Devotion

2 Mudando a Percepção


Notas iniciais
Finalmente outro capítulo! Prometo postar o próximo logo. Boa leitura ^^ Obs: Critiquem à vontade, estou sempre buscando melhorar

Depois de quase 1 hora de viagem, o táxi automático estaciona em frente uma enorme mansão. North, que estava distraída com as paisagens na janela, se deu conta de onde estava.

— Essa é a... casa do Carl? — perguntou, tentando se lembrar.

North tinha poucos resquícios das memórias de Markus. Fazia um bom tempo que não partilhavam suas memórias sobre o passado.

— Sim. — respondeu Markus saindo do veículo — Você precisa conhecê-lo pessoalmente.

— Markus, eu não sei se é uma boa ideia. — North aparentava estar nervosa — E se ele não gostar de mim?

— Por que não gostaria? — questionou, indo em direção à entrada da casa — Carl esteve à frente do seu tempo quando acreditou na divergência, antes mesmo dela existir 'oficialmente'. Eu diria que isto sempre o deixou fascinado. Fique tranquila, ele vai gostar de você.

— Tá bem... — suspirou North — Vamos logo com isso.

Ao se aproximar da porta de entrada, a mesma se abriu, emitindo "Bem vindo de volta, Markus". Os dois androides entraram na residência.

Um AP700 aparece prontanente descendo as escadas para cumprimentá-los:

— Olá Markus, veio visitar o Carl?

— Sim. Como ele está?

— Está melhor do que da última vez. Com licença, vou buscá-lo. Por favor, acomodem-se na sala de estar. — O androide subiu as escadas novamente.

North admirou-se, analisando o ambiente refinado em sua volta, enquanto seguia Markus para a sala:
— Bela casa.

Markus explorava o cômodo, reparando em todos os objetos que remetiam ao passado:
— Parece que faz tanto tempo que eu deixei de viver aqui... — murmurou.

Muitas coisas mudaram na vida de Markus desde que ele deixou de viver com Carl, mas o seu antigo lar continuava o mesmo,. O estúdio de arte, cada quadro permanecia em seu lugar, invlusive a pintura de Markus, que ainda estava no cavalete.

— Belas pinturas. — North olhava quadros no estúdio. — Essa é a minha favorita. — sorriu e apontou para o quadro no cavalete.

Dois pares de mãos, um manchado de vermelho e outro de azul, simbolizando o sangue humano e androide. Era a obra que Markus havia pintado, quando Carl o ensinou a ver o mundo com outros olhos.

"Feche os olhos. Confie em mim.
Tente imaginar algo que não existe, algo que você nunca viu antes.
Agora concentre-se em como isto te faz sentir, e deixe sua mão deslizar sobre a tela."

Talvez tenha sido neste dia que Markus se tornou um divergente, e foi graças ao Carl.

Enquanto isso, Markus encarava o piano, que parecia intacto desde a última vez em que o executou. Sentou-se na banqueta e começou a sentir as teclas com as pontas dos dedos.

— Você toca? — perguntou North.

Markus assentiu com a cabeça e começou a tocar.

Aquela música... Era a mesma que tocara da última vez. Com os olhos fechados, lembrou-se. Sua mente foi transportada para aquele exato momento de sua vida, quando não haviam preocupações, a não ser obedecer ordens (sem ao menos questionar), quando a sua programação era o seu limite. Se antes não havia sentimento algum em sua execução, agora, cada nota esboçava suas emoções.

North assistia-o atentamente, apreciando a bela melodia.

— Há tempos que não ouço uma bela música! — disse Carl adentrando o cômodo juntamente com o AP700. — Markus!

Ao ouvir a voz de Carl, imediatamente, Markus interrompeu seus devaneios.

— Pai! — Markus foi de encontro ao velho, abraçando-o — Que saudades!

— Você demorou para voltar. Achei que tinha esquecido de mim.

— Não... Nem se eu tentasse. — disse com um enorme sorriso — Teria vindo antes se eu não tivesse que liderar a causa androide.

