Dez Anos

36 Capítulo Trinta e Cinco


Notas iniciais
Boa leitura! :D

Capítulo Trinta e Cinco

Isabella Swan

Eu soube que queria se professora quando me tornei monitora de inglês no ensino médio, fazer as outras pessoas entenderem minha matéria favorita, ter com quem debater os livros que tanto amava e principalmente, dividir conhecimento e aprender com os alunos, sempre foi mágico para mim. Quando entrei na minha primeira sala de aula como professora, não liguei para o fato de estar ainda bem longe do meu maior sonho que era ser uma professora na Universidade de Washington, eu sabia que batalhando por aquilo iria conseguir meu tão almejado sonho.

Então, eu consegui e estava prestes a perdê-lo, vê-lo escapar por meus dedos como areia.

Perderia minha licença, seria presa, não mais uma professora.

Mesmo certa de quando escolhi Edward no lugar de minha carreira, quando Esme me deu seu ultimato, eu ainda podia sentir a dor em perder minha carreira. E sabia que nem mesmo Edward podia me julgar, ele me entenderia. Eu sempre o escolheria, mas também sempre doeria perder minha carreira.

Pensar nele me fez checar mais uma vez o celular, em busca de qualquer ligação ou mensagem dando noticias sobre a audiência. Ele disse que ligaria assim que acabasse, então eu estava trancada no meu escritório, depois de ministrar aula para a turma que um dia Edward pertenceu, esperando suas noticias, esperando que pelo menos para ele o dia desse certo de alguma forma.

Nenhuma ligação de Edward, mas Mike parecia ter tirado o dia para me infernizar e a cada hora ligava. Eu apenas cheguei ao ponto de bloquear seu número, evitando de vez suas ligações.

Olhei mais uma vez para a intimação dentro da pasta sobre minha mesa, Esme era a pessoa mais cruel que tinha conhecido. Eu nunca diria as exatas palavras a Edward, mas sentia nojo daquela mulher, apenas um sentimento bom era dirigido de mim para ela e esse era somente por ela ter dado a vida a Edward.

Meu celular tocou, então rapidamente tirei os olhos da intimação. Estranhei o nome de Tanya ali, mas cheguei a rápida conclusão de que o resultado da audiência tinha sido tão bom para Edward, que ele estava comemorando com o pai e pediu que a amiga ligasse e me desse as boas novas.

— Tanya, ele não vai ser expulso?! — exclamei entusiasmada, eu provavelmente estaria presa quando Edward se formasse, mas ele teria sua formatura, isso era o que importava.

— Be-Bella — Tanya gaguejou, ouvi o choro em sua voz.

— Tanya, o que aconteceu? — indaguei nervosa, a ligação passou por ruídos, então uma voz diferente foi a próxima a falar.

— Isabella, é Esme! — Eu gelei, o que ela tinha aprontado daquela vez? Por que ela e Tanya estavam chorando? Por que Edward não era a pessoa comigo no telefone? — Eu preciso que encontre meu filho, preciso que o traga até mim, sei que me odeia, mas preciso dele aqui, por favor — implorou, deixando-me mais confusa ainda.

— Encontrar Edward? Ele estava com Tanya e Carlisle na audiência...

— Carlisle sofreu um enfarte — Esme declarou, soluçando alto.

Travei, Carlisle tinha sofrido um enfarte? O que diabos estava acontecendo no mundo para tudo dar errado?

— Edw-Edward — Esme era a próxima gaguejando, enquanto chorava alto no telefone comigo. — Edward pegou meu carro e desapareceu, não sabemos onde ele está. Essa droga de hospital não me dá noticias sobre o estado do meu marido, não sei se ele vai sobreviver, não sei se meu filho está bem, eu não posso perder os dois em um único dia, eu não posso.

— Eu vou encontrá-lo — prometi.

Aquela ligação, o tom desesperado de Esme. Aquilo tudo parecia muito quando minha mãe ligou para mim anos atrás, anunciando que tinha descoberto um câncer, que estava com medo, desesperada, que me amava, que não queria me deixar só.

— Por favor, por favor, Isabella — Esme implorou mais uma vez antes de desligar.

Eu inspirei fundo, tentando colocar minha cabeça no lugar. Onde Edward poderia estar? O estalo aconteceu em minha cabeça logo em seguida, só conseguia pensar em um local para ele estar no meio daquilo.

