Dez Anos
13 Capítulo Doze
Notas iniciais
Capítulo Doze
Edward Cullen
Acordei no domingo de tarde com a cabeça latejando, jogado na cama de casal do quarto de hospedes do apartamento de Tanya. Gemi alto, passando as mãos por meu rosto, tentando me despertar um pouco da sensação de merda que estava sentindo.
Não muito depois que cheguei, a luz tinha voltado, então T e eu passamos o resto da noite bebendo qualquer coisa que ela tinha ali, nos afundando em magoa. Ela por Leah, eu por Bella.
Porra, Bella.
Tudo na noite anterior não tinha mesmo sido apenas um sonho? Eu queria que tivesse sido, seria mais fácil, mais simples, seguir minha vida se eu nunca tivesse a tocado, se nunca tivesse a beijado.
Mas, foi real, então ela estaria fixa em minha mente para todo o sempre. Eu tinha estado com ela, então seria impossível esquecê-la, seria impossível parar de pensar nela, quando claramente não poderia tê-la.
— Edward! — Ouvi Tanya gritar, eu resmunguei qualquer coisa para ela, ainda pensando em Bella.
Especificamente na boca dela, então em suas pernas ao redor de mim.
Porra!
Tudo que me faltava era conseguir uma ereção no quarto de hospedes de Tanya, então desviei meus pensamentos para meus pais se beijando, o que rapidamente funcionou. Agradeci mentalmente por eles serem adeptos da droga de demonstração de afeto em público.
Levantei da cama, olhando o moletom estúpido que Bella tinha me emprestado, junto com minha calça e tênis na poltrona ali, já secos.
Deus abençoe Tanya, ela podia ser cruel quando queria, mas ainda era uma boa pessoa.
Me vesti, deixando o quarto.
Ela estava em sua sala, vestida com o que logo percebi serem suas roupas para sair.
— Você está me expulsando?
— Mais ou menos. — Ela me estendeu a garrafinha de água em suas mãos. — Vou almoçar com meus pais, lamento muito. Você pode ficar se quiser, ou vir comigo.
— Não, tudo que não preciso agora é ouvir Caius Martin falando sobre política, ou qualquer merda dessas. — Ela sorriu assentindo.
Abri a garrafinha, tomando um longo gole.
— Edward, o que você vai fazer?
Eu estava prevendo essa pergunta, então apenas continuei olhando para a parede atrás de T, pois não tinha ideia da minha resposta.
— Sei lá. — Dei de ombros. — Ela claramente não vai nem se lembrar disso quando me ver na quinta. Por favor. — Rolei os olhos. — Eu sou aluno dela, a mulher deve ter uma fila de pretendentes muito mais interessantes.
— Só tente não ficar pensando nela, tudo bem?
Tarde demais.
— Realmente preciso ir agora, ou minha mãe ficará contando os minutos do meu atraso. — Pegou sua bolsa sobre o sofá. — Você vai ficar? Podemos comer algumas besteiras e ver televisão mais tarde.
— Não, eu ia gostar, mas tenho um monte de trabalho da faculdade para fazer — falei, seguindo com ela até a porta.
— Vai mesmo ficar bem? — perguntou tensa.
— Vou — menti.
Não, não enquanto eu ainda podia lembrar com exatidão do corpo de Bella contra o meu.
***
Quando entrei no meu apartamento, Jasper e Alice estavam fora do meu campo de visão, mas eu podia ouvi-los no quarto dele, assim como a televisão de Jasper ligada. Agradeci que eles não iriam me encher de perguntas, então tomei um banho, trancando-me no meu quarto logo em seguida, sentando a minha escrivaninha com parte de todo o trabalho que eu já tinha acumulado.
Consegui me concentrar por exatos dez minutos, antes de começar a encarar a página pela metade em branco no editor de textos onde escrevia uma dissertação. Ótimo, tudo que eu precisava era de Bella tirando de mim a única pontinha restante de sanidade em minha mente que era escrever.
Foi quando me toquei de um dos meus erros da noite passada.
Girei em minha cadeira, olhando ao redor do quarto, só para ter a confirmação daquilo. Eu tinha deixado o meu livro na casa dela.
— Merda.
Claro que eu tinha outra cópia em meus arquivos, online ou off-line, mas aquela tinha sido especialmente criticada por ela. Qualquer outro autor nem ia ligar para isso, só que eu já conhecia o suficiente de Isabella para ter certeza de que ela era uma excelente leitora, que sabia do que estava falando em todas as criticas negativas que deixou ali, ou sugestões.
