Dez Anos

33 Capítulo Trinta e Dois


Notas iniciais
Gente, Nossa Família e Par Perfeito não foram abandonadas, apenas estou focando no final de Dez Anos, quando acabar por aqui tudo volta aos eixos. Falando no fim de Dez Anos, se tudo correr direitinho, teremos mais cinco capítulos e o epílogo. Boa leitura ♥

Capítulo Trinta e Dois

Edward Cullen

Bella e eu tínhamos tido a melhor noite de todas, o show, a dança, meu texto o sexo. Tudo parecia muito melhor do que sempre já tinha sido. Era como se estivéssemos mais unidos do que nunca e as emoções triplicadas.

Eu tinha escrito aquele texto pouco antes de sairmos para o show, enquanto via Bella se arrumando. Ela não parecia ter consciência de mim no canto do quarto, rabiscando em uma folha avulsa.

Mas, o sentimento veio forte, eu precisava colocar aquilo para fora de uma vez. Poderia simplesmente ter dito tudo aquilo, talvez meu texto nem tenha ficado tão bom assim, porém, escrever era minha forma preferida de dizer as coisas. Eu tive de escrever a ela o quanto a amava, o quanto acreditava em nós e que iria querer aquilo para sempre.

Em alguns dias seria julgado, poderia ser preso, então eu deixaria Bella com minhas palavras de amor.

***

No dia seguinte, nos preparamos para ir visitar Rosalie e Emmett. Tecnicamente tínhamos sido convocados para ajudá-los com a arrumação do quarto de Noah. Levando em conta Rosalie ainda estar só de seis meses de gestação, eu achava que os dois estavam adiantando isso para que eu como padrinho pudesse participar de alguma forma daquele momento, caso sumisse do mapa após o julgamento.

Isso me fez sentir péssimo, se eu realmente fosse preso, não estaria lá no nascimento de Noah. Talvez Rosalie e Emmett tivessem de escolher outro padrinho, alguém que realmente fosse poder exercer seu papel com o pequeno. Eu praticamente tinha acabado de entrar na vida deles, mas Noah já era importante para mim como era para Bella, quem sabe ter um padrinho presidiário não seria o melhor para ele.

— Você pretende demorar mais quanto tempo, Isabella? — perguntei entediado, parado na porta do apartamento, esperando que ela terminasse de zanzar por ali arrumando coisas desnecessárias, para que pudéssemos ir até a cada de Rose e Emm.

— Não me apresse, Cullen! — ela gritou da cozinha. — Eu pedi que alimentasse Lady enquanto eu tomava banho, você não fez, agora tenho de fazer isso.

— A gata é sua — rebati.

— Ela te ama!

— Ela está sendo falsa, em algum momento ela irá cravar as garras dela na minha jugular, você terá de limpar o sangue do chão. — Vi Bella entrar no corredor de entrada, mal escondendo um sorriso divertido para mim.

— Você é muito dramático, Edward.

— Eu sou um escritor. — Dei de ombros, pegando o casaco dela no armário, a ajudando a vesti-lo. — Lide com isso, eu sempre irei ser dramático.

— Você lembra que praticamente me pediu em casamento alguns dias atrás, não é? — Virou-se de frente para mim, arqueando a sobrancelha.

— Eu lembro, mas não é o pedido oficial, você terá um muito melhor quando chegar a hora certa. — Segurei em seu queixo, puxando-a para um beijo.

— Sim, sim. — Ela sorriu. — Mas queria dizer que quando casarmos, Lady irá morar conosco. — Torci o nariz para aquilo.

— Ela pode ficar em um abrigo, que tal?

— Nem pensar. — Bella ajustou seu casaco.

— Então, eu terei um cachorro. — Abri a porta, usando minha chave.

— Eles são bagunceiros, Edward — Bella bufou. — Gatos são muito melhores, você tem de superar seu trauma, Baby. Fofinho já está morto há anos, ele não vai voltar em cada gato e te matar.

