Dew Street
3 Capítulo 3 - Manic bright-eyed
Notas iniciais
Foram os piores e mais apavorantes momentos da minha vida, ela nos deu um chá que parecia ter algo dentro só por intuição, já que eu estava na casa de uma estranha, muito estranha por sinal. Quando falamos o que queríamos ali na casa ela se sobressaltou, arregalou os olhos e assumiu uma postura diferente, com um sorriso louco.
— Ah, vocês acham tantas coisas sobre nós na internet... Não precisam perguntar nada, ué.
— Mas nós queremos saber se é verdade — Emily deu um passo a frente e eu esperei alguma resposta para poder escrever algo no notbook, já que estava responsável por organizar as ideias para nosso trabalho. Eu conseguia pensar em escrever “medo, medo, vontade de correr, medo”.
A mulher colocou os braços sobre a mesa e apoiou o queixo na mão em forma de concha, tinha uma faca na mão livre, com qual tinha passado geleia nas torradas oferecidas e intocadas. Ela sorria inconformada enquanto nos olhava e quando uns estranhos gemidos tornaram era aproximou a faca de si e deu leves batidinhas da mesa, parando na hora em que um grito foi ouvido e então calado por algo. Eu estava apavorada.
— São loucos — ela disse e levantou-se agora rindo sonoramente— Podem voltar amanhã se quiserem, posso recebe-los nesse mesmo horário... Agora tenho compromissos. Vamos, vamos sair — ela saiu do buraco que chamamos temporariamente de cozinha e nos “esperou” na porta de entrada da casa — Espero vê-los amanhã, queridos — falou abrindo a porta e praticamente me empurrando quando saí, já que era a ultima da “filinha”.
♦♦♦
— Ela é estranha — falei assim que saímos da mansão e eu sabia que ela não escutaria nada.
— Nós vamos voltar — Emily falou virando a esquerda no final da rua, queria que fossemos para a casa de sua avó para comer alguma coisa e para organizar o que faríamos do trabalho em si e como faríamos.
De noite, quando voltei para casa, não fiz nada referente ao trabalho e me ocupei somente com uns filmes que passavam na TV e com as duas pizzas que mamãe comprou para nós duas. Dormi mais ou menos umas 2h da manhã e às 6h40 meu celular já tremia sobre a mesinha de madeira ao lado do sofá-cama em que tinha dormido com mamãe.
— Sim? — falei ao atender ainda sonolenta sem nem ver quem me ligava.
— É a Emily, acorde, nós vamos voltar agora mesmo na mansão, vi a mulher quando fui comprar pão para minha abuela e ela falou que estava aberta à visitas neste horário, me encontre na esquina da Dew Street — a voz da garota era rápida e assim que ela terminou de falar esperou alguns minutos antes de desligar em minha cara.
Nossa.
Levantei-me vagarosamente e fui até meu quarto a procura de uma calça, uma blusa de frio e mais um casaco enorme e fofo para não morrer de frio do lado de fora. Após me vestir deixei um bilhete para mamãe e pegando um sanduíche pronto saí de casa correndo até meu destino.
Não demorei até chegar no lugar, e quando cheguei tive que ficar parada com Enzo enquanto ele falava de todas suas conquistas e coisas para quais eu estava literalmente cochilando em pé. Emily ligava a cada cinco minutos para dizer que estava vindo e acabou que ela foi a última a chegar e nós tivemos que achar o lugar mais quente que por acaso era perto da mansão, fazendo com que ela gritasse conosco descontroladamente durante todo o tempo antes de entrar na mansão.
— Eu falei para esperar na esquina, passei por essa rua umas 3 vezes sem saber onde vocês estavam, sabem por quê? As ruas estão todas iguais — ela esbravejou empurrando sua bolsa para Jennifer e chutando o portão, fazendo com que ele se escancarasse por completo.
— A não ser por essa mansão enorme e estranha aqui, não? — Enzo perguntou rindo e seguiu quem já tinha entrado, levando logo me seguida um tapa de Emily na cabeça.
♦♦♦
— Sentem-se, esperei a manhã inteira por vocês — a mulher estranha da casa falou quando chegamos à parte de trás da mansão, que era um jardim enorme e realmente colorido com mesinhas de vidro espalhadas.
— São 8 horas da manhã e você diz que esperou a manhã inteira? — Gregory perguntou se jogando em uma das cadeiras ali. A mulher desfez o sorriso que tinha no rosto e ergueu as sobrancelhas ao olhar pra ele — Desculpa, juro, ficarei calado — ele falou erguendo os braços na defensiva e desviando o olhar.
