Devaneando

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oi, pessoal!

Esta oneshot é o cumprimento de um desafio do grupo Sesshy Lover's.
Simples, bobinha, mas eis aí! Espero que gostem. É o resultado de uma ideia bem antiga, que eu decidi desenvolver agora. *-*

Boa leitura!

***

Inuyasha... Maldito Inuyasha. Vou matá-lo.

Estive analisando; ele tem um ponto fraco, que é se tornar um humano comum uma vez por mês, na noite de lua nova. Seus amigos o escondem. Mas eles se enganam ao pensar que podem ocultar aquele cachorro estúpido de mim, o grande Naraku.

Miroku ainda vai ser sugado pela Kazaana em sua mão direita; como Sango não o larga, muito provavelmente vai acabar morrendo junto. Como não me importo com Shippou, não faz diferença se ele morrer ou viver. Agora, a Kirara tem que sobreviver, eu adoraria ter um animal de estimação como ela. Decidido, vou roubar aquela gata.

E tem Sesshoumaru, que agora decidiu que quer mesmo me matar. Tanto melhor; quanto mais ele se aproxima, mais poderei estudá-lo. Aqueles poderes dele são formidáveis, eu preciso tomá-los para mim Possivelmente, ele tem um ponto fraco também. Seria aquela criancinha humana que ele carrega? Parece que sim. Interessante, um daiyoukai que protege uma menininha... Ela deve representar algo muito importante para ele. Vou sequestrá-la... Quem seria a melhor pessoa para isso? Kagura? Kohaku? Ainda não me decidi.

Kagura... Ingrata. Ao criá-la, dei-lhe cabelos lisos e comportados. Ela agora faz de tudo para se ver livre de mim. E se eu a tivesse feito com cabelos iguais aos meus? Acho que ela se mataria.

Kagome carrega consigo três fragmentos da Joia de Quatro Almas. Preciso tomá-los dela e corrompê-los, caso contrário eles poderão ser nocivos para mim. Kagome... A reencarnação da sacerdotisa Kikyou, que matei há cinquenta anos atrás e, recentemente, a atirei em um abismo cheio de miasma tóxico, mas a infeliz não morreu. Será que um dia conseguirei esquecer que a amei como um louco no passado? Ou melhor... Ainda a amo. Ela pode me matar com uma flecha purificadora. Tenho que tirá-la de circulação. Tanto Kikyou quanto Kagome. Elas são perigosas.

Seria muito útil se eu tivesse um servo que soubesse criar ilusões. É, é uma ideia a se considerar. Até tenho um nome... Byakuya. Eu o batizaria como Byakuya. Mas tenho que ser mais cuidadoso, minhas outras crias acabaram sendo derrotadas pelo maldito Inuyasha. Que inferno! Dos meus oito “filhos”, apenas Kagura (traidora...) e Kanna ainda vivem. Vou ser obrigado a criar o Byakuya.

Ouço passos... Estou sentado em meu castelo. Um cheiro de terra de sepultura... Não acredito, Kikyou me encontrou! E a atrevida agora abriu a porta do meu quarto. Linda e perigosa como uma desgraça, eu era louco por ela, mas ela só sabia correr atrás do maldito Inuyasha...

— Naraku! — chamou ela, impetuosa.

— Kikyou, como me encontrou? Sentiu minha falta? Ku, ku, ku, ku...

— Mais fácil seria sentir falta daquela bruxa Urasue, seu idiota. Agora tenho contas a acertar com você! — e ela empunhou o arco, apontando a flecha para mim. Dei de ombros. Minhas barreiras estão infinitamente mais fortes depois que estive no Monte Hakurei.

Coloquei-me de pé, olhando para aqueles olhos expressivos. Ela quer lutar comigo? Pois bem, lutaremos. Estranho, agora Kikyou move os lábios mas eu não a ouço. O que está acontecendo?

— Naraku?

— Ku, ku, ku, ku...

— Naraku, acorde. Acorde! Está sonhando?

— Hummmm?

Abri os olhos; estava no quarto, sentado no chão com o notebook sobre o colo. Erguendo um pouco o rosto, avistei Kikyou olhando para mim com cara de poucos amigos.

— Naraku, você dormiu no chão de novo com esse notebook!

— Ah, amor...

