Dez Anos

14 Capítulo Treze


Notas iniciais
Capítulo dedicado a ralda que recomendou, muuuito obrigada, flor :D É meu capítulo preferido, adorei escrevê-lo, então espero que gostem de ler ♥

Capítulo Treze

Isabella Swan

“Mas do fruto da árvore que esta no meio do jardim,

disse Deus: Não comereis dele

Nem nele tocareis

Para que não morrais"

Gênesis,3:3”

Eu amava William Shakespeare, era um dos meus autores favoritos. Sendo mais clichê ainda, Romeu e Julieta era minha história preferida dele.

Algo em histórias de paixões proibidas, por mais clichês que possam ser, sempre acabavam fascinando leitores ao redor do mundo. A ideia de que aquelas duas pessoas que se querem tanto, possuem algo as afastando, as impedindo de ficarem juntas, sempre acaba cativando a pessoa com livro em mãos, que busca avidamente para ver o desfecho do enlace.

Por muito tempo eu pensei que isso cabia apenas na ficção, que tórridas paixões na realidade nunca seriam de fato instigantes como na literatura. Ou que isso apenas serviria para pessoas com menos de vinte e cinco, ainda jovens e com disposição para jogos sentimentais desse tipo.

Nunca, nunca me vi envolvida com alguém proibido. Todos meus namorados, até mesmo os casos de uma, ou duas noites que tive na faculdade eram caras desimpedidos, eu poderia os ter sem temer nada.

Edward não era assim, ele era como a minha própria maçã de Eva. Vermelha e suculenta, a fruta proibida que me expulsaria do paraíso. E, como Eva, eu tinha caído na tentação. Mais de uma vez. Duas mordidas, acreditando que se não a tivesse por completo não seria expulsa.

O beijo em meu apartamento tinha sido longo, demorado, muito mais cheio de toques. Porém, aquele no meu escritório no meio daquela tarde de segunda-feira tinha sido diferente, peculiar.

Talvez por todo o medo de que alguém pudesse nos flagrar, mesmo com a porta muito bem trancada. Ou, por ser a última vez que eu me permitiria beijá-lo. E, tinha a terceira alternativa, aquela que não queria cogitar de fato, aquela que eu estava totalmente balançada pelas palavras de Edward.

Apaixonado.

O último cara que tinha estado apaixonado por mim foi Mike, talvez Pierre tenha dito isso em alguma das seis línguas que ele sabia falar, mas eu o dispensei bem antes de nosso envolvimento sexual me fazer nutris sentimentos reais por ele. Então, Edward apareceu, mais novo, completamente sincero, jogando as cartas na mesa no momento que duvidei de seu caráter.

Apaixonado.

De alguma forma, louca, estranha, improvável, o jovem homem de vinte anos conseguia me tirar a sanidade. Conseguia levar-me à loucura apenas pelo modo que me olhava.

Apaixonado.

O modo que ele me tocava.

Apaixonado.

O modo que ele falava comigo.

Apaixonado.

O modo que ele me beijava.

Apaixonado.

Então, os atos começaram.

Ato I

Edward tinha esquecido, de novo, seu livro em minhas posses. Porém, eu não tinha mais resistência física alguma para vê-lo naquela segunda-feira, sendo assim guardei o livro, disposta apenas a devolvê-lo no dia seguinte, isso se realmente conseguisse devolvê-lo, pois isso requisitaria ver Edward, o que não parecia uma boa ideia.

Depois daquele longo dia, com Edward, Mike, aulas e uma droga de cesta de piquenique, tudo que queria era voltar para casa e tomar um banho de banheira com todos os sais de banhos existentes. Eu precisava de um descanso, realmente merecia um pouco de paz.

— Boa noite, senhorita Swan — Louis saudou quando entrei no prédio, carregando pastas, minha bolsa e o livro de Edward.

— Boa noite, Louis — o cumprimentei. — Você por acaso sabe se chegou algo a minha caixa de correio?