— Você não pode afirmar isso — brinquei. — Além do mais, não foi você quem foi acordado no meio da noite com um gato assustador te encarando.

Ela riu, se enfiando em meus braços.

— Você é malditamente fofo, eu quero mordê-lo!

— Só morder. — Sorri de volta.

Então, ela o fez ali mesmo no corredor, mordendo meu maxilar, então beijando meus lábios com delicadeza.

— Ah meu Deus! — Ouvimos um grito, que rapidamente nos fez separar, era a vizinha idosa de Bella, que nos encarava como se tivesse nos visto cometer um assassinato, não uma simples troca de carinho.

— Senh-Senhora... — Bella gaguejou, assustada.

— Isso é um horror! — ela exclamou. — Este garoto tem o que? Dezoito anos? Que pouca vergonha. Se dê o respeito, Isabella, isso é ridículo, você está agindo como uma vagabunda! — gritou suas ofensas e antes que pudéssemos fazer qualquer coisa, entrou em seu apartamento, batendo a porta com força.

— Bella, Bella, não! — implorei quando ela começou a chorar, recostando-se na porta do seu apartamento, deslizando até o chão. — Amor, está tudo bem, não dê ouvidos a essa velha louca. — Ajoelhei-me a sua frente, tentando limpar suas lágrimas, mas ela estava chorando desesperadamente.

— Eu não sou uma vagabunda — Bella murmurou confusa, o rosto contorcido em dor.

— Não, você não é. — Segurei em seu rosto, fazendo com que ela me olhasse. — Não se abale pelo que essa maluca te falou, ela deve ter uns cem anos, a mente dela está presa ao passado. Nós dois estamos no presente, nós dois sabemos que nada do que fazemos é errado, que nós dois não somos um erro e que você não é uma vagabunda.

— Odeio como as pessoas colocam a culpa disso em mim, ela, sua mãe, Jasper, é como se eu realmente estivesse mexendo com sua cabeça.

— Não, você nunca mexeu com minha cabeça de forma negativa, eu lhe garanto isso — falei. — Vamos, vamos embora. — A ajudei ficar de pé. — Dá próxima vez que vermos essa mulher nós iremos dizer o quão rude ela foi.

— Eu sou uma péssima companhia agora, talvez seja melhor voltar pra casa — ela disse, tentando pegar meu chaveiro para abrir o apartamento.

— Não, Bella, nem pensar. — Beijei seu rosto molhado, então a puxei para o elevador, mesmo que ela tentasse me puxar para o apartamento. — Escute. — A coloquei contra a parede do elevador quando entramos nele, um milhão de pessoas ainda irão nos julgar, você não pode se abalar a cada uma delas, por favor — pedi. — Isso irá só fazê-la mal.

— Eu sei. — Ela suspirou, apoiando o rosto no meu peito. — Mas isso é tão difícil.

— Sei disso, mas nós vamos conseguir passar por tudo isso. Agora, tire sua mente disso, nada do que aquela mulher, Esme ou Jasper falaram sobre você é real e sabe disso.

O elevador no térreo parou, mas não deixei Bella sair, precisando lhe dizer mais algo.

— Você poderá ter quantos gatos quiser em nossa casa.

Ela riu.

— Talvez você possa ter um cachorro — falou afagando meu rosto gentilmente.

— Nós vamos ter, as crianças irão amar um cachorro. — Os olhos dela brilharam com minha fala.

— Duas delas? Um menino e uma menina? — perguntou emocionada.

— Sim, será incrível!

Então, Bella me beijou, a tristeza longe de seus olhos cor de chocolate.

***

Logo nós estávamos na casa de Emmett e Rosalie, a loira parecia estressada, então Bella apenas se prontificou a aprontar o almoço para que a amiga não descontasse nada nela.

— Você, suba e vá ajudar Emmett a montar o berço — Rosalie ordenou para mim, enfiando o manual em minha mão. — Nós colocaremos o papel de parede depois, então façam o trabalho rápido.

