Deus Deve Odiar-me! - 1 Temporada

17 Viagem de Finalistas III: Como se tivéssemos íman


Notas iniciais
mais um :)

Saí da casa de banho e aproximei-me da cama. Reparei que a luz do meu telemóvel, que estava lá pousado, estava acesa. Peguei nele e vi que tinha 3 chamadas não atendidas, do Seb. Suspirei. Ontem passou o resto da noite a ligar, até eu ir dormir. Continua a achar que vai acontecer alguma coisa. Não sei o que se passa com ele. Está estranho e eu não me quero chatear com ele, mas se continua assim, vai ter de me ouvir. É que nem o meu irmão me liga tantas vezes!

Meti o telemóvel ao bolso, peguei nos óculos de sol e saí do quarto. Desci no elevador até ao piso do restaurante e, no grande salão, procurei pelos meus amigos. Apenas vi o David, a almoçar sozinho, numa mesa ao fundo.

- Bom dia. – Disse eu. – Os outros?

- O Brandon, o Kalet e a Michelle foram para a praia. – Declarou. – Estavam com pressa. Deviam estar com medo que o sol fugisse ou assim…

- E o Nick?

- Ainda não o vi. Ainda deve estar a recuperar da maratona de ontem. – Riu-se.

Ri-me. No fundo até tenho pena do Nick. O rapaz era realmente enorme e pela aparência, devia ser culturista. Sentei-me ao lado do David, para comer qualquer coisa. Havia um pouco de tudo na mesa e a maioria eram coisas específicas ali de Miami. Já conheço algumas e tinha saudades destes sabores.

Ao nosso lado surgiu alguém, que nos fez assustar e saltar na cadeira. Com o sobressalto, acabei por me agarrar ao David, que pôs os seus braços à minha volta, assustado.

- Calma, sou eu! – Disse o Nick, pondo os óculos de sol na ponta do nariz e espreitando por cima.

- Para que é o chapéu e os óculos? – Perguntou o David, rindo-se. – Pareces um clandestino!

- Antes clandestino do que ficar feito em papa! – Sussurrou o Nick, ainda espreitando por cima dos óculos e olhando à volta. – Nunca se sabe se aquele maluco anda por aí!

- É para aprenderes a não te meteres com tudo o que é rapariga! – Critiquei, sentando-me direita na cadeira e arranjando a camisola.

- Oh. Elas não me resistem! E foi ela que me deu o número!

- Pois, mas parece que se esqueceu que tinha namorado. – Disse o David. – Tem cuidado, ele anda por aí…

- Acham? – Perguntou, assustado e olhando rapidamente para todos os lados, como se pudesse ser atacado de um momento para o outro.

Eu e o David desmanchamo-nos a rir com a cena. Ele parecia um foragido, escondendo-se de todas as sombras que via.

- Importam-se de não se rir? – Resmungou. – Não tem piada! Corro risco de vida!

- Ei, que exagero. – Disse o David entre risos.

Senti o telemóvel a vibrar e logo de seguida começou a soar a música. Tirei-o do bolso mas já sabia quem era. Só podia ser o Seb. Olhei o visor e tinha razão. Só não acerto na lotaria! Suspirei e atendi, enquanto o Nick resmungava com o David por se estar a rir da sua desgraça.

- Bom dia.

- Bom dia. Finalmente! – Suspirou ele. – Começa a ser mais fácil falar para o presidente do que para a minha namorada!

- Seb… Não exageres! – Respondi, sem paciência e afastando-me um pouco do David e do Nick. – Ainda ontem à noite falamos.

- Eu sei, mas… Estás tão longe! E… – Queixou-se, fazendo uma pausa.

- Mais dois dias e estarei em casa! – Suspirei. – Para quê tanta preocupação?

- Porque… Porque sim… – Atrapalhou-se. – Onde estás?

- Estou no restaurante, a almoçar. – Respondi.

- E estás com quem?

- Com o David e com o Ni…

- O quê que tu e o David estão a fazer?!

- O quê que estamos a fazer? – Repeti, confusa. – Estamos a comer... Que é o que geralmente se faz num restaurante.

- Estás sempre com o David! – Resmungou. – Há alguma coisa que me queiras contar?

- Estás doido? – Perguntei. – Que se passa contigo?!

- Desculpa… Eu…

- Tu não estás bem! – Chateei-me, interrompendo-o. – Quando chegar a casa, falamos!

