_Mas senhor... – Leo tentava dizer.

_Sr. Valdez, eu já disse que não vou permitir – o pai de Allie estava realmente nervoso – eu não vou permitir! Olha o que aconteceu com a minha esposa, ela ficou realmente mau por conta de uma birra de criança e agora você – ele apontou duramente para Leo — vem aqui do nada e ainda quer levar a minha filha!

_Pai! – Allie falou o mais alto que ela podia, chamando a atenção dos dois – acho que eu sei tomar conta da minha vida! Será que tudo o que te contei não foi o suficiente para...

_Foi o suficiente para me deixar de cabelo em pé! Allie, você acha mesmo que eu vou permitir que você viva com uma pessoa que você conhece ha um mês?

_Eu sei o que é bom para...

_Não sabe! – seu pai novamente a cortou.

_Ela sabe – Leo começou – Você não sabe a força de sua filha, de tudo o que ela passou! Vocês não veem que ela cresceu e que quer se libertar dessa grade que vocês impõe a ela... Se vocês fizessem diferente ela nunca teria fugido!

_E quem é você para falar da minha família assim? Você não nos conhece, garoto!

_Eu vou, já decidi. Vou estar sempre ao lado de vocês, mas isso é uma decisão minha e somente estou informando você. A época de que vocês me prendiam para tudo e nem justificavam isso acabou – Allie tomou coragem e continuou – eu entendo que vocês queriam me proteger e só assim conseguiam demonstrar o amor de vocês, mas ao mesmo tempo que me protegiam, deixavam Ethan fazer o que ele quisesse. Vocês me prendiam e por muitas vezes me deixaram sozinha. Eu não vivi, pai. E agora eu posso, e agora eu tenho alguém que quer caminhar ao meu lado.

_E como você tem certeza de que ele não te largara? Hein? Você é só uma criança! – o rosto de seu pai estava vermelho e seus olhos lacrimejavam,

Alliie caminhou até Leo e segurou a sua mão, olhando em seus olhos.

_Eu sei... Ele nunca me abandonará, assim como fizera em todo o tempo que fiquei com meus novos amigos. Mesmo com muita coisa que aconteceu conosco, ele me protegia.

Seu pai nada falou, somente olhou para os dois e se sentou na poltrona.

_Eu não sei como agir, Allie – seu pai agora apoiava a cabeça na mão esquerda.

_Somente aceite que isso vai acontecer. Eu conversarei com a mamãe. Também não vou embora até ela melhorar... Aliás, eu não vou embora, vou morar a algumas quadras daqui.

Marcus não falou nada por alguns minutos, Allie e Leo permaneceram em pé, ao lado do sofá.

_Entenda, pai, eu preciso disso. Eu cresci muito com tudo isso. E acredite, eu me sinto suficientemente culpada pelo que aconteceu com minha mãe, não precisa me culpar.

_Allie, eu... Eu só quero o seu bem – seu pai tinha emoção na voz.

_Sr. Marcus, eu sei o quanto sua filha é especial, mas vocês precisam entender que ela quer viver. Ela sabe fazer isso muito bem – Leo sorriu.

Depois de mais um tempo calado, Marcus suspirou e disse:

_Está bem... Mas só vá mesmo quando sua mãe melhorar... Ela está realmente mal.

_Eu já disse que vou embora somente quando ela melhorar. Não se preocupe.

O rosto do pai de Allie mostrava a tristeza e preocupação que ele sentia, mas Allie não se abateu, ela realmente estava magoada com cada palavra que seu pai tinha dito, não mudará em nada, não aprenderá. A decisão de não morar mais ali não estava mais nas mãos deles e sim na dela.

Marcus se levantou e subiu as escadas e enquanto subia ele avisou:

_Vou descansar. Amanhã vou buscar sua mãe e você poderá vê-la.

Allie se jogou no sofá, deitando a cabeça no colo de Leo.

_Você pode ficar aqui comigo essa noite? – ela perguntou.

_Claro, mi amor – ele disse, fazendo carinho nos cabelos dela.

Os minutos foram passando lentamente e então ela começou a sentir sono e adormeceu.

***

Quando acordou ela estava no mesmo lugar, deitada no sofá com a cabeça no colo de Leo, abriu os olhos e viu o menino dormindo com a cabeça pendendo para trás.

_Leo – ela chamou baixinho.

Ele acordou assustado.

_Eu... Eu...

_Calma, dormimos aqui na sala – ela riu.

_Sério, Allie? — ele passava a mão no rosto e depois sorriu de modo travesso.

_Para de ser idiota.

Ela se levantou, seu corpo doía.

_Eu vou pra casa, mais tarde eu passo aqui para conhecer a sua mãe – ele se levantou também, se espreguiçando.

_Está bem...

Ele a beijou e saiu da casa, fechando a porta devagar. Allie foi até a cozinha fazer o café. Minutos depois seu pai desceu as escadas, estava arrumado e pronto.

_Vou buscar sua mãe – anunciou ele da sala.

_Não vai comer?

_Não – ele disse secamente e então bateu a porta da sala.

Allie se assustou com a atitude, mas não ia mudar a sua.

***

Sua mãe parecia ter perdido uns dez quilos, ela andava devagar demais. Seu pai a colocou sentada no sofá e Allie correu para ela, a abraçando com cuidado.

_Me desculpa, mãe – a menina não segurou a emoção.

_Eu que tenho me desculpar, amor – sua mãe dizia com a voz fraca – eu que tinha que prestar atenção em você, eu agi errado...

_Calma, mãe – ela dizia passando a mão nos seus cabelos – está tudo bem agora.

Elas passaram bons minutos abraçadas até sua mãe reclamar de fome e Allie ir buscar algo para ela. Seu irmão permanecia sentado, observando a tudo. Allie nunca o virá tão silencioso.

Allie entregou um prato com biscoitos e chá para sua mãe e se afastou, estava prestes a sentar na poltrona quando seu irmão a puxou pelo braço, dando-lhe um abraço.

_Eu senti tanta a sua falta, maninha.

Allie sentiu sua tristeza e sinceridade. Ela nunca tinha recebido um abraço de seu irmão e muito menos ouvido aquelas palavras. Allie simplesmente ficou abraçada e assim permaneceram por um bom tempo.

_Allie? – sua mãe chamou – seu pai me disse que tinha algo para me dizer... o que é, filha?

Allie sentiu-se fora do ar com aquelas palavras, seu pai tinha dito algo a ela. A menina se soltou do irmão e observou o rosto cansado da mãe.

_Sim... eu queria contar algo, sim... Mas vamos deixar para mais tarde – ela tentou sorrir.

_Não, você irá contar agora Allie – a voz do seu pai era fria como gelo.

_Então está bem... Eu conto.

Sua mãe estava atenta, apesar de estar cansada, ela se concentrou.

_Pois me conte, filha.

Allie respirou fundo e disse:

_Mãe... Eu vou me mudar.