Dez Anos

10 Capítulo Nove


Notas iniciais
Capítulo super dedicado para a Susa Santos que recomendou, muito obrigada, linda! :D Boa leitura ♥

Capítulo Nove

Isabella Swan

Eu podia lembrar com exatidão de mamãe lendo para mim, até mesmo depois de sair da infância, ela e eu continuávamos com nossas leituras compartilhadas e, enquanto papai e Ângela estavam fora, nos refugiávamos na sala com xícaras de chocolate quente e líamos uma para a outra. Foi por mamãe que percebi o quanto ler era divertido, eu podia deixar a realidade para trás e embarcar em um mundo completamente novo.

Na noite anterior, enquanto lia o livro de Edward, fui sugada para sua história. E, da mesma forma que seu enredo me envolveu, eu me vi envolvida por ele naquele dia no café.

Eu só precisava inclinar meu corpo mais um pouco sobre a mesa, então poderia beijá-lo. Eu sabia que não era a única ali perdida, sabia disso desde nosso encontro no bar, mas estive me convencendo que era apenas tudo loucura, que o jovem de 20 anos não podia estar atraído por mim. Só que podia ver nos seus olhos a verdade, podia ver como ele ficava tão estranho perto de mim quanto ficava perto dele.

Quando um segundo trovão soou, eu me despertei, retornando a encostar minhas costas na cadeira. Incrédula e com raiva de mim mesma por ter cogitado a ideia de beijar Edward.

Ele não se moveu, mas seus olhos saíram de mim para seu livro, então segundos depois ele começou a folhea-lo. Nós dois sem dizer nada sobre o elefante branco na sala, mesmo sabendo que isso era extremamente incomodo, eu preferi não falar sobre também.

Desviei os olhos de Edward para a televisão atrás do balcão, onde o noticiário cobria a forte chuva que tinha vindo mais cedo do que o esperado. A cidade já estava um caos com tudo aquilo, principalmente o trânsito.

— Você veio de carro? — perguntei a Edward, ele voltou a me olhar, ainda com tanta intensidade que me encolhi sobre seu olhar.

— Sim, por quê? — Apenas apontei para a televisão, o deixando ver por si só o que a tempestade estava fazendo com a cidade, enquanto o jornalista já noticiava a interrupção do metrô para que acidentes fossem evitados. — Merda — praguejou baixinho, fechando o livro. — Eu levarei uma eternidade para chegar ao meu apartamento.

Mais um trovão fez estremecer as janelas da cafeteria, fechei os olhos me assustando. Quando se cresce em Forks, que estava constantemente sobre ameaça de chuva e trovões, espera-se que isso não lhe assuste, mas levei bons anos quando criança para aprender que nada aconteceria comigo e, que podia dormir tranquilamente em minha cama sem correr para a da minha irmã mais velha, ou a dos meus pais.

— Melhor irmos logo — falei, reabrindo os olhos, quando mais um trovão soou. — Arg, deve ser a pior chuva do ano — reclamei, estendendo a mão para chamar por Julia, indicando que poderia trazer a conta.

Ela logo se aproximou da nossa mesa, já com sua blusa fechada. Aquilo era ridículo, ela realmente pensou que Edward iria cair aos seus pés por dois botões abertos? Quer dizer, isso podia acontecer, eu não o conhecia de verdade para julgar suas ações, ele poderia muito bem pedir o número da barista antes de deixarmos o local. Isso era algo que garotos da idade dele definitivamente fariam.

— Aqui. — Ela estendeu a conta para Edward, mas peguei da mão dela.

— Bella, eu posso pagar — Edward disse constrangido quando tirei dinheiro do bolso o estendendo para Julia.

— Pode pegar o resto de gorjeta — falei, ela assentiu, nos olhou curiosa e se afastou. — Eu convidei, eu pago.

Edward teve seu rosto transformado em uma expressão irritada e, pude ver o homem nele bravo por não ser o provedor. Aquilo era ridículo.

— Eram apenas alguns dólares, me deixe pelo menos pagar pelo que consumi — insistiu.

— Não vou aceitar seu dinheiro. — Coloquei meus óculos no bolso do meu casaco. — É apenas um café, fui eu quem convidou, nada mais justo que pague. — Levantei, vestindo meu casaco.

