Devoção Doentia

2 CAPÍTULO II - Desesperança


Notas iniciais
Heey gente como estão, hoje temos mais um capítulo de Devoção Doentia, como vão poder perceber o ponto de vista muda nesse capítulo e ira permanecer assim. Espero que gostem, conheçam agora o ponto de vista da nossa vitima. Boa leitura!

A noite viera e se fora rapidamente, não levando consigo a morbidez de todo o dia anterior, meu estomago protestou, enquanto o quarto escuro ainda permanecia silencioso, o cheiro de mofo irritava minhas narinas, permanecia de olhos cerrados, cada manha que eu acordava naquele lugar era como um sopro gélido de realidade.

Era como se o destino risse da minha cara a cada dia que se passava, era irreal saber que a possibilidade de sair daquele lugar era mínima, ele nunca me deixaria partir, e eu não entendia como ainda não haviam me encontrado.

Ouvi o baque surdo de uma porta a ser fechada, ele sairá mais uma vez, acontecia geralmente quando a situação implorava, ele enchia os armários de latas de comida e a geladeira de bebidas baratas. Eu passara a noite inquieta ouvindo aquele maldito radio que ele não cansava de ligar todo fim de tarde na sala, somente á noite era o único momento em que eu podia não vê-lo, e me permitir chorar sem ser punida por isso.

Sentei-me sobre o colchão imundo, sentindo meu corpo protestar a ausência de uma noite não dormida, olhei em volta, a claridade era precária, pois a janela daquele cômodo era completamente suja, ele deixara mais um vestido pendurado perto do espelho rachado, desde vez o tecido era de um branco puro, eu sem opção alguma o vesti, sentindo-me uma boneca.

Abri a porta do quarto e olhei em volta, desta vez ele por alguma razão a deixara aberta, e o jornal da noite passada ainda estava jogado sobre a mesa ao lado dos pratos sujos do jantar. Respirei fundo e me dirigi até a mesa, abrindo com certa rapidez o jornal a procura da noticia sobre meu desaparecimento.

Ainda choramos o desaparecimento da jovem Sienna.”

Estampado logo na segunda pagina estava um foto minha, sorridente, algo que há muito eu já não sabia como fazer, a noticia falava o padrão de todos os desaparecimentos, o caso ainda estava sendo investigado, a família ainda tinha esperanças, e a cidade unia rezas em meu nome.

Só que eu já não possuía mais esperança.

Sentei na cadeira, sentindo meus olhos já inchados marejarem mais uma vez, tudo ali escrito era uma mentira, esperança era uma palavra falsa e eu só queria que meus pais parassem de tentar e sofrer. Talvez se eu estivesse morta a dor curasse mais rápido.

Ouvi o barulho de chaves a serem balançadas e me sobressaltei, levantando rapidamente, fiquei em frente à porta do quarto, observando ele entrar carregando algumas sacolas, minha respiração era entrecortada e eu tentei ao máximo não deixar isso aparente.

— Este ficou lindo em você— disse ele, sorrindo ao por os olhos em mim, eu baixei meu olhar enquanto ele se encaminhava ao balcão com as compras, ele cruzou os braços parado a alguns passos da mesa, me fitando sorridente, engoli em seco.

Os segundos seguintes foram silenciosos e tensos, e quando seu olhar parou sobre a mesa eu notei meu erro, o jornal estava aberto exatamente na noticia, e me senti uma completa idiota naquele momento.

— Você não aprende, não é?— Ele se irritou, veio a mim pisando firme, como um touro raivoso.— Eu alimento você, a visto e lhe dou segurança em troca de desobediência? Sienna, você não pertence mais a eles...

Encolhi-me entre a porta e ele, sentindo o pavor correr por todo o meu corpo, meu peito se apertou quando uma de suas mãos voou em meu pescoço, pressionando-o com força. Ele me empurrou para dentro do quarto ainda segurando-me pelo pescoço, eu agarrei em suas mãos, na falha tentativa de me soltar, seu olhar expressava fúria e uma raiva enorme.

Ele teve a intenção de jogar-me sobre o colchão, mas pareceu repensar, eu já sabia o que viria em seguida, dor e humilhação, coisas corriqueiras num dia normal da minha vida, se é que aquilo podia ser chamado assim.

