Seu primeiro pensamento: Quero voltar!

Allie não tinha passado nem um dia curtindo a cidade, descontando os dias que ficou presa naquele hotel, mas já estava com saudade e morrendo de raiva por estar voltando para Nova York.

No voo ela planejava mil maneiras de se esconder para não encontrar pessoas conhecidas. Claro, ela as vezes se distraia quando Leo segurava em sua cintura e se aproximava dela perguntando se ela estava bem. Aquilo estava deixando ela a ponto de ter um ataque cardíaco.

A viagem não demorou muito, pelos cálculos de Allie foram mais ou menos duas horas, ou seja, seu plano teve que ser apressadamente planejado. E então eles pousaram em um enorme jardim, Leo a ajudou a descer do Pégaso e ela pôde olhar melhor o lugar: no fundo do enorme jardim ficava uma casinha relativamente pequena para o tamanho da área externa, ela era branca e tinha uma enorme varanda, pilares do que parecia ser mármore sustentavam um telhado escuro. Allie olhou boquiaberta, como nunca perceberá aquele lindo lugar?

Ok, pensou, talvez Nova York pode ser um paraíso. Se a cidade não era, aquela cada era com certeza.

_Tudo bem? – Leo perguntou, se aproximando dela depois de deixar o Pégaso com Percy.

_Tudo, é só...

_Incrível – ele completou.

_Bem isso – Allie sorriu para ele

_E sabe, essa casa, esse lugar por completo, não pode ser visto a não ser por nós e por quem nós permitimos que veja.

_E eu tive essa permissão... Por quê?

_Porque você faz parte do grupo... E do meu coração – seu sorriso travesso voltou a atravessar seu rosto.

_Você não tem jeito – disse ela exasperada.

_Mas você gosta...

Ele saiu andando em direção a casa, o vento bagunçava seu cabelo encaracolado. Ok, gosto mesmo, Leo Valdez, confessou a si mesma. Ela ficou mais uns minutos parada olhando o local e decidiu seguir até a casa.

No caminho ela pode observar melhor o jardim: as flores ali eram tão lindas que pareciam ter acabado de desabrochar, ao fundo tinha estufas de cultivos, mas Allie não conseguiu identificar o que era porque já estava ficando escuro. Tinha uma fonte na frente da casinha, uma linda fonte de mármore com um anjo no centro, cuspindo água, clichê.

Subiu as escadinhas da varanda e logo entrou na casa. Ok, pensei que não podia ficar perfeito, mas isso é demais. A casinha por dentro não tinha nada de simples: a sala era grande e diversos puffs estavam postos na frente de uma enorme lareira. A esquerda da porta de entrada ficava a cozinha, que era até que simples para todo o resto. Mais ao fundo, duas portinhas estavam dispostas lado a lado, e direita, perto da lareira, ficava uma escada de madeira.

_Gostou, Duckline? – Perguntou Jason.

Piper o encarou com um olhar de censura. Ok, o que foi isso?

_Gostei sim. Lugar muito bonito.

_Bonito, aconchegante... O verdadeiro paraíso – disse Percy se jogando em um puff ao lado de Nico, o menino que ela tinha medo.

_Venha, Allie, sente-se aqui comigo – Leo segurou a sua mão e a levou até o puff mais próximo da lareira.

_Bem galera, precisamos decidir como vamos encontrar Calypso... – começou Annabeth

_Hey, hey... Hoje vamos aproveitar – interrompeu Leo.

_Leo, é serio, precisamos resolver isso o mais rápido possível, agora a ira de Calypso está mais forte, porque o que parece é que dois semideuses partiram seu coração – disse Nico, olhando de Leo para Percy – e justamente os dois estão no mesmo lugar, andando juntos.

_Eu sei que é sério, senhor das trevas, mas por hoje tira essa de senhor caveira e curta o momento com os amigos.

Nico serrou os dentes, Allie podia jurar que viu algo preto em torno do garoto... Filho de Hades, deus da morte... Allie estava impressionada com os poderes do garoto.

_Quer respeito assim, Valdez?

_Ow! Já chega disso! – interviu Hanzel – Amanhã, com certeza, vamos pensar melhor. Annabeth, Nico, vamos deixar realmente para amanhã.

_Deuses! – exasperou-se Annabeth se levantando.

Allie estava se sentindo incomodada naquele lugar, como uma verdadeira intrusa, resolveu então encarar a fogueira...

_FOME! Que fome, Deuses! – Percy gritou.

_E quando você não está? – disse Piper rindo – vamos comer, pessoal.

Ela se levantou e foi até a cozinha e voltou segurando alguns pratos e talheres e depois distribuindo para todos. Allie segurou seu prato e seus talheres, não entendendo muito bem, pratos? Cadê a comida? Leo percebeu sua confusão e falou:

_Olha, são meio que pratos mágicos, pense em uma comida que você quer...

_Isso é sério?

Leo confirmou sorrido. Allie se concentrou na sua comida favorita: tortilla e então um enorme pedaço de tortilha.

_Tá brincando? – Leo gritou ao seu lado – Eu adoro tortilla! Minha mãe fazia quando era pequeno!