Peguei minha bolsa, me amaldiçoando por ter estado tão nervosa pela manhã por conta da intimação que fui para a universidade com Edward de táxi, com nós dois fora de cogitação para dirigir. Mas, tudo que queria naquele momento era meu Audi, ele iria me levar muito rápido para meu lugar de destino, coisa que um táxi demoraria o dobro de tempo.

Assim que o táxi parou, depois de um longo caminho, eu o vi. Estava de costas para mim, de frente para o Lake Union, seus ombros tremiam e sabia que estava chorando. Paguei o taxista e no instante seguinte estava fora do carro, correndo até Edward.

— Baby, eu estou aqui, eu estou aqui. — Sentei ao seu lado sobre a pedra, vendo seu rosto tomado por lágrimas e vermelho, os olhos inchados.

— Eu fui preso, expulso, minha mãe denunciou minha namorada e meu pai está morrendo — sussurrou. — Culpei Esme, pensei até mesmo em culpar você durante o tempo que estive aqui — confessou, me olhando por um segundo antes de voltar a encarar o lago. — Mas a culpa é minha, eu causei tanto desgosto em meu pai, o coloquei contra a esposa dele, arruinei nossa família. Ele vai morrer por minha culpa.

— Edward, não! — Segurei em seu rosto. — Não repita isso — falei séria, guardando minhas lágrimas para mim. — Você não tem culpa de nada disso, você não é o responsável por seu pai ter passado mal. E, eu conheço Carlisle a pouco tempo, mas tenho absoluta certeza de que ele não será derrubado por isso, vai ficar tudo bem, você verá.

Fiquei de pé, tentando levantá-lo, mas ele resistiu.

— Edward, nós precisamos ir para o hospital — anunciei.

— Não, o que eu vou fazer lá? Não o quero ver morrer, Bella, não quero manchar a imagem dele ainda mais em minha mente.

— Edward. — Tornei a segurar em seu rosto. — Sua mãe precisa de você e você precisa dela, vamos ao hospital, você irá se arrepender caso não vá.

— Como você pode pensar nela? — ele perguntou abismado. — Como pode ser boa com a mulher que vai jogá-la na cadeia?

— Ela é sua mãe. — Dei de ombros. — Apesar de tudo sempre serei grata a ela por ter o colocado no mundo. E, ela sempre será sua mãe. Vocês tem de ficar juntos agora, vocês precisam do apoio um do outro, para que possam apoiar Carlisle.

— Você iria para Forks por Charlie se fosse ele em um hospital? Se fosse sua irmã precisando de apoio?

— Sem hesitar — admiti, limpando suas lágrimas, elas finalmente dando uma trégua. — Edward, eu tive minha mãe doente, eu sei como se sente. Esteja já lá com Carlisle, com Esme, não desmonte sua família. Eu não me importo que Esme tenha me denunciado, foi minha escolha enfrentar a denuncia.

— Você vem comigo? — ele perguntou baixinho, em desespero.

— Claro, não sairei do seu lado, Baby.

O ajudei a se levantar, arrancando o chaveiro de sua mão, sabendo que não era o dele e só podia ser do carro preto estacionado ali. O coloquei no banco do carona, então dirigi até o hospital que ele disse onde o pai estava.

Eu dirigi em silêncio, Edward voltou a chorar e tudo que conseguia pensar era implorar para que Carlisle sobrevivesse.

***

No momento que entramos na sala de espera do andar onde Carlisle estava, a figura de Esme entrou em meu campo de visão. Ela parecia frágil, completamente diferente de todas as outras vezes que a vi.

Praticamente correu até o filho, atirando-se nos braços de Edward. Ele tinha parado de chorar rapidamente para falar com a recepção do hospital e conseguir nossa liberação, mas no instante que Esme o abraçou, ele voltou a chorar.

— Mãe, eu não quero perder meu pai — ele murmurou, agarrando-se a ela. — Mãe, por favor, mãe.

Eu suspirei, sabendo exatamente como ele se sentia. Eu tinha dito palavras semelhantes para Charlie quando descobri sobre Renée doente.

— Ele vai ficar bem, ele vai ficar bem — Esme repetiu, apertando Edward contra si, ambos chorando desesperadamente.

Senti alguém tocar meu braço, então desviei a atenção de mãe e filho a minha frente, vendo Tanya ao meu lado.

— Como ele está? — perguntei a ela.

— Em uma cirurgia, os médicos disseram que não é de risco, mas necessária para que ele não tenha um novo enfarte. Ao que parece ele está com colesterol e pressão alta nas alturas. — Suspirou, parecendo tão triste quanto Edward, seus olhos indicando que também esteve chorando como percebi no telefone. Carlisle tinha sido como um segundo pai para ela, aquilo era difícil para Tanya também.