Ele logo se levantou também, colocando seu casaco e pegando seu livro, enfiou a mão no bolso da calça e estendeu alguns dólares para mim.

— Não! — frisei.

— Bella, por favor!

Apenas o ignorei, andando em direção a saída da cafeteria, eu estava a um passo da porta, a mão já esticada em direção a maçaneta, quando as luzes foram embora. Ouvi murmúrios e resmungos de todos ali, sem duvida alguma era a pior chuva do ano.

O clarão de um relâmpago me assustou, fazendo com que eu desse dois passos cambaleantes para trás, então senti uma mão firme agarrar meu ombro, impedindo que eu caísse. A mão não me soltou e, pelo reflexo na porta de vidro, pude ver Edward logo atrás de mim.

Sua mão deslizou do meu ombro para meu braço, em um toque hesitante, mas que mesmo por cima das roupas podia dizer que quente. Eu devia ter o afastado, devia ter me afastado, mas não conseguia raciocinar direito. Pelo reflexo o vi com o olhar preso em sua mão em meu braço, então ele me olhou e por fim me soltou.

— Desculpe — sussurrou tão baixo que eu poderia muito bem ter apenas imaginado a fala.

— Talvez queira guarda isso para não molhar. — Apontei para seu livro na mão que tinha permanecido longe do meu corpo, ficando de frente para ele. Edward concordou, guardando o livro dentro do casaco preto que usava e, fechou-o ao redor de si. — Isso é loucura — murmurei, olhando por meu ombro e vendo a tempestade lá fora, mas não sabia se minha frase era direcionada a chuva, ou ao fato que eu estava quase pulando nos braços de Edward e colando sua boca na minha.

— Sim, uma loucura — murmurou de volta.

— Você pode ficar no meu apartamento até isso tudo acabar.

— O que? — perguntou confuso, como se tivesse acabado de acordar e não estivesse assimilando nada ao redor de si.

— É uma tempestade, Edward. — Gesticulei para o lado de fora da cafeteria. — Não vou deixá-lo dirigir pela cidade no meio disso, nem energia mais tem.

— Não, Bella, isso não é necessário.

— Você adora uma discussão, não? — o desafiei. — Bom, eu também, então vamos ficar aqui e discutir isso até a chuva passar? Ou você vai ser sensato e ir para meu apartamento onde vamos ficar seguros, antes que alguém decida entrar aqui e roubar a cafeteria se aproveitando da situação?

— Você faz ideia de quão rico esse bairro é? — ele parecia ofendido ao dizer aquilo. — Ninguém irá entrar aqui e roubá-la, senhorita Swan.

Inspirei fundo, vendo Edward e sua expressão irritada ainda me encarando. Eu quis me chutar por mesmo no meio daquilo não conseguir tirar de minha cabeça o quanto aquele menino era bonito, aquilo era uma maldição.

— Por favor, não me sentirei bem se você estiver exposto ao perigo de uma tempestade porque o fiz dirigir até aqui — falei em um tom de voz contido, vendo os ombros dele cederem.

Edward não disse mais nada, apenas abriu a porta da cafeteria, fazendo com que nós dois nos encolhêssemos com o frio que nos atingiu por conta da chuva forte. Ele manteve a porta aberta para mim, deixando que eu fosse na frente para guiá-lo até o prédio que eu morava.

Por sorte tinha saído de casa em sapatilhas, ou seria um desastre estar por ai de salto alto. Entrei no meu prédio, três prédios depois da cafeteria à esquerda, já molhada dos pés a cabeça.

— Senhorita Swan, deixe-me ajudá-la!

Louis, o porteiro me ajudou a tirar o casaco no momento que entrei no hall de entrada. Edward estava em uma situação um pouco melhor do que eu, já que seu casaco era mais um sobretudo do que qualquer outra coisa, mas seus lábios estavam vermelhos e tremiam.

— Obrigada, Louis — agradeci. — Sabe me informar se a falta de energia é apenas no bairro? — perguntei enquanto caminhava até a escada, agradecendo por meu apartamento ser no segundo andar.

— Na cidade inteira, senhorita Swan — respondeu, entregando-me o meu casaco muito molhado.

— Claro. — Suspirei. — Vamos, Edward! — indiquei as escadas.

