Devil inside
2 A primeira memória
Notas iniciais
Conteúdo: Missão flashback; Memória do acontecimento citado na postagem anterior.
{The First Memory — parte 2}
O céu estava nublado e escurecido, parecia que a qualquer momento não mais conseguiria aguentar a água nas pesadas nuvens, e elas escorreriam dos céus tocando a terra, e os trovões rugiriam com seu barulho, assim como Thor batendo o seu martelo, seria isso um sinal? Havia conseguido escapar antes da cerimônia com a desculpa de que ia pedir graças aos deuses era um milagre que conseguisse fica sozinha por um tempo, talvez todos tivessem decido serem bons com ela neste dia. Roubou uma cabra, e em seguida se dirigiu ao canto mais remoto da floresta antiga, perto de um lago, fazia algum tempo desde a última vez que estivera lá mas conhecia o lugar e sabia que era uma longa caminhada, tinha certeza que ninguém a atrapalharia ali.Assim que chegou tirou do cesto tudo que havia trazido, colocando no chão a sua frente, seus dedos deslizavam pelos frascos de cada ingrediente se movendo com muita calma e delicadeza, rodeava os frascos abertos sentindo as texturas ásperas, porosas, em pó, as que estavam quase acabando, analisando as cores vibrantes, e as mais perigosas que não se podia cheirar. Olhava com os olhos brilhantes de orgulho do seu pequeno estoque, seria esta noite, se casaria e uma grande oferenda seria feita aos deuses, mas antes faria a sua, implorando que sua voz fosse escutada e seu destino fosse mudado.Seus grandes olhos se dirigiram a cabra que estava bem amarrada a árvore, se aproximou dela fazendo carinho em sua cabeça, tocando seu pelo com as pontas dos dedos de sua mão esquerda. A cabra parecia pressentir o que se prosseguiria, Aslaug a olhava desejando terminar o que planejara, proferiu algumas palavras quando rapidamente desferiu um golpe abaixo do pescoço do animal, fazendo com o sangue jorrasse por todos os lados, a cabra grunhia desesperada com a dor, e a morte. Mas a menina não escutava mais nada, o som era um eco distante, tocou o sangue quente com as duas mãos e as passou de uma só vez por todo o seu rosto até o seu pescoço, a sensação inebriante tomava o seu corpo. Pegou a afiada faca e cortou a cabeça da cabra fazendo com que deixasse de agonizar, precisava se concentrar seria uma longa tarde, havia treinado durante anos para finalmente fazer alguma coisa e conseguir o que precisava, e não iria fracassar.A tarde havia passado e a noite chegara, a cerimônia seria em breve, a preparam e colocaram um longo vestido que cobria as marcas arroxeadas, a menina as escondia como um segredo, e por último colocaram uma coroa de folhas, galhos entrelaçados, com algumas pequenas flores posicionada acima de seus longos cabelos ruivos que iam quase até a sua cintura, eles caiam em frente ao seu rosto, destacando seus olhos escurecidos dos quais as pupilas estavam dilatadas, pelo êxtase da raiva, a primeira vez era sem dúvida de todas a mais emocionante e aterrorizante. Hoje seria diferente, pensou consigo mesma, não deixaria que isso acontecesse, ela havia acabado de completar quatorze anos e se tornar uma mulher, como não poderiam achar aquilo doentio? Mesmo que fosse rei e homem, deveria ser proibido de ter todas as mulheres que quisesse, e já tinha muitas. Depois de quase sete anos sua antiga vida era uma vaga lembrança, de uma garota inocente e amorosa, havia se tonado uma criatura amarga e desconfiada, ninguém se importava se estava viva ou morta, ninguém viria para resgata-la, era o que diziam a ela e a menina repetia a si mesma. Diziam estar fazendo um favor, ela não tinha para onde ir, as agressões e os abusos? Tudo sua culpa pelo seu mal comportamento e teimosia. Este homem possuía todos os direitos sobre ela, era uma propriedade, e agora desejava toma-la como esposa, só essa palavra