Devil Slayer Chronicles
11 Flatline
Está de noite. Alucard está fazendo algumas flexões, em seu apartamento chique no último andar. Ele se levanta e enxuga um pouco de suor em sua testa.
"Duzentas flexões, agachamentos, e abdominais seguidas. Não espero menos de você, meu filho." — Fenrir diz, com orgulho.
"Quieta, criatura." — Alucard diz.
"Creio que esteja passando pela 'fase rebelde' que descobri a existência recentemente. Neste estado, humanos prematuros tendem a desenvolver ódio por suas figuras paternas e maternas." — Fenrir diz.
"Quieta ! Você não é um parente ou guardião. É apenas uma ferramenta descartável." — Alucard diz, alterado.
"Em termos biológicos, toda criatura é o que sua estrutura biológica indica. Sua estrutura biológica possui parte da minha agora, então está relacionado a mim biologicamente, como um herdeiro de minhas células, ou, em outras palavras, um filho." — Fenrir diz.
"Continue me chamando disso e farei questão de eliminar todas essas malditas células de que tanto se orgulha." — Alucard diz.
"Impulsivo, extremista, sanguinário, e impiedoso. Todas as qualidades dignas de minha prole. Negue o quanto quiser, os resultados não mudam." — Fenrir diz.
"Tch. Você é insuportável." — Alucard diz.
Horas depois. Alucard está se olhando no espelho de seu banheiro, vestindo uma camisa social branca, um colete marrom, um chique terno preto, com detalhes dourados, calças também pretas, sapatos de couro, e uma gravata azul.
"Você toma boa conta de sua aparência, para alguém que não se importa em ser coberto pelas entranhas de sua presa." — Fenrir diz.
"Tenho um encontro 'importante' com pessoas ricas." — Alucard diz. "Infelizmente, preciso manter essa maldita persona de milionário." — Ele abre o espelho, pega algumas pílulas e as engole.
"Vejo você tomar essas coisas diariamente, mais de uma vez por dia, às vezes. O que é isso ?" — Fenrir pergunta.
"Clonazepam, vitamina B12, C, A, e Fluoxetina." — Alucard diz.
"Meu conhecimento sobre corpos humanos é em quantas partes consigo destroça-los, mas não creio que isso seja uma atividade normal." — Fenrir diz.
"Meu corpo fraco e patético sofre de desordem alimentar, insônia, problemas de pele e estômago, sistema imunológico fraco, e depressão psicótica." — Alucard diz.
"Isso explica a sensação diferente que sinto em seu corpo. Sua forma física é melhor do que sua estrutura genética diz." — Fenrir diz. "O motivo de todas essas doenças está entrelaçado com o fato de não ter adquirido minhas células forma legítima ?"
"Como você-" — Alucard diz, sendo interrompido por Fenrir.
"Como já disse, não tenho muito contato com os humanos. E, os que tive, os matei. Eu lembraria, se tivesse te infectado." — Fenrir diz.
"Fim do diálogo." — Alucard diz, sério.
"Certo. Não irei mais te perturbar." — Fenrir diz.
"Tch. Criatura insignificante intrometida." — Alucard diz. Ele chega em sua chique sala e para repentinamente.
"Algum problema ?" — Fenrir pergunta.
O jovem põe a mão em sua cabeça, zonzo. "Ugh… ! F… Fenrir… ! Aqueles… não eram… meus… remédios… !" — Ele desmaia.
Um sorriso aparece nas trevas.
Alucard acorda em um consultório acabado, não terminado de construir e pichado. Algo está batendo violentamente em uma porta. "…Ugh… Droga…"
"Finalmente acordou." — Fenrir diz.
O jovem olha para todos os lados e rapidamente chega a uma conclusão. "Presumo que eu esteja no hospital abandonado, perto da cidade. Meu sequestrador não me trouxe aqui porque é um local isolado, mas sim porque deve ter alguma vantagem neste terreno."
