Deus Deve Odiar-me! - 1 Temporada
18 De volta a casa e sinto-te tão longe
Notas iniciais
Senti um peso sob as minhas pernas. E a minha cabeça também pesa. Toneladas, diria. Afastei o lençol, abri os olhos e vi o David, que dormia ferrado ao meu lado. Mas porque raio está o David a dormir com uma perna por cima de mim e um braço para cada lado? Será que nem a dormir consegue estar direito? Bem, ele também se podia queixar, pois parece que também dormi com um braço por cima dele. Somos parecidos nas estranhas maneiras de dormir. Mas o David… Espera…
– David?! – Gritei, mas logo senti a cabeça a latejar.
– Ai… Fala baixo! – Queixou-se com ar de sofrimento, levando as mãos à cabeça.
– O quê que… O quê que estás a fazer na minha cama?! – Gaguejei, afastando a perna dele e sentando-me na cama.
– Melhor… – Disse ele, levantando o lençol e espreitando. – O quê que eu estou a fazer na tua cama… Semi-nu?
– Oh meu Deus! Não é óbvio?! – Resmunguei, levantando-me e reparando que estava apenas de roupa interior e com a t-shirt dele vestida.
– É pena… – Comentou, apoiando-se nos cotovelos e erguendo-se um pouco.
– O quê? – Perguntei, andando em círculos.
– Não me lembrar de nada! – Disse, olhando-me.
– Parvo! – Refilei, atirando-lhe com uma das almofadas que estavam no pequeno sofá ao lado da cama.
– Ei! Então?! – Respingou, agarrando-se à almofada.
– Nós bebemos demais… – Disse eu, sentindo a cabeça quase a explodir. Sentei-me no sofá. Ainda estava atordoada e com uma dor de cabeça infernal. Tapei a cara com as mãos. – Eu não acredito que traí o Seb… Contigo!
– O quê que queres dizer com isso? – Perguntou, olhando-me de sobrancelha erguida e com ar indignado.
– Isto não podia ter acontecido! Não podia! – Gritei.
– Eu também traí um dos meus melhores amigos, estás a esquecer-te?! – Perguntou, irritado e sentando-se na cama.
Os meus olhos começaram a encher-se de água e não demorou muito até as lágrimas rolarem pelo meu rosto, que devia estar mais pálido do que a cal da parede, depois de perceber o que fiz. Ainda não tinha caído bem em mim, era como se não pudesse ter acontecido. Não comigo. Eu não podia ter traído o Seb, muito menos com o David! Mas o quê que me passou pela cabeça? Dúzias de shots e mais não sei quantas misturas de bebidas. E como se não bastasse, não me lembrava de nada!
O David saltou da cama e agachou-se à minha frente, tirando-me as mãos da cara e segurando-as.
– Tem calma… – Pediu, com olhar terno.
– Não dá! – Chorei. – Não dá!
– Olha, o melhor a fazer é não contarmos nada a ninguém! Fica entre nós. Ninguém tem de saber!
– Mas como é que eu vou olhar para a cara dele? – Perguntei, fitando-o. Ele limpou-me as lágrimas que teimavam em cair e sorriu.
– Com os olhos!
– David! – Resmunguei, batendo-lhe no braço. – Não é momento para brincares! É sério!
– Ai! – Queixou-se, esfregando o braço. – Não dizemos nada… É o melhor que temos a fazer. Não só para nós os três como para a banda! Se o Seb souber, acabou-se a banda!
– Achas? – Perguntei, assustada.
– Acho. Eu duvido que ele nos perdoe… – Disse o David, com ar angustiado.
Aquilo ainda me assustou mais e me fez sentir pior. Se é que é possível. Sinto-me horrível. A minha consciência vai consumir-me. Tenho medo. Tenho medo de ter destruído tudo. A minha relação com o Seb. A banda. Não é só o Seb que não me perdoa. O meu irmão, o Jeff, o Chuck… Isto era o sonho da vida deles! Eu não posso destruir isso por causa de uma noite. Uma noite inconsciente e que não devia ter acontecido! Não sei como vou encarar o Seb. Como é que vou fingir que não aconteceu nada? Não sei se consigo estar com ele como se nada se tivesse passado. Não é justo para ele. Ele não merecia. Eu sou um desastre. Mas o David tem razão. Não podemos contar nada. Não posso arriscar.
– Tens razão. É um segredo só nosso.
