Deus Deve Odiar-me! - 1 Temporada

16 Viagem de Finalistas II: Sarilhos a caminho


Notas iniciais
mais um capítulo. Postarei aqui até ao capítulo 18 :)

Acordei com alguém a bater insistentemente à porta. Levantei a cabeça, ainda meio a dormir e esfreguei os olhos. Levantei-me e fui abrir a porta.

– Ainda estavas a dormir? – Perguntou a Michelle.

– Sim… Acabei por adormecer mesmo… – Ri.

– Já estamos prontos para ir para a festa. Vens?

– Claro!

Fechei a porta e descemos até à entrada, onde os rapazes nos aguardavam. Não era preciso perguntar o caminho. Era muito simples. A praia era logo em frente e havia imensos cartazes a anunciar a festa. Era fim de tarde, o sol já estava tímido e ameaçava esconder-se por detrás daquele imenso manto de água. Descemos até ao areal, caminhando sobre uma passadeira vermelha. A acompanhar os lados da passadeira, havia tochas acesas, que davam um certo romantismo ao ambiente. Havia barracas de todos os tipos. As que mais se viam eram de bebidas. A praia estava repleta de pessoas que dançavam ao som da música. Outras estavam mais entretidas a seduzirem ou então a comer.

– Altamente! – Disse o Nick, olhando à sua volta.

– Porquê que eu acho que vamos ter problemas? – Rezingou o Kalet.

– Oh meu, descontrai e aproveita estas vistas! – Disse o Nick, apontando para uma rapariga loira que ia a passar.

– Ok, vamos mesmo ter problemas!

– Kalet, não te preocupes tanto. Já sabes como eles são… Não vale a pena! – Aconselhou a Michelle, sorrindo, deixando-o atrapalhado.

Caminhamos pela areia, fascinados pelo ambiente. Havia velas e tochas por todo o lado, iluminando a praia. Estava tudo decorado com fitas e flores, dando um ar suave ao ambiente. No meio do areal, estava montado um palco e uma passerelle. Senti a areia ainda quente, queimar-me os pés. Observei o mar que imediatamente me lembrou do Seb e daquele final de tarde na praia. Como estaria ele? Mais calmo ou andando de um lado para o outro, a pensar nas mil e uma maneiras em que eu possa ter morrido? Mais daqui a um bocado vou ligar-lhe, para que ele não tenha nenhum ataque cardíaco.

– Ei, olhem ali! – Chamou o Brandon, apontando para uma das barracas. Era uma barraca que vendia cachorros, bifanas, hambúrgueres e todas essas coisas tão pouco calóricas.

– Já comia qualquer coisa, já… – Disse o David, massajando a barriga.

– Então vamos! – Despachou o Nick. – A não ser que as meninas não queiram, por causa da linha…

– Cala-te e anda daí! – Resmunguei, caminhando para a barraca.

Cada um fez o seu pedido e pareciam leões a comer, enquanto eu e a Michelle apenas nos entreolhávamos, assustadas. Pergunto-me se já não comem há quinze dias ou algo parecido. Não posso evitar rir-me, sendo seguida por ela.

– O que foi?

– Nick, não fales de boca cheia! – Pediu a Michelle. – Não preciso de te ver o estomago!

– Desculpem. – Desculpou-se, acabando de mastigar. – De que se estão a rir?

– De vocês! – Disse eu. – Há quanto tempo não comem? Há uma eternidade, não?

– Somos pessoas de muito alimento! – Defendeu-se, dando mais uma dentada na bifana.

– Bem, eu vou buscar outra cerveja. – Avisou o David, olhando para o seu copo vazio. – Alguém quer?

– Traz-me outra, se faz favor! – Pediu o Brandon.

– E para mim também! – Disse o Nick.

– Mas porquê que eu ainda pergunto… – Refilou o David, em tom mais baixo e levantando-se.

– Eu ajudo-te. – Ofereci-me.

Levantei-me e fomos até à barraca, onde pedimos à vendedora mais três cervejas. O David encostou-se ao balcão, olhando para a praia e eu dei por mim a observá-lo. A senhora trouxe as cervejas, pegamos nelas e viramo-nos para voltar para a mesa.

– Não acredito!

– O que foi? – Perguntei, assustando-me.

– Olha para ali! – Disse o David, apontando com o copo na mão.

