Devanear

2 Artista de processo


Em tempos de IA, saudemos os artistas que fazem suas obras com o insumo artístico mais original de toda a humanidade... suas emoções! Àqueles que pegam seu sentir, derramam em algo que traduz para qualquer um tudo que está passando dentro de si. Sensações que palavras básicas não dão conta do quanto a tempestade de coisas indecifráveis precisam ser vistas por outro além daquele que sente. Dar vazão á necessidade de sentir até deixar transbordar a última gota. Pesquisar minuciosamente dentro de si cada detalhe do que é sentido, onde o nome não é contemplado pelo pacote básico do repertório de emoções que temos disponível. É preciso arte para decifrar e o processo é onde mora a catarse. Percebi que não sou artista das artes prontas, finalizadas, feitas, entregues. Eu sou artista do processo. Do que começa a ser sentido e criado hoje e finalizado sabe lá quando. Não apenas porque no meio do caminho já derramei o que me cabia até então, mas porque processar o que se sente leva tempo. É preciso caminhar para descobrir novos sentir. Uma arte não-finalizada nada mais é do que um processo procurando seu próprio entendimento. É como desenhar o mapa enquanto caminha, a arte do acontecimento, ao vivo, ao ser que vive. Ou é apenas a desculpa que encontrei de romantizar a minha mania de protelar. O mal de artista é querer traduzir tudo da vida em arte e por que comigo seria diferente? Afinal, sou artista de processo.

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