Levantei-me e limpei a cara. Respirei fundo, tentando acalmar-me. O David agarrou-me a mão e puxou-me para ele, abraçando-me. Como é que ele adivinhou que era mesmo daquele abraço que eu estava a precisar? Encostei a cabeça no seu peito e por momentos desejei conseguir lembrar-me da nossa noite.
– Vai correr tudo bem. – Disse ele, baixinho, fazendo-me festas no cabelo.
– Ele tinha razão em não querer que eu viesse! Ele sabia que ia acontecer alguma coisa! – Lembrei, afastando a minha cabeça mas ainda abraçando-o.
– Foi coincidência! Ninguém podia adivinhar.
– E tu também. Trai-o com um loiro.
– Mas eu tenho sempre razão!
Dei-lhe uma palmada no braço e ele fez beicinho. Fica tão querido assim, que só me apetece… Ah, Magda! Mas o quê que tu estás a pensar?! Afastei-me e olhei depois para ele, que permanecia parado e em trajes menores.
– É melhor vestires-te… – Aconselhei, observando-o atrapalhada. – Ainda temos de fazer as malas e… Apanhar o avião…
– Pois é. Mas vou precisar da minha t-shirt. – Disse ele, aproximando-se. Corei, ao lembrar-me que a tinha vestida.
– Ahm… Pois… – Soei, olhando para a t-shirt e depois para ele.
– Oh, por favor! Nós… – Atrapalhou-se e apontou para a cama.
– Sim, mas tu não te lembras!
– Infelizmente… – Sussurrou.
– Eu ouvi isso!
– Tiras a t-shirt ou vou ter de ir assim até ao meu quarto?
Despi a t-shirt e estendi o braço para lha entregar. O David parecia estar parado no tempo, até que acordou, aproximou-se de mim e sem mais nem menos, agarrou-me e beijou-me. Fui apanhada de surpresa mas quando caí em mim, afastei-o, apesar de estranhamente não ser essa a minha vontade.
– O quê que estás a fazer?!
– Não sei o que me deu… – Balbuciou, pegando na camisola. – Desculpa! Não consegui controlar-me.
– Tudo bem… Mas… Mas nós não podemos! – Declarei, confusa. A minha cabeça diz-me uma coisa e o meu coração continua a dizer-me outra. Odeio-vos aos dois, mais aos vossos desentendimentos! O melhor é esquecer. Eu tenho de esquecer isto!
O David assentiu e começou a andar à volta da cama, espreitando por debaixo da mesma e dos lençóis. Dei por mim a suspirar enquanto o contemplava. Abanei a cabeça.
– Onde é que estão os meus calções? – Perguntou, ainda com a camisola na mão. Olhei à volta e vi-os em cima da cómoda, peguei neles e na minha camisola que estava lá perto, perdida. Entreguei-lhe os calções. – Mas… Como é que foram ali parar?
– Não sei e… acho que prefiro não saber! – Respondi, tentando não pensar nas mil e uma maneiras de a roupa ter ficado espalhada daquela maneira pelo quarto. Reparei que os meus calções estavam do outro lado do quarto ao lado da janela e fui buscá-los. – Isto começa a ser hábito para ti.
– O quê? Espalhar a roupa?
– Não. Envolveres-te com pessoas quando ficas bêbedo.
– Ah… – Soou, acabando de se vestir. – É… Parece que não posso ficar bêbedo… Mas desta vez não me arrependo.
– Não te arrependes? – Perguntei, confusa com o comentário.
– Err… Porque… – Disse, tossindo. – Tu não me vais perseguir nem fazer a vida num inferno! É por isso…
– Ah… Claro. – Respondi, um pouco desanimada, não sabendo bem porquê.
– Bem, vou tomar um banho e fazer as malas! – Avisou, dando-me um beijo na bochecha. – Até já.
– Até já… – Respondi, já ele tendo saído.
Sentei-me na beira da cama e olhei os calções na minha mão. Ainda me sentia anestesiada, como se aquilo fosse um sonho e eu fosse acordar a qualquer momento. Não gosto da sensação de não me lembrar de nada. Foi como se tivessem passado uma borracha na noite passada. Mas o melhor mesmo é continuar sem me lembrar, e já agora podia também esquecer que aconteceu!
Suspirei e fui até à casa de banho onde tomei o meu banho demorado, desejando que a culpa que eu sentia se fosse embora com a água. Mas ela não ia e eu tinha de aprender a viver com isso, se não queria arranjar males piores. Arrumei a roupa desarrumada e fiz as malas. Partiríamos depois do almoço.