— Eu entendo. Você é importante demais agora para visitar seu velho. — brincou — Quem diria que o meu Markus seria um líder um dia...

— Ta aí algo que eu nunca poderia imaginar. — respondeu pensativo — Carl, eu quero que conheça North. — falou Markus, olhando para a garota que até agora havia passado despercebida.

North, que estava apenas observando a cena, foi até Carl:

— É um prazer conhecê-lo. — North estendeu a mão para cumprimentá-lo.

Carl olhou a androide de cima a baixo:
— O prazer é meu. — disse, apertando sua mão — Eu acho que já vi você antes... Ah sim! Você estava com Markus na manifestação!

— Sim, eu estava. Somos como uma equipe.

Carl virou-se para Markus e perguntou com um sorriso malicioso:

— Vocês dois estão juntos?

Os dois androides sobressaltaram-se:
— Sim. — disseram simultaneamente. Quando perceberam, entreolharam-se rindo.

— Muito bem. — Carl divertiu-se com a situação.

— Como esteve, Carl? — Markus mudou de assunto.

— Estive muito bem. Exceto pelo nervosismo que passei acompanhando os detalhes da manifestação na TV. Não imagina o quanto fiquei apreensivo quando o vi à frente dos androides. — Carl olhava para Markus, sentado ao seu lado. — Apreensivo mas também orgulhoso. Você foi muito corajoso. — falou colocando a mão sobre seu ombro. — Todos vocês foram. — Carl olhou para North.

— Obrigado Carl, mas não sou tão corajoso. Confesso que senti medo o tempo todo.

— Nós todos sentimos. — acrescentou North.

— Sentiram medo, mas mesmo assim não recuaram. Isso que é ter coragem. — afirmou Carl, abrindo uma garrafa de whisky. — Estão servidos?

Os androides recusaram por motivos óbvios.

— Vocês encararam a morte para salvar o seu povo. São heróis. — disse o AP700, que ouvia toda a conversa.

Carl olhou para o androide AP700 e, em seguida, virou-se para Markus:

— Espero que não fique com ciúmes do Matthew, meu novo cuidador.

Markus riu:
— Não, você precisa de uma nova companhia. Eu terei muito trabalho em New Jericho. Mas prometo que irei continuar te visitando.

— Sim, sim. Venha, e traga sua namorada. — respondeu Carl. — A propósito, como conheceu Markus? — perguntou à North.

— É uma longa história... — disse North, ainda tímida.

— Eu tenho bastante tempo. — retrucou o velho.

North preparou-se para contar toda a história:
— Bem... Markus literalmente caiu em Jericho, um esconderijo para divergentes. Como ele chegou lá eu não sei, mas se não fosse por ele, estariamos até hoje nos escondendo.

— Nessa vida, sempre haverá males que vêm para o bem. Quando os policiais levaram Markus, eu cheguei a acreditar mesmo que seria o fim, que eu havia perdido meus dois filhos. — Carl estava emotivo. — North, você acredita em destino?

— Se a chegada de Markus em Jericho não foi o destino, eu não sei o que poderia ser. — North sorriu rapidamente para seu parceiro, pouco antes de desviar o olhar.

A conversa continuou pela tarde toda. Markus alegrava-se ao ver North simpatizando-se com Carl. Estava contente por ter apresentado à ela uma amizade humana. Mesmo sem perceber, ela aprendia que os humanos também poderiam ser aliados.

Como a hora já era avançada, os androides já estavam de saída. North despediu-se de Carl com um abraço inesperado deste. Ela se surpreendeu com a demonstração de carinho que nunca antes recebera desta outra espécie.
Markus beijou carinhosamente o rosto do velho que tanto amava, declarando que mal podia esperar para vê-lo novamente.

Carl puxou Markus para perto de si para
sussurrar-lhe algo no ouvido:
— Filho, você merece ser feliz. Case-se logo com ela.

