Deuses: Anabella Pizzato

5 Capítulo 5 - Cidade dos Deuses: Poderes, para que te quero?


Notas iniciais
Olá a todos, peço desculpas pelo sumiço e, não, não tenho explicações além das que provavelmente já imaginam, então não vou dá-las, só pedir por compreensão. Eu estava postando ele antes, não sei se alguém viu, quando notei que eu postei a versão sem correções... Por isso estou postando novamente. Divirtam-se!

— Eu não disse? Pertinho! — Angelina encosta-se ao batente da porta, enquanto acenava com descaso.

— E como você planeja chegar lá? — Agora não dava mais, papai estava tão irritado que suas palavras saiam engolidas.

— Pulando. — Ela responde como se fosse a coisa mais óbvia do mundo e estivesse falando com uma criança do primário.

— Oi, cadeira de rodas? — Eu gritei, chamando sua atenção e apontando para a minha cadeira quando ela dirigiu os olhos para mim. A careta dela ficou ainda pior.

— Já está na hora de você aprender um pouco sobre os seus poderes. — Angelina se dirigiu para as minhas costas com um sorriso estranho e antes que alguém a impedisse ela chutou minha cadeira de rodas, fazendo-a ir penhasco abaixo.

— Socorro! — O grito desaparecia conforme caia, o irmão saltando logo atrás de mim enquanto o pai deles gritava tanto quanto ela.

O tempo parecia correr devagar. Incrivelmente devagar. Naquele instante ela podia sentir o vento gélido e o sol de inverno na sua pele, podia ver as folhas que caiam como ela a vários metros de distância, assim como os pássaros que voavam acima dela, podia ouvir seu canto, o grito de seu pai rasgando seus tímpanos. E como se fosse a coisa mais natural do mundo girei a cadeira de rodas, fazendo-a bater com estrondo no teto do hospital, onde várias rachaduras se formaram. Mas estava intacta. E a cadeira também de alguma forma estranha.

— Isso. O que foi isso? — Eu perguntava para ninguém em especial, entre chocada e maravilhada. Meus sentidos ainda vibravam, meu sangue fervia e um furor de energia como nunca havia sentido antes. Mas no instante seguinte tudo sumiu. — Ué? Foi embora! Vou tentar de novo!

Eu virei a cadeira de rodas e com dificuldade sai do lugar, me dirigindo para a beirada do hospital. Depois daquela estaca enorme havia tentado usar meus poderes da maneira que podia, imaginando o que seria, estudando, meditando... Mas nunca tinha pensado em se jogar de um prédio antes!

— Não faça maluquices! — Meu irmão gritou, agarrando a cadeira de rodas antes que saltasse de novo.

— Mas foi incrível! Eu não sei como, mas eu sabia exatamente o que fazer! E foi tão legal! Deixa eu tentar de novo! Por favor! Por favor! Por favor!

— Você vai fazer mais! Na escola! — Gian tentava puxar a cadeira, mas eu segurava a roda, não deixando que ela saísse do lugar.

— Eu quero fazer agora! — Gritei, irritada. Meus olhos arderam, aquela energia pipocou de novo e um pedaço de madeira voou na direção do meu irmão. Os olhos dele brilharam, fazendo o pau se dissolver e virar uma massa pútrida que atingiu a cara dele com tudo.

Gian gemia e gritava palavrões em português e em italiano enquanto andava as cegas. Fiquei paralisada. Não sabia o que tinha feito, mas não queria machucar o Gian. Ele começou a se aproximar da beirada do prédio rapidamente.

— Gian, parado! Parado! — Agarrei a cadeira de rodas e fui à direção dele tentando segurá-lo, mas ele caiu antes que pudesse alcançá-lo. — Gian! Não!

Era culpa minha. Apenas por ter se animado com a idéia de tudo aquilo. Mas a sensação tinha sido indescritível! Estava com medo de olhar para baixo. “Mas eles eram deuses, guardiões, ou seja lá o que fosse, certo? Ele ainda podia estar vivo!” Mantendo aquilo em mente como esperança olhei para baixo e vi Zanchi carregando ele no colo, enquanto Ícaro parecia gritar impropérios para ela que, felizmente, não chegavam nem ruídos em seu ouvido naquele momento. Soltei o fôlego que havia prendido sem perceber e comecei a chorar de alívio.

