enquanto Bella dormia, eu estava na sala. Lady deitada no sofá, brincava com as pontas dos meus cabelos, uma vez que eu ocupava um lugar no chão, girando o celular em minhas mãos, pensando se devia ou não ligar para Esme.

Acabou, que como se soubesse sobre minha duvida, ela foi quem ligou. Atendi, mas não consegui dizer sequer uma palavra de primeira.

— Edward, filho. — Ela soava desesperada e aliviada, tudo ao mesmo tempo. — Fale comigo, querido, por favor. Eu o amo, eu sempre o amarei, venha me ver quando sua audiência acabar amanhã...O processo, posso retardar isso se você vier até mim, se mudar de ideia sobre essa mulher.

Ela já tinha iniciado o processo?

— Eu também te amo, mas você é mais tóxica do que imagina que Isabella seja — declarei, então desliguei.

Ela passou o resto da noite ligando, eu não atendi. Estava quebrado por ela, de mil maneiras diferentes.

Na manhã seguinte, eu rodava a chaves em minha mão sem parar, enquanto esperava Bella terminar de ficar pronta para irmos embora. Ela teria de dar aulas, na turma que um dia foi a que pertenci e eu enfrentaria o conselho da universidade decidindo sobre meu futuro na academia.

Alguém tocou a campainha, achando aquilo estranho pelo horário e pelo interfone não tocar, fui abrir. Deparando-me com um policial a paisana, mas reconhecível graças ao distintivo em seu peito.

— Olá, gostaria de falar com Isabella Marie Swan — pediu sério, inflexível.

Senti minha garganta secar, mas me forcei a chamar por Bella. Ela apareceu ali terminando de colocar os brincos, o olhar ficando sério ao notar o policial em sua porta.

— Pois não? — perguntou a ele, forçando um sorriso educado.

— Senhorita, tenho uma intimação judicial que preciso que assine.

— Claro.

Vi as mãos trêmulas dela enquanto pegava ao prancheta da mão do policial e a caneta, assinando no local indicado.

— Tenha um bom dia — desejou ao policial, ainda com educação, quando tudo foi feito. Ela fechou a porta, passando a chave, estendendo o documento que ficou consigo para mim. — É uma intimação, Edward — sussurrou aflita, sua mascara até ali bem colocada caindo. — Ela realmente prestou uma queixa.

Eu peguei o documento, vendo ali o pedido que Bella comparecesse a uma audiência de nível primário com um juiz e seu advogado em quinze dias. Devolvi o documento a ela, só conseguindo me sentir terrível, Esme tinha feito aquilo, tinha denunciado Isabella, ela nunca mais poderia me chamar de filho.

***

Eu realmente devia estar pensando apenas no meu problema, mas eu sabia que o de Bella não era somente dela. Então, minha audiência na universidade foi um fiasco, mesmo com o advogado me guiando, ainda estava tão nervoso e perdido com a intimação recebida naquela manhã, que me concentrar naquilo foi impossível.

O resultado apareceu quando mesmo me defendendo, a maioria do conselho votou a favor da minha expulsão. Eu vi o sorrisinho de deboche de Jacob, como o olhar triunfante do pai dele por finalmente conseguirem me ferrar de alguma forma, como não conseguiram no tribunal.

Sai rapidamente do auditório, no momento que o vice reitor, assumindo a posição maior que pertencia ao meu pai, convidado a não participar da votação, proclamou minha expulsão. Eu corri para fora do auditório, então do prédio, querendo vomitar ao ver tudo dando errado aquele dia, não era o melhor ano novo, nunca seria.

— Edward, pare! — ouvi o grito de Tanya, que esteve no auditório assistindo tudo com meu pai.

— Edward, vamos conversar — meu pai falou atrás de mim também, enquanto eu andava praticamente sem rumo pelo campus.

Parei quando vi mamãe sair do seu carro, me dando conta ali que já estava no estacionamento ao lado do auditório.

— Filho, o resultado já saiu? O que eles falaram?

— Isso é tudo culpa sua! — gritei com ela, sentindo grande vontade de repulsá-la.

— Edward, eu...

— Você arruinou tudo! — continuei gritando. — Não eu, muito menos Bella, você. Eu sequer teria estado de cabeça quente quando bati em Jacob naquele dia senão estivesse saindo correndo atrás de você para pedir que entendesse meu namoro, então o processo, agora a expulsão. — Percorri as mãos pelos cabelos, quase os arrancando. — É a pior mãe do mundo!

— Edward, não fale isso...

— Ah meu deus, tio Carlisle! — Tanya gritou, eu me virei para trás, depois de ver o pânico no rosto de mamãe.

Ela jogou sua bolsa no chão, então correu até papai, que afrouxava sua gravata, enquanto tentava respirar, Tanya e Esme sustentando-o em seus braços, o corpo dele pendendo para baixo.

— Carl, pelo amor de Deus, não! — Esme gritou em desespero, enquanto Tanya ligava para a emergência, anunciando que meu pai estava tendo um enfarte.

Eu era o culpado daquilo, eu tinha estragado tudo.

— Edward, filho — Esme voltou a falar, chorando por papai que ainda passava mal.

Não consegui falar nada, não consegui fazer nada, ainda em choque com tudo que acontecia.

Rapidamente a ambulância chegou, então colocaram papai em uma maca e mamãe subiu com ele na parte de trás. Eu os vi indo embora, sem saber o que fazer, papai ia morrer? Justamente quando estávamos nos entendendo?

— Edward, vamos pegar meu carro no outro estacionamento e segui-los até o hospital! — Tanya exclamou, indicando o estacionamento do outro lado do auditório, avistei a chave do carro de Esme aos meus pés, recolhi a bolsa dela, então entrei no carro. — Edward, o que está fazendo? Edward!

Eu não sabia, só estava muito perdido, só tinha um lugar que queria ir.

Notas finais
Além de lembrarem do que foi dito lá em cima, peço que saibam que eu não trabalho com histórias de finais tristes, não será agora que irei não dar um 'final feliz' ao enredo, então... Beijos! Lola Royal. 16.11.16