Assenti para suas palavras, sentindo-me um pouco mais aliviada.

— Ele vai ficar bem. — A abracei, Tanya assentiu.

Nós nos afastamos, então vi quando Edward e Esme desfizeram seu abraço, Tanya rapidamente se enfiou nos braços do amigo. Os dois em um silêncio que eu sabia que entre eles era cheio de significado.

Esme engoliu em seco, então se aproximou de mim. Ela tinha os braços cruzados na frente do corpo, mas ainda parecia a mulher vulnerável que estava com o marido em uma mesa de cirurgia.

— Obrigada por trazer Edward, Isabella — murmurou, parecendo precisar de um esforço sobre humano para dizer cada uma daquelas palavras.

— Eu disse que traria — falei, cruzando os braços também. — Mas, se você espera que eu vá embora agora, está enganada — afirmei. — Carlisle tem sido muito bom para mim nos últimos tempos, eu estou preocupada com ele e prometi que não deixaria Edward só. Eu ficarei aqui com vocês, então guarde seu ódio e não crie escândalos mandando-me embora.

— Não ia mandá-la embora — Esme balançou a cabeça, franzindo o cenho, olhando rapidamente para Edward ainda nos braços de Tanya. — Cumpra suas promessas.

— Sim, você sabe bem sobre cumprir promessas — falei irritada, referindo-me sobre o processo.

Afastei-me de Esme, dizendo a Tanya e Edward que iria até a cafeteria buscar por um pouco de café para todos nós. Eu realmente precisava de café, mas também precisava me manter a distância de Esme o máximo possível, olhar para ela era um lembrete constante de que logo mais eu teria minha carreira arruinada.

Eu estava entrando na cafeteria, quando esbarrei em alguém, os cabelos loiros e o olhar animado logo se tornando reconhecíveis para mim.

— Kate! — exclamei, minha mente fugindo por um minuto do caos que estava sendo aquele dia.

Kate e eu tínhamos estudado juntas, ambas nos formamos em inglês, eu não a via desde então.

— Bella Swan! — ela exclamou de volta, abraçando-me rapidamente. — Tudo bem, querida? — perguntou notando o terror que eu não podia esconder em meu rosto por saber que Carlisle estava sendo operado.

— Mais ou menos — confessei. — E você, como está?

— Estou bem, mas você parece muito abalada, venha sentar. — Ela não se importou em retornar para o interior da cafeteria, fazendo-me sentar a uma das mesas dali. — Eu vim fazer alguns exames de rotina, mas você me parece estar aqui por algo mais sério. — Buscou por café para mim.

— Sim — confessei. — Meu sogro teve um enfarte, ele está sendo operado agora — contei, bebericando o café.

— Eu sinto muito — Kate falou gentilmente, afagando minha mão. — Ele ficará bem, seu marido está lá em cima?

— Namorado — corrigi.

— Sério? Eu pensei ter ouvido falar que tinha se casado com Mike Newton, aquele cara de direito que ficava te perseguindo para cima e para baixo no ano da nossa formatura.

— Eu casei, na verdade, terminamos tudo a mais de um ano, quando eu tive de ir estudar em Oxford. Resumindo, o casamento acabou porque ele não queria que eu viajasse por um ano para estudar. Agora sou professora na Universidade de Washington — contei.

Por pouco tempo continuaria sendo, mas ainda era.

— Que porco machista! — Kate exclamou. — Ele nunca me pareceu um cara bom, nem mesmo quando era apenas seu amigo.

— Onde está trabalhando? — perguntei, tentando me distrair daquele assunto.

— Em uma editora — contou. — No final do ano fui promovida a editora chefe. — Um grande sorriso se abriu em seu rosto, iluminando seus olhos claros.

— Isso é grande! — exclamei feliz por ela. — Parabéns, Kate, deve ser um máximo.

— É, mais ou menos. Ler quando se é uma editora pode se tornar cansativo. Eu tenho visto tantos livros terríveis, parece que nunca a nada de novo, nada apaixonante e intenso sobre minha mesa.

Eu senti minha mente clarear com as palavras dela.

— Sei que isso pode parecer uma chateação, eu vou entender se negar, mas meu namorado é um escritor. — O sorriso morreu no rosto dela. — Ele é realmente bom, Kate. Você poderia pelo menos ler os capítulos iniciais do livro dele, quem sabe? Se detestar até o capítulo cinco, é só passar para outro livro e nunca mais se lembrar dele — falei.