— Fique com ela! — A voz de Angelina soou do meu lado e logo uma lufada de vento saltou, antes que percebesse o que estava havendo. Levantei a cabeça e limpei o rosto, olhando para o garoto que antes usava uma roupa de jardineiro e agora... Agora ele parecia um delinquente, com o sobretudo e calça preta, uma camiseta azul e tatuagens visíveis em suas mãos. Ele esticava um lenço para mim e estava com o rosto vermelho. Apesar da roupa ainda continuava fofinho, para a minha felicidade.

— Você está bem? — Ele perguntou depois que limpei melhor o meu rosto, mas ainda estava muito chateada e não respondi. — O meu nome é Balthazar. Meus amigos me chamam de Balt. Pelo visto impulsividade e emotividade é uma característica de ambos os irmãos, não é?

— Cale a boca! — Eu gritei, irritada com a comparação. De repente comecei a sentir aquele fluxo de energia e a ardência e fechei os olhos. Aquilo não ajudou então o cobri com o lenço.

— Seus olhos brilharam... Está ativando de novo? — A voz dele soava preocupada, mas firme, bem diferente dela. — Você não está controlando isso. Apenas respire fundo. Relaxe. Apenas sinta o ambiente.

Eu segui as suas instruções. Comecei a respirar e contar até 10. Ouvi o vento soprando e os pássaros cantando ao longe. E antes que terminasse de contar a sensação tinha passado.

— Funcionou? Funcionou! Você é incrível! — Eu gritei e tentei pular, lembrando que estava na cadeira. Cadeira? Quando olho para baixo vejo que estou de pé! — Como?

— Não pergunte para mim.

— Ah! — Gemi quando cai, sem conseguir movê-las novamente, a frustração tomando conta. Olhei para ele, conseguia sentir o rosto quente. — Pode... Pode me ajudar a levantar?

*

— Ah, obrigada! Estou com tanta fome! — Disse pegando o terceiro prato de refeição do refeitório do hospital. Depois dessa podia dizer adeus ao regime!

— Por nada! — Angelina sentou na minha frente, cruzando as pernas de maneira elegante. — Não se preocupe usar os poderes consome muita energia, o que você está comendo é para repor isso.

— Como?

— Deve estar pensando que vai engordar comendo tudo isso, não é? Quando começar a treinar, você vai comer dez vezes mais. Em uma refeição.

Pousei a colher e resmunguei. Ela parecia sempre saber o que ela estava pensando! Talvez...

— Já sei! Você deve ter o poder de ler mentes, certo?

— Errado. E mesmo que tivesse não ia precisar usá-los. Você é que é fácil de ler.

— Sério? Não acredito nisso!

— Agora a pouco você estava fingindo não estar preocupada com seu irmão, seja lá o porquê. E no consultório você estava morrendo de curiosidade de perguntar por que tinha conseguido ficar de pé, não é?

Depois do que aconteceu no telhado uma maca levou meu irmão para dentro do hospital e não tinha ouvido nada sobre ele até agora pouco, quando o pai veio dizer que ele estava bem e que eles já iriam vê-lo, tinha ignorado ele. Não que estivesse brava ou chateada, mas quando era pequena e aprontava e Gian acabava se machucando ela ficava chorando durante dias e o pai a circulava e ficava o tempo todo querendo enchê—la de mimos. Aquilo irritava. Por isso agora ignorava para afastá-lo um pouco. E no consultório estava tentando não ser mal educada ou parecer maluca com o médico. E ela havia notado ambos os casos. “Aquilo chegava a ser meio vergonhoso”, penso enfiando uma colherada na boca e engolindo.

— Precisava ser tão direta? Isso dói um pouco o orgulho, sabia?

— Já esqueceu meu lema?

— Vamos encontrar o Gian? — Papai se aproximou correndo, impedindo-a gratamente de ter que dar uma resposta. Conversar com a Angelina realmente sufocava.

Os três fizeram um rápido caminho, passando pelo elevador e vários corredores. Observo os corredores e salas e calculo com o espaço que vi lá fora. De alguma forma aquilo parecia não encaixar bem. Logo chegamos ao quarto em que Gian estava internado. Zanchi e Ícaro estavam lá. Meu irmão usava um curativo enorme na cara, com uma montanha de gaze e faixas. O pescoço e as mãos também tinham curativos e era possível ver pequenas marcas das queimaduras saindo pela bandagem.

— Acho que agora estamos quites, não é, Ana? — Ele começou no momento em que a cadeira parou ao seu lado.