— Você recebeu um convite, eu tive de recebê-lo pela senhora por ser importante, está aqui — anunciou, remexendo em seus arquivos atrás do balcão da recepção.

Um convite?!

— Aqui está, senhorita. — Estendeu o convite.

Depositei tudo em minhas mãos sobre o balcão, pegando o convite.

Eu podia ver o brasão da Universidade ali, então rapidamente o abri, temendo qualquer coisa que estivesse naquele convite.

“A Universidade de Washington tem o prazer em convidá-la para o coquetel de aniversário da instituição, a ser realizado dia 30 de setembro de 2016, às 19 horas, no auditório principal do campus.

Venha brindar conosco!

Universidade de Washington.


Excelentíssimo Reitor Senhor Carlisle Anthony Cullen”

Inspirei profundamente vendo o nome de Carlisle ali, eu não estava esperando lidar com outro Cullen aquele dia, nem mesmo por um convite copiado para todos os convidados para aquele coquetel.

— Tudo bem senhorita Swan? — Louis perguntou.

— Claro. — Forcei um sorriso a ele, recolhendo minhas coisas. — Boa noite, Louis.

Segui até o elevador, já sabendo que não poderia recusar aquele convite, era importante socializar com o restante do corpo acadêmico, da administração e de todos os outros funcionários convidados para o coquetel. Era nova ali, não podia ficar me escondendo.

Alimentei Lady assim que cheguei ao apartamento, tirando-a dos meus calcanhares, comi o que tinha comprado em um restaurante a caminho de casa, então segui para meu banheiro, procurando relaxar com um banho de imersão.

Coloquei Frank Sinatra para tocar no som que eu tinha mandado instalar no banheiro, especialmente para meus banhos de banheira. Preparei o banho, abusando de espuma, regulando a água para uma temperatura quente agradável, então, depois de prender meu cabelo em um coque, deslizei para o interior da banheira.

Eu estava cantarolando My Way, enquanto apenas ficava com o corpo submerso na água e espuma, quando meu celular tocou indicando uma mensagem. Suspirei, eu podia ignorar, mas provavelmente era Rosalie querendo saber sobre Edward, então quanto antes eu finalizasse aquele assunto, melhor seria.

Afinal, ele estava acabado.

Capturei o celular na bancada da banheira, digitando a senha para liberar a tela, deparando-me com uma mensagem de Edward.

Edward: Boa noite, Bella!

Eu afundei um pouco mais na água.

Nunca devia ter ligado para ele do meu número, tinha sido um erro grandioso. Porém, ainda assim, eu me vi digitando uma mensagem de volta.

Bella: Boa noite, Edward!

Edward: O que você está fazendo?

Tentando esquecê-lo com Sinatra, espuma e sais de banho.

Bella: Banheira.

Foi tudo que respondi.

Edward: Ela é grande o suficiente para dois?

Engasguei com minha própria saliva, sendo pega de surpresa pela mensagem dele.

Bella: Boa noite, Edward!!!

Edward: Ela é?

Insistiu.

Bella: Sim.

Cedi.

Edward: Eu suspeitei disso. Boa noite, Bella!

Desliguei o celular, o atirando longe. Tomei uma lufada de ar antes de mergulhar na banheira, minha primeira tentativa de esquecê-lo falhando miseravelmente.

Ato II

No fim do meu dia de aulas na terça-feira, eu segui até a livraria de Nelly, com o livro de Edward em minhas mãos. Devolveria aquilo, então meu único contato com o Cullen seria em sala de aula, onde sequer o notaria.

Fácil.

Rosalie tinha discordado do meu plano brilhante quando contei a ela mais cedo aquele dia, mas eu estava confiante. Nós tínhamos tido o último beijo em meu escritório, nós pusemos um fim naquilo, nada mais aconteceria.

Ele, junto com uma garota de cabelos pretos com as pontas verdes, eram as únicas pessoas na livraria quando entrei ali. Os olhos dele sequer vieram até mim com o barulho da porta, enquanto continuava concentrado falando com ela, só podia ver as costas dele.