Olhei para o lado e fiquei espantada com o que vi. Espantada e, de certa forma, irritada. Ao fundo, numa das mesas, estavam a Nicole e o Dean. Pareciam muito amigos, para quem não se suportava. Revirei os olhos. Não sabia que eles também tinham vindo na viagem.

– Deixa-os estar. – Desvalorizei.

– Desde que não chateiem, tudo bem. – Disse o David, caminhando de volta para a mesa.

Acabamos de comer e o Nick encostou-se para trás na cadeira, massajando a barriga. Não admira que esteja cheio, perdi a conta às bifanas que comeu. Mas não foi o único. O David e o Brandon não lhe ficaram nada atrás. Onde será que metem tanta comida? É um mistério.

Ouviram-se aplausos e assobios e, curiosos, fomos ver do que se tratava. Fomos dar à beira do palco, que se encontrava rodeado de pessoas, que batiam palmas euforicamente. Na passerelle, começaram a desfilar raparigas em bikini, para delírio do Nick, que começou imediatamente a assobiar e a mandar piropos. Olhei para o lado do palco e vi um cartaz onde estava escrito “Miss Bikini 2012”. Sim, era realmente o que faltava! Um concurso deste tipo, para eles ficarem insuportáveis e a babarem-se por aquelas escanzeladas armadas em modelos. Discretamente e, pelo canto do olho, fitei o David, que estava descontraído, observando as raparigas a passearem-se na passerelle.

– Deus meu… Olhem-me só para isto! – Comentou o Nick, quase babando-se ao ver as raparigas.

– Gosto desta! – Disse o David, mas quando olhou para mim, pareceu atrapalhar-se. – Quer dizer, deste… Deste bikini!

– Estás doente, meu? – Perguntou o Nick, pondo a sua mão na testa do David. – Passa-te uma miúda daquelas à frente e tu pões-te a olhar para o bikini?

– Não é essa a ideia do concurso? – Perguntou o David, tirando a mão do Nick da sua testa.

– Oh meu Deus! Quem és tu e o que fizeste ao David?!

– Controlem-se! Controlem-se! – Pediu o Kalet, nervoso.

O Kalet dava-me vontade de rir. Ele é tímido e muito mais no que toca a estas coisas. Já tinha reparado nisso. E acho que passa um bocado as “passas do algarve” com aqueles três. O Nick é um completo tarado. O David é o playboy e o Brandon… Bem, o Brandon parece ser o mais controlado, se vá que, por vezes, também é como eles. Deve ser contagioso, menos para o Kalet.

Assistimos ao desfile e agora seriam dadas as pontuações, pelo júri lá presente. Curiosamente, venceu a rapariga loira, que tinha passado à nossa frente há um tempo atrás, o que fez o Nick levantar a sobrancelha e esfregar as mãos, com o seu tão característico ar de engatatão.

– Não… Tu não estás a pensar em…

– Isso mesmo, meu amigo! – Interrompeu o Nick, dando uma palmadinha no ombro do Kalet e encaminhando-se para a beira da rapariga, que tinha acabado de descer do palco com um enorme ramo de flores e com uma faixa de Miss Bikini 2012.

– Há coisas que nunca mudam. – Riu-se a Michelle, pondo o seu braço no ombro do Kalet. Reparei que ele ficou corado.

– Eu vou buscar uma cerveja. – Avisou o David. – E não, não vos pergunto se querem!

– Ei, não sejas assim! – Refilou o Brandon.

– Queres, vais buscar!

– Dave…!

– Não há cá Dave! – Disse o David, rindo e caminhando em direcção à barraca das cervejas, mas parou e virou-se para trás, olhando para mim. – Queres vir comigo?

Assenti com a cabeça e fomos até à barraca. O David encostou-se de novo ao balcão e olhou na direcção do Kalet e da Michelle, que estavam a conversar. O Brandon estava mais afastado, metendo conversa com uma rapariga.

– Eles não percebem mesmo.

– Quem é que não percebe o quê? – Perguntei, não percebendo o comentário do David.

– O Kalet e a Michelle. – Respondeu, fazendo um sorriso. – Quando mais tempo vai demorar a perceber que gostam um do outro?

– Não sei. – Encolhi os ombros. – Mas eu já tinha reparado que havia um clima qualquer entre os dois.

– Felizmente. É sinal que a Michelle está a conseguir seguir em frente.

– Do que estás a falar?

