Notas iniciais
3 capítulos em 3 semana ?????????? Meu deus do céus, isso só pode ser um milagre !

Mitsuro chega no salão da agência. Ela vê Excalibur sentada à mesa batendo seu dedo na mesa e seu pé no chão, preocupada.


A jovem se senta junto dela e a cumprimenta com um sorriso. "Bom dia, Excalibur."


"Nada bom." — Excalibur responde.


"O que aconteceu ?" — Mitsuro pergunta, preocupada.


"Chase acabou de me mandar a pior notícia. O casamento arranjado da loirinha vai ser adiantado. No fim da semana, ela vai casar." — Excalibur diz, batendo seu pé no chão ainda mais forte.


"Q-Que terrível... E j-justo agora que o Kuzuha saiu." — Mitsuro diz.


A empregada olha para ela, confusa. "Eh ?"


"A-A Yasumi me disse que ele saiu agora a p-pouco para Azeroth, para fazer uma missão s-super secreta." — Mitsuro diz.


"Missão super secreta ? Isso não tá me cheirando nada bem... É coincidência demais." — Excalibur diz.


"Você está s-sugerindo que isso foi p-planejado ?" — Mitsuro pergunta.


"Não, eu tô CONFIRMANDO que foi planejado." — Excalibur diz. "Tch. Se aquela maldita pensa que Kuzuha é o único que consegue acabar com isso, ela tá muuuito enganada !" — Ela bate seu punho na mesa e se levanta. "A gente vai embora agora, Mitsuro !"


"A-A-Agora !?" — Mitsuro pergunta, surpresa e nervosa.


"Yup. Agorinha mesmo." — Excalibur pega Mitsuro pela mão e começa a puxar ela, até saírem da empresa.


A bruxa consegue se soltar. "M-M-Mas e se alguma c-coisa acontecer ? O King p-precisa saber ! E-E a Hanako não p-pode ficar sozinha ! A-Além disso-"


"É exatamente por isso que eu vou junto." — Hanako chega no local, seguida de Yasumi.


"Foi mal, criançada, mas não dá pra levar vocês. É muito perigoso. E, se alguma coisa acontecesse, eu nunca mais ia conseguir olhar na cara do Kuzuha." — Excalibur diz.


"Eu não vou deixar nada acontecer com a minha tia." — Hanako diz.


"Por favor ! A Noelle faz meu irmãozão feliz, e eu não quero que ele perca mais uma amiga." — Yasumi suplica.


"Non, non. Não vai rolar." — Excalibur nega, determinada.


"Excalibur está certa, filha. Infelizmente, é muito perigoso para levar vocês-" — Mitsuro é interrompida por Yasumi.


"Se não levar a gente, vamos contar para o careca que vão fugir." — Yasumi diz.


Excalibur imediatamente dá um aperto e mãos com ela.


"N-N-Não era pra você ser a responsável !?" — Mitsuro exclama.


"A criança sabe negociar." — Excalibur diz.


A bruxa solta um longo suspiro. "Por favor, p-p-prometam que vão ficar longe de toda e qualquer c-c-coisa perigosa."


"Eu prometo, mamãe." — Hanako diz.


"Puxa saco." — Yasumi diz. "Eu não prometo nada. Vou bater no primeiro cara mal que eu ver." — Ela começa a socar o ar.


"Eu te ajudo, tia." — Hanako diz.


"Não preciso da ajuda de gente menos fofa que eu." — Yasumi diz, desprezando a garotinha.


"A árvore não cai longe da maçã, huh." — Excalibur diz.


"Uh... E-E-Eu tenho quase c-c-certeza que não é assim-" — Mitsuro diz, sendo interrompida por Excalibur.


"Simbora, galerinha. Quanto mais rápido sairmos daqui, melhor." — Excalibur vai embora.


As garotas seguem ela.


"A-A-Agora ? Mas e-eu preciso fazer minhas malas." — Mitsuro diz.