— Não preciso de um manual, Rosalie! — Emmett apareceu na sala de estar, arrancando o manual da minha mão e enfiando na da esposa.

— Não? — Rosalie o encarou como se pudesse matá-lo ali mesmo, eu me afastei um pouco de Emmett que tinha parado ao meu lado, tudo que eu não precisava era de mais problemas com a justiça.

— Claro que não! — Emmett se aprumou como um pavão, eu contive uma risada.

— Ah, sério? — Rosalie começou a rasgar o manual. — Ótimo, machão, boa sorte em montar esse berço sem instruções. — Ela enfiou o manual rasgado no saco de lixo em suas mãos. — Quero o berço montado em uma hora, no máximo — falou de mim para o marido.

— Você terá! — Emmett exclamou convencido. — Vamos jovem Edward.

— Nós realmente íamos precisar daquele manual — murmurei quando o segui até o segundo andar.

— Claro que não, isso é o que ela quer que você pense, nós montaremos isso em meia hora, vai ver.

Meia hora depois a situação se baseava em:

— Foda-se, nós precisamos do manual — Emmett gemeu de frustração, quando duas peças se desmontaram, trazendo toda nossa pouca conquista até ali para o chão.

— Sério, você acha? Agora é tarde demais, Rosalie rasgou o manual!

Eu tentava entender como aquele móvel era capaz de ter tantas peças. Noah sequer ia dormir nele, os bebês não eram programados para roubarem os lugares dos pais na cama deles?

— O que vamos fazer agora? — Emmett perguntou aflito, voltando a tentar encaixar as peças que caíram. — Rosalie é uma mulher cruel, ela irá me lembrar todos os dias pelo resto da minha vida.

— É, principalmente toda vez que ela entrar no quarto do bebê e ver que não tem um berço. — Espirrei quando a madeira soltou um pouco de pó.

— Você está bem?

— Porra, Isabella! — Emmett gritou apavorado, Bella, que estava na porta do quarto segurando garrafinhas de água, riu.

— O que foi, Emmett? Com medo de Rose subir aqui e ver a falta de progresso de vocês? — Ela passou uma garrafa para mim, então outra para Emmett.

— Nós nunca conseguiremos montar isso sem um manual — Emmett choramingou.

— Gênio — Bella se voltou para ele, afastando-se de mim quando espirrei outra vez por conta da madeira. — Pegue o nome da marca, o modelo do berço e procure um manual na internet. Sério, Emm, você é muito burro!

— Sim, porra, Bella, você é um gênio! — ele exclamou, correndo para fora do quarto de Noah.

— E você, está com rinite? — ela perguntou para mim.

— Aparentemente. — Espirrei mais uma vez.

— Maravilhoso. — Afagou minhas costas, antes de ir se distrair com algumas roupinhas do bebê que estavam na cômoda já montada. — Deus, que coisinha fofa! — exclamou com a voz doce ao ver uma roupa com capuz com orelhas de coelho.

Eu sorri, vendo-a delirar a cada roupinha nova que encontrava ali.

— Vamos ter um filho, Bella — falei.

— Sim. — Bella riu. — E uma filha, uma casa cheia de gatos e cachorros — disse, se voltando para mim, com um olhar divertido, mas seu sorriso morreu vendo minha expressão séria. — Você quer dizer agora? Edward, você só tem vinte anos, isso... — Ela se interrompeu com o toque do meu celular, eu estava pronto para desligá-lo, mas vi que era meu pai e podia ser algo sobre o julgamento.

— Sim? — Atendi.

— Jacob usou cocaína na noite que viu você e Bella, na véspera da agressão! — meu pai contou assim que atendi.

— Puta merda! — exclamei chocado, Bella me olhou preocupada. — Está tudo bem, eu acho — falei para ela. — Pai, isso pode me ajudar de alguma forma?

— Somado a gravação onde Jacob te empurra? Sim, Jenks vai alegar legitima defesa, talvez você sequer tenha que cumprir trabalho comunitário como estávamos estipulando.