– A Michelle foi apaixonada por mim durante algum tempo… – Revelou ele, deixando-me estupefacta. – Mas eu sempre a vi só como uma amiga. Nunca a quis magoar…

Fiquei sem reacção. A Michelle apaixonada pelo David? Nada previsível! O que me espanta mesmo é o facto de ele não ter aproveitado. Qual é o playboy que se preze que não aproveita? Não entendo, mas no fundo fico mais aliviada por saber que não tiveram nada. Talvez seja egoísmo, não sei.

– Até admira! – Comentei. – Playboyzinho como és…

– Tu continuas com isso do playboy?! – Resmungou, pegando na cerveja e dando um golo.

– Desculpa. – Sorri. Não vou provocar mais ou ainda nos chateamos outra vez e eu não quero. Tudo menos isso! Estamos tão bem que não quero que nada estrague a nossa relação.

– Acho bem. – Sorriu de volta e aproximou o copo de mim. – Queres um bocadinho?

– Credo, não! – Respondi, afastando o copo. – Só o cheiro enjoa-me!

– A menina não gosta de cerveja, não? – Disse, em tom de gozo.

– Estás aqui e estás a levar com a cerveja em cima!

Ele levantou os braços em sinal de rendição. Enquanto ele bebia, eu tirei o telemóvel do bolso para ligar ao Seb. Assustei-me ao ver que tinha 6 chamadas não atendidas dele.

– Ai, o Seb vai matar-me!

– Porquê? – Perguntou o David, pousando o copo vazio.

– Fartou-se de me ligar, mas eu não ouvi o telemóvel.

– Liga-lhe de volta. – Respondeu, fazendo uma cara que eu não consegui compreender. Era como se estivesse chateado. Pelo menos, conheço essa expressão de quando está chateado com algo.

– É melhor! – Concordei, marcando o número do Seb. Não demorou muito a atender, parecia que estava à espera.

– Só agora? – Resmungou. – Estou farto de te ligar. Porquê que não atendeste? Aconteceu alguma coisa?

– Não! Está descansado. Está tudo bem. – Tentei tranquiliza-lo. Está mesmo assustado. Será que continua com a ideia que me vai acontecer alguma coisa? – Eu não ouvi o telemóvel.

– Que susto! – Disse. Consegui ouvi-lo suspirar. – Mas está mesmo tudo bem? Chegaram bem?

– Sim! Correu tudo bem.

– Estás com quem?

– Com o David.

– Ah… – Soou, parecendo-me um pouco desanimado. – Tem cuidado…

– Não te preocupes tanto!

– Está bem… Vou tentar. Vai dando notícias, está bem? – Pediu.

– Está bem. Dá um beijinho a todos!

Despedimo-nos e desliguei. O David estava a olhar e do nada começou a rir-se.

– Estás a rir-te do quê?

– O Seb deve estar com medo que arranjes aqui algum loiro! – Riu-se.

– Loiro? Porquê loiro? – Perguntei. A minha pulsação desregulou-se por momentos.

– Não és tu que tens preferência por loiros? – Perguntou. – Se vá que o Seb não é loiro…

– Eu também gosto de morenos! – Refilei, sem perceber o porquê daquela conversa. – Além disso, os loiros são totózinhos.

– Estás a insinuar alguma coisa? – Questionou, de sobrancelha erguida e aproximando-se de mim.

– Eu? Não, nada! – Ri-me.

Ele riu-se. Não tenho nada contra os loiros, pelo contrário. Mas gosto de o provocar. Passou por nós, alguém que corria tão rapidamente que levantava areia por onde passava. Levei a mão à cara quando senti algo a entrar-me para o olho.

– O que foi? – Perguntou o David, preocupado.

– Entrou-me areia para o olho! – Disse eu, aflita.

– Deixa ver.

O David levantou-me a cabeça e observou. Aproximou o seu rosto e pediu para abrir o olho, mas era complicado. Picava. Já sentia o olho a arder e lágrimas a escorrer-me pelo rosto. Obrigou-me a abrir o olho e soprou. Com cuidado, retirou os grãos de areia que me incomodavam e, carinhosamente, limpou-me as lágrimas com a sua mão.

– Melhor? – Perguntou, ainda segurando o meu rosto entre as suas mãos macias.

– Sim. Obrigada. – Agradeci, olhando-o nos olhos. Estávamos tão próximos que conseguia sentir a sua respiração.