A garota tinha pelo menos cinco livros em mãos, enquanto Edward segurava mais três nas suas, os braços ao lado de seu corpo. Braços que no dia anterior estavam ao meu redor, mãos em meus seios.

Eu apurei meus ouvidos, os ouvindo a distância que estavam.

— Você realmente devia levar os oito Patty, será muito mais prático ter todo o material em mãos agora. Pense, quando você voltar para casa na Ação de Graças, lá em...Desculpe-me, de onde sua família é? — perguntou, podia apostar que ele estava sorrindo, enquanto via Patty parecer meio boba, olhando admirada para ele.

Idiota. Edward, não a pobre garota deslumbrada.

— Maryland — ela respondeu.

— Então, pense, quando você estiver em Maryland com sua família para o feriado, eles irão lhe encher de perguntas sobre a faculdade. Ai, você irá dizer sobre essa pequena extravagância em livros para suas aulas, é nessa hora que irá falar que não sobrou grana alguma para mais nada. Eles irão lhe achar um grande exemplo de responsabilidade por priorizar os estudos, colocando mais grana em sua conta.

— Eu não sei — ela murmurou em duvida, mas seu rosto ainda estava tomado por deslumbre.

— Nós sabemos que você precisa desses livros, Patty — Edward murmurou de volta, dando um passo em direção a ela. — Apenas os leve, eu ficaria tão feliz com a comissão. Você gostaria de me ver feliz, não?

Patty abriu um grande sorriso.

— Eu os levarei, claro. Talvez mais aquele de metafísica?

— Excelente escolha. — Edward entregou os livros em sua mão para Patty, ainda sem me notar seguiu até uma das estantes, voltando de lá com um livro gordo em mãos.

Então, ele me viu, recostada na parede perto da porta, o olhando de longe, enquanto Patty de Maryland tinha dificuldade em carregar tantos livros. Edward apenas deu um sorriso torto em minha direção, fazendo com que eu me sentisse por um instante como Patty, deslumbrada com sua beleza, mas logo me recompus.

Edward a levou até o caixa, passando toda a compra da garota, que saiu da livraria com nove livros e um sorriso de agradecimento de Edward.

— Nelly sabe sobre sua tática de venda? — indaguei quando ficamos sozinhos.

— Funcionaria com você? — ele perguntou, ainda atrás do balcão.

— Não — respondi confiante, pisando em meus saltos até ele, entregando seu livro. — Você tem de parar de deixá-lo por ai?

— Por que eu faria isso? Sabia que viria até mim em algum momento devolvê-lo, senhorita Swan. — Sorriu presunçosamente.

— Apenas pare! — ordenei, sem saber exatamente ao que me referia.

— Como foi seu banho ontem à noite? — perguntou, senti minhas bochechas esquentando. — Não tão bom? — Arqueou uma sobrancelha quando fiquei calada. — Eles dizem que banheiras deviam ser compartilhadas. — Ninguém dizia aquilo, mas a voz rouca dele falando a falsa citação quase a tornava verdadeira.

— Nem todos precisam de um banho a quatro mãos. — Me afastei do balcão, chocada com minhas palavras.

— Eu tenho certeza de que é uma dessas pessoas, senhorita Swan, as suas devem ser muito eficientes.

O rubor cobriu meu rosto, ele voltou a sorrir, mas daquela vez parecendo deslumbrado como Patty.

— Adeus, senhor Cullen! — enfatizei, dando as costas para ele, indo até a porta da livraria.

— Até logo, senhorita Swan.

A tentativa dois também foi um fracasso total.

Ato III

Na quarta-feira, Rosalie foi dormir em meu apartamento. Emmett tinha viajado a negócios aquela manhã para a Califórnia, só voltaria na tarde de quinta-feira, então ela se recusou a dormir sozinha em sua casa.

Isso tudo foi uma desculpa, ela só queria me explorar na cozinha. Mas, eu tinha finalmente reabastecido minha dispensa, livrado-me parcialmente de Edward — era difícil mantê-lo longe cem por cento da minha cabeça, mas estava trabalhando nisso —, cozinhar me faria bem.