Pensei em ligar para ela, pedindo que me devolvesse o livro na quinta-feira depois da aula, mas só de imaginar ouvir a voz dela eu me senti mal. Então, tentei mandar mensagens.
Edward: Deixei meu livro na sua casa, eu o quero de volta!
Não enviei aquela, parecia grossa demais.
Edward: Senhorita Swan, poderia devolver meu livro?
Apaguei aquela, formal demais, eu tinha a beijado em cima de uma mesa.
Edward: Desculpe por ontem, por não ter falado nada depois de tudo, foi um erro imenso. Sei porque você nos parou, foi bom ter feito isso, não conseguiria me deter sozinho. Estou completamente apaixonado por você, de uma forma que nunca estive por nenhuma outra garota.
Encarei a mensagem, meu dedo a milímetros do botão de enviar.
Suspirei, não podia enviar aquilo. Eu não saberia lidar com a probabilidade gigantesca dela me rejeitando, ou sequer me respondendo.
Apaguei a mensagem, desligando o celular e o jogando no fundo da gaveta da escrivaninha. Ele era uma arma letal nas minhas mãos, não seria seguro mantê-lo perto, iria deixar T confiscá-lo no dia seguinte, como fazíamos desde o colegial nos prevenindo de mensagens que não deveriam ser enviadas.
Salvei o pouco do progresso do trabalho que tinha conseguindo, abrindo o arquivo do meu livro. Apenas Bella tinha o lido, Jazz, T, Nelly, até mesmo meus pais já tinham lido os outros, mas aquele era algo que compartilhei só com ela.
E, ela gostou? Como ela podia gostar? Ela tinha uma parede cheia de clássicos e meu livro amador foi bom aos seus olhos? Como?
Esfreguei meu rosto, querendo voltar para algumas semanas antes no verão quando Isabella Swan, seus óculos de grau, seus saltos altos e sua paixão por literatura não existiam em minha vida.
Voltei a encarar a tela do notebook, digitando apenas três palavras no editor de texto.
Bella e Edward.
Respirei fundo, me dando conta que nós dois nunca estaríamos em uma mesma frase de forma tão intima. Então apaguei, deixando apenas parte daquela equação ali.
Bella.
Morrendo de dor de cabeça, desisti de vez de tentar ser produtivo quanto a faculdade. Coloquei minha seleção de músicas preferidas para tocar no notebook, desliguei as luzes e me joguei na cama, esperando poder dormir em breve, tentando manter minha mente longe de Bella.
Eu estava conseguindo, até Nothing's Gonna Hurt You Baby de Cigarettes After Sex começar a tocar. A maldita música exalava sexo, então eu só pude ter minha cabeça voltando a pensar em Bella.
Imaginei como seria tocá-la sem aquele jeans nos atrapalhando, ou beijar seus seios. A sensação perfeita que era ter sua boca na minha, ou como meu corpo todo reagia simplesmente com o toque de sua mão.
Minhas calças logo ficaram desconfortáveis demais, apressado eu abri o jeans, o tirando junto com a cueca. Eu tinha sido um homem forte por dias, mas a situação se tornou complicada demais de se sustentar.
Toquei em meu pau já duro, remexi na mesinha ao lado da cama, arrancando o lubrificante da gaveta, tão apressado que a deixei cair no chão. Posso ter ouvido Jasper gritar algo do seu quarto, mas foda-se ele e Alice.
Coloquei um pouco na minha mão, a percorrendo por meu comprimento. Pensei em Bella sobre aquela mesa de seu apartamento, como seria tê-la debruçada sobre ela, enquanto eu me encaixava entre suas pernas, deslizando para dentro dela.
Ou, ela caindo de joelhos na minha frente, colocando-me em sua boca pintada de vermelho. Porra, ela sabia tão bem como usar a boca para um simples beijo, eu só podia imaginar sua língua rodeando meu pau.
Eu vim não muito depois, minha respiração ofegante e meu corpo exausto. Imaginando quão melhor seria poder gozar com Bella.
***
Tanya ficou muito grata quando dei a ela a ideia dos celulares, pois na noite anterior ela tinha enviado uma dezena de mensagens para Leah. Então, trocamos nossos celulares, nos impedindo de cometer mais erros.
Estávamos em uma lanchonete do campus, comendo, enquanto eu analisava as mensagens dela para Leah. Ela jogava em meu celular, xingando os zumbis que não conseguia matar.
— Toma essa filho da puta! — gritou, me fazendo rir.