— Ótimo, vamos direto ao assunto — Emily pegou um computador da bolsa e colocou sobre a mesa e o abriu — Hm... Como é seu nome mesmo?
— Eu? Sou Veronika Nicolaevich. Ou provavelmente só Nicolaevich, acho que não existe mais ninguém com esse sobrenome além de mim — ela riu e de repente colocou uma faca que tirou de algum lugar abaixo da mesa sobre a mesma — Só isso? Vocês demoram demais pra perguntar, parece que estão tentando entender o que digitam.
— Claro que não. Hm, quantos anos você e essa casa têm? — Isaac se manifestou.
— Pelo amor de Deus, eu tenho 34. E a casa provavelmente 138... Não acredito que o trabalho de vocês envolva algo sobre isso.
— Na verdade temos perguntas sobre as coisas que dizem sobre você manter pessoas aqui prisioneiras. E sobre eu poder tirar umas fotos suas — Isaac falou depois de Gregory falar algo no ouvido dele. De onde aquele garoto tinha tirado aquilo?
A pergunta fez com que Veronika, que estava malucamente brincando com a faca, cortando seus dedos com a ponta da faca e rindo, levantasse a cabeça irritada e batesse sobre a mesa e apontasse a faca para ele. Ninguém conseguiu falar nada nem se mover.
— Vamos com calma amiguinho, essas perguntas tem um preço — ela abaixou a faca rindo — Estou brincando, seu bobinho — ela falou passando o indicador no nariz de Isaac, deixando sangue no nariz dele, e assim que ela se afastou e sentou ouvimos um rangido no andar de cima e uma menina apareceu sem sutiã na janela e olhou para Veronika e gritou “ Você, sua vadia, Veronika Vadia” — Cale a boca! Ignorem eles, são todos loucos — ela falou e certeiramente acertou a faca na janela assim que a mesma foi fechada.
— Eu vou embora — Enzo falou e antes que alguém o segurasse ele saiu pela casa e ouvimos depois um barulho do portão.
— Que coisa hein!
— O que você falou sobre preço? — Jennifer perguntou tamborilando os dedos na mesa — Quero saber, fala — ela era mesmo louca.
Virei-me para Emily e sussurrei para ela “ Ela é louca”. Emily riu e sussurrou de volta “Isso vai ajudar com o trabalho, como vamos falar de uma louca se não sabemos se ela é louca mesmo?”.
— Vou explicar, esperem um segundo, não vão embora — ela falou levantando-se e indo para dentro da casa atrás de algo.
— Isso confirma que ela é uma psicopata, ela disse que tem um preço por pergunta e eu sei que não é dinheiro — Jennifer falou entregando uma folha pra Emily. Esperamos um pouco e logo Veronika apareceu
— Vamos lá queridas, quantas perguntas são? — ela levantou o olhar de algo que parecia um documento. Ela tinha um protocolo de preços pra perguntas?
— Não temos planejadas, fazemos aleatórias de acordo com o assunto que tocamos ou o interesse de algum de nós — falei sincera, não sabia como aquilo iria nós prejudicar.
— Hm, que audácia hein — ela disse sorrindo e virou algumas páginas — Aqui, achei, olha só. Um pagamento para cada pergunta. Vocês imaginam qual é o pagamento?
— Não, não mesmo, não vou fazer nada pra você — Gregory falou indignado e Veronika olhou séria para ele — Vou, tá ok.
Ela empurrou o papel para mim e levantou-se andando pelo jardim. E aquilo me assustou demais, ela queria nos torturar.
Meu Deus.
— Não mesmo, você é louca? — Emily gritou, e Veronika respondeu ao longe que sim — Nós não vamos mais fazer nada aqui, vamos procurar outra coisa.
— Não, vão ficar aqui, fazer as perguntas.
— E se eu não quiser? — Isaac levantou e foi atrás dela junto a mim, precisávamos resolver isso.
— Ah meu amor, se você quer ou não, não me importa mais, eu quero que você faça as perguntas, ou se não fizer eu vou usar vocês — ela agarrou meu rosto e senti algo pontudo espeta-lo e vi os olhos dela brilharem e ficarem vermelhos, então ela me jogou no chão e saiu andando.
— Vamos, corre, vamos.
Nós corremos dali loucamente. Eu estava realmente com medo.
Fale com o autor