Nós estávamos, depois do jantar, sentadas em meu sofá, com Lady — animada em ter outra pessoa na casa — pulando entre nós duas, enquanto conversávamos. Ela estava entusiasmada em poder descobrir em breve o sexo do bebê, mesmo que tivesse a leve intuição de ser um menino.

Eu fiz uma careta quando o interfone tocou, tentando imaginar quem diabos era às oito da noite de uma quarta-feira. Logo minha mente voou para Mike, que me ligou pelo menos uma vez por dia, depois de seu desastroso ato romântico no inicio da semana.

— Olá Louis. — Atendi ao interfone.

— Senhorita Swan, você tem uma visita, Edward Cullen.

Gelei, apoiando a mão na parede para não cair.

O que ele estava fazendo ali?

— Pode mandá-lo subir — respondi a Louis, devolvendo o telefone ao suporte.

— Quem é? — Rose perguntou da sala. — Bella? — Eu a ignorei, indo até a porta para esperar a campainha tocar.

O som mal tinha sido projetado, quando escancarei a porta, deparando-me com Edward a minha frente. Ele usava suas roupas de costume, jeans, camiseta e jaqueta, mas algo estava diferente em seu rosto, então notei seu nariz e bochecha vermelhos demais, seus olhos cansados.

— O que está fazendo aqui? — indaguei em voz baixa, tentando manter Rose fora daquele assunto.

— Isso não é um jogo, sério. — Coçou o nariz. — Eu tenho rinite — sussurrou, a voz saindo arranhada, o que lhe fez fazer uma careta.

— E você está esperando que eu o leve a um médico? — perguntei abismada

— Não. — Edward revirou os olhos. — Eu preciso do meu casaco de volta, o tempo está esfriando demais agora, não posso andar por ai sem um. — Ele arregalou os olhos para algo no corredor, então pude ouvir a respiração atrás de mim.

— Ora, ora, Edward, não?

A voz dela era pura malicia.

— Bella, é Edward! — Rosalie falou, sorrindo para mim quando a olhei, enquanto apontava seu dedo para ele.

— Rosalie...

— Rosalie Hale-McCarty. — Estendeu a mão para Edward, que ainda assustado devolveu o aperto.

— Senhorita Swan, me desculpe, eu... — ele começou a falar nervoso.

— Corte essa, querido, eu sei de tudo — Rosalie o interrompeu, puxando Edward para o interior do meu apartamento.

Não tive alternativa além de fechar a porta, os seguindo para a sala.

— Eu vou buscar seu casaco — falei para ele, enquanto Rosalie e ele sentavam no sofá, pude vê-lo torcendo o nariz para Lady antes de ir até meu quarto.

Peguei o casaco em meu armário, deixando a camisa dos Beatles lá. Foda-se, ela era bonita demais, tinha uma estampa incrível, eu iria roubá-la.

— Eu estava contando a Edward que nos conhecemos na faculdade — Rosalie disse quando voltei a sala.

— Ótimo — ironizei, estendendo o casaco a ele. — Você pode ir agora.

Edward olhou confuso para o casaco em minha mão, antes de pegá-lo. Se levantou, seus olhos ainda sobre mim.

Não, ele não teria a camiseta de volta.

— Apenas isso? — indagou, vestindo o casaco por cima da jaqueta.

— Apenas isso.

— Isso é tão emocionante! — Rose cantou do sofá, fazendo com que a olhássemos. Ela parecia estar assistindo ao filme mais interessante.

— Foi um prazer conhecê-la, Rosalie — Edward disse a ela. — Parabéns pelo bebê — falou, gesticulando para a barriga já visível dela.

— Obrigada, espero vê-lo logo mais Edward, quem sabe?

— Fique quieta, Rosalie! — mandei, agarrando o braço de Edward, praticamente o empurrando até a porta, onde finalmente o soltei. — Eu não aceito desculpas para atrasos em minha aula, então se estiver doente demais nem se dê ao trabalho de ir e me interromper como da primeira vez. — Abri a porta para ele.