Tanya: Eu sinto sua falta, Leah.
Tanya: Você se lembra de quando fomos ao cinema e ficamos jogando pipoca em um grupo de garotos? Eles pensavam que queríamos transar com eles, nós rimos a noite inteira.
Tanya: Sonhei noite passada com a gente viajando pela América do Sul.
Tanya: Esse ainda é seu plano para depois da universidade?
Tanya: Como está seu irmão? Ele conseguiu entrar no time de basquete?
Tanya: Porra, eu queria tanto você me chupando agora.
Engasguei com minha Coca-Cola, Tanya tinha mesmo motivos para ter seu celular confiscado.
— Puta que pariu, Edward! — Tanya exclamou chocada.
— Eu sei. — Limpei minha boca. — Você não tem vergonha alguma, né garota? — perguntei rindo, virando seu celular para ela, enquanto T virava o meu para mim.
Deixei o celular de Tanya cair sobre a mesa ao ler a mensagem no meu.
Bella: Estou com seu livro, passe em meu escritório para buscá-lo.
— Isso é ela te chamando para transar — Tanya murmurou, dando um sorriso malicioso.
— Isso definitivamente não é ela me chamando para transar — declarei, arrancando meu celular das mãos de Tanya, voltando a comer.
— Não, não, não! — Tanya gritou, fazendo com que um monte de gente na lanchonete olhasse em nossa direção. — Você vai até ela, Edward.
— T, não, eu não posso.
— Uma porra que você não pode. — Ela ficou de pé, me puxando pelas mãos, enfiou minha mochila no meu braço, me empurrando para a porta da lanchonete. — Vá lá pegar sua garota.
— Ela não é minha garota — grunhi.
— Mas ela pode ser. — Tanya parou de me empurrar, segurando meu rosto em suas mãos. — Eu perdi a pessoa por quem sou apaixonada, Edward, não perca a sua, dói demais.
Suspirei, me vendo vencido. Tanya me soltou, deixando com que eu corresse até o escritório de Bella.
Inalei profundamente uma vez antes de entrar no corredor, andando a passos hesitantes até a porta que estava aberta. Lá dentro eu podia ver Bella com um homem loiro, que eu não fazia ideia de quem era, mas que carregava uma cesta idiota de piquenique.
— Não... — Ela estava no meio de uma frase quando bati na porta.
Bella olhou para mim, assim como o homem, enquanto eu tentava entender quem ele era. Mas, a cesta era um grande indicativo de ser alguém intimo a ela, nenhum outro professor andaria com uma dessas por ai, seria ridículo.
— Disse que precisava falar comigo, senhorita Swan? — falei, franzindo a testa. Minha voz tinha soado certa? Nós não poderíamos deixar vazar o fato de que duas noites antes eu estava quase a masturbando por cima de sua mesa. Ou que eu tinha me masturbado pensando nela na noite passada.
— Sim senhor Cullen, eu...
— Cullen? — o homem a interrompeu, parecendo muito empolgado. — Cullen como Esme Cullen? — perguntou para mim.
— É minha mãe — resmunguei, odiando ser reconhecido por ela. — Quem é você?
— Mike Newton. — Ele estendeu a mão para mim, me dando a oportunidade de ver a aliança em seu dedo. — Marido de Bella.
Meus olhos correram para Bella, que parecia raivosa.
Era isso, ela me chamou até ali para ver que tinha a porra de um marido? A droga do moletom que ela me emprestou era dele? Por isso ela se deteve, por que ele podia chegar a qualquer momento? Por que ela se apresentava como Swan?
— Ex-marido! — Bella exclamou, os olhos dela presos em mim também. — Você assinou a papelada a mais de um ano, Mike. — Ela apertou sua nuca, olhando para o loiro com ódio.
Ex-marido.
— Isabella! — ele disse entredentes. — Vamos conversar em particular, por favor?
— Posso voltar outra hora senhorita Swan — falei, mesmo querendo que aquele merdinha saísse dali.
— Não, fique onde está! — Bella exclamou para mim, apontando o dedo e tudo. Okay, isso devia ter me deixado excitado? Porra, ela ia me matar. — Temos que debater sobre seu projeto.
Ela pelo menos era rápida em inventar mentiras.
— Mike, eu vou pedir que vá agora, é o horário do almoço, mas o senhor Cullen está tendo dificuldades com um projeto e tenho de ajudá-lo. Nós conversaremos depois.
Bella caminhou pelo seu escritório, passando por mim para escancarar a porta para seu ex-marido.