Tal como os outros, deixei as malas na recepção enquanto íamos almoçar. Estavam todos animados. Reparei que o Kalet e a Michelle estavam bastante cúmplices, trocando olhares que demonstravam ternura e carinho. O Kalet ficou com a face rosada e ajeitou os óculos desajeitadamente, quando se apercebeu que eu os observava. Sorri-lhe. Pergunto-me se já perceberam o que sentem um pelo outro. Talvez.
– Vocês ontem atinaram com o caminho para os quartos? – Perguntou o Nick, tirando-me dos meus pensamentos.
– Como assim? – Perguntou a Michelle.
– Cada um para o seu! – Corrigiu o David, atrapalhado.
– Claro… Mas alguém disse que foram para o mesmo? – Questionou o Nick, confuso.
– Ahm… Eu quis dizer… – Soou o David. Como ele estava sentado ao meu lado, por debaixo da mesa, apertei-lhe uma perna, para que se calasse. Ele deu um saltinho na cadeira, mas percebeu. – Sim, sim, nós conseguimos. Dormi que nem uma pedra… E tu?
– Sim, eu também… Aterrei logo! – Respondi.
– Hm… – Soou o Nick, olhando-nos com ar desconfiado. Só cá me faltava o Nick perceber o que aconteceu. – Vocês estavam completamente bêbedos!
– Eu sei… – Disse o David, baixando a cabeça e olhando o prato já vazio.
– Olha que nós não estávamos melhores…
– Mas isso não é para aqui chamado, Brandon!
Acabamos de almoçar e saímos do restaurante, encaminhando-nos para a recepção. Pegamos nas malas e já estávamos a caminhar para a saída, quando ao fundo do corredor, perto dos elevadores vi a Nicole e o Dean, que vinham na nossa direcção. O David ficou com uma expressão séria e eu não queria mais nenhuma cena de pancadaria.
– Então, estão bonzinhos? – Perguntou o Dean, com um sorriso estúpido.
– Estávamos melhores antes de olharmos para a vossa cara. – Respondeu o David.
– Que agressividade, Di! – Queixou-se a Nicole, com ar ofendido.
– Eu não sou Di! És burra?!
– Vê lá como me tratas, David. – Disse ela, num tom ameaçador. – Não vais querer que eu me chateie… As coisas podem não correr muito bem para o vosso lado!
– O quê que queres dizer com isso? – Perguntei.
– Podem acontecer coisas desagradáveis… – Completou o Dean.
– E quem sabe… Se já não me chateei! – Sorriu e virou costas, saindo do hotel e indo Dean atrás, ainda com o sorriso estupido estampado no rosto.
– David, o quê que eles quiseram dizer com aquilo?! – Questionei, virando-me para ele, preocupada.
– Não sei… – Disse o David, olhando a porta e olhando depois para mim. – Mas deve ser só bluff. Eles são uns tristes, só nos querem é chatear!
– Espero que seja só isso…
Seguimos para o aeroporto e quanto mais perto de casa estava, mais agoniada me sentia. As minhas mãos transpiravam, o meu coração disparava, sentia calafrios. Chegamos ao aeroporto, em Montreal. Despedimo-nos do Brandon, da Michelle, do Kalet e do Nick.
– Vamos apanhar um táxi. – Disse o David. – Queres que te leve alguma mala?
– Achas? Já vais aí carregado! – Adverti, apontando para as malas dele. – Não és o super-homem!
– E tu és fraquinha. – Disse ele, rindo-se, enquanto caminhávamos para a beira dos táxis.
– Eu não sou fraquinha! – Resmunguei, irritada.
Ele riu-se. Estávamos a chegar à beira de um táxi quando pára um SUV preto atrás de nós e buzina. Assustamo-nos e olhámos para trás e pela janela do lado do condutor surgiu uma cabeça.
– Precisam de boleia?
– Pierre? – Perguntamos em coro.
– Não, é um holograma! – Riu-se, saindo do carro para nos abrir a mala. Abracei-o e ele quase me esmagou, com os seus braços fortes. Deu também um abraço apertado ao David. – Vá, venham lá!
– Os nossos carros já chegaram? – Perguntei, colocando as malas na bagageira. Eu adoro o carro do meu irmão. É tão espaçoso e confortável! Mas tenho saudades do meu.
– O teu não. Eu recebi a carta do Banco esta manhã, a dizer que já estava lá a chave e os documentos do meu. Mas para ti não veio nada. – Disse ele, fechando a bagageira depois de ajudar o David a pôr as malas.
– A sério? O pai mandou pelo banco? – Bufei entrando para a parte de trás do carro e deixando o David ir à frente, ao lado do meu irmão. O carro ainda tem o perfume do Pierre.
