Notas iniciais
Enfim... Yuu Grantaine, espero que esteja de seu agrado ;w; Pensei em escrever algo AsaKiku, mas não estava conseguindo ; ; Mas então... boa leitura ;u;

O silêncio da noite era quase absoluto. Quebrado apenas pelos tiques e taques do relógio, e pela chuva fina que caía do lado de fora. A pequena de cabelos louros aconchegou-se junto à sua “irmã”, com um sorriso satisfeito nos lábios. Era tão bom estar perto dela... Tão quente e aconchegante... Nunca sentira nada parecido em sua antiga vida. E queria que aquilo nunca acabasse. Acariciou-lhe os cabelos castanhos, sorrindo com o quão tranquila ela parecia. A envolveu com os braços, o fechando lentamente os olhos, para assim emergir num mundo de sonhos tal como ela. Ainda que estar de olhos abertos ultimamente já lhe fosse como sonhar. Mas um trovão abalou os céus e a fizera perder esse devaneio de tranquilidade, apertando a outra num abraço forte. Com isso, a pequena de cabelos castanhos acabou acordando, entreabrindo seus olhos avermelhados.

"Eu nada sabia sobre ela”

- Mary...? — Não teve uma resposta, o que lhe preocupou um pouco. Abraçou de volta, esperando que a outra se acalmasse, o que pareceu funcionar.

- ... Tudo bem... Está tudo bem, Ib... — Disse, afrouxando um pouco o aperto. Então lhe acariciou os cabelos, sorrindo um pouco. — Desde que eu esteja contigo... Né...?

“Só seu nome e aparência.”

Mesmo sonolenta, nos lábios de Ib formou-se um sorriso leve. Quando enfim solta, sentou-se na cama, esfregando os olhos.

- ... Está chovendo... — Disse em voz baixa.

- Sim! Como com a Dama Sem Seu Guarda-Chuva! — Disse sorrindo, o que fez com que Ib lhe lançasse um olhar confuso. — ... Você não lembra? Na galeria de Guertena... — Só então Mary lembrou que aquela era uma das pinturas das quais Ib não se lembraria. Às vezes esquecia que o que acontecera no mundo que seu pai criara, havia sido totalmente esquecido por sua “irmã”. Bem, isso impedia que ela se lembrasse de quem Mary realmente era, e o que ela fizera. Mas às vezes era incômodo ser a única a lembrar do que passaram juntas.

- Não lembro...

- ... Não é importante. Mas vamos juntas de novo? Caso haja outra exposição... — Ib sorriu novamente. Aquele sorriso, tão mais raro para os outros... Mary adorava aquilo.

“Mas ainda sim, ela tinha algo que me atraía.”

- Vamos... — Então voltou a se deitar. A chuva caia incessante do lado de fora, e novos trovões se faziam ouvir. A cada trovoada, a pequena de cabelos louros estremecia. E como aquilo a confortava, Ib voltou a envolvê-la em seus braços. Assim ficaram aquecendo uma à outra, até que aqueles barulhos cessassem.

-... Ei, Ib... Se você fosse uma pintura, como seria? — Os olhos da pequena de cabelos louros pareceram se iluminar quando fez aquela pergunta.

- Uh? — A pergunta a pegara de surpresa, mas de qualquer modo não é como se Mary esperasse uma resposta naquele momento. Então, sorrindo e se aconchegando mais nela, imaginava uma pintura da pequena de olhos vermelhos. Criou em sua mente um quadro bonito, cheio de rosas e doces, e com a imagem adorável de sua “irmã”.

“Ela era fofa mesmo calada, me dava vontade de tê-la para sempre ao meu lado!”

-... Seria muito fofa, Ib! — Riu, ainda que o sono estivesse voltando. Teria Mary se esforçado tanto para escapar daquele mundo, se Ib também fosse uma pintura? Mas será que ainda assim a pequena de olhos vermelhos tentaria ir embora junto àquele rapaz da rosa azul? Em meio a esse devaneio, acabou imaginando se Ib ficaria como a Dama de Vermelho quando crescesse. Como esta era sua irmã mais velha, era até um pouco esquisito pensar aquilo. E com isso, seus pensamentos chegaram a como ela própria ficaria como crescesse. Cresceria, não? Mesmo sendo uma pintura, tornou-se humana ao abandonar aquele mundo. Mas não deixava de ponderar a ideia de que nunca cresceria, de que ficaria para sempre como determinaram as pinceladas de Weiss Guertena.

