Deus Salve a Rainha
13 Se eu tivesse que pecar para vê-la de novo, então eu faria.
Ela quer possuir tudo que encontra pela frente. Catarina sempre havia sido daquela maneira. Uma menina invejosa e mimada que queria tudo que outra pessoa colocava os olhos apenas pela sensação de se ter algo que todos queriam, apenas pela sensação de posse, fosse de um objeto, fosse de um ser humano, que ela adorava sentir deslizando por todo o seu corpo, invadindo o seu coração, circulando pelas suas costelas, contaminando o seu pulmão com algo mais forte do que apenas conquistar. Possuir, era esse tipo de coisa que Catarina gostava de fazer.
E ela queria possuir Amália com cada gota da maldade que havia dentro de seu peito. Queria apertar aquele pescoço em seus mãos enquanto engolia os seus lábios de maneira violenta, tirando sangue dos mesmos. Queria beber os gemidos e transformar os sons tão demoníacos em seu alimento, em seu nutriente, fazendo com que a única coisa necessária para a sua sobrevivência fosse aquela boca moída e contraída contra a sua sussurrando palavras de pecado que queimaria a pele de pessoas inocentes.
“Culpa minha?” Ela sorri, a maldade escorrendo por entre os dentes, pronta para devorar com os caninos afiados de quem é a caçadora a vida inteira. “Tudo que fiz foi atiçar os seus desejos mais escuros.” Seus dedos estão prontas para capturar a mulher em sua frente por que ela sabe que sua pele e seu corpo estão entregues a ela. Catarina é uma caçadora experiente, ela sabe quando as suas caças estão prontas para se entregarem. “Eu quero ver você se entregar a eles, Amália, me mostre do que é capaz.”
Amália está com a respiração fora de seu controle, ela pode ver da onde está. Os seios subindo e descendo fazendo uma onda quase eletrizante correr pelo corpo de Catarina pensando em como aqueles mesmos seios pesariam em sua mão quando ela conseguisse colocar as mãos neles, como eles se sentiriam em seus lábios quando ela fosse capaz de pressionar beijos e mordidas na pele alva saltada de seu corpo.
Ela sente uma faísca de fogo correr pelo meio de suas coxas, transformando suas roupas de baixo em uma confusão quente. Catarina precisa de algum tipo de atrito entre a sua intimidade e seus dedos, ela quer afundar os dedos longos e magros em si mesmo e imaginar que é Amália a amando de uma maneira violenta como ela sempre imagina.
Catarina se senta na cama, sentindo suas pernas fracas com a imaginação da respiração descompensada de Amália no meio de suas pernas, fazendo com que os pêlos que crescem ali se arrepiassem com o calor de seu hálito, com a proximidade de seus lábios tão santos em um lugar tão pecaminoso, tão cheio de pudor de uma sociedade quase que santa em seus pensamentos.
“Até agora tudo que você fez foi me culpar por seus desejos, tudo que você fez foi falar e falar, como se fosse uma velha. Me mostre do que é capaz, Amália.” Suas pernas estão ligeiramente abertas e ela afunda da pressão macia do colchão abaixo dela, como se as sedas pudessem engolir o seu corpo magro. “Ou você assim como Afonso é só palavras e mais palavras, sem nenhuma ação? Que tipo de Rainha você será?”
Ela pode ver os instintos de Amália se rendendo enquanto ela fala. Catarina sabe que como qualquer ser humano se desafiado, Amália também cederia aos seus instintos mais pecaminosos, ela deixaria com que seu corpo cheio de desejos obscuros fosse comandado por nada mais do que um pulsar fervoroso que sobe de suas pernas até o seu coração.
O vestido se sente sufocando tudo dentro dela. Os dedos correm para as amarras na parte da frente, e ela não tira os olhos de Amália, ali parada com os lábios inchados e abertos, tão apetitosos. Catarina se lembra em um segundo apenas de quando virá os lábios de Amália serem abertos para comer um fruto, o suco escorrendo por entre o queixo, deixando um rastro molhado que ela desejou que fosse do meio de suas coxas.
“Que tipo de Rainha você será se não pode fazer com que as suas palavras sejam mais do que múrmuros?” Seus dedos ainda estão presos entre as amarras, deslizando os nós suavemente. O vestido se solta na parte dos ombros, caindo pelos seus ossos expostos com pouca carne. Os olhos de Amália capturam os sentimentos, e Catarina quase sorri quando percebe que a sua manipulação faz algum efeito no corpo quase estático da ruiva em sua frente. “Se o seu maior ponto forte for apenas falar e falar então você será uma monarca morta em poucos dias.” O vestido desliza sem os nós finalmente, caindo por entre os seios pequenos de Catarina. O ar quente faz com um filete de suor escorra entre eles.
Amália cruza quase lentamente o caminho até a cama de Catarina, colocando-se de joelho entre as pernas dela que estão para fora da cama. Ela pega uma perna da mesma, colocando sobre os seus ombros, e beijando o calcanhar magro dando uma pequena mordida.
“Para alguém que reclama sobre a quantidade das palavras de alguém, você fala demais, Catarina.” Amália a olha como se tivesse entendido o seu jogo de manipulação, como se estivesse naquele momento se recusando a cair em um jogo de aranha e mosca em que ela não pudesse jogar também de igual para igual. O corpo de Catarina estremece quando ela percebe que está diante de alguém quase tão poderoso quanto ela. Seu corpo é empurrado para baixo de uma forma quase mágica, com um peso invisível.
Os lábios de Amália sobem de suas coxas até a sua barriga, puxando o vestido até próximo de seus quadris, o tecido deslizando pela pele quente e fervendo. A língua molhada dela mergulha em uma captura para o seu mamilo.
“Espero que você saiba, Catarina que eu não gosto de pressa.” Ela morde o bico de seu seio com uma força que poderia arrancar sangue. “Quando eu permitir os meus desejos de serem expostos eu não vou te levar com pressa. Eu vou fazer isso devagar.”
O calor de Amália desaparece junto com o peso quando passos selvagens invadem a audição das duas, como se fossem pessoas correndo.
“Aprume-se, uma guerra está batendo em nossa porta.” Como se Amália nunca tivesse pressionado a boca em seu seio, ela saí do quarto. A caçadora havia virado a caça afinal.
Fale com o autor