— Mande um olá para sua mãe, Edward, ela é uma advogada maravilhosa, uma grande mulher para o direito — Mike disse para mim, largando sua cesta sobre a mesa de Bella.
— Eu mandarei — falei, tentando soar despreocupado.
O que Bella tinha visto naquele homem? Ele parecia tão sem graça.
— Espero que retorne minhas ligações, Bella — falou para ela.
— Espero que você suma com sua aliança — ela murmurou, mas de onde estava fui capaz de ouvir.
Mike saiu, então Bella fechou a porta, virei bem a tempo de vê-la passando a chave. Ela apoiou a cabeça na madeira, respirando fundo.
— Então, o moletom era dele — conclui.
Bella riu, parecendo meio desesperada.
— Isso é tudo que você tem para comentar? — Ela se virou para me olhar, apoiando suas costas na porta.
— Bom, é uma delas. — Passei a mão pelo cabelo, nervoso por estar trancando naquela sala com ela. — Você realmente foi casada com ele?
— Sim. — Acenou positivamente. — Até eu ir para Oxford no último ano, então nos separamos, ele está tentando alguma merda de reaproximação. — Ela soltou o cabelo do coque que usava, seus olhos nunca deixando meu rosto.
Aquilo não era seguro, nem um pouco.
Qual era o lance com o coque afinal? Eu adorava vê-la de coque, mas o seu rosto emoldurado por seus cabelos cor de mogno parecia muito certo.
— Eu trouxe seu livro. — Apontou para sua mesa, sequer ousei desviar o olhar dela, que massacrava seu lábio inferior com os dentes. Fazendo com que eu pensasse em toda a masturbação do dia anterior. Quantas vezes mesmo? — Não trouxe suas roupas, pois ficaria tão estranho. — Fechou os olhos, controlando sua respiração, mas tudo que eu podia ver era seu peito subindo e descendo.
— Eu também não trouxe o moletom de Mike, será que ele vai querer de volta? — provoquei.
Bella me encarou.
— Queime-o, era o que eu devia ter feito antes.
Ela saiu de perto da porta, caminhando até atrás de sua mesa, abrindo a cesta e espiando lá dentro.
— Pelo menos ele trouxe comida. — Pegou meu livro sobre a mesa, estendendo para mim. — Aqui.
— Você não pediu que eu trouxesse comida — falei, pegando o livro.
— Você está com fome?
— Nós sabemos como isso terminou a última vez que sentamos juntos para comer — murmurei.
— Edward, sobre sábado. — Ela endireitou sua postura, mas suas mãos torcendo-se uma na outra indicava que ela não estava tão segura assim. — Foi...
— Um erro? Culpa do vinho? — sugeri.
— Foi verdadeiro? — ela questionou, me pegando de surpresa. — Você realmente queria aquilo?
— O que está insinuando?
— Edward, eu sei como a faculdade pode ser difícil, você podia estar...
— Não, não complete isso! — ordenei, minha voz se elevando, entendo onde ela pretendia chegar. — Você realmente acha que eu seria baixo dessa forma, senhorita Swan? — Eu estava sendo tão sarcástico que ela pareceu se encolher com minha pergunta.
Tirei a mochila do meu ombro, joguei meu livro sobre a cesta, tendo as mãos livres para abrir e revirar minhas coisas, até achar minha pasta onde guardava meus trabalhos corrigidos. Estendi para Bella, querendo que ela visse os do último semestre.
— Edward...
— Olhe! — Voltei a ordenar.
Bella pegou a pasta, abrindo e vendo os trabalhos ali.
— Você por acaso se lembra de quem sou filho, certo? — questionei, enquanto ela continuava olhando tudo lá. — Realmente acha que eu seria menos do que perfeito na merda da faculdade que meu pai é a porra do reitor? E, mesmo que fosse um imbecil burro precisando de créditos extras, não seria necessário foder com minha professora para consegui-los, Carlisle Cullen nunca deixaria o currículo de seu filho ser sujo no local que comanda, ele cuidaria de bajular os professores.
— Edward, me desculpe — Bella pediu, devolvendo a pasta. — Mas você precisa entender que toda essa situação é muito complicada, eu não posso ler sua mente, não tinha muitas alternativas para entender o que estava acontecendo.
— Bom, quer saber a droga dos meus pensamentos? — Atirei a pasta no chão junto com a mochila, plantando minhas mãos na borda da mesa dela. — Eu estou apaixonado por você — falei em bom som para que ela não tivesse problemas em ouvir. Bella engoliu em seco, sentando em sua cadeira.
