Devil's Backbone
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Aqui está o final do capítulo. Boa leitura
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Ela aproveitou para se recompor e olhar nos olhos dele, que agora pareciam cheios de algo. Dúvida? Receio? Ela não sabia ao certo. Ela olhou para os lados se dando conta das imagens de santos os rodeando, que a momentos atrás, nem pareciam fazer parte do lugar.– Zelão — ela chamou baixinho, o tom carregado de charminho... — por que você...? – Ele colocou o dedo indicador contra os lábios dela.– Ocê...- ele sussurrou, olhando nos olhos azuis cristalinos. Ela era tão bonita que chegava a doer no peito de Zelão.– Eu?!– Ocê, ocê é donzela. – começou a acariciar a bochecha. — Ô num posso, ô num tenho esse dereito de fazer isso assim, desse jeito... – Juliana se tornou uma das coisas mais preciosas do mundo para ele. Ele não era nenhum príncipe, mas ela certamente era sua princesa. Ele a queria muito, mas não podia tirar isso dela assim, sem saber se ela o amava o tanto quanto ele a amava.– E o que vamos fazer? – ela disse, notando a ereção evidente entre as pernas do capataz. — Você não me deseja? Não me quer? – será que ela tinha feito algo errado? Se questionou. — Eu estou com tanto... – não sabia ao certo se essa era a palavra: — Desejo, ZelãoZelão suspirou, sentiu certo desapontamento ao notar que o que ela sentia por ele talvez não fosse amor, talvez só desejo, ou até mesmo pena. Ele não sabia ao certo. Mas talvez, talvez esse não fosse um caminho convencional para se atingir o amor dela, mas ainda sim era o caminho. O que ela sentia. Pena, desejo, compaixão, bem-querer, o que fosse. Ele poderia, e iria tentar transformar em amor.– Claro que eu quero! – ele segurou o rosto dela entre as mãos, a olhando firme nos olhos. – Eu lhe quero mais que tudo nessa vida.– E o que vamos fazer? – agora pensando com mais clareza, ela, não poderia arriscar tanto assim, a sociedade na qual viviam, nessa Vila ainda era muito conservadora. Mas justo nesse lugar, ela se descobriu uma criatura passional. Essa chama, que a preenchia de vida, ela queria mais disso.– Tem outra maneira. – murmurou, deslizando as mãos do rosto até chegar nas costas dela, e mais abaixo. – Ah é? – Juliana sorriu, ela tinha quase certeza que Zelão já tinha algum tipo de experiência. Afinal, era comum no mundo em que viviam o homem sempre ter essas liberdades e ainda ser exacerbado por isso. – E qual seria?!Ergueu uma sobrancelha, encarando Zelão de um modo travesso. Ele deu um beijo rápido contra os lábios dela, retribuindo o sorriso.– Ô vô lhe mostrar!Zelão abaixou um pouco, passou as mãos por baixo das pernas de Juliana e a ergueu contra seu corpo. Ela, por instinto, envolveu as pernas ao redor da cintura, e os braços ao redor dos ombros, dele. O capataz então a levou até a cama, deitando ambos, com cuidado. Eles olharam um nos olhos do outro e trocaram um sorriso cúmplice. Ele realmente mostraria a ela.__________________________________________He’s raised on the edge of the devil’s backbone__________________________________________Já era tarde da noite, a chuva já devia ter parado, ou no máximo estava apenas serenando. Ele nem se deu conta do mundo lá fora nessas últimas horas pois tudo que podia ouvir era a voz Juliana ecoar na sua cabeça. Ela estava ali na frente dele. Zelão a ajudava a se vestir novamente, fazendo o laço que prendia o vestido atrás. Ele também já estava vestido, prometeu a Juliana deixa-la na escola. Seria complicado para ela ir andando a essa hora sozinha, ainda mais nos caminhos cheios de poça d’água. E além do que, ele não deixaria. – Obrigada, Zelão. – ela sussurrou, sempre chamava o nome dele de um jeito diferente.– Num tem purquê agradecer, flor do campo... A abraçou por trás, Juliana colocou seus braços sobre os dele. Zelão encostou seu rosto no topo da cabeça dela, inalando o perfume. Ela traçava círculos pela mão e braço dele, fazendo os pelos da região se arrepiarem. Sorriu consigo mesma. Nunca pensou que fosse desviar tanto assim do figurino. Mas não estava arrependida. O capataz a fez sentir coisas que ela nunca tinha sentido antes, e isso a deixava com medo. Ela fechou os olhos por um tempo, deixando se inebriar pelas sensações, ouvia alguns versos que Zelão sussurrava contra seus cabelos, versos bem familiares da carta que ele tentou lhe escrever. O capataz não contou para ela, mas depois que tudo que transpirou entre eles ele nunca mais iria desistir dela. Juliana podia negar, fugir, mas ele sabia que ela o queria.– Zelão...Juliana virou-se de frente para ele, ainda envolvida pelos braços fortes do capataz. Ele aproveitou disso, para abaixar e afundar o rosto no pescoço dela, dando um cheiro demorado no lugar. Ela gargalhou, afastando devagar.– Isso faz cócegas, Zelão!– Mas ocê gosta não gosta? – Hum... – parou, fingindo que estava pensando, depois falou com um tom brincalhão. – Talvez sim... talvez não.Ele levou as mãos até os cabelos de Juliana, arrumando os mesmos, ajeitando os cachos que estavam fora do lugar.– Pronta para ir, flor do campo? Juliana concordou com a cabeça. E então Zelão quebrou o abraço para guia-la até a porta do quartinho dos fundos da casa que dava acesso ao celeiro, onde o cavalo Quarta-Feira estava.
–x-Já no celeiro, o clima era calmo, a chuva finalmente havia cessado, mas o cheiro de terra e grama molhada preenchiam o local, os grilos cantavam fazendo uma melodia sutil. Zelão colocava a sela no equino novamente, ajustando tudo para sua princesa ter uma viagem confortável no caminho até em casa. Enquanto Zelão estava ocupado, ela comentou:– Amanhã eu volto a dar aulas para a Pituquinha! Nos vemos, não é mesmo? Ele sorriu e não precisou nem responder para que Juliana soubesse que a resposta era positiva. Zelão se aproximou dela, e a ergueu nos braços de uma vez, assustando um pouco a professorinha, que ainda não havia se acostumado com o jeito intenso do capataz. Ele a levou até o cavalo, a sentando no animal, e em seguida, subiu, se acomodando na frente dela. Ela observou Zelão acariciar o pelo do Quarta-Feira e sussurrar: “Ocê se comporte e ande devagar que hoje ‘ocê vai levar no lombo, a nossa professorinha”.– Segure firme, Juliana. E foi o que ela fez._________________________________________Oh, Lord, oh, Lord, I’m begging you, pleaseDon’t take that sinner from me_________________________________________
Notas finais
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