Allie tentou imaginar um Leo pequeno (mais pequeno), e o que viu em sua mente foi capaz dela querer apertar ele, como a Felícia do desenho. Ele reparou que ela o olhava daquela forma e perguntou:

_Hã... o que foi?

Sem pensar, ela deixou o prato de tortilla no chão e pulou nele, caindo os dois no chão. Ela se posicionou por cima dele, apertando loucamente a sua bochecha, Leo dava risada e tentava se desvencilhar dela.

_Mas... o que... isso... – ele tentava dizer.

Allie olhou rapidamente para todos no local e eles o olhavam com uma cara curiosa. Depois de torturar Leo, ela se levantou sem folego, puxando o garoto que estava mais vermelho que um tomate.

_Deuses! – ele ria – menina, assim você acaba com o Leozinho aqui...

_O que foi isso? – perguntou Jason.

Allie olhou para todos e disse:

_Simplesmente imaginei o Leo quando criança e sinceramente, na minha cabeça, foi a coisa mais fofa que já pude imaginar.

Todos riram e voltaram a se concentrar na comida, principalmente Percy.

_Desculpa – ela sussurrou próximo a seu ouvido e deu um beijo em sua bochecha rosada pelos apertos que ela fizera.

Ele deu um meio sorriso e olhou ela de canto de olho:

_Jamais, mocinha, isso custará caro para você.

Os dois riram, mas Allie sabia que isso custaria sim caro, mas estava completamente disposta a pagar o preço.

***

_Bom, pessoal, tá legal aqui a conversa, mas acho melhor irmos dormir – disse Annabeth.

_Sem dúvidas, estou morta de cansaço – disse Piper.

Jason, Piper e Annabeth deram boa noite a todos e subiram as escadinhas de madeira. Hanzel já estava cochilando no colo de Frank, então ele pediu licença e se retirou com Hanzel em seu colo. Sobrando somente Percy, Nico e Leo para fazer companhia para ela.

_Hã... num é querendo ser chata, mas... Onde eu vou dormir?

_Tem lugar pra todo mundo, Allie... fica tranquila – disse Percy bocejando.

_Leo, seja útil e mostre a garota onde ela pode dormir – disse Nico, sem expressão, encarando o fogo,

_Ok, sombrinha... Vamos, Allie, vou te mostrar seus aposentos, mi amor.

Ele segurou sua mão, e ela se sentiu estranha... Seu coração palpitava ainda mais. Subiram as escadas e seguiram por um corredor pouco iluminado. Leo a levava até o final do corredor, abrindo a ultima porta para ela.

_Pode entrar.

Ela entrou e viu que o quarto mais parecia uma oficina do que um quarto, mapas na parede e vários instrumentos estavam espalhados pelos cantos dos quartos. Uma cama grande estava colocada no centro do quarto. Ela sentou na cama e olhou para Leo, que fechava a porta atrás de si, ela se assustou:

_Você... Você vai dormir aqui?

Ele já estava tirando a camisa de botão exibindo a camisa laranja com dizeres, ele se virou para ela e disse:

_Claro, esse é meu quarto.

Allie se levantou, arrumando o lugar que tinha sentado.

_Pra que isso?

_Desculpa, eu... eu... Não posso dormir aqui, durmo lá na sala sem problemas.

_Nada disso – agora ele tirava a camiseta laranja – pode ficar onde está. E se acalme que não vou fazer nada com você. Sente-se ali novamente...

Ela o encarou, incrédula, lutando loucamente para não desviar os olhos do seu rosto. Ele tirou um enorme cinto que estava preso em sua cintura, colocando-o encima para a escrivaninha. Allie agora virará de costas, fingindo encarar os mapas esquisitos...

_Pode olhar, Allie, eu não mordo.

Allie não queria se virar, seu coração palpitava, queria fugir dali, mas algo não deixava. Sentiu as mãos de Leo segurarem seus braços e a virarem e quando virou ele estava... vestido. Pelo menos só com a calça. Ele sorriu para ela:

_Como você é boba, você acha que vou te desrespeitar?

Allie concordou com a cabeça e ele gargalhou.

_Jamais, mi amor, eu seria incapaz disso... – ele passou a mão pelo contorno de seu rosto.

Me beija logo, Leo Valdez!, ela gritou silenciosamente, mas infelizmente isso não ocorreu, ele somente ficou olhando para ela. Allie fechou os olhos, ele ainda estava fazendo carinho em seu rosto.

_Você é linda, Allie...

ME BEIJA! Mas ele se afastou, se sentando na cama, ela permaneceu no mesmo lugar, com os olhos fechados e quase sem ar.

_Acho melhor eu dormir na sala...

Ela foi se direcionado para a porta, chegando a abri-la, mas Leo foi mais rápido e a segurou, batendo a porta e se colando na frente dela para que não saísse.

_Não, Allie, você vai dormir ali... – ele apontava para a cama.

Ele foi “empurrando” ela até a cama, Allie caiu sentada no colchão macio. Leo se abaixou e lhe deu um beijo, sentando ao seu lado sem interromper o beijo. Tempo depois ele parou e se deitou, batendo no vazio ao seu lado:

_Venha, prometo não te fazer mal... Só me faça companhia.

Allie não pensou duas vezes, tirou o sapatos e se aconchegou nos braços de Leo e em pouco tempo adormeceu.