— Eu não aguento mais...— Deixei escapar em um sussurro, enquanto deixei meus olhos se fecharem, o aperto de sua mão em meu pescoço sessara, mas ele não a retirara de lá, respirei fundo, esperando a dor que não veio.

Ele num movimento lento levou a mão até meu queixo e me fez fita-lo nos olhos, ele ainda tinha raiva, mas parecia relutante em usa-la, as lágrimas tão conhecidas já corriam soltas em meu rosto, ele então me envolveu em um abraço, surpreendida eu não reagi, apenas continuei a chorar.

Os segundos se passaram e permanecemos ali, e eu não conseguia organizar os sentimentos, eu tinha medo que ele voltasse a enlouquecer e a punição fosse maior daquela vez. Ele então me afastou, olhando fundo em meus olhos envolveu meu rosto em suas mãos.

— Com o tempo as condições vão melhorar.— Sua voz saiu calma, ele acariciou meus cabelos e sorriu, eu não conseguia entender aquele homem, ele tinha extremos tão diferentes, vezes gentil vezes um monstro, e isso fazia com que eu me sentisse confusa, não sabia quando podia ser um pouco de mim mesma, ou quando deveria teme-lo por completo.

Ele então pôs suas mãos em minha cintura e me empurrou levemente, meu corpo protestou, mas ele era muito mais forte do que eu, e senti logo em seguida o colchão a tocar minha pele, fechei os olhos esperando o pior, que o vestido fosse retirado do meu corpo, que suas mãos deslizassem para dentro de mim ou que seus punhos me acertassem o estomago.

Mas isso não ocorreu, ele jogou o corpo ao lado do meu e senti meu corpo enrijecer por completo, a colônia barata que ele costumava usar impregnou o quarto misturando-se ao cheiro de mofo. O tempo pareceu parar, e eu apenas sentia seu corpo ao meu lado, nossas respirações eram calmas, e então me permiti abrir os olhos.

Ele parecia um ser completamente diferente do lunático do dia anterior, os olhos fechados e as feições calmas, agarrei o lençol embaixo de mim, ainda encarando a face inexpressiva dele, a barba estava rala começando a fazê-lo parecer um homem descuidado.

No segundo seguinte, seus olhos castanhos se abriram e me encararam. Eu, por alguma razão desconhecida não conseguia desviar meus olhos dos dele, minha respiração pesou quando ele sorriu levemente de canto ao tocar meu braço. Logo em seguida deslizou seus dedos em minha pele, fazendo com que uma onda de arrepios percorresse meu corpo, sua mão então acariciou meu rosto.

— Tão perfeita, Sienna...— proferiu as palavras num sussurro e virou o corpo de bruços, ficando de frente para mim, eu permanecia inerte, ainda olhando-o nos olhos, sentido sua mão que não abandonava minha face.

— Não me machuque, por favor!— Pedi em clemencia, conseguindo agora desviar de seus olhos, senti sua mão a deslizar novamente ao meu braço, ele então entrelaçou os dedos aos meus, enquanto se erguia, ficando de joelhos no colchão, agora me analisando de cima, com um olhar malicioso.

— Não a machucarei, meu anjo, eu só peço a sua obediência, só isso.— Engoli em seco, sabendo o que viria em seguir, ele se lançaria dentro de mim, me faria sangrar novamente, me pediria desculpas com lagrimas nos olhos, apenas para refazer tudo novamente...

Enquanto ele voltava a acariciar meu corpo, agora de uma maneira diferente eu apenas encarei o teto, contando mentalmente o buracos que ali haviam, imaginando o que estaria fazendo em minha antiga vida, caso eu não fosse a obsessão de um doente como ele.

Era uma quarta feira, e eu com certeza estaria voltando para casa, rindo das piadas sem graça, do meu pequeno, mas feliz grupo de amigos, o almoço estaria na mesa, meu telefone tocaria mais tarde, com algum convite para sair, quarta era o meu dia de descanso, agora, quarta se tornaria apenas mais um dia de dor...

— Eu quero que tire seu vestido, Sienna.— ele ordenou, fazendo-me olhar para seu rosto com um quê em meus olhos, pedidos, ordens, isso geralmente não era seu feitio. Demorei certo tempo para obedecer, mas pude sentir meu rosto arder em vergonha.