— Pai! — Markus advertiu seu pai, depois de instantaneamente ter corado com o comentário.

Carl divertiu-se com a reação do androide, mal sabia que era possível que corassem.
Enfim terminou de despedir-se e voltou para dentro de casa satisfeito.

~

De volta a New Jericho, Markus e North seguiram rumos diferentes. Os dois não haviam se conversado, muito provavelmente devido à quietude da androide. Ela nunca esteve tão pensativa...

Markus, como era de seu hábito, foi ao terraço refletir sobre todos os acontecimentos do dia. Sem dúvidas, foi um dia em tanto. A aproximação entre humanos e androides parecia estar cada vez mais perto de acontecer, a começar com a aprovação de algumas leis em prol dos androides e, pela primeira vez, North relacionava-se amigavelmente com um humano.

Tudo estava indo muito bem. Markus finalmente pode relembrar-se de como a tranquilidade é prazerosa (depois de tanto tempo sofrendo de ansiedade e apreensão, havia se esquecido de como era).

Mirando as luzes da cidade, pensava: "Carl tem razão, eu mereço ser feliz".

~No dia seguinte~

North finalmente despertou. Olhou o despertador que marcava meio dia e levantou-se. Foi até a sala de reuniões para ver seus amigos e encontrou Simon e Josh conversando entre risadas. O encontro de ontem com Carl ainda não saira de sua cabeça, e ela queria falar sobre isso com alguém.

— Bom dia, North. — cumprimentou Simon — Finalmente resolveu aparecer.

Josh ignorou-a. Estava ainda ressentido por ontem.

— Bom dia, meninos. — respondeu — Eu estive bem ocupada ontem, conhecendo o antigo dono de Markus.

— E não o violentou? — Josh murmurou para si mesmo.

North revirou os olhos ao ouvir o comentário:
— Olha, Josh, eu sei que eu até agora fui bem intolerante com os humanos, mas estou mudando minha percepção. Só... me desculpem por ontem, ta bem?

Simon e Josh entreolharam-se:
— Tudo bem, North. Nós entendemos. — Josh cedeu desculpas.

— Algum de vocês viu o Markus?

— Não. Desde a manhã de ontem que não o vejo. — Simon desanimou-se . — Ele poderia ter nos chamado para visitar Carl também, afinal, também somos seus amigos. — falou baixinho.

A ruiva saiu de cena para ir atrás de Markus, ela tinha muitas coisas a dizer. Andou muito pensativa ontem e queria expor seus sentimentos para o único com quem ela se abria.
Foi até seu quarto e bateu na porta duas vezes, sem obter uma resposta. "Deve estar 'dormido' ", pensou. Ela, então, decidiu entrar, mas encontrou somente lençóis desarrumados na cama. "Ah, mas é claro, ele deve estar no terraço. Como sempre..." Mal terminou de concluir seu pensamento e a porta do banheiro da suíte se abriu. Ela encontrou quem procurava, mas numa situação que não esperava.

— North? — disse surpreso.

— Markus! Eu... eu não sabia que estava aqui. Desculpe. — Era difícil falar olhando o moreno só de toalha. — Eu volto depois.

— É alguma coisa importante? — Pensou que devia ser alguma urgência, já que a garota 'invadiu' seu quarto.

— Sim... — North voltou-se para Markus, mirando seu corpo semi nu, quase irresistível. — Quer dizer, não! — Saiu rapidamente do quarto, antes que se atrapalha-se mais. "Caramba! Eu sou uma estúpida mesmo."

~

Um tempo depois, Markus foi atrás de North, encontrando-a no terraço. Ela estava distraída, apenas olhando para o horizonte. O androide então, decidiu surpreendê-la, se aproximando sorrateiramente e roubando-lhe um beijo na bochecha.

— Markus! — exclamou North rindo.

Markus sorriu e sentou-se ao seu lado:
— E então, o que queria me falar?

~Continua~

Notas finais
( ͡° ͜ʖ ͡°)