"Exatamente. Você foi sequestrado por uma mulher. Ela o trouxe para cá porque está usando um exército de cadáveres ao seu comando. Atualmente, estão tentando arrebentar a porta. Ela quer matar o humano com meu irmão. Ouvi tudo enquanto dormia. Essa fêmea não fica quieta." — Fenrir diz.
"Patético. Rastreie-a." — Alucard diz.
"Terraço, doze andares acima." — Fenrir diz.
"Sei que está me ouvindo. Eu serei aquele que terá o prazer de matar o maldito troglodita." — Alucard diz. "É melhor não rezar. Quando te alcançar, vou te destroçar tanto que não será aceita no céu ou inferno."
A voz de uma mulher madura com sotaque russo sai de algumas caixas de som, atrás da porta. "Tenta a sorte, pivete~♥"
"Eu recomendo que se aprece. Sua festa está prestes a começar." — Fenrir diz.
Alucard rasga a manga de seu terno, desamarra seu braço esquerdo, cria uma katana de gelo e afrouxa sua gravata. "Minha festa já começou." — Ele chuta a porta com força, arrebentando ela e a arremessando contra um zumbi.
Cadáveres ambulantes podres e deformados começam a invadir o consultório, segurando canos, barras de ferro, tijolos, muletas, e qualquer outra coisa que sirva de arma. Alucard corta um ao meio, cria um espinho de gelo em seu cotovelo e dá uma cotovelada em outro zumbi que ia o atacar pelas costas, perfurando sua cabeça. Ele pega esse zumbi, o congela e joga nos outros, os derrubando. O jovem sai do consultório para um corredor. O local está infestado de zumbis. Alucard vê algumas escadas e corre na direção delas, cortando zumbis em seu caminho. Um zumbi com uma serra elétrica se aproxima e ataca. O jovem se defende. Os dois começam a competir. Outro zumbi com uma serra elétrica se aproxima, por trás. Alucard empurra o inimigo que estava o atacando para trás e desvia. O zumbi que ia atacá-lo por trás acaba serrando o outro ao meio. O jovem pega as tripas do zumbi cortado, enrola nos braços do outro e puxa com força, fazendo ele cortar sua própria cabeça.
Alucard alcança as escadas e as sobe. Há ainda mais zumbis no local. "Tch. Mais quantos andares ?"
"Dez." — Fenrir diz. "E eu creio que seu corpo não esteja em boas condições, já que não se medicou."
"Meu corpo está em perfeitas condições para isso." — Alucard diz. Ele cria outra katana e corre na direção dos zumbis.
Um dos zumbis tenta atacá-lo, mas o jovem desvia e corta a cabeça dele fora. Alucard chuta essa cabeça em outro zumbi, fazendo ele se desequilibrar, e corta esse zumbi ao meio de baixo para cima. O barulho de uma moto pode ser ouvida. Um zumbi com uma moto entra no corredor.
"Isso está ficando ridículo." — Alucard diz.
O zumbi começa a acelerar na direção dele. Alucard corre na direção do zumbi motoqueiro. Ele dá um pulo, sobe na moto, finca sua katana no guidão e vira a moto para uma janela. Os dois são jogados para fora do hospital. O jovem arranca o zumbi da moto e começa a pilotar ela.
"Nosso objetivo está dez andares ACIMA de nós, não abaixo." — Fenrir diz.
"É familiarizado com a segunda lei de Newton e inércia ?" — Alucard pergunta. Ele cria uma rampa de gelo. Amortecendo sua queda. O jovem vai criando uma rampa mais alta, e a moto vai subindo. "O valor da força é igual a quantidade de massa vezes a aceleração do objeto." — Ele chega no topo da rampa, para de subir e vira sua moto para baixo. "Inércia é a capacidade de um corpo continuar em repouso ou em movimento retilíneo uniforme. Em outras palavras, para que seu cérebro inferior consiga entender: tudo que sobe, desce." — A moto começa a descer rapidamente.