Desliguei a chamada, irritada. Que se passa com ele? Desde que soube da viagem ficou estranho. Age como se uma catástrofe fosse acontecer. E o quê que ele quis dizer com o “há alguma coisa que me queiras contar?”? Passou-se, só pode. O quê que poderia haver para lhe contar?

Voltei para a mesa, onde já só encontrei o David.

- O fugitivo? – Perguntei.

- Fugiu. – Respondeu, rindo-se, mas parou de se rir e ficou mais sério, fitando-me. – Passa-se alguma coisa?

- Não. Está tudo bem!

- Não parece… Foi o Seb? – Perguntou. Suspirei e acenei com a cabeça, afirmando que sim. – Chatearam-se?

- Mais ou menos. – Desabafei. – Ele anda estranho… Ele não queria nada que eu viesse nesta viagem!

- Anima-te! – Disse, sorrindo. – Isso são só ciúmes. Eu disse-te que ele tinha medo que arranjasses um loiro!

- Oh David! – Resmunguei, acabando por rir.

Levantamo-nos e saímos do restaurante para irmos ter com a Michelle, o Brandon e o Kalet. Chegamos à praia e esta estava repleta de guarda-sóis de todas as cores, pára-ventos e de pessoas a jogar à bola ou com raquetes. Não tinha reparado, mas há um bar de praia enorme com uma espectacular esplanada. Procuramos pelos nossos amigos e assim que os avistamos caminhamos até eles. O Brandon estava a pingar, tinha acabado de vir da água. A Michelle estava deitada na toalha, apoiada nos cotovelos, a apanhar sol e o Kalet estava sentado debaixo do guarda-sol, coberto de protector solar e de chapéu. Não pude evitar rir, discretamente.

- Já foste à água sem mim? – Resmungou o David, tirando a t-shirt.

- Que não seja por isso, vou outra vez!

- Vens? – Perguntou-me o David, enquanto eu ainda estava um pouco atrapalhada com a camisola, que se tinha prendido no meu cabelo.

- Não… Eu vou mais daqui a um bocado. – Respondi, soltando finalmente a camisola.

Ele encolheu os ombros e, juntamente com o Brandon correu para a água. Observei-os a mergulhar e a dar umas braçadas, competindo. Estendi-me na toalha ao lado da Michelle, que já quase dormia. O Kalet continuava debaixo do guarda-sol, a ler um livro. Virei-me de barriga para baixo e pousei a cabeça nos braços e rapidamente surgiu o Seb no meu pensamento. Não consigo deixar de pensar no que se estará a passar com ele. Será que o David tem razão? Serão apenas ciúmes? Que parvoíce. Como se eu me fosse apaixonar ou envolver com alguém! Fechei os olhos, ficando apenas a sentir os raios de sol queimarem-me a pele.

Senti gotas frescas caírem-me nas costas, arrepiando-me e virei-me para ver de onde vinham. Dei de caras com o David, que sacudia o cabelo para cima de mim.

- Ei! Então? – Refilei, sentando-me na toalha.

- Como não quiseste ir à água, trouxe a água até ti! – Disse, continuando a sacudir o cabelo, salpicando-me.

- Que engraçadinho! – Disse eu, levantando-me e dando-lhe leves palmadas nos braços, fazendo-o parar. Ele agarrou-se a mim, fazendo os nossos corpos ficar colados. Estremeci. O meu coração acelerou com aquele abraço, provavelmente devido ao choque térmico. Ele estava gelado! – Que estás a fazer?!

- A refrescar-te. – Riu-se. – Anda dar um mergulho comigo. A água está óptima!

- Não quero! – Respondi, desenvincilhando-me dos seus braços, antes que o meu coração me saltasse do peito ou ele sentisse a velocidade a que batia.

- Não vais a bem, vais a mal! – Ameaçou, pegando em mim e pondo-me sobre o seu ombro.

- David Phillippe Desrosiers põe-me no chão! – Estrebuchei.

Ignorou-me e começou a correr até à água, lançando-me à mesma e atirando-se ele a seguir. Quando voltei à superfície, passei as mãos pela cara, afastando a água que me escorria pelo rosto. Estou com vontade de o matar! Qual terá sido a parte do “não quero” que ele não entendeu? Nadou até a mim, aproximando-se demasiado.

- Mais fresquinha? – Perguntou, tirando a franja da frente dos olhos.