Os trovões pareciam ter parado, mas a água despencava sem trégua do lado de fora. Ib observava as gotas, que o vento atirava sem piedade contras as janelas, parecendo pensativa. Mary olhava pra ela, tentando adivinhar o que estaria pensando.

-... Mary...

- Uh? — Voltou a agarrá-la. Adorava tudo naquela pequena, principalmente sua voz, que raramente era ouvida. Ainda mais quando ela pronunciava seu nome. Provavelmente a única voz que amaria tanto assim seria a de seu pai, se pudesse encontrá-lo. Talvez estivesse apenas procurando nos lugares errados, afinal. — Sim, Ib?

-... Pode contar uma estória...? — A pequena de cabelos louros riu, apertando-a, feliz com aquele pedido. Não se lembrava de muitas estórias entre os livros de Guertena, desde que a Dama de Azul tentara ensiná-la a ler. Mas recordava de uma, que ela própria criara. Sentou-se na cama, ajeitando a coluna, como sua nova “mãe” sempre a lembrava de fazer, e então limpando a garganta.

“Mas havia algo que eu também sabia e me impedia isso...”

- Está bom. Esta é a estória de Carrie a Descuidada, e o Gallete de Rois! — Ib olhava para ela, com ar interessado. O título lhe parecia familiar. — Feliz aniversário, disseram as três crianças à Carrie. Ela agradeceu sorrindo. Então a garotinha de cabelos rosados explicou que a torta que fizeram, era na verdade um Gallete de Rois.

- Gallete de Rois...? — Perguntou Ib, que não reconhecia aquelas palavras.

- Sim! — Respondeu Mary, com um sorriso. — Uma torta com uma moeda dentro. Se você comer o pedaço que tiver a moeda, você será uma pessoa feliz! — Riu como a pequena de cabelos castanhos parecia admirada com aquilo. — Podemos fazer um Gallete de Rois um dia... Mas voltando à estória. Depois de garotinha explicar sobre a torta, Carrie disse que parecia divertido. Então, eles cortaram a torta em quatro pedaços. Cada um deles, pegou um pedaço do Gallete de Rois. Mas, enquanto comiam, Carrie pareceu incomodada com algo. “O que foi”, perguntou a garotinha. “Eu acho que... engoli algo duro...”, respondeu Carrie. “Deve ter sido a moeda”, disse a outra criança. A pequena de cabelos rosados riu, dizendo a ela para não se preocupar, já que a moeda era pequena. “Vou limpar isto agora”, ela disse, levando o prato e a faca. No caminho para a cozinha, a pequena de cabelo rosa viu a mãe, andando de um lado para o outro, parecendo preocupada. Quando perguntou o que havia de errado, a mãe perguntou se ela havia visto a chave para o estúdio. “Pro estúdio? Mas ela está sempre aqui, em cima da me...”. Então... ela notou que o que estava na mesa não era a chave. Mas a moeda! A moeda que devia estar na torta! Sabe o que significa, Ib? — A pequena balançou rapidamente a cabeça para os lados, com os olhos fixos em sua “irmã”, prestando atenção em cada palavra.

“Ela era humana"

- O quê...?

- A garotinha colocou a chave na torta por acidente. E foi engolida! Então... “Parece que fui tão descuidada quanto Carrie”, ela disse. E abriu a barriga de Carrie, retirando de lá a chave, toda vermelha. E fim! — Terminou Mary, com um sorriso empolgado. Embora aquele final parecesse ter deixado Ib um pouco confusa.

- ... Não doeu...? — Perguntou, levemente preocupada com o que aconteceu à personagem.

- Acho que não... Quando você abre a barriga de uma boneca, não dói, certo? Então acho que ela ficou bem, e no final sua barriga era cheia de tinta. Mas ei... a chuva parou. — Então Ib percebeu também, que as gotas pararam de cair. O dia já estava quase amanhecendo. — Vamos dormir um pouco mais? — Sorrindo um pouco, voltou a se deitar, puxando sua “irmã para mais perto de si”.

- Vamos... — E abraçando Mary, tornou a fechar os olhos.

Notas finais
Ok, terminei na pressa e em questão de horas, porque eu ainda achava que era pro dia 28 @W@ Mas... peço desculpas por qualquer erro ao decorrer da fic ; ; E obrigada por ter lido ;w;
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!