Ele bufou, me seguindo pelos degraus. Fomos em silêncio até o segundo andar, o que só deixou tudo mais estranho ainda. Eu já estava me arrependendo de tê-lo chamado para minha casa, mas não ia bancar a Bruxa Má o deixando dirigir por ai com a amostra grátis de um dilúvio acontecendo.

Peguei as chaves no bolso de trás dos meus jeans, abrindo a porta rapidamente, deixando Edward entrar primeiro. Eu estava terminando de trancar a porta, quando ouvi o miado de Lady.

Dei um pequeno sorriso, virando-me para o interior do apartamento e me agachando para afagar atrás de suas orelhas. Até que percebi Edward com as costas grudadas a parede do corredor de entrada, olhando espantado para ela.

— Oh Deus, você tem alergia? — perguntei, ficando de pé, enquanto Lady serpenteava por minhas pernas.

— Não — murmurou, limpando a garganta, mas ainda olhando aterrorizado para Lady.

— Você tem medo? — indaguei, tentando esconder o sorriso divertido em meu rosto ao notar aquilo.

— Eu não tenho medo. — Seu corpo o traiu quando Lady finalmente o notou e, começou a brincar com os cadarços de seu tênis e, Edward ficou paralisado. — Okay, eu morro de medo, mas isso é perfeitamente normal, certo?

— Por que você tem medo? — Aquilo era divertido, mesmo que eu não devesse estar achando o medo dele algo engraçado.

— Tanya tinha um gato quando éramos crianças, nós viajamos para uma casa de campo uma vez e, acordei com aquele animal tenebroso me encarando no escuro bem ao meu lado na cama. Eu já li O Gato Preto de Poe, o gato era exatamente como aquele. Fofinho, como Tanya chamava aquele ser, nunca perdia a oportunidade de me arranhar. — Levantou a manga de seu casaco, deixando a vista uma cicatriz pequena na parte externa do antebraço direito.

— Lady não irá machucá-lo, prometo. — Não perdi a oportunidade de rir, ganhando uma careta de Edward. — Vamos, não seja um chorão, você era uma criança quando Fofinho tentou matá-lo, acho que saberá se defender de uma pobre gatinha agora.

Edward apenas resmungou algo, olhando para Lady que se distanciava em direção a sala.

— Acho melhor tirar seu casaco — sugeri. — Antes que fique doente — completei rapidamente.

Ele assentiu, abrindo o casaco e, entregando seu livro para mim — que tinha as bordas molhadas — enquanto tirava a roupa molhada. A camisa que ele usava por baixo era branca, uma dos Beatles como a minha, então foi possível ver ela úmida, principalmente por estar se agarrando ao peito dele.

Deus, eu não estava tendo pensamentos seguros com aquele garoto por perto.

Ainda com seu livro em uma das minhas mãos e, meu casaco molhado na outra, imitei Lady e segui até a sala. Estava tudo completamente escuro ali, agradeci Rosalie por ter sugerido lâmpadas de emergência, recarregáveis, para casos de falta de luz, então segui até uma delas na parede, a acendendo.

Depositei o livro de Edward sobre a mesinha de centro, agradecendo por meu apartamento não estar uma bagunça.

— Eu cuido disso. — Peguei o casaco da mão dele. — Acho que tenho algo que você possa usar. — Olhei para seu peito mais uma vez, antes de seguir até a área de serviço e colocar nossos casacos ali.

Fui para meu quarto e, cavei em meu armário atrás do moletom do Mariners — time de baseball — que eu tinha roubado de Mike quando casamos. Obviamente não devia manter aquilo comigo, mas não era algo que estava pronta para me desfazer.

— Aqui.

Retornei a sala, vendo Edward mexendo em algo na minha estante. Aproximei-me dele, o suficiente para ver que ele estava vendo meus retratos em um dos nichos, em sua mão uma foto minha na formatura da faculdade, com meus pais.

— Foi a oradora? — perguntou, depositando o retrato de volta ao lugar.

— Sim. — Ele pegou uma foto que estava com meus sobrinhos.

— Você tem filhos? — inquiriu confuso.

— Ah não. — Neguei. — São meus sobrinhos.

— Claro. — Devolveu aquele ao lugar também, me dando a oportunidade de estender o moletom em sua direção. — É uma fã de baseball?

— Você não? Isso não vai contra o fato de ser americano?

Ele sorriu, pegando o moletom da minha mão, olhando sugestivamente para ele então. Sabia que ele estava se questionando o motivo de eu ter um moletom masculino, mas não era uma resposta que ele devia saber, não era da sua conta.