– Oh, que lindo! – Disse uma voz atrás de nós, que nos fez afastar. – Acho que o Sebastien não ia gostar de saber que vocês… Bem, estão tão juntinhos!

– Mas o quê que tu queres, Dean? – Perguntei.

– Quer outro tratamento à cara!

– Pára! – Pedi, segurando o David, que já estava de punho cerrado.

– O quê que eu fiz agora? – Perguntou, com ar de inocente. – Só comentei o que vi!

– Não precisamos dos teus comentários! Põe-te a andar daqui, porque eu não o vou segurar durante muito tempo.

O Dean deu uma gargalhada, o que ainda irritou mais o David. Finalmente, foi-se embora e eu larguei o David, que estava possesso.

– Este gajo está a pedi-las!

– Ignora-o! – Pedi. – Não percebes que ele só quer é destabilizar? Não lhe vamos dar esse prazer!

– Eu não gosto nada da ideia de eles terem vindo também. Não mesmo!

– Acalma-te. Eles não fazem nada. – Declarei, pousando a mão nas suas costas, para que voltássemos para a beira dos outros. – Anda, vamos.

Chegámos à beira da Michelle e do Kalet e eles estavam a rir-se. Olhamos em frente e vimos o Nick, ainda pavonear-se com a loira. A culpa não era dele. Ela estava toda derretida com ele. Creio que não estava muito incomodada com a insistência dele. A certa altura, ela pegou numa caneta e escreveu algo na mão do Nick, que depois se dirigiu até nós todo sorridente.

– Já saquei um número! – Riu-se. – Estão a ver? É assim que se faz. Aprendam comigo, que não duro para sempre!

– Tens de me dar umas liçõezinhas! – Pediu o David, rindo.

– A ti? Como se precisasses! – Gozou o Nick. – Mas eu partilho contigo o meu segredo…

Olhei-os com ar sério. Não gostei da brincadeira. Porque raio é que o David quer aprender a pedir o número às raparigas? Como se já não soubesse e não tivesse um mestrado nisso! Cruzei os braços e sentei-me numa das cadeiras que estava ao meu lado. A Michelle sentou-se ao meu lado e sorriu.

– Vocês são tão engraçados.

– Quem? – Perguntei.

– Tu e o David. – Respondeu. – Não entendem mesmo, pois não?

– Ahn? Estás a falar do quê?

– Nada. – Sorriu, olhando para o David e o Nick que falavam animadamente e esbracejavam bastante.

– Michelle… – Chamei. – Porquê que quando nos conhecemos e o David nos apresentou, disseram “famosa Magda”?

– Porque já tínhamos ouvido falar muito de ti. – Revelou. – O David falava muito em ti. Era como já te conhecêssemos!

– A sério? – Perguntei, admirada.

– Sim… Não sei se sabes, mas eu fui apaixonada pelo David e… Sentia tantos ciúmes! Não imaginas! – Confessou. – Mas não te preocupes. Ele apenas quis a minha amizade, nada mais do que isso e eu já consegui esquecê-lo!

– Porquê que eu haveria de me preocupar… – Sussurrei.

– Eu depois até comecei a pegar com ele.

– Como assim?

– A dizer que ele estava apaixonado.

– Que disparate! – Ri. – O David apaixona-se por todas! Ele apaixona-se e “desapaixona-se” como quem muda de camisa!

– Não é bem assim…. – Disse a Michelle, com ar confuso.

Calamo-nos quando chegou um enorme rapaz à nossa beira. Era alto e muito musculado e estava com ar muito chateado. Aproximou-se do Nick, batendo com um dos punhos na outra mão, debruçando-se sobre o Nick, que era mais baixo. Deu-me vontade de rir, ao ver a expressão assustada no rosto dele.

– Então és tu quem se meteu com a minha miúda! – Disse o rapaz. – Vou ensinar-te a não te meteres com as namoradas dos outros!

O pânico no rosto do Nick fez-nos rir. Antes que alguém tivesse tempo para fazer o que quer que fosse, o Nick começou a correr pela praia fora, o mais rápido que podia. O rapaz saiu da nossa beira, correndo também atrás do Nick. Afinal o Kalet tinha razão! Não seguramos o riso e perdemo-nos nas gargalhadas, menos o Kalet, que parecia assustado, deitando as mãos à cabeça.


Notas finais
Run, Nick, run xD