— E quanto a expulsão? Isso vai me ajudar quando a universidade for decidir ou não se serei expulso? — indaguei passando a mão repetidamente por meus cabelos, papai ficou em silêncio. — Pai?

— Eu não sei Edward, eu soube isso na sexta-feira, mas não quis te contar ainda.

— Isso o que?

— Como sou seu pai não vou poder votar junto ao resto do conselho da universidade por sua expulsão ou não — murmurou. — Você terá de passar por isso sem mim.

Engoli em seco.

— Okay, tudo bem. — Desliguei antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa.

— Edward...

— Desculpe por antes — falei para Bella, apontando para a roupa de bebê em sua mão. — Eu sou um garoto ainda, não posso deixá-la sustentar um filho sozinha se eu sequer terei um diploma, ou se acabar preso.

— Está tudo bem. — Sorriu para mim, mas o sorriso não chegava aos seus olhos. — Você e eu teremos tudo que quisermos. — Inspirou profundamente. — Quando chegar nossa vez.

Eu tinha medo de nunca chegar, entre minha provável expulsão, a ideia de ser preso e Bella denunciada, nós podíamos sequer chegar a um ano de namoro.

***

Na segunda-feira, Tanya estava fora com alguma garota. Com Bella ocupada lançando suas notas para fechar o período letivo do ano, que entraria em recesso logo na manhã seguinte, eu estava no apartamento de T sozinho, trabalhando um pouco em meu livro.

O interfone tocou e amaldiçoando quem quer que fosse que estava me interrompendo, fui atender.

— Oi — falei com o porteiro.

— Senhor Cullen, há alguém aqui querendo vê-lo. É o senhor Jasper Whitlock.

Eu franzi o cenho, sem acreditar que Jasper estava ali.

— Posso mandar subi-lo? — o porteiro questionou depois que passei um bom tempo em silêncio.

— Claro, pode mandar subi-lo — permiti, batendo o telefone contra o suporte na parede.

O que diabos Jasper queria ali? Tudo que me faltava era discutir com ele as vésperas do julgamento.

A campainha logo tocou, então fui abrir a porta. Jasper estava sério, mas parecia abatido também.

— O que você quer? Eu tirei algo do apartamento que era seu? — indaguei, sem deixá-lo entrar.

— Desculpa — Jasper pediu, os olhos brilhando com lágrimas, ele estava quase chorando? — Por ter sido um péssimo amigo, por ter falado mal de Bella e para Bella. Ela não merecia nada do que ouviu de mim, você não merecia ter um amigo babaca como eu. — Jasper suspirou, esfregando o rosto com ambas as mãos. — Fui um idiota, vou entender se você nunca mais quiser olhar na minha cara, mas precisava vir até aqui pedir desculpas. E, é de verdade agora, sei que você teria me perdoado se eu tivesse sido sincero quando você estava indo embora do nosso apartamento, mas eu não estava e nós dois sabemos disso.

Jasper deixou uma lágrima rolar por seu rosto, a limpando rapidamente.

— Encontrei Tanya na universidade hoje, ela me contou que seu julgamento acontecerá na quinta-feira. Eu notei que estava fazendo tudo errado ai, porque você está passando por uma tonelada de problemas e eu como seu amigo não estava do teu lado te ajudando.

— Eu odiei cada palavra que você disse a Isabella — falei ainda irritado com aquilo. — Eu não sei se um dia ela esquecerá o que você falou, mas eu sei que eu nunca esquecerei.

— Eu sei, vocês dois tem total razão. Porra, é claro que você a ama. — Jasper expirou. — Você nunca enfrentaria nada disso caso não a amasse, ela também não. E ai estão vocês, mais unidos do que nunca. — Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça. — Apenas vim aqui pedir desculpas, você não precisa me perdoar, provavelmente não perdoaria ninguém que falasse mal de Alice e do meu relacionamento com ela. — Apontou para o elevador. — Vou agora, boa sorte no julgamento na quinta, eu estarei torcendo por você.