— Você pode ir se trocar no banheiro, última porta a direita, eu preciso me livrar dessas roupas molhadas também.

Mesmo com a lâmpada de emergência da sala ligada, a escuridão ainda era maior, mesmo assim pude ver os olhos de Edward passeando sobre meu corpo com minha frase. Pigarreei, indicando o corredor, ele assentiu, indo para o banheiro de hospedes, enquanto me trancava em meu quarto.

Tentei ser rápida e, ignorar o fato de ter Edward a algumas portas de distância ficando sem camisa, enquanto eu ficava completamente nua. Aquilo tudo estava passando dos limites.

Tomei um banho quente, então me enfiei em uma nova calça jeans e um moletom de Oxford que me dei de presente. Sequei meu cabelo como pude com a toalha, deixando o ninho de rato que ele se transformou preso em um coque no topo da cabeça.

De volta à sala, o encontrei sentado em um dos sofás, enquanto Lady estava empoleirada no outro, dormindo. Ele a olhava como se ela fosse um ser assustador, o que novamente me fez achar engraçado.

— Você deveria tratar seu trauma com gatos — falei, sentando-me do lado de Lady. — Isso pode se transformar em um transtorno.

— Não, eu apenas preciso ficar longe dessas coisas — reclamou.

O moletom de Mike, azul escuro com detalhes em verde, não se encaixou direito ao corpo de Edward. Ele tinha ombros muito mais largos do que meu ex marido, então a peça de roupa ficou visivelmente apertada nele. E, Edward disse ter 1,85, Mike era 5 centímetros mais baixo.

— Tenho certeza de que Fofinho estava apenas querendo ser seu amigo — provoquei.

— Ele começou isso muito errado, então.

— Você citou Poe, qual seu conto preferido? — Coloquei meus pés sobre a mesinha de centro, vendo que Edward tinha se livrado de seu all star também.

— O Corvo — respondeu, colocando as mãos nos bolsos do moletom. — Ainda que eu tenha de admitir que O Gato Preto é muito bom também.

— King, Poe, ou Sheldon? Qual deles é seu autor preferido? — Edward torceu o nariz para minha pergunta. — Nenhum deles? — Adivinhei a resposta, ele assentiu. — Okay, conte-me qual é.

— Nem pensar, senhorita Swan, não estou pronto para ser massacrado pela pessoa que consegue achar defeito em grandes nomes como Sheldon e C.S Lewis. — Deu um sorriso torto, que fez meu coração perder uma batida.

— Não me deixe curiosa — pedi, tendo certeza que minha voz estava soando mais doce do que eu gostaria. — Conte-me, por favor.

— Você irá rir.

— Eu não vou, prometo.

Edward me encarou por alguns segundos, antes de xingar baixinho e dizer finalmente o nome de seu autor preferido.

— J.K Rowling.

Escancarei a boca, aquilo tinha mesmo me pegado de surpresa.

— Você está tão prestes a rir, senhorita Swan — ele sussurrou e, pude sentir o sorriso crescendo em meus lábios. — Acabe com isso de uma vez, pode rir.

— Não vou rir. — Sorri ainda mais ao falar. — Por que a autora de Harry Potter é sua preferida?

— Não é óbvio? Eu sou uma criança da geração Harry Potter — falou, eu engasguei uma risada.

— Desculpe, desculpe — pedi rapidamente. — Então, você pensava que ia ganhar sua carta?

— Fodidamente que sim. — Vê-lo xingando não era algo que eu devia achar sexy, mas era difícil pensar o contrário. — Eu tinha 9 quando li o primeiro livro, estava realmente empolgado pensando que só dois anos depois ganharia minha carta, foi uma grande decepção quando meu pai cortou minha alegria nas primeiras semanas após ler o livro dizendo que era apenas uma fantasia barata.

Eu ri, já sem me aguentar.

— Vamos, fale mal de J.K, eu aguento.

— Não, tudo bem, eu devo algum crédito a ela. — Controlei minha risada. — Fez muita criança se interessar por leitura, é algo grande.

— Bom, sim, eu era uma delas.

— Foi por Harry Potter que começou a gostar de ler?

— Sim — confirmou. — E você?

— Jane Austen.