"A gente não tá indo pra lá pra se divertir. É uma missão de resgate. E, no máximo, vamos ficar uma semana só. Menos, se conseguirmos salvar a Noelle mais rápido." — Excalibur diz.


"Eu nunca viajei antes." — Hanako diz.


"Nem eu. Vai ser divertidíssimo." — Yasumi diz.


"Não vi ser uma excursão. Eu conheço minha mãe- Madeleine muito bem. Ela vai saber que chegamos antes mesmo de chegarmos." — Excalibur diz.


"O-O-O que vamos fazer e-então ?" — Mitsuro pergunta, preocupada.


"Ir do mesmo jeito." — Excalibur diz. "Madeleine gosta de trabalhar nas sombras. Se tem uma coisa que ela odeia é atrair atenção desnecessária. Não vai atacar a gente em público. Só se chegarmos perto demais."


"Eu vou fazer questão de não deixar ela chegar perto da gente." — Hanako diz.


"E você vai fazer o quê ?" — Excalibur pergunta.


"N-N-Nada. A imaginação d-d-dela é fértil." — Mitsuro diz.


"Querer proteger os outros é legal, criança, mas só falar não adianta de nada." — Excalibur diz. Ela bagunça o cabelo de Hanako. "Aproveita enquanto você pode se divertir. Quando você crescer, vai poder proteger quem quiser."


A garotinha concorda com um sorriso. "Quando eu crescer, vou proteger minha mamãe, meu papai, minha tia, você, Noelle, Karma, e todos os meus amigos."


"Aww~ Você é uma fofa, filha~❤️" — Mitsuro diz.


Yasumi rola seus olhos e cruza os braços. "Bla, bla, bla. Isso não é nada. Eu tenho muito mais amigos que você pra proteger. E TODOS eles me adoram e me tratam como uma melhor amiga, e me veneram feito uma rainha."


"Minha tia é incrível !" — Hanako diz, maravilhada.


"Hmpf. Minha grandeza é mil vezes maior que a sua." — Yasumi diz.


"Ok..." — Excalibur limpa sua garganta. "Vamos comprar as passagens. Avião é mais rápido."


"E-E-EU não sei se tenho dinheiro..." — Mitsuro diz.


"Nah, eu pago." — Excalibur diz. "Não acharam que eu ia deixar vocês na mão, né ?"


"M-M-Mas é muito dinheiro." — Mitsuro diz.


"Às vezes, vocês esquecem que meu sobrenome também é Vermillion." — Excalibur diz. Ela se curva. "Muito prazer em conhecer vocês. Excalibur Vermillion. Herdeira da Fundação Vermillion, além de filha legítima de Jacques Vermillion, um dos cientistas chefes na Devil Slayer e o cientista que descobriu e patentiou a cura para a Raiva, o vírus mais perigoso do mundo. Eu sou praticamente milionária. E tenho acesso ilimitado ao dinheiro da família~"


As garotas estão boquiaberta.


"Então, não, pagar as passagens não vai ser um problema. E ainda vamos na primeira classe, porque nós merecemos só o melhor." — Excalibur pisca.


"Excalibur é demais !" — Hanako diz.


"Excalibur é a melhor !" — Yasumi diz.


As duas começam a repetir isso, felizes, enquanto Excalibur está cheia de si, com as mãos na cintura.


Mitsuro solta um suspiro. "P-P-Podia ter avisado antes..."


Excalibur pega seu celular. "Huh. Vôos para a França são só daqui a três dias." — Ela solta um suspiro, mas continua determinada. "Beleza. Daqui à três dias, vamos partir bem cedo. Durmam pra caramba, hein."


Três dias depois. As quatro estão em um avião. Excalibur e Yasumi estão sentadas juntas. Hanako e Mitsuro também, só que algumas cadeiras trás.


A garotinha está maravilhada, olhando pela janela. "É tudo pequeno daqui."


"Yup. E vai ficar menor ainda, quando o avião subir mais." — Excalibur diz. "Eu acho melhor você dormir. A viagem dura umas quatorze horas. Não vai ser fácil pra você."