— Eu ainda não falei nada!

— Eu já sei o que você vai falar, te conheço há 15 anos, lembra?

— Desculpe! — Respondi emburrada, interrompendo aquela conversa ante aquele sorrisinho malvado que ele dava. Nessas horas queria socá-lo! Mas se ele a estava provocando é que não tinha acontecido nada sério pelo menos. Mesmo que parecesse que ele tinha levado uma surra.

— Quer comer alguma coisa? — Meu pai pergunta para o meu irmão depois de dar uma risadinha.

— Sim! Estou morrendo de fome!

— Vou buscar!

— Vou com ele. Botem o papo em dia. — Angelina fala, saindo com um aceno enquanto Balt entrava na sala acompanhado de um médico. Era o mesmo que a havia atendido antes.

— Olá crianças! Eu já estou saindo. Aqui está o resultado. — O doutor sorridente entrega algumas folhas para o Zanchi e remédios. — Aqui está os remédios. Já marquei a sua próxima consulta, traga o seu pai e vamos falar sobre os planos para você e o seu futuro bebê, está certo?

O doutor sai sem mudar a expressão, enquanto Zanchi parecia mais vermelho que um pimentão, Ícaro falava alguma coisa confusa em italiano e Gian estava de boca aberta. Não podia ver a cara de Balt atrás de mim no momento, mas a dela não devia estar muito diferente do Gian.

— Acho que ouvi algo errado. — Comecei, para quebrar o silêncio, meio confusa. — Você não é um menino?

— Não. — Ele, quer dizer, ela responde com uma voz sumida, guardando desajeitadamente as coisas em uma mochila.

— Mas Zanchi é nome de menino. Era o nome do nosso gato. E eu tenho certeza que eles usavam artigo masculino com você!

— Foi o seu irmão que me deu esse nome. — Ela termina de socar as coisas na bolsa e a joga em um canto, escondendo o rosto.

— Você deu um nome de gato para ela? — Ícaro pergunta, interrompendo. — Só ela para ser a sua namorada, mesmo.

— Namorada? Peraí, ninguém abre a boca agora! Explica isso de novo desde o início! — Zanchi não disse nada, ficando ainda mais vermelho — vermelha — do que antes. — Então explica você Gian, que história é essa?

Mas meu irmão havia surtado e só resmungava coisas desconexas. Então peguei Zanchi pela mão e entrei no banheiro com ela. Os outros dois tentaram entrar, mas usei um barbante que estava na cadeira de rodas para amarrar a porta. Eu tenho uma imaginação fértil, mas sei usar a lógica e se o Zanchi era uma garota talvez isso explicasse porque ela ficava mais a vontade para conversar comigo do que com os rapazes, apesar de sempre vê-los juntos. E aquele era um momento para se ter uma garota para conversar. Não era conhecida como a conselheira da escola por outro motivo além desse, não? Além disso, Gian não falava nada sobre a escola, mesmo depois que despertou os poderes, talvez aquele fosse um bom momento para descobrir um pouco mais sobre o colégio que iria estudar.

Respirei fundo e comecei a acalmá-la. Ativei meu modo tagarela e comecei a falar de trivialidades até ela parecer mais a vontade.

— Podemos voltar ao assunto anterior? Sabe, isso está meio confuso...

— Qual deles? O meu nome, o fato de ser uma menina ou de estar esperando um bebê? — Ela me olhou de maneira seca e fria, como se estivesse tentando se proteger de algo. Aquilo ia ser mais difícil do que imaginava.

— Eu não quero fazer mal algum a você. Só quero entender. Fale aquilo que te deixar a vontade. Não precisa me contar tudo, só o suficiente para que eu entenda certo? Você me conhece o suficiente para saber que eu não vou parar de insistir, certo?

Ela continuou olhando fixamente para mim, eu relaxei e esperei. Até hoje nós estávamos nos dando bem, se conheciam o suficiente para poderem confiar um pouco mais uma na outra. Ou pelo menos acreditava nisso.

— Você está fazendo aquilo. Igual o Gian.

— Aquilo o quê? — A mudança de assunto pegou de surpresa.

— Nada. — Ela respondeu. Outro longo minuto de silêncio. Quando penso em desistir ela suspira e começa. — Eu fui pega pelo mercado negro quando nasci. Meu pai é uma pessoa muito poderosa e com uma habilidade muito rara. Eu nasci com o mesmo poder. Por isso o mercado negro me pegou e me treinou.