— Você lia Jane Austen quando criança? — Apenas dei de ombros. — Isso é loucura! — Foi a vez dele de rir. — Era algum tipo de gênio, ou algo assim?

— Apenas fui influenciada, senhor Potter! — Ele bufou, mas não disse nada. — Minha mãe era uma grande fã, ela amava Mr. Darcy, lia Orgulho e Preconceito para mim constantemente.

— Então, ela deve estar muito feliz em te ver na UW propagando seu amor por Austen e massacrando outros autores, não?

O sorriso em meu rosto morreu ao ouvir aquilo.

— Bella? Tudo bem? — Ouvi Edward perguntar.

— Claro — concordei, engolindo em seco, desviando o olhar para Lady. — É que minha mãe faleceu alguns anos atrás. — Senti as lágrimas em meus olhos, ainda era difícil acreditar que Renée não estava ali, mesmo que nós tivéssemos lutado contra o câncer dela por mais de um ano.

— Sinto muito. — A voz de Edward soou pelo apartamento em um tom suave.

— Tudo bem, eu já devia saber lidar com isso. — Enxuguei meus olhos. — Chorar é estúpido.

— Por que você acha isso?

— Porque ninguém gosta de pessoas que ficam chorando. — Voltei a olhá-lo. — E sofrer não trará minha mãe de volta.

— Mas isso não quer dizer que você tenha de simplesmente ser uma pedra sem sentimentos ao falar sobre sua mãe — falou, um vinco entre suas sobrancelhas. — Você claramente a amava, com toda certeza sente falta dela e, nada disso é errado. Não pode se achar estúpida por chorar ao se lembrar dela, isso é normal.

Eu continuei o encarando, sem saber o que falar depois de suas palavras. Meu pai, Ângela, até mesmo Mike, todos evitavam falar de Renée comigo. Eu não podia medir o sofrimento, mas suspeitava de que tinha sido a que mais sofreu o impacto da morte dela na minha família.

Edward desviou o olhar do meu primeiro, ficando de pé e voltando a bisbilhotar a estante da minha sala.

— Como ela se chamava? — perguntou, pegando novamente em mãos a foto da minha formatura.

— Renée.

— Ela era bonita, você tem o sorriso dela.

Sorri para as costas de Edward, pois eu cresci ouvindo aquilo de todos, o quanto era parecida com Renée e, aquilo sempre me deixava nas nuvens de felicidade.

— Seu pai parece ter saído diretamente de um filme do Velho Oeste! — exclamou. — Sim, eu estava aqui tentando me lembrar o que ele parecia, basta colocar um chapéu na cabeça dele e, será isso.

— Oh Deus! — Gargalhei alto, imaginando Charlie em um cenário do Velho Oeste. — Ele é xerife, não brinque com um homem da lei.

Edward se virou de frente para mim, olhando-me curioso.

— Você cresceu com um xerife? — Assenti. — Isso deve ter sido terrível, você andava atrás na viatura dele?

— Várias vezes — confirmei. — Não foi uma infância ruim de todo modo. — Dei de ombros. — Renée era uma grande mãe, então ela me ajudava a escapar dos olhos afiados de Charlie, isso quando minha irmã mais velha não me dedurava.

— É legal? Ter uma irmã? O mais próximo que tenho disso é Tanya, cresci imaginando como seria ter uma irmã, ou irmão, que pudessem sustentar comigo o peso da pressão dos meus pais.

Percebi ali o quão incomodado ele ficava falando sobre os pais, como na livraria a primeira vez que o vi lá e, Edward pediu que eu não o chamasse de Senhor Cullen por conta de Carlisle. E, sabendo que Carlisle devia ser um homem rígido, imaginei como deve ter sido crescer com ele, algo não muito diferente de crescer com Charlie.

— Nós brigávamos muito durante a adolescência. E, nossa relação não é muito a das melhores ultimamente. Nós vemos o mundo de forma bem diferente — expliquei.

— Bom, acho que isso diminui um pouco a vontade de ter irmãos. — Ele se curvou sobre o encosto do sofá. — Eu posso ver sua biblioteca? Estava tentando ser educado e deixá-la propor isso, mas estou morrendo aqui para ir lá.

— Sim, você pode. — Me levantei do sofá rapidamente.