"Tá duvidando da mim ?! Eu aguento qualquer coisa !" — Yasumi diz, ofendida. Ela continua falando sem parar sobre as coisas.


Excalibur solta um suspiro. "Vão ser umas longas quatorze horas..."


Hanako também está maravilhada.


"Você costumava andar por Azeroth, filha ?" — Mitsuro pergunta.


Hanako nega. "Minha espécie se aloja em uma sociedade e lentamente vamos consumindo e repondo as pessoas, até termos tomado conta do local inteiro. Daí, partimos para o próximo local."


"Então você tinha uma família antes ?" — Mitsuro pergunta.


"Não necessariamente. Nós, Naphista, não nos consideramos indivíduos únicos, somos uma mente coletiva. Existe um Naphista que comanda os outros, escolhendo para onde vamos migrar. Tirando isso, agimos puramente por instinto." — Hanako diz.


Mitsuro fica quieta por um instante, então toma coragem para perguntar. "Você… sente falta ? Da sua vida passada."


"Minha vida passada era tudo que eu tinha. Uma vida onde eu não precisava pensar ou me preocupar com absolutamente nada, nem ninguém." — Hanako diz. "Mas... Agora que eu tive a oportunidade de ser meu próprio eu, um indivíduo com pensamentos pessoais, desejos pessoais, emoções pessoais, me sinto estranhamente completa. Eu nunca pensei que seria grata só por acordar todos os dias, mas agora que sei como é essa sensação, não trocaria por nada. Ainda mais com uma mamãe, papai e amigos incríveis. Minha vida é mais que perfeita."


"Aww~ Eu também não trocaria você por nada, filha~❤️" — Mitsuro diz, com lágrimas em seus olhos.


"N-Não precisa chorar, mamãe !" — Hanako diz, preocupada.


"Ok, ok. Eu vou tentar." — Mitsuro diz. Ela enxuga suas lágrimas, mas volta a chorar.


"M-Mamãe !" — Hanako diz.


Algumas horas depois. As quatro estão dormindo. O avião pousa. O tranco acorda elas.


Excalibur percebe que Yasumi ainda está dormindo, encostada no braço dela. "Eu aguento qualquer coisa." — Ela diz, zombando da garotinha. A empregada balança levemente seu braço, acordando ela.


Yasumi acorda, soltando um longo bocejo e esfregando seus olhos. "Chegamos ?"


"Faz tempo, dorminhoca." — Excalibur diz. "Vamos."


As quatro garotas se reúnem e saem do avião. Já está de tarde.


"Sejam oficialmente bem-vindas à minha terra natal, França." — Excalibur diz.


"M-M-Mau posso esperar para explorar P-Paris." — Mitsuro diz, animada.


"Esse é o espírito." — Excalibur diz. Ela põe seu braço pelo pescoço de Mitsuro, puxa ela para perto e sussurra. "A gente não vai ficar aqui."


"P-P-Por quê ?" — Mitsuro pergunta, desapontada.


"Olha pros lados pelos cantos dos olhos. Mas finge bem." — Excalibur diz.


A bruxa o faz. Ela vê várias pessoas disfarçadamente olhando para as quatro.


"Eu disse que a gente ia ser vigiado." — Excalibur diz.


"E-E-E agora ?" — Mitsuro pergunta, nervosa.


"Relaxa. Eu conheço um lugar." — Excalibur diz. "Só finge e me segue." — Ela limpa sua garganta e força um sorriso. "Tô louquinha pra mostrar tudo pra vocês ! Vamos !"


As quatro vão embora e pegam um táxi.


"Para Provins, por favor." — Excalibur diz, pagando o motorista.


O motorista começa a dirigir.


"Vai demorar uma hora e meia, por aí. Depende do trânsito. Se distraiam com alguma coisa." — Excalibur diz.


"Pra onde estamos indo ?" — Hanako pergunta.


"Um lugar especial pra mim..." — Excalibur diz, com um certo tom nostálgico. "Vocês vão adorar lá."