"Você não pretende fazer o que penso que vai…" — Fenrir diz.
O jovem congela a parede do hospital inteira. A moto começa a subir nela. Um zumbi com uma bazuca aparece e atira.
"Pule ! Não há como desviar !" — Fenrir diz, preocupado.
Alucard dá um sorriso confiante. "É exatamente isso que eu queria." — Ele pula em cima da moto e cria um pedaço de gelo em baixo de si.
O tiro da bazuca acerta a moto, explodindo ela e lançando o jovem para cima com força. Graças a isso, Alucard chega rapidamente no terraço.
O jovem aterrissa no terraço sem nenhum arranhão. "Dez andares acima."
"Audacioso, impulsivo e mesquinho. Características que eu odeio." — Fenrir diz.
"Patético. Eu esperava pouco de uma forma de vida patética, como você, mas conseguiu me fazer ter menos expectativas ainda." — Alucard diz. "Um ser ancião que se diz todo poderoso tem medo de velocidade."
"Eu não temo velocidade. Nunca fui apegado a alturas." — Fenrir diz.
"Quieto. Quanto mais abre sua boca, mais nojo e desprezo sinto de você." — Alucard diz. Ele se joga para o lado.
Algo acerta o lugar onde o jovem estava, o queimando imediatamente. Alucard olha para trás e vê uma mulher gótica de cabelo longo rosa, olhos verdes, com delineador preto, batom vermelho num tom escuro bem forte, e com uma tatuagem de caveira no rosto inteiro, vestindo um uniforme de enfermeira só que de látex, um pouco rasgado e com vaias correntes por ele, botas de couro também pretas, e segurando o que parecem ser duas lanterna. Ela está em cima de uma caixa d'água.
"Essa é a humana que lhe raptou." — Fenrir diz.
"Persistente." — A mulher diz. Ela lambe seus beiços. "É assim que gosto."
"Não acredito que fui dopado por essa abominação ao olhar." — Alucard diz.
"Meu nome é Anastasia Pavlova Pushkin. Sou uma uma ex-enfermeira, agora assassina de aluguel, que coleta o corpo das vítimas como recompensa." — A mulher diz. "Minha habilidade, Immortal Technique, me permite infectar seres vivos e fazê-los me obedecer. Não existe sensação melhor que ficar na mente de alguém para sempre e fazer aquela pessoa não pensar em outra coisa que não seja você~♥"
"Humpf. Se isso é tudo com que se importa, é óbvio como se tornou o ser insignificante que é." — Alucard diz.
"Meu objetivo nunca foi aquele tal de Kuzuha. Minha verdadeira missão é matar VOCÊ, Alucard." — Anastasia diz. "Alguém não te quer vivo porque você fica perto dele, mas eu te quero de todos os jeitos. Vai ser uma ótima adição para minha coleção~♥"
Alucard aponta sua katana para ela. "Você é patética, se acha que consegue me vencer."
A enfermeira pula de cima da caixa d'água, dando um mortal, e cai em pé. Ela liga suas lanternas, fazendo sabres de luz laranjas. "Não só acho, como tenho certeza."
O jovem cria outra katana e a pega. Os dois correm na direção um do outro. Eles se alcançam e começam a colidir suas espadas.
"O quê !? Meus sabres de luz deviam cortar qualquer coisa !" — Anastasia diz, surpresa.
"Lasers são apenas uma luz super quente. Gelo é refrativo, absorvendo a luz. Não só isso, como meu gelo é frio o suficiente para aguentar o calor das suas patéticas e fracas lâmpadas." — Alucard diz, desprezando a enfermeira.
"Isso só me deixa ainda mais excitada para coletar você~♥" — Anastasia diz.