— Você está roubando minha camiseta, é uma das minhas preferidas — falou chateado quando foi para o corredor.

— Não sei do que está falando. — Fechei a porta, podendo ouvi-lo espirrar lá fora, eu contive um riso, ao mesmo tempo em que me proibi de checar se ele estava mesmo bem. — Vou dormir, estou com a cabeça estourando — falei para Rosalie, que surgiu no corredor.

— Se for se masturbar pensando no bonitão de olhos verdes, pode fazer isso em som baixo? É tão desconfortável ouvir sexo alheio. — Piscou para mim.

— Foda-se — xinguei.

— Era tudo que você queria, amiga — provocou.

Bufei, seguindo para meu quarto, batendo a porta com força.

Chutei minhas calças jeans para fora, arranquei minha camisa, meu sutiã, puxei a camiseta dele do armário e vesti. A roupa depois da lavagem não tinha mais o cheiro dele, mas pensar que Edward já tinha usado aquilo brincava com minha mente.

Deitei na cama encarando o teto, eu sequer ainda estava tentando esquecê-lo de verdade? A terceira tentativa foi uma grande decepção.

Ato IV

Edward já estava em sala quando cheguei para a aula, alguns minutos adiantada, mas ele não era realmente o único já ali, mas meus olhos não pareciam perceber muito além dele, enquanto arrumava o material para o dia. Ele tinha os olhos fechados, a cabeça apoiada no ombro de Tanya, que afagava os cabelos dele tranquilamente.

Os dois pareciam muito amigos, mais do que isso se você os visse por outro ângulo.

Eles provavelmente eram algum tipo de amigos com benefícios, mesmo Edward dizendo sobre eles serem como irmãos. Eu tive um amigo como um irmão tantos anos antes, foi com ele que perdi a virgindade, não parecia tão errado assim.

Porra, Tanya e Edward transavam. Agora só podia olhar para a loira e imaginá-la montada nele.

Logo iniciei a aula, me concentrando com facilidade naquilo, agradeci minha mente por ser cooperativa, meu trabalho ainda era o importante ali.

— O que acha disso, senhor Cullen? — perguntei, enquanto discursava sobre o cristianismo em As Crônicas de Nárnia. Ele esteve sonolento durante a aula toda, o que provavelmente era efeito do remédio que devia ter tomado para a rinite, mas eu tinha o deixado alertado sobre ir para a aula doente demais.

— Desculpe. — sussurrou, virando a cabeça para o lado, parecendo malditamente adorável com os olhos quase se fechando. — Não estava concentrado.

— Foque na aula, ou saia, senhor Cullen! — exclamei, provocando alguns risos, inclusive um sorriso de Tanya, que o escondeu de Edward rapidamente atrás de sua mão.

Voltei à aula, vendo Edward se despertar, parecendo meio irritado também.

— Eu acho que C. S. Lewis era um autor brilhante — Edward declarou quando liberei espaço para a fala dos alunos. — Algumas pessoas apenas não entendem o valor dele, a obra dele é voltada para um público juvenil, ele aborda cristianismo de uma forma muito interessante. Lamento contrariá-la, senhorita Swan, mas ele não era apenas um mero autor tentando catequizar crianças.

— Quem pensa como o senhor Cullen? — perguntei a turma, alguns levantaram a mão, praticamente metade. — Excelente, quero todo mundo trazendo uma redação na próxima aula falando sobre seus pontos de vista para abordagem do cristianismo na obra de C. S. Lewis. No mínimo dez páginas.

Aconteceu um coro de resmungos por isso.

Logo a turma começou a se dispersar, enquanto eu me distraia fazendo anotações.

— Eu quero minha camiseta. — Levantei os olhos, vendo Edward parado diante de mim, Tanya atrás dele, novamente escondendo uma risada. Apenas nós três restantes na sala.

— Não sei do que está falando.

— Você sabe e, no mínimo dez páginas? — Bufou. — Muito obrigado, era tudo que queria para o fim de semana. — Marchou para fora da sala, mas Tanya ficou.