Mais ou menos, uma hora e meia depois, elas chegam em um vilarejo rural rodeado por uma muralha.


"Legal, né ? Esse é o vilarejo de Provins. Foi aqui que eu fui criada." — Excalibur diz.


"Whoa ! Que lugar maneiro ! Você é uma cavaleira ?" — Yasumi pergunta, se maravilhando até com uma pedra no chão.


"Não. O povo daqui gosta de manter a história do lugar, então não mudaram tanta coisa assim." — Excalibur diz.


"Esse lugar é incrível..." — Hanako diz, também maravilhada.


"M-M-Mas você tem mesmo c-certeza que não estamos em perigo a-a-aqui ?" — Mitsuro pergunta, preocupada.


"Pode ficar tranquila, Tsu. O povo daqui gosta de mim. E eu confio neles. Além disso, estamos longe de Paris. Não tem porquê vigiar a gente." — Excalibur diz. "Anda, vamos pra casa primeiro."


Elas entram no vilarejo. Excalibur imediatamente é rodeada por um três crianças que estavam brincando perto da muralha com gravetos.


"Excalibur ! A Excalibur voltou !" — Um garotinho loiro diz, pulando de alegria.


"Me pega no colo ! Por favor !" — Uma garotinha morena diz.


"Brinca com a gente !" — Um garotinho ruivo diz.


"Jean, Margeaux, Eric ! Tão ficando grandes demais, hein. Será que eu ainda aguento vocês ?" — Excalibur diz, com um sorriso enorme no rosto. Ela pega a garotinha e põe no pescoço e os dois garotos nos braços. "Precisam comer mais, gente. Tão fraquinhos demais. Ahahaha !"


"V-V-Você é bem popular com as crianças." — Mitsuro diz.


"Esses pivetes me adoram. Conheço eles desde que nasceram." — Excalibur diz. Ela põe as crianças no chão. "Vocês tão se comportando ?"


"Eu me comportei." — Eric levanta sua mão.


"Se comportou nada !" — Jean diz.


"Isso aí !" — Margeaux diz. "Ele ficou de castigo porque não queria secar a louça ! Duas vezes !"


"Eric ?" — Excalibur olha para o garotinho.


Eric desvia o olhar. "E... Eu queria brincar mais um pouco..."


"Eu disse pra obedecer a irmã Jacinthe. Ela não te pede pra fazer as coisas por mau." — Excalibur diz.


Eric solta um suspiro, triste. "Desculpa, irmãzona Excalibur. Eu prometo que não vou fazer de novo."


Excalibur bagunça o cabelo dele e sorri. "O que importa é que você se arrependeu e aprendeu com isso." — Ela se vira para os três. "Vocês cuidaram da casa do papai ?"


"Sim !" — Os três dizem.


"Muito bem. Então, podem ir na loja do Pierre e comprar qualquer doce que quiserem." — Excalibur diz.


Os três abrem um enorme sorriso. "Jura ? Eba !" — Eles vão embora, pulando e rindo.


Excalibur se vira para suas amigas. "Vamos pra casa. Não é muito longe. São uns sete minutinhos, andando."


Elas começam a andar. Conforme Excalibur vai passando pelo vilarejo, as pessoas vão cumprimentando ela. Minutos de caminhada depois. As quatro chegam em uma casa de dois andares um pouco distante das outras.


"Prontinho." — Excalibur diz. "Nossa humilde residência." — Ela abre a porta.


O local é espaçoso e chique. As garotas entram maravilhadas com o local.


"Que lugar incrível !" — Hanako diz.


"N-N-Não tem problema mesmo f-ficarmos aqui ?" — Mitsuro pergunta.


"Vocês são bem-vindas em qualquer residência dos Vermillion. Sintam-se em casa." — Excalibur diz.


"Todo mundo aqui gosta de você mesmo." — Yasumi diz.


"Bom, todo mundo aqui foi salvo pelo meu pai." — Excalibur diz.


"Como assim ?" — Hanako pergunta.