— Entendo... — Talvez ela estivesse se soltando mais do que esperava. Não sabia onde ela queria chegar, mas não ia fazer a estupidez de perguntar.

— O último passo do treino é a entrega para o mestre. Ele me dá um nome e eu irei servi-lo e obedecê-lo até que um de nós morra.

— Sei. — “Essa história tá ficando bizarra”, penso interpretando aquilo com cuidado.

— Só que nesse dia houve um caos no lugar. Dois garotos que foram capturados estavam fugindo. Eram o Ícaro e o seu irmão. Eles me encontraram e me levaram também. Eu estava em transe, esperando o meu mestre e pedi para me darem um nome. Acho que o Ícaro sabia do que se tratava e ele não fez nada, mas o seu irmão me deu um nome.

— Ela pediu! — Meu irmão gritou do lado de fora e aquilo me irritou, pois podia a ver querendo se fechar de novo. “Aquele idiota!”

— Podia pelo menos ter dado um nome melhor! — Não aguentei e respondi, exasperada.

— Eu sentia falta do nosso gato!

— Irmão estúpido!

— As pessoas falam que o treino me deixou... Suscetível. Então até que fosse tudo resolvido, era para manter o disfarce de garoto. Mas eu gosto do seu irmão e começamos a namorar. O bebê é dele. — Ela terminou tudo de uma única vez, sua voz saindo abafada por estar escondendo o rosto. Suspirei pensativa. “Minha história de fantasia estava começando a parecer uma telenovela sobrenatural isso sim!” Pensava quando o barulho de algo quebrando soou do lado de fora.

Rapidamente desamarrei o barbante e fui para fora. Do outro lado da porta meu pai e Nicola seguravam um homem alto, com cerca de 1,90 de altura provavelmente, cabelos escuros e olhos roxos de entrar no quarto. Ele era extremamente bonito, como um galã de cinema, usava um terno preto e tinha uma voz de tenor que gritava alguma coisa em outra língua. Parecia alguém bem rígido e disciplinado no dia a dia, mas naquele momento era mais para um leão furioso.
— Zanchi, seu pai chegou! Pelo jeito alguém do hospital já abriu o bico para ele! — Balt, ao me ver, escancarou a porta para falar com ela em um tom não muito amigável. — Vai falar com ele!
Mas ela não respondeu e ao invés disso se escondeu atrás de mim, Balt fez uma careta que lembrava muito a Angela agora. Ícaro entrou na frente dele e se dirigiu a ela.
— Escute, bambina, se você não for lá acalmá-lo é capaz dele entrar aqui e te levar a força. Não vai ser muito legal, principalmente se ele começar a usar os poderes.
— Tarde demais... — Eu digo apontando para ele, que havia se desvencilhado dos dois e dera alguns passos para trás.

Os olhos dele brilhavam e uma aura de energia envolvia seu corpo. Nesse momento meu pai se aproximou e me pegou da cadeira com um dos braços, com o outro arrancou Gian da cama e, ofegante, passou por outra porta e saiu correndo. Ainda pude ver o homem concentrar a energia e fazer duas pistolas aparecerem nas mãos, enquanto Nicola estalava os dedos com um sorriso enorme, fazendo um anel aparecer e que começava a brilhar. Nem um minuto se passou e a porta explodiu, nos jogando para longe. De repente me senti como se estivesse em um desenho animado. Estava voando para o céu por uma janela do hospital. Aquela sensação de deja vu não era tão agradável quanto esperava, me posicionei e pousei mais ou menos como da primeira vez, fazendo uma leve rachadura no chão ao chegar lá.

— Argh! Ai! Ai! — Sentei no chão ao sentir uma dor horrível correr pelas minhas pernas. “Só espero não ter quebrado nada!” Mas já imaginando que alguma coisa na verdade se partiu em dois ali.

— Não imaginava que você gostava de cair. — A voz de Balt soou do meu lado.

— Eu não gosto! — Reclamei, a dor voltando em ondas. Ele me segurou pelos ombros e me obrigou a me deitar, em seguida esticando as minhas pernas.

— Pode doer um pouco, aguente. — Ele diz, seus olhos começando a brilhar e um símbolo estranho aparecendo em sua mão.