— Ele é muito chato quando está doente, vai estar melhor amanhã — disse para mim.

Okay, Tanya claramente sabia sobre Edward e eu. Isso ainda queria dizer que ela transava com ele?

— Bom, eu não irei vê-lo amanhã — murmurei, tirando os óculos, ela sorriu largamente.

— Claro que irá, você pensou que Edward não estaria ao lado do pai dele, o reitor, no coquetel da universidade?

Merda!

— Até amanhã, senhorita Swan. — Tanya acenou para mim. — Não devolva a camiseta, isso é apenas Edward sendo mimado. — Saiu da sala.

Okay, eu realmente ainda queria esquecê-lo? Isso sequer era possível?

Ato V

Coloquei o blazer branco, encarando-me no espelho do closeth. Eu tinha um vestido prata com um leve brilho que chegava ao meio das minhas coxas, usava meia calça, saltos pretos altos, joias que combinavam com as cores do vestido e blazer, enquanto meu cabelo se encontrava solto, todo ondulado.

Minha maquiagem dava destaque para os olhos, deixando o tom de castanho ali em evidencia. Porém, eu amava batom vermelho, então não dispensei um pouco mais claro para aquela ocasião.

Pegando minha bolsa de mão e meu celular, eu segui para fora do meu apartamento, indo para o coquetel da universidade.

O auditório tinha sido elegantemente preparado para o coquetel, com as cores da universidade compondo a decoração. As pessoas também pareciam muito bem vestidas, então suspirei aliviada que minha produção não tinha sido um exagero.

Eu estava pegando uma taça de champanhe quando vi cabelos acobreados, por um momento paralisei, até perceber que eram longos cabelos acobreados. Vi a mulher elegante, provavelmente com mais de cinquenta anos, usando um vestido verde, enquanto conversava com um grupo de mulheres.

Então, vi quando ninguém menos do que Carlisle se juntou as mulheres, seu braço rodeando a mulher ruiva.

Porra!

Era a mãe de Edward.

Logo parei de encará-los, passando a circular pela festa conversando com os professores que já conhecia, sendo apresentados para outros, como a pessoas da administração. Estava tendo um bom tempo, até que os cabelos acobreados certos entraram no meu campo de visão.

Ele chegou ao coquetel na companhia de Tanya, o braço dela apoiado no dele, enquanto os dois conversavam em voz baixa, parecendo descontentes com algo. Porém, naquela noite era impossível focar em seu rosto, não com as roupas que ele usava.

Edward estava vestido socialmente, o que me fez tomar um longo gole de champanhe, enquanto observava suas roupas. Blazer escuro, com uma camisa social azul clara por baixo, calças na cor areia e sapatos marrons. Mas, quebrando todo o visual bem arrumado, seus cabelos estavam a confusão de sempre, ficando ainda mais quando passou a mão por eles.

Eu desviei o olhar dele, me impedindo de parecer tola na frente daquelas pessoas, então voltei a conversar com o grupo de professores junto de mim.

Não muito depois, Carlisle foi anunciado para um discurso, subindo ao palco junto com sua esposa e Edward, que não parecia muito contente com aquilo. A mulher e o filho ficaram atrás dele, enquanto Carlisle proferia sua fala, falando sobre os longos anos da universidade, suas conquistas, superações e tudo mais que podia.

— Quero agradecê-los por terem vindo aqui hoje, espero que estejam se divertindo e que possam se divertir um pouco mais.

Eu reprimi um sorriso ao pensar na diversão que tive no sábado de noite com o filho dele, enquanto notava os olhos de Edward me encontrando no meio dos convidados, ele não reprimiu seu sorriso.

Tão logo saiu do palco, Edward caminhou até mim, seus olhos me medindo dos pés a cabeça.

— Olá senhorita Swan, é prazer, vê-la! — O modo que ele disse aquilo fez meu corpo todo se arrepiar.

— Olá senhor Cullen! — Estendi minha mão para ele. — Comporte-se.