"A Fundação Vermillion não é só um lugar que pesquisa curas para doenças, ela também abriga pessoas que sofreram nas mãos das Bestas do Caos." — Excalibur diz. "Cada um aqui foi uma vítima de um ataque e meu pai abrigou elas aqui. A muralha do vilarejo foi fortificada especialmente contra Bestas do Caos e o lugar é vigiado constantemente."


"E-Então, aquelas crianças…" — Mitsuro diz, triste.


"Uma das minhas primeiras missões. Estavam em uma excursão com os pais. Foram atacadas. Todos perderam os pais, e Margeaux também perdeu a irmã mais velha." — Excalibur fecha os punhos, frustrada. "Se eu tivesse chegado só um pouquinho mais cedo..." — Ela limpa sua garganta. "Bom, a gente tem que fazer um plano. O casamento é depois de amanhã. Mas, primeiro, vão se divertir e aproveitar o lugar. Eu não vou tirar sua diversão."


"C-Certo." — Mitsuro diz, animada.


Hanako está puxando a manga da blusa de sua mãe. "A gente pode ir naquela loja de doces, mamãe ? Por favor !"


"Eu queria passar lá também." — Mitsuro diz.


"Tem um jardim de rosas no vilarejo. Você deve curtir, já que é uma nerd com plantas." — Excalibur diz.


A bruxa imediatamente se anima. "ONDE ?!"


"N-Não é muito difícil de achar..." — Excalibur diz, surpresa com o ânimo e sua amiga.


Mitsuro pega Hanako e as duas vão embora, correndo.


"Ok..." — Excalibur diz.


"Não me deixa pra trás-" — Yasumi diz, sendo interrompida por Excalibur, que a segura.


"Antes de irmos, tem um lugar ainda mais especial que eu quero te mostrar." — Excalibur diz.


"Jura ?" — Yasumi se anima ainda mais. "Vamos ! Vamos !"


Excalibur vai embora, sendo seguida pela garotinha. A empregada aperta um botão escondido em uma estante de livros. A estante se abre, revelando uma porta e ferro extremamente bem trancada. Ela encosta sua mão em um painel na porta e ela se abre. É um elevador. Antes de entrar, Excalibur respira fundo, se preparando mentalmente. As duas começam a descer.


"Parece o elevador da empresa." — Yasumi diz.


"Meu pai e o King se conhecem há um bom tempo. Uma parte do dinheiro da Fundação Vermillion veio da Devil Slayer." — Excalibur diz.


"Pra onde vamos ?" — Yasumi pergunta.


A empregada demora alguns segundos para responder. "...O lugar mais importante da minha vida."


O elevador chega no andar. As portas se abrem. Dando acesso para um laboratório velho, cheio de poeira, todo bagunçado e com luzes que mau funcionam. As duas entram no laboratório.


Yasumi balança a mão na frente do rosto. "O que é esse lugar cheio de poeira ? Credo."


Excalibur está olhando para as coisas com um tom de nostalgia misturado com melancolia.


"Excalibur ?" — Yasumi diz.


"Perdão, perdão. Eu só tava... lembrando dos velhos tempos." — Excalibur diz. "Aqui foi onde eu fui criada."


Yasumi inclina sua cabeça, confusa. "Como assim ?"


"O que você diria se eu te falasse que não somos tão diferentes assim, e que somos até quase da mesma idade ?" — Excalibur pergunta.


"Para de mentira." — Yasumi diz. "Você é mais velha que meu irmãozão."


"Tô falando sério. Eu nasci normal, de parto. Mas fui colocada dentro de uma máquina para me envelhecer." — Excalibur diz. "Fui a primeira que sobreviveu, e me envelheceram dez anos. Na verdades eu tenho dez anos de idade, mas um corpo e uma mente de alguém de vinte. Foi um experimento da Madeleine para criar soldados mais rápido. Passei dois anos da minha infância dentro de um laboratório, sendo testada dia e noite."


Yasumi fica cabisbaixa.