- E com vontade de te esganar! – Rezinguei, esbracejando e salpicando-o.

- Ai tu queres guerra? – Perguntou, começando a atirar-me com água.

Começamos uma guerra e a meio decidi vingar-me. Fingi que me estava a afogar e consegui ver a aflição em que ele ficou. Aproximou-se de mim tão rápido como um foguete. Pôs os seus braços à minha volta e fitou-me com ar preocupado. Ri-me e ele percebeu que estava a brincar.

- És tão má! – Resmungou.

Eu? Má? Como se isso fosse verdade. Agarrei-lhe a cabeça enquanto ainda barafustava e fi-lo mergulhar. Esbracejou e larguei-o, rindo-me. Agora sim, ele estava furioso comigo. Saí da água e corri pela areia fugindo dele, mas ele foi rápido e apanhou-me. Ao agarrar-me, desequilibrei-me e caí, caindo ele também por cima de mim. Ficamos por momentos a encarar-nos, sem qualquer reacção e com os rostos mais perto do que alguma vez estiveram.

- Ahm… David… – Soei, voltando à realidade.

- Ah, desculpa! – Disse, atrapalhado e levantando-se.

Estendeu-me a mão e ajudou-me a levantar. Como estávamos cobertos de areia e mais parecíamos dois croquetes, voltamos à água. Regressamos às toalhas sem pronunciar uma palavra. Quando chegamos, deparamo-nos com o Nick, ainda de chapéu e de óculos de sol, escondendo-se debaixo do guarda-sol.

- Nem aqui posso estar sossegado a ler! – Refilou o Kalet, fechando bruscamente o livro e afastando-se do Nick.

- Eu vi-o! Eu vi-o! – Queixou-se o Nick, escondendo-se atrás do Kalet, que se tentava livrar dele.

- Onde está agora o garanhão? – Perguntou o Kalet, afastando o Nick.

- Está calado! – Disse o Nick, olhando à volta.

Mais acima de onde estávamos passou o rapaz musculado, para grande pânico de Nick, que mal o viu começou a andar às voltas sem saber onde se meter. O rapaz parou e ficou a olhar na nossa direcção. O Nick começou a correr novamente pela praia fora em direcção ao hotel. Várias pessoas ficaram a queixar-se, pois levaram com a areia que ele levantou. O rapaz ficou parado a olhar para nós, de sobrancelha erguida e com ar de quem não entendeu o que se passou, acabando por virar costas, seguindo o seu caminho. Entreolhamo-nos e começamos a rir.

- Ai, eu não acredito! – Gritou uma rapariga, que estava com as suas mãos sobre as bochechas e com um enorme sorriso estampado no rosto. – És o David Desrosiers, não és?

- Dizem que sim… – Respondeu o David, virando-se para ela e dando um sorriso que me irritou.

- Eu adoro a tua banda! Eu voto em vocês todos os dias! – Disse a rapariga, batendo as mãos e um pouco histérica. Só cá me faltava mais uma loira desequilibrada! Já não há suficientes a darem-me cabo dos tímpanos?

- Ah… Obrigado! Fico feliz por gostares do nosso trabalho!

- Boa, uma fã! – Comentou o Brandon. – E toda jeitosa… Este gajo é mesmo sortudo!

Franzi o sobrolho e olhei de lado para o Brandon. A rapariga aproximou-se do David e passeou a sua mão pelo braço dele.

- E não é só do vosso trabalho que eu gosto… – Insinuou-se ela.

- Ahm… – Gaguejou o David. Olhou para mim e eu fitei-o, com ar sério. Mas o quê que ela julga que está a fazer? Do nada, senti uma enorme vontade de me atirar a ela e arrancar-lhe cabelo por cabelo até não restar nenhum.

- Queres ir beber um copo ali ao bar? – Perguntou ela, agarrando-se ao braço dele.

- Sim, porque não?

Deixei cair o queixo e o Brandon fez a gracinha de me por a mão por baixo do queixo e fechar-me a boca. Afastei-lhe a mão, irritada. O David e a sua fã afastaram-se, conversando animadamente. Demasiado animados para o meu gosto. Onde é que ele vai com aquela pindérica? Beber um copo? Havia de se engasgar! Agarrei na toalha e nas minhas coisas.

- Onde vais? – Perguntou a Michelle.

- Vou voltar para o hotel!