Colocando o símbolo sobre as minhas pernas ele o expande e começa a movê-lo. Dando por satisfeito ele faz com que diminua. Nessa hora a dor voltou de novo e eu gritei, mas no segundo seguinte havia sumido completamente e até conseguia mover as pernas um pouco. Pena que aquilo ia embora tão rápido.

— Você quer me deixar surdo? Eu disse para aguentar! — Ele grita, fazendo o símbolo girar e sumir, depois cutucando os ouvidos, visivelmente perturbado.

— Eu aguentei! Você curou? Pensei que essas coisas curavam sozinhas! — Eu respondo irritada com a dor, massageando as pernas.

— Coisas pequenas e se você não estiver usando nenhum aceleramento, sim. Mas se você estiver usando o aceleramento ou os poderes, ou forem feridas graves você não vai se curar. A mesma coisa vale para ferimentos por itens mágicos. Dependendo do caso pode demorar até mais tempo.

— Por que dessa vez não deu certo? — Pergunto confusa enquanto ele me pega no colo e me leva dali. Pelo visto havia caído meio longe do hospital, em uma rua próxima.

O lugar estava vazio e era imundo. Podia ver algumas luzes acesas, mas as portas estavam trancadas e o silêncio parecia cruel. Depois de alguns segundos Balt limpa a garganta, chamando minha atenção.

— Você não usou o aceleramento direito. — Ele responde, parecendo ter recuperado a calma. Diante da minha cara confusa Balt suspira, pensativo e recomeçando. — Minha mãe disse que você ainda não sabia de nada e que ela havia falado do éter, não é?

— Sim! — Eu respondo curiosa, começando a me animar.

— Preste atenção. Ela começou por algo complicado. Vamos falar de outra coisa antes, certo? Sangue dos deuses.

— Pensei que deuses era uma forma superlativa de nos chamarmos.

— Você gosta de termos complicados, hein? Esses deuses, ou originais como chamamos, são aqueles que eram realmente venerados como um e que eram muito poderosos. A maioria de nós não tem esse sangue completo. O que consideram como outro motivo para não nos chamarmos assim.

— Certo, acho que estou entendendo.

— Ótimo. Agora pense nesse sangue como um símbolo, como aquele que eu fiz aparecer. Pense que ele está vivo e mora dentro de você, se alimenta de você e cresce. — Ele fez uma pausa e virou uma esquina enquanto eu assimilava a estranha informação. — Esse sangue dos deuses é o que permite que você use seus poderes, aceleramento, características, entre diversas outras coisas. Ele é o seu instinto e o seu inconsciente. Você o alimenta com a sua energia, que você acumula nas suas células através de uma coisa chamada éter.

— Ok, ainda funcionando. — Eu brinco, apontando para a minha cabeça, fazendo ele sorrir pela primeira vez. Um sorriso doce e muito bonito. Eu acabo sorrindo também.

— Como o sangue dos deuses é o seu instinto e está vivo, você precisa interagir com ele. A sua sincronia é o que determina se você vai conseguir fazer coisas incríveis ou não. Além da quantidade de energia que você emana. Se você não deixá-lo agir e emanar energia suficiente, você pode sofrer ferimentos, já que o corpo de um ser humano naturalmente não foi feito para fazer essas coisas.

— Eu devo deixar meus movimentos fluírem, então? — Pergunto depois de pensar um pouco sobre o assunto, ele para, um pouco surpreso e acena que sim.

Mas a expressão tranquila dele já tinha sumido. Sem notar chegamos a uma grande avenida. Podia ver o sol do final do dia no fim da rua deserta. Não havia uma única loja aberta. Uma névoa fina cobria tudo. “Névoa?” De repente as lembranças do hospital voltam e um arrepio sobe a espinha. Não, provavelmente era só por causa da luta do hospital. Mas mesmo pensando assim a sensação ruim não ia embora. Eu olho para Balt novamente, mas agora ele rangia os dentes e podia ver raiva e preocupação em seus olhos.

— Isso explica porque não tem ninguém aqui. A barreira deve ter quebrado e como já estávamos em um abrigo não ouvimos o sino. — Ele começa a vasculhar em volta com os olhos, parecendo ainda mais irritado. — Escute, segunda aula: se encontrar um monstro, me avise.

Obr— Como aquele? — Digo, apontando para o beco de onde viemos, onde uma criatura bizarra, parecendo um cachorro de 3 metros sem cabeça e com um monte de olhos no dorso se aproximava.

Notas finais
Bambina - Garota Agradeço por terem acompanhado mais um capítulo!