Alucard dá uma cabeçada em Anastasia, fazendo ela perder o equilíbrio, e também dá uma rasteira, a derrubando no chão e fazendo a enfermeira soltar seus sabres. Anastasia rola para o lado, desviando de um ataque do jovem, rapidamente se levanta, arranca um cano de ferro de uma parede e se defende de outro ataque dele, que acaba cortando o cano ao meio. Alucard ataca novamente, mas a enfermeira desvia se abaixando, e a katana dele acaba se fincando na parede. Anastasia aproveita essa oportunidade e dá uma cotovelada no ombro e no braço de Alucard, deslocando os dois.
O jovem dá um pulo para trás, se afastando da enfermeira. "Tch. Vadia desgraçada."
"Eu lhe disse que seu corpo não está em boas condições." — Fenrir diz. "Um caçador sabe quando deve recuar e reorganizar seu plano."
"Quieto, ser inferior ! Esse é MEU corpo !" — Alucard diz, bravo.
"Sua insolência ainda lhe causará sua morte." — Fenrir diz.
Anastasia pega seus sabres, desfaz eles e começa a atirar. "Eu era enfermeira ! Sei onde dói mais !"
Alucard reflete os tiros com sua katana. Um acaba acertando a perna dele, fazendo o jovem se ajoelhar. "Ugh ! Merda !" — Ele tenta se levantar com sua katana, mas Anastasia se aproxima e aponta sua lanterna para a cabeça dele.
A enfermeira solta um suspiro. "Se continuar bancando o durão assim, vou perder meu interesse."
O jovem permanece em silêncio.
"É desse jeitinho mesmo que eu gosto, quando já não existem mais esperanças~♥" — Anastasia diz. "Sabe, você é um gatinho. Espero que goste de MILFs, porque vai ser meu namoradinho e escravo sexual~♥"
"Patética." — Alucard diz, friamente.
A enfermeira dá de ombros. "Se não for por bem, vai ser por mal."
De repente, o terraço começa a tremer.
"M-Mas o quê !?" — Anastasia diz, surpresa.
Barulho de ferro rangendo pode ser ouvido.
"Eu não estava refletindo seus disparos para qualquer lugar…" — Alucard diz.
Anastasia vê que o suporte da caixa d'água derreteu. "Seu desgraçado !"
A caixa d'água cai, inundando o local. Os dois estão molhados e o chão está coberto de água.
"Ahahaha ! Você acha que isso ia me derrotar ? Patético !" — Anastasia diz. Ela deixa uma de suas lanternas cair no chão. "Sabia que látex e couro não são conduzem eletricidade ?"
O chão começa a ser eletrocutado. Alucard também. Depois de alguns segundos, o choque para. O jovem foi completamente eletrocutado.
"Eu avisei~♥" — Anastasia diz. Ela atira.
Alucard se quebra, se despedaçando em pequenos pedaços de gelo.
"Merda !" — Anastasia diz, preocupada. Ela se vira para trás rapidamente e acaba sendo acertada pela katana de Alucard, que se fica em seu peito. A enfermeira cospe sangue. "Gah ! Pivete… desgraçado…"
"Dependendo da grossura, gelo também não é condutivo." — Alucard diz.
"Usando a água como distração, não uma arma. Inteligente." — Fenrir diz.
O jovem tira sua espada do peito da enfermeira.
Anastasia cospe mais sangue. "Ugh- Gah !" — Ela fracamente põe a mão no ombro do jovem e dá um beijo na boca dele. "…Vai... se… lembrar... de… mim... para... sempre… ?"
Com um corte rápido e preciso, Alucard degola Anastasia. O corpo dela cai no chão. A cabeça da enfermeira cai perfeitamente na katana dele. O jovem olha profundamente nos olhos sem vida dela com um olhar frio de desprezo. "Eu sequer lembro seu nome." — Ele fecha os olhos da cabeça, deixa ela cair perto do corpo e vai embora.
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