— “Ah, amor” uma ova! Você já trabalha o dia todo e, ao chegar em casa, inventa de escrever essas histórias de terror durante a madrugada!

— Não é terror! É aventura, onde o vilão vence.

— Dá na mesma... E que negócio é esse de querer matar o meu irmão no seu enredo?

Arregalei os olhos. Estava tentando me levantar do chão, já que a perna esquerda estava dormente. Kikyou estava meio vermelha, resultado da trigésima sétima semana de gravidez do nosso bebê Hakudoushi. Ela andava com um humor instável e um apetite sobrenatural. A barriga estava baixa; Sesshoumaru, meu melhor amigo e nosso obstetra, marcara sua cesariana para daqui a quinze dias.

— Kikyou, você leu?!

— Claro que eu li — ela fez um bico engraçado ao dizer isso. — E não gostei dessa ideia de você querer matar o Inuyasha.

— Não é o Inuyasha “de verdade”, bobinha. É que eu não acho um nome original e, então, coloco os nossos nomes nos meus personagens.

— Hum... Como se você adorasse o Inuyasha. O que você tem contra ele? O garoto é meu irmão.

— Ele que não gosta de mim. E... — olhei para ela meio receoso. — Você acha que eu escrevo mal, amor?

Ela se acomodou na cama, se sentando devagar e me encarando.

— Amor... Confesso que não é meu gênero favorito e que, às vezes, sua escrita é muito enjoativa. Você detalha demais certas coisas e dá pouca ênfase a outras.

— Como assim?

— Você fala demais sobre como esse seu vilão aí queria a sacerdotisa e ela não correspondia aos seus sentimentos.

Kikyou me deixava encabulado sempre que tocava naquele assunto em particular. Peguei em sua mão e suspirei antes de responder:

— Eu havia me apaixonado por você há muito tempo, querida, você sabe... Desde quando éramos adolescentes e estudávamos na mesma escola. E, como sempre tive vergonha de me declarar, tinha inúmeros pensamentos negativos e ruins sobre o quanto você era a “malvada” que não me queria...

— Mas eu nem sabia que você me amava, e...

Shhh. Está tudo bem, Kikyou. Confesso que não esperava que esse sentimento reprimido, junto com a psicose maníaco-depressiva que eu já tinha, acabaria me levando para um consultório psiquiátrico, mas isso ficou no passado. O importante é que superei tudo, com o seu amor e o tratamento... E, veja só, vamos ter um filho!

Ela sorriu. Eu a beijei, satisfeito. Era muito bom ter aquela mulher tão incrível ao meu lado depois de tudo o que enfrentei. Kikyou me beijou de volta; pousei a mão em sua barriga, apreciando o carinho que ela me oferecia. Por fim, separamo-nos, olhando para os olhos um do outro.

— Posso te dizer duas coisas? — indagou ela, com um sorriso meio travesso.

— Sim, claro.

— Eu amo você, Naraku.

— Eu também amo você, princesa...

Trocamos mais alguns afagos, mas logo ela me afastou.

— Qual era a segunda coisa que você queria me dizer, amor? — perguntei a ela, que deu uma risadinha abafada.

— A bolsa estourou.

Meu queixo caiu e não vi mais nada.

Só sei que, quando acordei, Sesshoumaru havia jogado água gelada no meu rosto. Havia um ar de riso naquela cara branquela dele. Fiquei confuso.

— Acorda, sua bicha... O filho do Ricardão já nasceu.

— Hein? O quê?

Só então notei que estávamos numa sala de vacinas, no hospital. Eu estava desorientadíssimo. Lembrei de minha esposa, de meu filho, e perguntei, preocupado:

— E... Kikyou, a bolsa...

— Que bolsa, retardado? A bolsa que você leva para a rua quando vai dar o rabo para os boys magia?

— Para de me enrolar, caralho, eu preciso saber como a Kikyou está e meu filho também!

— Eles dois já estão no quarto. Engraçado, o pirralho é a sua cara. E olhe que eu jurava que era ela quem te comia...

Eu estava tão nervoso que nem liguei para as piadinhas.

— Onde eles estão, Sesshoumaru? Eu preciso vê-los!

— Na maternidade, onde mais? Fica nesse mesmo corredor, lá na frente.

Nem esperei mais nada: saí andando o mais depressa que podia. Estava louquinho para ver meus amores, nada mais importava, nem mesmo o estranho fato de acordar do nada dentro daquela sala de vacinas.