fazia com que um gosto amargo preenchesse a sua boca.A hora tinha chegado, todos estavam reunidos no imenso e pouco iluminado salão, a noite estava fria, mas ela não o sentia, seu coração palpitante parecia querer entrega-la a qualquer momento. Adentrou o salão com muita calma, dando um breve sorriso com os lábios a todos que a cumprimentavam de longe, desde pequena conseguia manter a plenitude e agir como se nada estivesse acontecendo, nada transparecia no seu olhar ou na sua voz. Havia comida e bebida para todos em grandes quantidades, todos bebiam e riam fazendo muito barulho, pessoas de lugares distantes haviam vindo para presenciar o casamento e prestigiar o rei.Ao final da cerimônia já havia passado muito tempo e ela estava exausta, mas o momento que mais temera havia chegado, os dois se dirigiram ao quarto dele, seu plano era dar-lhe o veneno antes que pudesse toca-la. O velho estava bêbado com seu cheiro insuportável, assim que ele se aproximou dela as náuseas lhe tomaram a boca do estômago, em questão de segundos antes que ela pudesse reagir ele a empurrou violentamente com toda força para cama e começou a acariciar seus pequenos seios, e o seu corpo que ainda parecia de uma criança, o coração da menina estava disparado e as lágrimas brotavam em seus olhos, ela agitava seus braços tentando desesperadamente se desvencilhar. Os dedos enrugados do homem deslizavam pelos seus pés e tornozelos passando por de baixo do seu vestido, como já havia feito muitas vezes, mas antes que ele pudesse se aproximar ainda mais alguém entrou no quarto o interrompendo pedindo para que resolvesse algo com urgência. Uma segunda chance, sussurrou.
Assim que ele saiu a menina rapidamente se levantou e foi até perto do fogo e da mesa onde havia deixado as garrafas de bebida com o veneno, seria questão de segundos até que ele voltasse, pegou dois copos despejando as bebidas diferentes em cada copo e nesse momento escutou a batida da porta se abrindo, assim que ele se aproximou ela lhe ofereceu um copo de bebida e pegou o outro para si, levando o seu copo aos lábios, Aslaug tomou a bebida olhando-o diretamente em seus olhos. O velho pegou o copo jogando a cabeça para trás e despejando de uma só vez o liquido pela boca, chegando a escorrer pela espeça barba. Seus olhos vividos a desejando, olharam para ela uma última vez.Assim que o liquido passou pela sua garganta ele começou a brandir com uma tosse agonizante, uma tontura tomou conta de seu corpo e ele desequilibrou, caindo de trás, seu rosto perdera a cor dando lugar a um tom arroxeado, sua boca espumava ainda mais a cada engasgada, o sangue descia pelos seus nariz e ouvidos, mas seus olhos, eles ainda ardiam de desespero procurando por uma salvação.A garota olhava para o homem que estava aturdido e desesperado, de forma fria e com desprezo, seu coração ainda disparava mas mantinha os olhos fixos no velho, levou o copo a boca tomando todo o liquido de uma só vez. Ela percorreu o corpo que estava estirado no chão e se abaixou, aproximando-se para que ele pudesse escutá-la em alto e bom tom, falou olhando-o com os olhos ferozes. — Eu sou a princesa Aslaug do clã Völsung, filha de Sigurd o matador de dragões e Brynhildr a guerreira, e você... você não é nada, você é um falso rei de merda, um pária, que tirou de mim tudo que eu tinha e quem eu era, você afligiu a minha alma e quebrou meu espírito, mas eu nunca esqueci e nem esquecerei. Não sou minha mãe, nem meu pai, mas eu sei quem eu sou e a força que tenho, nunca mais ninguém irá ousar tirar isso de mim.O homem revirava os olhos já entorpecido pelo veneno e a dor, morrendo agonizado em poucos segundos, o encontrariam pela manhã muitas horas depois de a garota já ter fugido.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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