Notas iniciais
O texto abaixo refere-se exatamente a minha vida, não detalhadamente, pois se assim fosse viraria uma mistura de humor, drama, terror, romance... Iria ser um tanto confuso. Pois bem, essa abaixo é a parte da minha vida de vitória, e espero que se você se encontra numa situação difícil, isso possa alavancar um pouco sua confiança, auto-estima e a principal de todas, A FÉ EM DEUS.

Olá meus caros!

A paz esteja convosco!

Pra quem não me conhece, me chamo Cleiton Marques, 25 anos, sou casado com uma mulher maravilhosa a qual está gestante do nosso 1 primeiro filho, ou filha rs, ainda não deu pra ver.

Hoje, 11/04/17, Ana Lucia, grande amiga minha pediu pra que eu escrevesse uma história sobre mim um testemunho de vida.

Poxa, como fazer isso? Já pensei logo em escrever tudo bonitinho, começar com frases e bla bla bla… não deu muito certo não. Pois bem, começaremos do início…

Acho que quando Deus decidiu me por na terra ele deve ter pensando, “desce e vá dar um pouquinho de trabalho pra aqueles dois ali “ (Pai e Mãe) tão coçando demais.

E desde então essa obra prima magnífica, linda e exclusiva que sou eu, passou a ser gerada no silêncio absoluto! Mamãe só foi saber que eu estava a caminho com 3 meses de gestação. Se tratando de mim, isso é normal, pois se tem uma coisa que eu sou desde o ventre de minha mãe, é quieto… as vezes quem me vê comenta: “que calado ele né. “ aiai, dó eu tenho de quem me conhece kkkkkk, porque na verdade eu sou doido mesmo, sociável… mas doido!

Depois do tempo de gestação, chegou o meu dia 09/11...coloquei minha melhor roupa, passei o melhor perfume e fiquei esperando a hora de sair arrasando.

Chegou o grande momento! Eu já com os fogos na mão, usando minha melhor roupa, meu melhor perfume e cumprindo minha missão “desce e dá um pouco de trabalho”, mas acho que exagerei, pois o doutor disse ao meu pai que seria um parto complicado,e que ele teria que escolher eu ou minha mãe, pois salvar os dois não seria possível. Pensei comigo mesmo, “LASCOU-SE!” ou como dizem atualmente “lá se foi o boi com a corda.”

Ah, mero engano meu… Meu pai devoto de nossa senhora correu na capelinha começou sua oração e fez a seguinte promessa pra que tudo ocorresse bem: “se fosse menino colocaria o nome de Aparecido, se fosse menina, Aparecida, e nos levaria por sete anos na procissão de nossa senhora vestido de branco.”

Feito isso, ele voltou e para a alegria da humanidade eu nasci e mamãe estava bem! Os dois sã e salvos!

Único homem nascido naquela noite, o restante todas mulheres .

Fomos para casa, o tempo foi passando, fui crescendo … comecei a estudar. Era uma escola simples, cheia de árvores e pedras, se chamava Cecília Meireles, no bairro Cidade Bela em Alta Floresta. Já no primeiro dia matei aula, mostrando pros coleguinhas que eu não era boa companhia haha… inocência. Mas quando cheguei em casa me levaram de volta ao colégio… lamentável

E nessa escola tudo pra mim era novo além de ler e escrever. Ali iniciava meus primeiros melhores amiguinhos, mas nenhum superou a amizade que era do vizinho de casa, Jonathan, a primeira namoradinha de infância Camila, o gosto, o apreço e o respeito por coisas diferentes. Naquele bairro tive bons momentos. Até que veio a mudança. Nos mudamos para uma vila rural, totalmente diferente do lugar onde “cresci”. Lugar pacato, ar puro, espaço suficiente para fazer o que eu bem quisesse. A escola permaneceu a mesma, contudo, agora ia de ônibus. Era um tanto divertido ter que acordar cedo ir para a beira da estrada e aguardar o ônibus passar. No final da aula era aquele desespero de sair da sala e chegar no portão da escola com receio de que o ônibus passasse e eu ficasse para trás. Em algumas vezes o ônibus atolava, quebrava no caminho e lá seguíamos a pé de volta pra casa. Como eu era feliz!

Com o passar do tempo os problemas de saúde foram aparecendo. O coração batia forte, eu desmaiava, sentia constantemente faltas de ar. Dias iam se passando e nada mudava, até que então veio a primeira noite de hospital. Diziam não ser nada, possivelmente havia ficado nervoso e bla bla bla… mais dias, meses e anos se passando e o diagnóstico era sempre o mesmo… Aliás, não tinha diagnóstico.

Mudei de colégio, pois agora já pertencia ao ensino médio, aliás, quase ao ensino médio, falava com gosto “sou do sétimo ano”... Menino ingênuo!

Os problemas persistiram até que mais um dia passei mal novamente e lá se vai mais uma vez para o hospital. Dessa vez foi um tanto cômico, pois passou no jornal local que eu havia falecido… uau kkkkkkk! Pessoas ligando, sms’s chegando. Minha amiga Angélica que morava no mesmo bairro que eu foi às 12:00 da tarde de pijama pra casa de Meire, outra amiga… foi uma confusão danada. No outro dia o jornal se retratou, pois eu estava vivinho da silva .

Pensem num coração que deu mais trabalho que carro velho. Foram tantas situações, terminei os estudos, me formei, servi ao serviço militar por insistência, pois fui dispensado devido ao coração não funcionar direito, mas por um termo de responsabilidade servi e fui até o fim. Em 2011 me mudei para Colíder, à 160 km da cidade Natal, Alta Floresta. As dores no peito persistiram, até que enfim tive o diagnóstico, se tratava de um caso de arteroscleróticas, doença que causa o entupimento das artérias, dificultando a passagem do sangue.