Não foi difícil encontrar Kikyou, já que o babaca do Inuyasha, irmão dela, que se opôs ferrenhamente ao nosso casamento (acho que ele agora só me tolera por causa das conversas que ela tem com ele), estava em um dos quartos. Assim que o reconheci, invadi o quarto, atabalhoado e ansioso.

— Parabéns, Naraku — resmungou Inuyasha. — O Hakudoushi é um garotão. Cinquenta e dois centímetros, quatro quilos e trezentos e vinte gramas.

— Ah... Obrigado... — respondi, meio tonto.

Lá estava minha princesa, deitada sobre a maca, um sorriso genuíno na face cansada. Meu filho estava mamando; apesar de mal conter minha emoção, não quis atrapalhar o miúdo, limitando-me a apenas beijar a testa de Kikyou e segurar a mãozinha de Hakudoushi. Ele, de imediato, comprimiu a ponta do meu dedo com seus dedinhos; uma lágrima desceu por meu rosto. Eu ainda estava bem confuso, mas a felicidade suplanta tudo o mais.

— Parabéns, amor — sussurrou Kikyou. — Você agora é papai.

— S-sou... Sou, sim, e vou cuidar de nosso garotinho com o maior amor do mundo, minha princesa... Vou te deixar descansar... — e lhe dei um selinho breve, ignorando a careta daquele imaturo do Inuyasha e saindo, indo em direção a Sesshoumaru que aguardava em silêncio na porta do quarto.

Abracei o próprio corpo, emocionado. Ser pai era a melhor sensação da vida, além de amar e ser correspondido. Imerso naquelas novas descobertas, saí andando até a recepção, enquanto meu melhor amigo me acompanhava em silêncio. Contudo, Sesshoumaru continuava a me olhar com um arzinho irritante de quem acha algo muito engraçado.

— Pode me dizer que merda de risinho é esse na tua cara, cuzão? — perguntei, já aborrecido.

— Kikyou não te contou?

— Contou o quê?

— Que você teve um surto psicótico...

— O QUÊÊÊÊÊ?!

— ... e me ligou para avisar que “Kikyou reuniu todos os fragmentos da Joia de Quatro Almas e eu agora vou dominar o mundo!”. Dizia que era um grande demônio, tinha descoberto o segredo da imortalidade... Quis tirar a roupa quando vínhamos para o bloco obstétrico... Chamou a coitada da tua mulher de “sacerdotisa guardiã da Joia” e não sei o que mais...

— ... — eu estava em choque.

— Deu um baita trabalho para te acalmar e te levar para a sala de vacinas, seu viado arrombado.

E, batendo de leve nas minhas costas, ele concluiu:

— Cara, eu sabia que você era doido, mas...

E gargalhou ruidosamente, enquanto minha cara queimava de vergonha. Afinal, minhas crises de bipolaridade estavam quase que totalmente controladas e fazia tempo que não me acometiam. Contudo... Meu nervosismo me traiu e eu paguei o maior mico da minha vida enquanto a pobre Kikyou estava ganhando o nosso filho.

Sesshoumaru continuava rindo, já vermelho. Eu estava irritado com ele, mas decidi capitular. Ora... Cada um mostra sua felicidade de um jeito, não é mesmo?

Acabei me rendendo às gargalhadas homéricas com ele. As pessoas na recepção nos olhavam com certo espanto, mas eu já não me importava. Na vida, aprendi que posso optar por reclamar do azedume dos limões ou optar por fazer uma limonada que me mate a sede. Viver já é uma dádiva muito grande; o resto é lucro.

Bati no peito e declamei, convicto:

— Ku, ku, ku, ku, ku… A Joia de Quatro Almas finalmente é minhaaaa! HAHAHAHAHAHAHAHA!

***

Notas finais
Ku, ku, ku, ku... Ops, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ah... Sério, gente, tudo a ver Naraku & psicose, né?
E a ideia de manter o Sesshoumaru como melhor amigo dele não me abandona e o Inuyasha como irmão ciumento da Kikyou também não! HU3HU3HU3BR!

Espero que tenham gostado! A fic é simplesinha, tem palavrão, mas foi feita com carinho!

Beijos da Mamãe

~Okaasan
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!