Jack era um homem trabalhador. Desde criança foi muito dedicado para com todas suas funções, domésticas e escolares. Formou-se brilhantemente em administração e trabalhava agora em um cargo justamente remunerado em uma empresa medianamente reconhecida.

Jack era um homem trabalhador e matutino. Todos os dias cumpria devidamente sua rotina de acordar às 5 da manhã para estar às 6 em ponto em sua empresa.

A estação onde embarcava no primeiro metrô sempre se encontrava vazia a tais horários, a não ser por alguns mendigos e bêbados largados nos bancos. Ocasionalmente aparecia um homem ou outro tão trabalhador quanto ele próprio.

Perdendo-se no tédio de esperar pelo metrô, vê-se imerso em seus devaneios, enquanto mirava um mendigo.

Aquele mendigo era diferente dos outros poucos. Por quê? Porque ele era o único que não tremia de frio à mercê da temperatura baixa que esbranquiçava a respiração e do vento gelado que pinicava o rosto. Engraçado também que parecia ter um tez estranhamente pálida demai- ESPERE!

Ele estava morto frio!

Jack era um homem trabalhador, matutino e, neste momento, completamente estarrecido. A realidade da situação mais do que podia suportar.

Há quanto tempo aquela pessoa jazia ali?

Alguém procurava por ela?

Alguém mais a tinha visto antes dele?

E mas importante: e se fosse ele mesmo: Jack, no lugar do mendigo?

Qualquer que fosse a resposta para tais perguntas, não importava, No final, ninguém se preocupava com o cadáver e provavelmente nunca havia se preocupado. Duvidava até que alguém além dele sequer o tivesse notado.

O choque inicial foi passando, assim como as batidas aceleradas do coração foram se acalmando. Sobrara apenas o sentimento de resignação. Era isso. O mendigo falecera sem ninguém. Gelado

.

De corpo gelado.

De coração gelado.

E ele seria esquecido. Como qualquer outro seria.

O barulho do metro correndo sobre os trilhos elétricos fez-se ouvir, Finalmente ele havia chegado.

Jack era um homem trabalhador, matutino, antes chocado, e agora resignado. Por isso, desviou os olhos do morto e adentrou sem hesitar no recinto abafado e sem graça que era o metrô.

Indagou-se quantos outros se chocariam com tal cena ocorrida, e quantas mais, assim como ele, resignar-se-iam e seguiriam com suas próprias vidas.

Notas finais
Obrigada por ter lido até aqui.

Se achar que mereça, por favor, comente!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!