— Você não deveria estar apaixonado por mim — sussurrou.
— Por acaso você acha que essa situação é confortável para mim? Acha que é divertido saber que eu não posso ter nada com a mulher por quem estou apaixonado por ela ser minha professora? — Senti o nó em minha garganta. — Não estou fazendo um joguinho com você, Isabella, nunca estive. Estou apaixonado, essa é toda sua verdade.
Ela permaneceu em silêncio, encarando a mim. Mas o olhar dela, o que parecia ter um misto de pena e tristeza, era demais para que eu aguentasse, então recolhi minhas coisas, andando até a porta.
— Não, Edward, não — ela pediu baixinho.
Eu a olhei, vendo que ela tinha se levantado. Caminhou até mim em passos hesitantes, suas mãos esticando-se até tocar meu rosto, deslizando até meus cabelos. Ela estava bem mais alta naqueles saltos, então eu podia ter seu rosto mais perto do meu.
— Senhorita Swan...
— Bella — me interrompeu rapidamente. — Nós dois sabemos que isso não vai a lugar algum. — Ela parecia aflita ao dizer aquilo. — Que não podemos deixar isso se tornar uma rotina, mas...Porra — xingou, seus olhos escuros fixos nos meus. — Apenas uma última vez, só mais essa.
Não tive tempo de falar nada, uma vez que no instante seguinte ela tinha seus lábios nos meus. Joguei tudo em minhas mãos no chão, envolvendo seu corpo em meus braços, a puxando para mais perto, sentindo seu corpo unir-se ao meu, enquanto nossas línguas já trabalhavam juntas em um beijo desesperado.
As mãos dela saíram dos meus cabelos, unindo-se as minhas atrás do seu corpo, então ela as colocou na parte frontal de sua blusa, sobre seus seios.
— Eu acho que você não precisa de um convite para me tocar — ela disse em meus lábios, afastando-se por um instante antes de retomar o beijo.
Minhas mãos trabalharam rapidamente nos botões da blusa dela, então pude sentir seus seios escondidos pelo sutiã rendado. Tão, tão perfeita.
Ela gemeu baixinho com o toque, tirando a boca da minha, mas logo seus lábios estavam em meu pescoço. Eu suspirei, por um segundo parando de tocá-la, mas as mãos dela logo estavam sobre as minhas novamente, guiando-as por sua barriga exposta.
— Não — ela disse em meu pescoço, de forma séria, quando tentei abaixar sua saia.
— Bella — resmunguei, mas não tive tempo para reclamações com sua boca voltando a cobrir a minha.
Tornei a abraçá-la, tentando gravar a sensação exata dos nossos corpos juntos, a respiração dela, seu cheiro. Então, Bella sugou meu lábio inferior uma última vez, afagou meu rosto e se afastou.
O rosto dela estava tomado por vermelho, era incrível vê-la corada. Ela voltou a abotoar sua blusa, evitando meu olhar, enquanto eu permanecia imóvel, tentando me recuperar de tudo aquilo.
— Você precisa ir.
Eu pisquei, recobrando minha consciência.
— Espere um pouco, seu rosto está uma bagunça. — Bella caminhou até sua mesa, tirando algo de sua bolsa. Quando ela se aproximou vi o lencinho em sua mão, ela limpou meu rosto, que provavelmente estava sujo de seu batom. — Você realmente precisa ir — ela repetiu quando segurei em sua mão, depositando um beijo no nó de seus dedos.
— Claro. — Bufei, recolhendo novamente tudo que tinha deixado ir ao chão, pude ver meu livro ainda sobre a cesta, mas preferi deixá-lo para trás, daquela vez conscientemente. — Eu a vejo na aula, senhorita Swan — falei, ela tinha os braços cruzados sobre seu peito, estralando os dedos freneticamente. — Ah! — Voltei a me aproximar dela, beijando sua testa, sentindo o cheiro de seus cabelos. — Eu amo morangos.
Eu sorri ao ver seu rosto voltando a corar, então me virei de costas para ela, destrancando a porta e saindo. Ainda desnorteado com tudo aquilo.
Pela mensagem de Tanya em meu celular, ela continuava na lanchonete, então segui de volta até lá.
— Isso foi rápido demais, como acabou? — perguntou quando sentei ao seu lado.
— Não tão bom quanto queria, mas muito melhor do que esperava.
Tanya me olhou confusa.
— Eu acho bom que essa mulher realmente beije bem, pois eu nunca te vi tão perdido por alguém.
Ela estava certa.
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