Ele começou a se afastar para o elevador, então o segui para fora.

— Jasper?! — Ele parou, voltando a me olhar. — Nunca vou esquecer, ou perdoar o que disse — falei, ele assentiu. — Mas, eu te darei uma nova chance, uma nova chance de resgatar nossa amizade.

Jasper suspirou, parecendo aliviado.

— Pare de chorar! — ordenei quando vi mais uma lágrima correr seu rosto. — Agora, entre e vamos beber a vodca de Tanya, eu preciso encher a cara e te contar sobre quando fiquei preso.

— Sim! — Jasper sorriu, entrando no apartamento de T comigo. — Você não me disse nada sobre isso. Eles usaram arma de choque? Você foi algemado?

***

Na quarta-feira de noite Bella reuniu todo mundo em seu apartamento, Tanya, Jasper e Alice, Emmett e Rosalie. Ela pediu caixas e caixas de pizza, Emmett levou a cerveja.

Eu sabia que ela estava fazendo tudo aquilo para tirar minha cabeça do julgamento na manhã seguinte, então me senti extremamente grato. Porém, não era algo que eu conseguiria esquecer, além do mais sequer podia beber para ajudar isso.

Enquanto todos, espalhados pela sala conversavam, eu estava na entrada da sala, brincando com a tampinha da minha garrafa de água, apenas os observando.

Tanya e Rosalie pareciam ter virado novas melhores amigas, na verdade Bella e eu percebemos o quão parecidas as duas podiam ser, então elas conversavam sobre algo que certamente devia ser sexo. Alice, que iria começar a estagiar em um banco no ano seguinte, pegava algumas dicas com Emmett. Mas, era a conversa entre Jazz e Bella que me mantinha mais atento.

Bella esteve tensa quando Jasper chegou, eu quis o chutar por ver a magoa no rosto dela, mas ele estava mesmo se esforçando para acertar as coisas. Pediu desculpas a ela, em uma conversa particular entre nós três, disse que agiu errado não só comigo aquele dia, mas com ela também e que ali, podendo nos ver lado a lado, ele conseguia enxergar que nós realmente nos amavam.

Bella não me surpreendeu ao desculpá-lo, sabia que ela conseguiria ser mais altruísta do que eu quanto aquilo. Então, os dois mantinham uma conversa sobre a profissão de professor e Jasper realmente parecia estar a aceitando.

Quando ficou tarde, Bella mandou todos embora, para que eu pudesse ir dormir e não me atrasar para o julgamento. Me despedi deles, todos prometendo estarem lá na manhã seguinte por mim. Eles foram embora por fim, deixando-me só com Bella e Lady, que se amontoou em meu colo quando sentei no sofá.

— Baby, você tem de ir dormir — Bella falou ao voltar para a sala, depois de ir jogar o lixo.

— Eu não vou conseguir dormir. — Afaguei o pelo branco de Lady, que deu algumas cabeçadas em minha mão, mas não me atacou.

— Bom, então eu também não irei dormir. — Ela sentou do meu lado, afagando meus cabelos.

— Estou com tanto medo — murmurei, sentindo as lágrimas em meus olhos.

— Eu também — Bella murmurou de volta, seus olhos molhados como os meus.

Nós passamos o resto da noite acordados nos revezando entre ser a pessoa responsável por mimar Lady, não falamos nada sobre o julgamento, apenas conversamos sobre filmes, séries e principalmente livros. Era necessário tirarmos nossa mente da realidade, deixando a ficção nos acalentar como podia.

Na manhã seguinte, meu pai foi me buscar e fomos junto com Bella para o tribunal. Tanya já estava lá quando chegamos, Jasper chegou logo depois com Alice, Emmett e Rosalie foram os últimos. Quis perguntar sobre minha mãe para meu pai, mas achei seguro não trazer mais dor de cabeça para mim antes de encarar o inferno que seria o julgamento.