– Já sabes como é o Dr. Réal! Segurança acima de tudo! – Riu-se e olhou pelo retrovisor para mim. – Põe o cinto!
– Chato… – Resmunguei, colocando o cinto.
– E então, contem lá como foi essa viagem! – Pediu, arrancando.
– Foi boa… – Disse o David.
Contamos como tudo tinha corrido, ocultando apenas a parte de eu e o David termos apanhado uma bebedeira e de nos termos acabado por envolver. Não que o Pierre nos censurasse… Ok, talvez nos desse um sermão, dizendo que não é correcto. Mas eu sei disso. Eu sei que não é. Mas aconteceu! Provavelmente iria dizer que não é nada que não estivesse à espera. Ele sempre achou que eu me apaixonaria pelo David. E continuo sem entender o porquê dessa ideia. Que absurdo. E só aconteceu porque estávamos bêbedos e não tínhamos noção do que estávamos a fazer.
– Eu perguntei ao Seb se queria vir, mas ele disse que não. – Disse o Pierre, estacionando o carro. – Ele tem andado mesmo estranho…
Engoli em seco. Eu e o David entreolhamo-nos, quando saímos do carro e ele disse-me um “tem calma” mudo e sorriu. Calma. Como se eu conseguisse ter calma. Estava cada vez mais nervosa. O meu coração batia mais rápido a cada passo que eu dava para casa. O meu irmão abriu a porta e entramos.
– Eles estão no estúdio.
– Eu vou arrumar as malas e já desço…
– Eu ajudo-te. – Ofereceu-se o David, pegando-me nas malas.
– A viagem fez-vos mesmo bem… – Comentou o Pierre. – Até se ajudam…
– Sem comentários, Pierre! – Resmungou o David.
O meu irmão riu-se. Será que desconfia de alguma coisa? Será que percebeu? Devo estar a ficar paranoica. Ele não é vidente e nós não andamos com letreiros. Não tem como saber. Tenho de me acalmar.
Chegamos ao quarto e pousei a mala que trazia. Ergui os braços e respirei fundo, fechando os olhos.
– Tu assim vais denunciar-nos. – Disse o David, aproximando-se de mim, com ar preocupado.
– Mas eu não consigo… Eu tenho tanto medo que eles descubram…
– Mete na tua cabeça que não há como descobrir! Ninguém viu, ninguém sabe. Apenas nós!
– Mas…
– Não há mas! – Ralhou o David, afastando-me o cabelo dos olhos. Mas porquê que ele não se afasta de mim simplesmente? Já tem o que queria! Passei a noite com ele. Porquê que continua a fazer-me festas e pior, a ser querido? Era suposto nem querer saber. Não sei, mas assim torna tudo tão mais difícil… Tão difícil de lhe resistir.
– Ahm… – Atrapalhei-me, afastando-me, antes que acontecesse algo. – Vamos lá para baixo!
Descemos as escadas e ouvi as vozes deles na sala. Tentei ao máximo controlar o turbilhão de emoções que estava a sentir, antes de entrar.
– Olhem quem voltou! – Disse o Jeff, abraçando-nos. – Então, correu bem?
– Sim. Foi muito fixe! – Disse o David, entusiasmado e cumprimentando o Chuck, a Vanessa e aproximando-se do Seb, que estava sentado no sofá.
– Que inveja! – Reclamou a Vanessa. – Só eu é que não tenho viagem de finalistas!
– Tu tiveste a tua! – Contrapus. – E não foi nada má, se bem te lembras!
– Eu sei, eu sei… – Respondeu ela, sorrindo.
– Tens de me contar isso… – Disse o Chuck, em tom mais baixo e quase falando-lhe ao ouvido. Puxei a Vanessa para o meu lado, logo depois de se afastarem.
– Escapou-me outra vez alguma coisa? – Perguntei, mas ela apenas mordeu o lábio, sorrindo e encolheu os ombros. Já percebi que ali há coisa. Alguém que tenha sorte!
Olhei para o Seb, que estava a cumprimentar o David. Não estava muito sorridente. Pelo contrário, parecia chateado. Agora tenho uma sensação estranha ao vê-los juntos. Maldita consciência, para quê que existes?! Ganhei coragem e aproximei-me dele, quando o David começou a falar com o Chuck.
– Já cheguei, vês? – Tentei sorrir. Lembro-me das palavras do David. Não há como ele saber. Não há. – Voltei inteirinha para ti, como te tinha dito.