— Bella, eu tenho muito que ler — sussurrou. — Mas, okay, envie-me o arquivo. — Entregou-me um cartão com seu e-mail. — Não sei quando conseguirei ler o livro do seu namorado, mas assim que possível farei, anexe os dados de contato dele caso eu goste do que ver entrarei em contato.

— Você vai gostar! — declarei certa daquilo, pegando meu celular e enviando por ali mesmo o arquivo do livro de Edward. Ele não tinha terminado a revisão, com tanta coisa acontecendo desde novembro isso seria impossível, mas eu já tinha um arquivo de boa parte do livro revisado.

— Espero que seu sogro melhore — Kate falou. — Eu preciso voltar ao trabalho agora, até mais, Bella!

— Até.

Eu inspirei fundo, esperando que ela lesse e decidisse publicar o livro de Edward. Ele merecia aquilo.

***

Quando retornei a sala de espera, levando café para todos. Esme e Edward dividiam um sofá pequeno de dois lugares, ele a abraçava, enquanto a mulher chorava copiosamente.

— Baby. — Passei os copos de café dos dois a ele, sentando no braço do sofá ao seu lado, Tanya estava em pé, parecendo falar com Jasper sobre a expulsão e a situação de Carlisle.

— Obrigado — Edward agradeceu. — Mãe. — Ele se moveu, fazendo com que ela levantasse o rosto. — Beba um pouco — pediu delicadamente a ela.

— Tem bastante açúcar e é descafeinado, Esme — falei, vendo-a tremer em seu choro. — Beba, se sentirá melhor. — Afaguei os cabelos rebeldes de Edward, notando o olhar dela seguindo meus gestos.

— Você estava certo, Edward, isso tudo foi minha culpa — ela sussurrou para o filho.

— Não, não vamos conversar sobre isso agora — Edward pediu exausto. — Eu só quero pensar em meu pai agora, não quero pensar sobre minha expulsão, a intimação de Bella...

— Você recebeu uma intimação? — Esme me questionou, olhando-me perplexa.

— Sim, Esme. — Bufei. — Rápido, né? Seu nome é realmente influente, o ano mal começou e a justiça já está sendo feita.

— Vamos mudar de assunto. — Edward se levantou, caminhando de forma tensa pela sala.

— Não, não vamos! — Esme quase gritou, levantando também.

— Eu concordo com Edward, vamos apenas pensar em Carlisle agora. — Levantei, indo me enfiar nos braços de Edward. — Tudo que não quero agora é preocupar-me com o julgamento pelo qual passarei, você pode guardar suas acusações por mais um tempo, Esme — a fuzilei com o olhar.

— Eu não a denunciei! — Esme gritou, ouvi um baque no chão, então vi que Edward tinha largado seu copo de café.

— O que? — Nós dois perguntamos a ela.

— Eu não a denunciei, eu sequer piso em uma delegacia, em meu escritório, ou em um tribunal desde o julgamento de Edward — Esme falou nervosa. — Sim, eu queria te denunciar. — Passou as mãos pelos cabelos, os bagunçando. — Mas, depois que Carlisle foi embora de casa no Natal senti-me tão perdida, eu estive ontem no hotel querendo falar com ele, querendo levá-lo de volta para casa, então falei com Edward e os dois não me deixavam terminar de falar, eu estava querendo dizer que não ia processá-la ainda, que não conseguia acreditar no amor de vocês. — Apontou para minha mão unida a de Edward. — Mas, que não ia processar se me dessem tempo, se me deixassem deglutir isso melhor.

— Então, ontem no telefone quando você disse que queria me ver, quando falou sobre retardar o processo e mudar de ideia sobre Bella...Era sobre você mudar de ideia a respeito dela? Não eu? — Edward questionou.

— Sim, sim! — Esme voltou a chorar. — Quando seu pai foi embora, quando eu passei o resto do natal só e o ano novo também, eu comecei a perceber que estava fazendo tudo errado. E você não voltou, ele não voltou.

— Você não foi a pessoa quem denunciou Isabella? — Edward perguntou, parecendo perdido.

— Não, eu não fiz denuncia alguma. — Esme se aproximou da gente, segurando no rosto do filho. — Não a denunciei, Edward, por favor, acredite em mim. Eu não sei quem a denunciou, mas posso garantir que não fui eu, filho.

— Eu sei quem foi — murmurei, os dois me encararam, dois pares de olhos verdes molhados por lágrimas. — Mike.

Notas finais
Kabum hahahah Beijos! Lola Royal. 16.11.16