Voltei para o quarto, batendo a porta. Atirei a toalha para o chão e pus as mãos na cinta, começando a andar às voltas pelo quarto. O quê que se passa? Porque estou tão irritada? Tenho de me habituar. Daqui a pouco tempo, não será uma, mas sim milhares de fãs. Páro e olho o vazio. Milhares de coisas irritantes daquelas de volta dele? Oh não! Não consigo explicar a minha irritação com a situação e decido ir tomar um duche.

A água escorre-me pelo corpo e fecho os olhos ao senti-la bater-me no rosto. Relembro o momento em que caímos na areia, a intensidade do seu olhar, a sua respiração quente. Abano a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Saio do banho e visto-me. Não tenciono voltar para a praia. Atiro-me para cima da cama e ali fico.

Acordei e olhei pela janela. Já é de noite. Devo ter adormecido. Observo o pequeno relógio na mesinha de cabeceira. São horas de jantar. Pego no telemóvel e fico admirada, ao ver que não tenho nenhuma chamada do Seb. Será que fui má para ele? Penso em ligar-lhe mas logo guardo o telemóvel. Saio do quarto e cruzo-me com o Brandon, que estava à porta do elevador. Entramos para o mesmo e descemos até ao restaurante.

- Já te passou a ciumeira? – Perguntou.

- Mas qual ciumeira?! – Perguntei, saindo do elevador.

- Na praia. Vai dizer-me que aquilo não foi um ataque de ciúmes?

- Vou! Tu deves ter apanhado sol a mais! – Respondi, caminhando para a mesa onde estavam todos sentados e onde nos sentamos também.

- E era boa?

- Nicolas! – Resmungou Michelle, dando-lhe uma cotovelada.

- Boa pessoa! – Corrigiu ele, sobre o olhar reprovador da Michelle. – Credo, que mentes…

- Era simpática… – Respondeu o David, encolhendo os ombros.

- Só simpática? – Insistiu o Nick. – Não sei mesmo o que te aconteceu!

- E tu, ainda não aprendeste com o que te aconteceu? – Perguntou o Kalet.

- Isso são pormenores!

- Pormenores grandes! – Disse o Brandon, fazendo de conta que tem imensos músculos, tentando imitar o tal rapaz.

O Nick emburrou, continuando a comer. Tentei ignorar o tema da conversa, pois não me estava a apetecer irritar-me mais do que já tinha irritado. No final do jantar, o Brandon sugeriu irmos até ao bar e aproveitarmos já que estava incluído na estadia.

- Eu não vou. – Disse o Kalet. – Não é bem o meu ambiente…

- Eu faço-lhe companhia! – Disse a Michelle. – Divirtam-se.

O bar era descomunal com um ambiente muito alusivo a praia e Verão. A típica música de bares entoava por todo o salão. Dirigimo-nos ao balcão e fizemos os pedidos. O Nick, como não podia deixar de ser, já estava filado numa rapariga que dançava espalhafatosamente. Não demorou muito, a sair da nossa beira, arrastando o Brandon com ele e a ir ter com a rapariga. Fiquei sozinha com o David, o que não me apetecia nada.

- São dois shots! – Pediu o David ao barman e olhando de seguida para mim, encostado ao balcão.

- Para ti e para a tua nova fã?

- Não, credo! – Disse ele, batendo no balcão. – Se forem todas como ela, eu desisto já da banda!

- Não te deu trela, foi? – Provoquei.

- Deu a mais e é demasiado histérica. Não gosto disso. – Queixou-se. No fundo, gostei do que ouvi. O barman trouxe os shots e pousou-os no balcão, à nossa frente. – Vamos ver quantos aguentas!

- Estás a desafiar-me? – Perguntei, com desdém.

- Aceitas ou… – Aproximou o seu rosto e olhou-me nos olhos. – És fraquinha?

- Vamos a isso!

Vamos ver se o fraquinho não é ele! Levamos os copos à boca e fizemos as caras mais estranhas ao ingerir os shots. Pedimos mais e mais e mais até que tudo à minha volta girava e eu ria-me de qualquer coisa que ele dissesse. Sentia-me tão leve e era como se todos os meus problemas tivessem simplesmente evaporado. Ainda assim, nenhum de nós quis dar parte fraca e continuamos a beber, fazendo misturas perigosas. O David falava compassadamente e atrapalhava-se com as palavras, não controlando o riso.

