Dew Street
2 Capítulo 2 - Mansion down the street
Notas iniciais
Proporcional à cidade, as bibliotecas de Vans. Denesme, que vamos tratar como Denesme porque esse nome é muito grande, eram pequenas e a maior estava na Universidade onde ninguém, a não ser os alunos, se arriscava a entrar. A que tínhamos combinado de nos encontrar não era diferente, então para mim não foi difícil achar o grupo ali. Estavam todos reunidos em um canto com livros e mais livros.
— Oi gente, eu trouxe meu computador — sussurrei ao sentar-me com eles.
O grupo era basicamente formado por mim, Emily, Gregory, Jennifer e Isaac, que eram pessoas que assim como eu não estavam nem no base nem no topo da pirâmide social, mas formávamos ainda sim uma “equipezinha” estranha. Principalmente por Jennifer ser minha melhor amiga e estar temporariamente brigada comigo, e estar sempre me olhando com cara de assassina.
— Ótimo, aquela louca ali não queria deixar a gente usar os daqui — falou uma terceira voz masculina que eu não sabia de quem era — E talvez com internet a gente ache algo que sirva porquê nesses livros o que você menos achar são coisas interessantes e que previsivelmente alguém já pegou — continuou o garoto que eu percebi ser Enzo, um garoto “popular”. Ergui minhas sobrancelhas visivelmente fazendo todos rirem abafadamente.
— O que alguém não faz por uma nota, né? — Emily zombou e puxou meu notbook sem minha permissão e o abriu — Vamos logo, continuem procurando algo nos livros — ela ordenou e voltou ao notbook.
Aquilo era uma líder.
Estava procurando e rindo de algumas histórias no livro tradicional da cidade com Isaac quando ele fixou o olhar em uma palavra e colocou o dedo sobre ela, provavelmente querendo que eu olhasse.
— Olha aqui — ele falou e eu obedeci, procurando a palavra. Ela estava destacada e em letras maiúsculas.
NICOLAEVICH
Família acusada de atrocidades no começo da cidade, vinculados à bruxaria e tortura. Atualmente existem poucos herdeiros da família na cidade, alguns mudaram de nome para que o “peso” do sobrenome não os afetassem.
Mordi meu lábio inferior e reli o sobrenome, tinha certeza de que conhecia de algum lugar. Tudo bem que já era algo a família ser ligada a coisas macabras, já era uma ajuda para nosso trabalho, mas eu tinha certeza de que conhecia o nome de algum lugar, além de que era uma família que estava na lista das mais importantes da cidade. Mas eles não poderiam dar mais alguns detalhes?
— Eles são a causa de muitas lendas aqui, estão desde o começo da cidade, e antes mesmo quando não existia nada aqui já eram conhecidos por todos que viviam por perto — Jennifer, sem olhar para mim. Ignorei o fato que a infantilidade dela me matava por dentro e ela fazia aquilo para provocar. Virei meu rosto e voltei a pensar no nome, até que o esforço valeu a pena e eu lembrei.
— Claro! A mansão da Rua do Orvalho era deles, não? — perguntei um tanto animada, mesmo que aquela mansão me desse arrepios e animação não cabia como sentimento sobre ela vindo de mim.
— Sim, e nós vamos lá — Emily baixou a tela do notbook e empurrou para mim. Captei a mensagem e o guardei, levantando juntamente a todos e saímos da biblioteca.
A Dew Street era uma rua sem saída, e a mansão que preenchia o que seria a saída era a dos Nicoalevich, classicamente como todas as casas de filme de terror, que provavelmente tinha sido armada para parecer mais ainda já que era um local onde morava uma família, segundo as lendas, bem macabra. O portão eram grades antigas e cinzentas, o “jardim” que cercava a mansão era formado de árvores mortas e de coloridas haviam somente umas flores em ramos que se enroscavam nos canos estragados de onde saiam as mais estranhas criaturas. A casa era estilo vitoriano e estava com a pintura descascada, quase inteiramente destruída e poderia ser abrigo somente para alguém que era realmente desesperado por uma moradia.
— Ótimo, nós vamos mesmo entrar ai? — Greg falou pausadamente, tínhamos obrigado ele a carregar todas as bolsas já que ele não tinha nenhuma utilidade até agora, parecendo mais que cansado.
— Vamos sim — falei me aproximando do portão e o empurrando de leve, o toque no portão me causou arrepios — Esse lugar deve ser mais que fedorento por dentro.
Antes de entrar, esperamos Isaac tirar algumas fotos de sua câmera e então entramos todos juntos, um atrás do outro, subindo a escadinha da entrada cuidadosamente para não quebra-la e cair ali, onde tudo parecia querer lhe passar doenças terminais. Tudo parecia mais que tranquilo ali dentro, nada que pudesse nos ajudar, até o momento que já estávamos no centro da casa e Jennifer deu a ideia de nos separarmos para ver o que poderíamos achar ali e eu lembrar das histórias que ouvia desde criança sobre o que acontecia ali.
— Vamos ficar juntos, e se for para explorar vamos juntos — falei tensa, vendo que a maioria deles concordavam comigo.
— Não é possível que haja alguém em sã consciência aqui — Enzo ironizou. É lógico que não, nós estávamos ali — Muito menos alguém que venha me enfrentar — ele deu um sorriso e mostrou o máximo que podia seus músculos, baixando os braços ao perceber que nenhuma das meninas ali se importava.
Ouvimos um barulho de algo caindo e gemido de longe quando sem explicação nenhuma uma mulher vestindo um vestido preto curto colado ao corpo apareceu no primeiro degrau da escada de cima para baixo, seus olhos eram assustadoramente verdes e penetrantes, ela parecia estar mais que feliz, com um sorriso largo e bonito no rosto.
— Quem são vocês? — perguntou descendo as escadas sem fazer barulho, mesmo que elas fossem de madeira e ela usasse saltos finos. Quem usava aquele tipo de roupa em “casa”? É lógico que eu não continuei com aqueles pensamentos bobos, eu estava totalmente paralisada e tinha que justificar aquilo, então precisava pensar em uma desculpa.
— Ahn... Somos do... do SHS... Estamos... — Isaac tentou justificar segurando nervosamente no braço de Greg.
— É brincadeira! — a mulher deu uma risada estrondosa e se aproximou de nós, ela parecia se achar muito engraçada e assim que parou em nossa frente nos olhou profunda e maniacamente dizendo — Vocês são bonitinhos, vamos para a cozinha — falou passando por nós até uma abertura na parede que dava em uma cozinha delicada e muito arrumadinha para uma casa naquele estilo e uma mulher como aquela — Sentem-se, vamos conversar.
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