Detenção
1 Capítulo único
O sol incomodava seus olhos, hora sim, hora não, sempre que passava pelo vão entre as colunas do corredor. Ainda faltava muito para chegar a sala de detenção e Filch fazia questão de arrastar Thalia pelo braço. Frustrava-o imensamente os castigos não serem mais torturas físicas, então o que estivesse ao seu alcance ele faria.
Ao chegar a sala de detenção o sr. Filch empurrou Thalia para dentro — como um carcereiro agiria com o prisioneiro — e fechou a porta com estrondo. A sala era na verdade um depósito empoeirado com caixas de papelão e móveis velhos por todo lado. Thalia limitou-se a fazer uma careta de desagrado a porta. Ao virar-se, deparou com Henrique Schor, filho de Hades, sentado a um canto.– O que você está fazendo aqui? — perguntou Thalia caminhando até o outro lado da sala. Henrique deu de ombros.– Detenção — ele respondeu. — O que você fez para vir para cá?– Ah, dei choque em umas garotas aí... — ela o respondeu, sentando-se em uma das caixas. Henrique a encarou com um sorriso divertido.– Foi necessário! — justificou-se Thalia. — Faz parte da minha pesquisa, sobre choque como medida disciplinar. É sem danos a pele — ela explicou. Henrique rio com gosto, no que foi acompanhado por Thalia.– É mesmo bem a sua cara querer comandar tudo; por ordem em tudo — ele comentou.– Não é bem assim... — explicou Thalia. — Só estou testando pra descobrir se choques estimulam a produção de neurônios naquelas garotas — Thalia fez uma careta ao menciona-las. — É puramente científico.– Quem são? — quis saber Henrique, notando a careta de Thalia.– Elena* e suas "amigas"... — disse Thalia enfatizando as aspas com os dedos.– Você deveria se controlar. Não descer ao nível delas — Henrique aconselhou.– Eu não estava "descendo ao nível delas"! — disse Thalia, visivelmente ofendida.– Você entendeu o que eu quis dizer — disse Henrique.– Entendi que você deveria parar de tentar dar conselhos — respondeu Thalia, seca.– Mas que menina ranzinza! — disse Henrique, fazendo uma careta.– Mas que menino intrometido! — ela lhe respondeu, devolvendo a careta. — Foi por isso que entrei pra Caçada; pra ñ ter que aturar vocês, homens — Thalia completou.– O problema é eu ser intrometido ou é eu ser homem? — questionou Henrique.– É ser um homem intrometido... — Thalia respondeu. — Queria poder voltar pra Caçada — ela choramingou.– E porque você não volta? — sugeriu ele.– Ártemis nunca me aceitaria de volta — respondeu Thalia, achando a ideia ridícula.– Por que não? Thalia o olhou torto, incrédula com sua pergunta.– Você é a melhor que Ártemis poderia conseguir — continuou Henrique.– Eu não acredito nos seus elogios. Nunca — disse Thalia.– Não foi um elogio; só disse a verdade — Henrique sorrio. Thalia o olhou feio por um momento e depois desviou o olhar, irritada.– Você é corajosa; se sacrificou por seus amigos. Tenho certeza de que não era diferente na Caçada. Ela continuou encarando a pilha de caixas em silêncio, no que foi acompanhado por Henrique.– Eu não me sacrifiquei por ninguém — disse Thalia por fim.– Então você virou um pinheiro por opção? — perguntou Henrique com um sorriso, tentando acabar com o clima tenso que a conversa tinha tomado. Thalia virou-se para ele muito séria.– Não era meu plano virar um pinheiro pra não morrer. Eu achava que se tivesse uma atitude heroica e provasse meu valor, talvez meu pai me ajudaria — Thalia começou a explicar. — Não que eu não estivesse realmente preocupada com meus amigos, mas pensei que seria simples. Que Zeus apareceria ali e acabaria com todos os monstros porque era a filha dele que estava em perigo. Mas ele preferiu me deixar pra mártire.– Mas ele te ajudou, te transformando em um pinheiro pra que não morresse — Henrique tentou consola-la.– Só pra que eu tivesse uma lição! Só pra que eu depois aprendesse a nunca esperar nada de ninguém!– Não é bem assim. Você pode contar comigo. Sou seu amigo — entoou Henrique pela zilionésima vez. Thalia abaixou a cabeça, suspirando.– Você não entende... — a garota foi interrompida pela porta que se abriu revelando um professor Flitwick de cara fechada.– O que você fez dessa vez, Thalia? — ele perguntou, demonstrando cansaço.– Era um experimento! — tentou justificar-se a garota, levantando-se e acompanhando o professor para fora da sala. Ao chegar a porta ela se deteve um instante, virou-se com a mão na maçaneta e encarou Henrique.– Você deveria tentar aprender com meus erros, ou pelo menos parar de tentar ser um — disse a garota a ele, fechando a porta em seguida, deixando a sala novamente as trevas.
Notas finais
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