- Vocês estão bonitos! – Riu-se o Brandon, aproximando-se de nós, acompanhado do Nick.

- Ahn? Nós somos bonitos! – Corrigiu o David, colocando o seu braço por cima do meu ombro.

- Acho melhor irem dormir e deixarem aqui o bar connosco! – Disse o Nick, encostando-se ao balcão e fazendo sinal ao barman. – É mais um vodka!

- É… Eu acho que vou… Porque eu… Está tudo a girar… – Gaguejei, rindo, tentando segurar-me ao David.

- Eu também vou! – Disse o David. – Vou levar a menina fraquinha ao quarto.

- Fraquinha? Mas tu já olhaste para ti? – Perguntei, encarando-o.

- Eu estou óptimo! – Respondeu, tentando equilibrar-se.

- Sim, sim, nota-se! – Riu-se o Nick. – Ide, ide, que ainda me espantam a caça!

Agarrados, tentando manter o equilíbrio, saímos do bar e subimos no elevador, até ao andar dos nossos quartos. Sinto que as pessoas nos olham de um modo estranho, mas apenas me dá mais vontade de rir. O quarto do David era ao lado do meu. Cambaleando e trocando os passos e por várias vezes quase caindo, chegamos à porta do meu quarto.

- A chave? – Perguntou o David, apalpando a parede e encostando-se à mesma.

- Está… aqui! – Respondi, tirando a chave do bolso e tentando inutilmente abrir a porta. – A fechadura não está quieta…

- Dá cá isso! – Proferiu o David, desencostando-se da parede e tirando-me a chave da mão.

- Se conseguires… – Comecei, apontando-lhe o dedo indicador e rindo. – Dou-te um beijinho!

- Prepara-te então! – Disse ele, tentando comicamente concentrar-se. – Deixa aqui o mestre abrir a porta!

Ri-me e encostei-me à parede e observei-o. Tentou de todas as maneiras abrir a porta, mas tal como eu, não estava a conseguir.

- Desiste. – Aconselhei, balançando encostada à parede.

- Não! – Respondeu, continuando a tentar abrir a porta. Finalmente ouviu-se o abrir do trinque. – Vês? Isto não é para meninas fraquinhas!

- Eu não sou fraquinha! – Resmunguei, batendo-lhe no braço e entrando no quarto, bamboleando.

- Pouco! – Riu-se, entrando e fechando a porta. Aproximou-se de mim e olhou-me sério. – O meu beijo?

- Ah, esquece! – Respondi, rindo e aproximando-me da beira da cama.

- Outra vez, não! – Resmungou e aproximou-se novamente, parecendo fazer birra. – Exijo o meu beijo de recompensa!

- Está bem, está bem!

Segurei-me à camisola dele com a mão direita e coloquei a outra no seu rosto. As paredes do quarto pareciam girar. Ou seria a minha cabeça? Não sei. Senti-me a cair mas o David agarrou-me e pôs os seus braços à minha volta, abraçando-me. Sob o seu olhar, cheguei o meu rosto ao dele e dei-lhe um beijo na bochecha. Afastei a cara, mas não nos movemos mais. Olhei os seus lábios, levantando lentamente o olhar até encontrar o seu. Quando os nossos olhares se cruzaram, ele sorriu e apertou mais o abraço. Acho que bebi demais pois o meu coração está a bater demasiadamente rápido. Apesar disso, nunca me senti tão bem.

- Feliz? – Perguntei.

- Muito. Não imaginas tu o quanto. – Respondeu, ainda olhando-me nos olhos, o que me causou um arrepio. Tenho uma sensação estranha no estomago. Definitivamente, bebi demais!

Afastei-me dele, antes que o meu estomago se revoltasse e acontecesse algo desagradável. Porém, tropecei no tapete e, por impulso, ao cair, agarrei-me ao David, que já tinha dificuldade em segurar-se e ele caiu comigo. Por sorte, afundamo-nos na macia e confortável cama, ficando como quando caímos na areia. Instintivamente, coloquei os braços à volta do pescoço dele enquanto ele me afastava os cabelos do rosto. Continuo com a sensação estranha no estomago, mas não me parece que se vá revoltar. Os nossos lábios estão a milímetros e sinto uma vontade incontrolável de os beijar. Parece que o David me leu os pensamentos, iniciando um beijo calmo mas intenso, ao qual me foi completamente impossível resistir.

Notas finais
oops... asneira. e agora? :o