Em 2015 viajei até Cuiabá, capital, para a então cirurgia de inserção de cateter… curado? Não!

Depois de retornado a colíder, ao trabalho, novas dores foram sendo sentidas e novamente viajei para verificação. Mais um cateter foi colocado e uma drenagem também foi realizada. Uma semana se passou, ainda em Cuiabá, retornei ao médico para exames de rotina em então uma luta que eu pensava ter acabado, na verdade havia sido apenas um “tira gosto” do que ainda estava por vir… foi constatado a presença de dois tumores na bexiga… O mal do século. Eu estava com câncer!

Essa doença que chega em silêncio,e que quando se manifesta já não muito a se fazer a não ser tentar prolongar um pouquinho mais nossa passagem aqui na terra. Eu havia recém me separado… é, eu não disse,mas me casei em Colíder com uma colega de trabalho. E naquele momento difícil, não por ter me separado, mas pela forma que tudo foi acontecendo eu confesso que me deixei levar pelos piores pensamentos possíveis, até de… é!

Como eu? Porque eu? Qual o propósito de tudo isso?

Como vou falar isso a meus pais? Minha irmã?...

Nisso a enfermeira me abraçou e aquilo foi como um caminhão de acalento… Voltei para casa de minha tia Raquel, onde eu estava ficando, e ela foi a primeira pessoa da família a Saber, não porque eu quis contar, mas porque eu não consegui esconder. Era impossível segurar as lágrimas. Depois dela minha prima Gisele, que também muito me ajudou juntamente com seu marido Edilson e as crianças Stefano e Maria. Mas e minha família que ficou em casa? Como daria a notícia?

Resolvi então começar pelo meu cunhado e contar com a ajuda dele… Ele era o mais centrado a dar a notícia lá, e assim se fez. Apesar de somente a família estar sabendo logo a notícia se espalhou, e mais uma vez mensagens e ligações fizeram parte de minha rotina.

Fui submetido a 42 sessões de radioterapia, 4 infusões, exames periódicos … dias que não foram fáceis, meu travesseiro é quem sabe. Após as 5 primeiras sessões um anjo veio me salvar. Sim, SALVAR! Tenho certeza que sem ela o caminho seria muito mais longo e difícil.

Raiane, me acompanhava em todas as sessões, me trazia de volta para casa e cuidava de mim de uma forma sem igual. Aquela mulher me surpreendia dia após dia, mostrou ser a amiga que eu pensei não ter nela.

Numa tarde de domingo após o almoço passei mal, ela imediatamente chamou Gisele, que logo chamou por Edilson e meu tio Maurício. Fui levado ao hospital e ao acordar lá estava ela me cuidando em meio aquela grande quantidade de pessoas. Sentia fortes dores de cabeça e ela auxiliando em meus passos até a sala de tomografia. Minha irmã Marcia, que estava ali naquele pronto socorro já algum tempo cuidando de meu sobrinho,também veio auxiliar. A noite passando, madrugada… o dia nasceu e em instante algum ela reclamou de estar ali comigo, sem dormir, sem ter jantado, sem um assento descente. Tive alta, voltamos pra casa e descansamos da noite terrível que tivemos. E as sessões prosseguiram até que a última foi realizada em novembro de 2016, chorei muito no banheiro naquele dia, agradeci a Deus por cada aprendizado, pedi por todos os que ali se tratavam e agradeci mais e mais.

09/11/2016,meu aniversário de 25 anos… me despedi da família cuiabana e lá fomos para o aeroporto, eu, Raiane, Gisele, Stefano e Maria, mais uma despedida, por sinal a mais difícil. Fomos então para a sala de embarque, eu e Raiane… estava voltando pra casa… presente melhor não existiu!

Minha cama, comida de mãe, estripulias de meu pai, minha irmã Jake juntamente com meu cunhado Junior, minha avó Eva, sobrinha Lívia e prima Liliane que vieram de Alta Floresta, meu grupo de jovens, meu amigo irmão Lucas que sempre esteve ao lado, meus leais amigos...eu estava de volta. Minha Anja voltou a sua cidade, só então pude perceber que não conseguia mais ficar sem ela… É, eu me apaixonei!

Por insistência minha ela retornou, e na mesma noite a pedi em namoro, 23/11/2016.

Estamos juntos, felizes e com uma criança a caminho ❤️… Deus e seus planos.

Hoje, 17/04/2017 já se fazem 22 dias que estou em Cuiabá novamente, mais uma batalha me foi dada, vim para a retirada de outro tumor e consequentemente parte do rim direito, local onde está alojado. Sim chorei, mas não como no início. Apesar do medo estar presente, Deus se faz maior, os planos dele são maiores que os nossos. A vontade de ver meu filho(a) crescer me dá animo de seguir adiante. Ser pai era meu maior sonho, e hoje vivo essa realidade tão linda.

O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem logo pela manhã.

— 23/04, Estou voltando pra casa, com a alegria e otimismo de conseguir de volta tudo o que o câncer me fez perder.

Eu vou vencer, eu nasci pra isso! ✍️

Agradeço à Deus por tudo e por todos. Foram milhares que me ajudaram nesse momento tão nublado, caso fosse mencionar a cada um, isso ao invés de um texto se tornaria uma agenda com tantos nomes. Obrigado a vocês por tudo, em especial aos amigos do grupo Beira Rio Materiais de Construção, foram de uma compaixão incalculável e surpreendente, Vicente, Nair, Mariana, Luciana, Valéria, Dione, Edna, tia Raimunda… enfim, todos do grupo, GRATIDÃO é o que tenho por vocês!

Deus os Abençoe.

Cleiton Marques

Notas finais
Que Deus te abençoe e te cuide!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!