Devaneios

1 Devaneio 1 - Estações


Notas iniciais
Isso veio na minha cabeça do nada em um dia totalmente aleatório. Resolvi retomar o hábito de escrever e essa é a primeira coisa escrevo em anos. Queria fazer uma história um pouco mais longa, mas por hora fiquem com esse primeiro devaneio.

Primavera. Sabe aquela sensação de quando você percebe que a primavera chegou? Após os dias frios, sentir o sol quente na pele, todas as flores desabrochando e sua vida fica colorida? Beijá-lo foi assim. Como se eu estivesse finalmente florescendo após um inverno intenso. O riso involuntário, os olhos brilhantes que desviavam como quem esconde um segredo. Expectativa.

Então, nós fomos Verão. Incandescente e revigorante. Em meio ao caos da cidade, nós éramos como praia. Energéticos e felizes. Genuinamente felizes. E quando o estresse deixava o mar agitado, quando a ressaca externa me deixava temerária que tudo se perderia, ele era o farol, o barco imponente, o habilidoso capitão que fazia o mar bravo parecer uma aventura selvagem. E eu sempre amei aventuras. Nosso verão foi praia, selva e campo. Foi bungee jump, tirolesa e se deitar sobre a grama para ver as estrelas. As chuvas eram garoas seguidas de cheiro de grama e alívio aos dias quentes. O riso cumplice, os olhos brilhantes fixos um no outro. Confiança.

Com a chegado do Outono, nós éramos fim de tarde, àquela hora dourada quando a luz permeia as folhas das árvores, tranquilidade. Aqui nós éramos caminhar de mãos dadas no parque, um vinho após um longo dia de trabalho corrido. Tirar o salto depois da festa. Era cinema, arte e poesia. Rir de coisas aleatórias e um silêncio confortável. O riso compartilhado, os olhos ternos e um abraço apertado. Cumplicidade.

De repente, ventania. Preludio do inverno que invariavelmente chegaria. Com o vento no rosto era difícil enxergar com clareza, então nossas mãos se mantinham firmes. Não solta, tá?

Quando achávamos estar preparados, o inverno chegou. Demandante, gélido e agressivo. No entanto, nós enfrentamos como uma frente unida e mesmo com a nevasca devastadora lá fora, nós fomos lareira, conversa e aconchego. É suficiente? Sim, não sei, espero que sim. Não me solta, tá? Não vou soltar. O riso esperançoso, olhos fechados, promessas.

Nós passamos por muitas estações, várias vezes. Algumas piores, outras melhores. Fizemos nevar no verão, florescer no outono e esquentar no inverno.

Primavera. O beijo era bom, mas não florescia e as cores não vibraram mais. Os olhos brilharam por outro motivo. Olhos fixos, bocas caladas. Suspiro resignado. Medo da solitude. Precisamos conversar. O brilho rolou pelo rosto, primeiro no meu, depois no dele. Abraço apertado. Nós nos soltamos.

Fim.

Notas finais
É isso, o que acharam?
Tenho uma sugestão de música que eu amo e que provavelmente moldou um pouco o rumo do texto, chama "Montes Claros" da Mariana Volker.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.