"Tem lembrou alguém, né ?" — Excalibur pergunta. Ela fica na altura dos olhos de Yasumi. "Eu notei que você não calava a boca, no avião. Nem quando chegou. Tava falando mais do que o normal. Você nunca saiu do quarto, não foi ?"


A garotinha fica quieta e evita contato visual.


"Tá ok. Você pode conversar comigo. Eu não sou seu irmão, e não vou contar pra ele." — Excalibur diz, com uma voz doce. "Como era sua vida, antes da empresa ?"


Yasumi hesita, mas acaba falando. "Eu... Eu vivia o dia inteiro dentro de um quarto de hospital, vendo todo mundo se divertindo, enquanto eu tava presa o dia inteiro. Meu irmão me visitava todos os dias. Duas vezes no dia. Às vezes, dormia lá comigo. A Hyoirin também. E tinha uma professora que me dava aulas. Mesmo assim, era... vazio." — Os olhos dela começam a se encher de lágrimas. "Eu via tanta gente entrar e sair com pedaços faltando, bem mais doente do que eu, berrando de dor o dia inteiro. Gente que até morreu dentro do quarto comigo. Mas elas entravam e saíam. Uma coisa que eu nunca fiz. Eu sentia inveja delas poderem sair. Sentia inveja até…" — A garotinha começa a chorar. "Sentia inveja até dos que morriam. Não era justo ! Por que todo mundo podia sair e fazer tudo que eu só via na TV ? Por que EU era a única que não podia sair ? Por que EU era a única que não morria ? Não era justo..."


Excalibur abraça ela. "Shh… Tá tudo bem... Eu sei como é desejar não ter nascido. Mas, depois de conhecer a Noelle, tudo foi embora, e eu fiquei grata por ter uma vida. Você se sente da mesma forma, né ?"


Yasumi enxuga suas lágrimas e concorda. "Eu ainda fico o tempo inteiro dentro da empresa, mas pelo menos tenho um espaço enooorme pra ficar. O King ainda não achou uma cura pra mim, mas ele me deixa mais livre que o hospital. E até fica comigo, de vez em quando, e me conta histórias de uma heroína super legal que salvou um monte de gente em Azeroth e aqui. Eu quero ser igual ela, super forte, legal e cheia de amigos ! Hmm... Parando pra pensar, você também é."


"Eu posso ser um monte de coisas, mas heroína não sou." — Excalibur diz. "Você se sente melhor ?"


Yasumi concorda. Ela abraça Excalibur de novo. "Obrigada..."


A empregada retribui o abraço. "Tá tranquilo."


Elas se soltam.


"Vamos fazer uma promessa ?" — Excalibur pergunta. "Vamos prometer que vamos aproveitar a vida o máximo que conseguirmos ? De uma criança de dez anos, pra uma de onze." — Ela estende o dedinho.


"Prometido." — Yasumi segura o dedinho dela com o seu, sorrindo.


"Então tá prometido." — Excalibur diz.


"Ei. Já que eu sou mais velha, você tem de fazer o que eu mando." — Yasumi diz. "Vai me comprar um montão de coisas pra comer e brincar comigo."


"Não abusa." — Excalibur diz. Ela pega Yasumi e põe no pescoço. "Vamos embora. Aquelas duas já devem ter percebido que não têm dinheiro nenhum pra comprar nada."


As duas vão embora, se divertindo e compartilhando histórias.

Notas finais
Não se acostuma porque eu não sei se vou conseguir postar tão frequente assim. Bom, vamos para os fatos de hoje. Qual a bebida favorita de todo mundo ? Mitsuro adora um bom chá de camomila. Já Hanako, prefere um água com gosto de frutas. Não, não suco de fruta. ÁGUA com gosto de frutas. Excalibur ama café, sem açúcar. Quando tem gente olhando. Quando não tem, ela sempre pega um Boba. Yasumi só tinha água e suco natural sem açúcar para beber no hospital, então ela gosta de qualquer coisa que não seja isso. E esses são os fatos de hoje.