– Parece que sim. – Disse ele, encarando-me com aqueles seus olhos cor do mar que me fazem ficar sem ar, como se me estivesse a afogar. É o remorso.
– Que se passa? – Perguntei, preocupada.
– Nada. Estou só cansado. – Respondeu, dando-me um beijo e sorrindo. – Desculpa ter sido chato…
– Não, desculpa eu ter falado como falei… – Pedi. No fundo, sem saber, ele sentia que algo ia acontecer. E aconteceu. A culpa vai destruir-me. Eu não consigo encará-lo, beijá-lo, como se nada se tivesse passado. Simplesmente não consigo olhá-lo nos olhos. – Seb… Eu… Tenho de te contar uma coisa…
Ele encarou-me com ar sério. Por momentos, deu-me a impressão que sabia que o que lhe ia contar era algo desagradável. Atrás do Seb, estava o David de olhos arregalados e de mãos na cabeça. Começou a fazer-me sinais para eu me calar, disfarçando, quando alguém o olhava, por estar a esbracejar sozinho. Lembrei-me da conversa que tive com o David. De ele dizer que o Seb não nos perdoaria e que seria o fim da banda. Engoli em seco.
– Diz. Que aconteceu? – Perguntou ele, com voz firme.
– Eu… Eu tive saudades tuas! – Respondi, agarrando-me ao pescoço dele. O David respirou fundo e levantou o polegar. Sinto-me mal. Sinto-me uma traidora mentirosa e o Seb não merece, não merece mesmo. Senti os braços dele finalmente abraçarem-me, o que me fez acalmar.
– Era isso que me querias contar? – Questionou, afagando-me os cabelos na nuca.
– Sim…
– Eu também tive! Imensas! – Respondeu, suspirando e apertando o abraço. Agarrou-me o rosto entre as suas mãos e colou os nossos lábios.
Parecia que estava tudo bem. Talvez nunca ninguém vá descobrir e eu consiga conviver com o facto de ter traído o meu namorado com a última pessoa possível. Foi uma noite. Um erro. É apenas isso que posso esperar do David. E de mim, porque não estou disposta a destruir a minha relação estável com o Seb por causa de um playboy, para quem sou só mais uma na sua lista. Além disso, não quero arriscar a que nos chateemos de vez. Isso também não me faria bem. Ele é um playboy, mas há nossa maneira, é um amigo do qual não quero nem consigo separar-me. Olhei o David, que permanecia no mesmo sítio. Ele observava-nos com um ar estranho. Sorri-lhe, mas ele não teve nenhuma reacção. Parece estar noutro mundo.
– Gente! Tenho duas novidades! – Gritou a Vanessa, no meio da sala de braços abertos. – Oh pombinhos, larguem-se lá um bocadinho e ouçam!
– Conta lá! – Pedi.
– Pierre vai buscar o champanhe… – Pediu a Vanessa, abrindo um sorriso. – A votação terminou e os Simple Plan estão na final!
Ficamos todos, por segundos, atónitos, mas quando raciocinamos instalou-se o caos na sala. Entre gritos, risos, abraços, festejamos. O meu irmão abriu a garrafa, que deu um estouro e a rolha saltou. Brindamos a mais uma etapa ultrapassada. Estavam cada vez mais perto do objectivo e foi mais um motivo para que eu não contasse nada.
– E já se sabe quem é a outra banda? – Perguntou o Jeff.
– Sim… São uns miúdos… – Informou a Vanessa. – Chamam-se One Direction.
– Realmente só terão uma única direcção… – Começou o David. – A derrota!
– Aposta nisso! – Disse o Pierre, pondo o braço por cima dos ombros do David e os dois brindaram.
– Mas há mais! – Disse a Vanessa.
– É agora que nos vais contar o quê que se passa… aí? – Perguntei, apontando para ela e para o Chuck. O Chuck corou e sorriu, fitando o chão.
– Não! Ainda não acabei de falar da banda! – Resmungou. – Os júris serão três personalidades conhecidas do mundo da música!
– Quem? Quem? – Perguntou o Pierre.
– Isso só irão saber quando lá chegarem! – Informou a Vanessa.
– Má como sempre… – Refilei, em tom baixo. – E mais alguma coisa que nos queiras ou… queiram contar?
– Não. Não há mais nada! – Resmungou a Vanessa.
– E quando é a final? – Perguntou o Seb.
– É já daqui a uns dias!
– Temos de ensaiar! É para arrasar! – Incitou o meu irmão erguendo o copo, seguido de todos, ouvindo-se o tlintar dos copos.
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