Eu o conduzi até o quarto que tinha transformado em minha biblioteca, ligando as duas lâmpadas de emergência que tinha ali, deixando o cômodo bem mais iluminado do que a sala. As quatro paredes tinha estantes cheias, eu tinha um sofá de dois lugares e, uma mesa para que pudesse usar a biblioteca de escritório quando trazia trabalho para casa.

— Meu Deus! — Edward exclamou em um tom de adoração, girando em seus pés no centro da biblioteca para ver tudo melhor. — Como você consegue sair de casa tendo esse santuário aqui?

— Não é uma tarefa fácil — admiti, colocando minhas mãos nos bolsos do meu moletom. Sem energia, não tinha como manter os aquecedores ligados, eu estava começando a congelar e, pela janela da biblioteca pude ver que a tempestade estava longe de acabar.

— Eu posso? — Edward apontou para uma das estantes.

— Sim, fique a vontade.

Ele deu um largo sorriso, indo até lá e analisando os títulos.

— Por que você estava me julgando? Você tem até os livros de contos de Harry Potter!

— Eu não disse que detestava — me defendi rindo. — É divertido, eu adoro o Snape.

— Claro, você tem que gostar do professor linha dura, é sua cara.

— Ei, isso não é uma ofensa, Snape era um grande cara. — Ele riu, passando para outra estante. — Você está com fome?

— Não. Uou, você é mesmo fã de Jane Austen — comentou vendo minha coleção.

— Quer beber algo?

— Você tem cerveja?

— Eu não posso te dar cerveja, é contra a lei.

Ele tirou os olhos da estante, me olhando de maneira divertida.

— Não se preocupe, Bella, eu prometo que não contarei aos policiais que minha professora está me dando álcool. — Revirei os olhos.

— Heineken?

— Claro.

Concordei com um aceno de cabeça, indo para a cozinha, o deixando mergulhado em sua diversão de vasculhar meus livros. Peguei uma garrafa de vinho tinto que tinha ganhado de Emmett como presente para o apartamento novo, que eu estava guardando para alguma ocasião especial, mas eu tinha Edward, uma tempestade e frio, precisava de algo para fugir da realidade complicada que estava enfiada.

Servi uma taça para mim, então abri a garrafa da cerveja e voltei para a biblioteca.

— O que? Você é boa demais para cerveja? — ele perguntou vendo minha taça.

— Eu estou com frio — justifiquei. — Preciso ficar quente.

Ele se engasgou com sua cerveja, as bochechas ficando vermelhas.

— Você está bem? — Comecei a bater em suas costas, sentindo por cima do moletom de Mike, a pele de Edward.

— Estou — respondeu recuperando o fôlego.

Eu murmurei qualquer coisa, ainda sentindo o calor da pele dele através do moletom. Edward não disse nada, apenas olhando para mim com seus expressivos olhos verdes, enquanto deslizei minha mão por suas costas.

Estava ao seu lado, um pouco atrás, a cabeça dele inclinada em minha direção. Eu tinha de deter minha mão, mas tocá-lo era tão bom, simplesmente não conseguia parar.

Quando alcancei a borda do moletom, na base de suas costas, foi a vez de Edward murmurar, mas eu pude entender meu nome saindo por seus lábios vermelhos.

— Bella. — A voz dele era rouca, fazendo com que me arrepiasse por completo.

Agarrei um punhado do tecido do moletom, impedindo minha mão de se infiltrar por debaixo da peça de roupa e tocá-lo diretamente como tanto queria. Eu não me afastei, no entanto, permanecendo próxima a ele, abaixando meus olhos para a taça em minha mão livre.

— Bella — ele disse novamente, mas daquela vez tocando em meu rosto com a mão gelada por conta da garrafa de cerveja. Ainda assim, gemi baixinho com o contato, sentindo seus dedos passearem pela maça do meu rosto, como se estivesse querendo decorar cada detalhe da minha pele em seu tato.

Meu coração batia tão rápido, que eu podia jurar que Edward era capaz de ouvi-lo. Eu tirei minha mão dele, sentindo a sua sair do meu rosto automaticamente. Afastei-me dois passos, então vi seu rosto torturado.

O entendi, era difícil demais ficar longe, mas necessário.

Notas finais
NA TRAVE HAHAH Já tô ficando doida com esses dois, vou ali chorar um pouquinho com toda essa tensão hahaha Beijos! Lola Royal. 05.10.16