Desci as duas alças do vestido arqueando as costas para puxa-lo para baixo quando ele fez um movimento com as mãos, para que eu parasse ali mesmo, e assim o fiz, sentindo-me como um mero nada, e completamente estupida, ele então fez o resto, descendo o vestido até meus tornozelos, e logo após o jogando ao chão.

Ficar nua sobre o olhar dele me causava uma sensação de angustia, um aperto inexplicável no peito, me fez querer que ele acabasse logo com aquilo, ou que me batesse e fosse embora, que me deixasse sobre o colchão, chorando, mas ao menos sozinha.

Ele passou as duas mãos em meu corpo, indo de meus ombros até minhas coxas e voltando, eu não me permiti fechar os olhos, não daquela vez, apenas o encarei, perguntando-me quando e, se algum dia aquilo teria fim, ou por quanto tempo um ser humano consegue ser usado como objeto de prazer de um maníaco psicopata sem se entregar a morte.

Ele inclinou o corpo sobre o meu ficando com o rosto a centímetros de minha face, o seu hálito cheirava a cigarro e a cerveja barata que costumava comprar, eu teria recuado, mas estava completamente afundada no colchão. Com uma das mãos em meu rosto ele forçou meu rosto para o lado tirando meus cabelos e deixando meu pescoço desnudo, e afundou o rosto ali, tragando longamente meu cheiro, sua respiração quente me arrepiou e o beijo molhado que ele depositou ali me fez querer soca-lo.

Eu não era capaz de aguentar mais um dia daquela tortura, meus braços e pernas ainda doíam, os hematomas mal puderam se arroxear e lá estava ele, pronto para causar novos e piorar os já existentes.

— Preciso que abra o zíper da minha calça, minha menina, suas mãos estão mais livres que as minhas.— sussurrou ele em meu ouvido com a voz rouca, arregalei os olhos no mesmo instante, pronta para protestar, quando ele elevou a cabeça focando em meus olhos com um olhar severo.

Respirei muito profundamente, tomando ciência de que talvez aquilo fosse melhor do que um belo soco em minha face, então obedeci, meio tremula encaminhei minhas mãos a sua cintura, levantando sua camiseta negra e tocando no zíper de sua jeans, ele não tirava os olhos dos meus e isso me fez querer gritar, a vergonha e a humilhação estavam indo a outro nível.

Terminando, ele sorriu, se encarregando de fazer o resto, eu queria olha-lo e pedir para que acabasse logo com aquilo, desde quando ele usava a calma para me violentar? Desde quando ele não sentia prazer em me ouvir gritar de dor e implorar para que me matasse?

Uma de suas mãos acariciou a parte interna de minhas coxas, com o toque, retrai o quadril, sentindo os pelos de minha nuca se eriçarem, senti logo o toque de seu membro na entrada de minha intimidade e fechei o olhos, pronta para o inevitável; que veio sem dó, mais uma vez rasgando-me por dentro, respirei fundo, sentindo as paredes do meu útero doerem ao serem forçadas para a passagem do seu membro viril.

Ele gemeu por longos segundos ao entrar por completo dentro de mim, mais uma vez sendo abusada, mais dor para ser sentida, e com certeza aquele seria mais um dia onde a noite seria mal dormida pelas lágrimas que secariam em minha pele, e o sangue que se grudaria em minhas coxas, manchando o colchão, trazendo mais podridão para aquele lugar.

Eu me questionava o porquê de não lutar; lembrava-me de um relato de uma menina, que disse sentir como se o corpo adotasse uma força sobre humana, sendo forte para fugir, e correr como nunca antes havia feito na vida. Uma garota que fora forte para correr de volta aos braços dos pais.

Por que eu não podia ser forte para correr? Por que meu corpo não possuía forças e minhas pernas não me obedeciam, eu não passava de um brinquedo, uma boneca obediente que concedia a um doente o prazer de me ter em sua pose.

Eu queria ser corajosa para enfrenta-lo, mas sem ele, talvez eu não conseguisse sobreviver até chegar aos meus pais, eles ainda me amariam se soubessem que eu fui fraca e deixei com que ele me violasse, varias e varias vezes?

Alguém além dele nesse maldito mundo conseguiria me amar sendo quem sou?

Notas finais
Espero tenham gostado, me digam o que acharam. Beijinhos ♥