— Eu te amo — Bella disse antes que eu fosse tomar meu lugar, beijei sua testa, ela me deu um sorriso pequeno, indo sentar junto aos nossos amigos e meu pai na primeira fila.

Foi quando vi a figura ruiva no fundo da sala, sentada sozinha na última fileira, seus olhos focados em mim.

— Edward, não, já vai começar! — o advogado me impediu de ir até Esme, olhei angustiado para minha mãe. Bella seguiu meu olhar, então a vi ficar agitada ao ver minha mãe. Esme não esboçou reação alguma, eu não sabia o quão ruim aquilo era, mas tinha um problema maior a ser resolvido naquele momento.

***

Eu pensava que ser preso era terrível, mas o julgamento parecia algo ainda mais desesperador. A incerteza era sufocante, eu senti que iria desmaiar por diversas vezes, mas Jenks me mandava ficar firme, ou aquilo só nos atrasaria mais.

Todo o processo foi lento. Entre testemunhos, falas dos advogados e tudo mais, eu ficava ainda mais desesperado.

— Edward Cullen agiu em sua própria defesa quando se sentiu ameaçado por Jacob Black, por isso eu lhe digo, Meritíssimo, que meu cliente não pode ser preso quando o causador de tudo foi o senhor, Black.

Jenks voltou ao meu lado, então o juiz retirou-se para definir a pena.

Senti mãos em meus ombros, olhei para trás, vendo Bella me lançar um olhar amoroso, antes de voltar ao seu lugar.

Arrisquei-me olhar para minha mãe no fundo da sala, seu olhar frio tinha ido, ela olhava para Bella de forma assustadora.

Quando o juiz voltou para anunciar a pena, eu senti que iria vomitar ali mesmo antes que ele terminasse de falar.

— Defino que Edward Cullen terá de prestar 360 horas de trabalho comunitário, doar duzentas cestas básicas a um abrigo de menores e financiar todo o custo hospitalar de Jacob Black, até que a vitima esteja cem por cento recuperada. — Ele bateu o martelo, eu cai sentado de volta ao meu lugar, sem conseguir acreditar que não seria preso.

Só consegui me mover quando o advogado me colocou de pé, Jacob e o pai não pareciam nada contentes com aquilo, deixado a sala imediatamente.

— Pai, eu não vou ser preso — consegui falar quando Carlisle me envolveu em seus braços.

— Eu disse que não ia — ele disse, mas parecia aliviado demais para quem tinha tanta certeza.

Tanya pulou em meus braços no momento que meu pai me soltou, depositando um beijo molhado em minha bochecha.

— Ninguém vai comer sua bunda no presídio — ela falou, fazendo com que eu risse. Jasper, Alice, Emmett e Rosalie me abraçaram rapidamente.

Então, Bella pulou em meus braços, beijando-me de forma urgente.

— Baby, você está livre, você está livre! — exclamou, tocando em meu rosto, braços e peito, como se eu tivesse acabado de voltar do mundo dos mortos.

— Eu provavelmente ainda serei expulso, nem tudo está resolvido — falei, beijando a palma de sua mão.

— Nós enfrentaremos tudo que ainda precisarmos — prometeu.

— Mãe! — exclamei quando vi Esme atrás de Bella.

Ela contornou Bella, que se afastou de mim, dando espaço a ela. Esme respirou fundo, seus olhos cheios de lágrimas.

— Eu amo você, filho.

— Você vai desistir do processo?

Ela olhou para Isabella, a raiva voltando ao seu olhar.

— Não.

— Então, você não me ama — falei, a repentina felicidade de estar livre desaparecendo.

— Edward, você não entende, é ingênuo e imaturo! — Esme praticamente gritou.

— Não, você é quem não entende. — Segurei na mão de Bella, que parecia mais desesperada com o confronto do que eu quando estava sendo julgado. — Machucando Isabella você está me machucando, enquanto continuar com a ideia do processo, eu não posso acreditar que me ama, mãe.

Notas finais
Ain Esme, abra os olhos, mulher! Beijos! Lola Royal. 15.11.16