— Eu não posso prometer isso — murmurou, apertando minha mão, então a levando até seus lábios.

Era normal dizer que senti falta dos lábios dele?

— Divertindo-se? — perguntou quando me soltou.

— Muito. — Gesticulei com a taça de champanhe em mãos.

— Edward, querido, eu estava o procurando para saber. — Esme se aproximou de onde estávamos, segurando no braço do filho. — Ah, olá! — Sorriu para mim.

— Isabella Swan, professora de literatura inglesa de Edward — falei, estendendo a mão para ela.

— Sim, você é! — Esme sorriu mais um pouco, apertando minha mão. — Sou Esme Cullen, como já deve saber. — Riu um pouco. — Como meu menino brilhante tem se saído, senhorita Swan? — Edward revirou os olhos.

— Muito bem — me limitei a dizer. — Seu vestido está lindo, Esme, eu o amei — falei sinceramente.

— Ah querida. — Ela riu mais, provavelmente tendo bebido mais do que eu. — Você é a garota arrasando aqui, é muito bonita. Eu deveria ficar sossegada em você trabalhar junto com meu marido? — brincou, fazendo Edward engasgar.

O problema é seu filho, pensei.

— Não se preocupe — afirmei, suavizando o assunto em seguida. — Além do mais, você e Carlisle parecem tão apaixonados, não posso ver nada no mundo os separando.

— Obrigada. — Esme deu um sorriso orgulhoso. — Foi muito bom conhecê-la, Bella. É bom conhecer os professores do meu filho, saber que ele está em boas mãos é excelente.

Edward e eu sabíamos que ela estava se referindo ao sentido profissional da coisa, mas ele sorriu para aquilo de forma travessa.

— Edward querido, venha até mim e seu pai em breve, okay? — Voltou-se para o filho, beijando a bochecha dele e limpando o batom rapidamente. — Até mais, senhorita Swan.

— Até mais senhora Cullen. — Acenei para ela, deixando-a ir.

— Eu tenho de concordar com minha mãe — Edward disse quando ela se foi, aproximando-se mais um passo de mim. — Você está muito bonita esta noite, senhorita Swan.

— Você também está.

Eu podia culpar o champanhe por estará falando aquilo, mas a verdade era que só tinha bebido duas taças durante as duas horas que estava ali. Aquilo não era nem perto da quantidade necessária para me embebedar, ou me fazer perder o senso.

Edward respirou fundo.

— Gostaria de poder tocá-la — sussurrou.

Engoli em seco, eu também queria aquilo. Eu o queria.

Queria suas mãos em meu corpo, sua boca na minha, sua voz em meu ouvido.

— Você tem só dez minutos para se livrar de tudo isso e encontrar-me no meu carro, eu estarei no estacionamento perto da livraria — falei baixinho, ganhando um olhar assustado de Edward. — Boa noite, senhor Cullen! — falei mais alto, lhe lançando um sorriso educado, enquanto estendia minha mão para ele. Edward não disse nada. — Dez minutos — lembrei, já me afastando, saindo à francesa do coquetel.

Entrei no meu carro estacionado na frente do prédio do auditório, então dirigi pelo campus até o estacionamento perto da livraria. Era distante para ninguém da festa nos ver, além do mais aquele horário não teria mais ninguém por ali.

Fiquei lá, sentada em meu carro, de olhos fechados, enquanto controlava minha respiração. Eu estava mesmo fazendo aquilo?

Batidas na janela me despertaram, abri os olhos, olhando em direção à porta do carona. Edward estava lá fora, não existia qualquer hesitação em seu rosto.

Sim, eu estava fazendo aquilo.

Estiquei minha mão, abrindo a porta. Edward entrou, sentando no banco, seus olhos fixos nos meus.

— Olá Bella!

Eu não podia esquecê-lo, não era possível.

— Olá Edward!

Eu estava tomando a maçã inteira para mim aquela noite.

Notas finais
Ai, ai...Vejo vocês nos comentários? Beijos! Lola Royal. 19.10.16