Detenções
4 Segunda Detenção
Notas iniciais
Suspirei e prendi meu cabelo num coque.Noite passada eu tinha tido minha primeira detenção.A primeira de muitas.Esta seria a segunda.E sinceramente, com o que tinha acontecido na primeira, eu esperava algo da segunda.Sei lá, talvez mais beijos e menos trabalho?
–Admite vai, você está curtindo essas detenções!-Falou Blace debochada.Joguei uma almofada nela.Blace riu.
–Cala a boca!-Reclamei colocando um casaco fino sobre minha blusa verde.
–Só estou dizendo a verdade, Weasley.-Falou Blace com seu típico sorriso de canto.-Você está curtindo ser a garota má.E é claro, está curtindo se pegar com o Malfoy.
Dessa vez joguei meu sapato nela.Blace se desviou facilmente e riu.Balancei a cabeça e me dirigi para fora do dormitório, sem palavra de despedida nenhuma.
Saí da Sala Comunal da sonserina, e andei pelas masmorras até chegar na sala dos troféus.Scorpius já estava lá, sentado no seu banquinho, escrevendo alguma coisa num papel.
Um nervosismo anormal tomou conta de mim.O que iria acontecer hoje?Será que ia ser como ontem?Ou ele ia me ignorar?Ou ele iria dobrar o meu trabalho?
Respirei fundo.Aquilo já estava ficando estranho.Afinal quando eu, Rose Weasley, fiquei nervosa na presença de garotos?Os garotos deveriam ser meu departamento!Minha especialidade!Então eu me acalmei.
Aquilo era minha praia afinal!
Me aprumei, coloquei meu sorriso malicioso no rosto e entrei rebolando na sala.Scorpius me olhou de cima a baixo.Foi um tanto quanto constrangedor, mas não me deixei abalar.
–Boa noite, Malfoy!-Falei animada, como se eu estivesse ali para uma festa, não para uma detenção.
–Você está atrasada.-Falou Scorpius simplesmente.Sorri de canto, e lhe dei um beijo na bochecha.
–E desde quando eu chego na hora certa?
...
Me calei.
Não sei bem qual foi o motivo.Talvez o beijo na bochecha, ou fato de ela estar usando saia e estar sentada no chão com as pernas cruzadas, concentrada ao limpar um troféu.
A calcinha dela é azul.
Scorpius Hyperion Malfoy, oque você está fazendo?
Respirei fundo e tentei desviar meu olhar do corpo de Rose.Não sei exatamente o que é aquilo, mas algo atrai meu olhar para ela.E aquilo me incomodava.
Respirei fundo.Hoje aquilo não aconteceria de novo.Hoje eu iria segurar esse Scorpius safado que existe dentro de mim.Ele ia ficar trancado a sete chaves, guardado no fundo do baú, e ninguém iria despertá-lo eu...
–AAAAAAAAAHH!!
Logo após aquele berro alguém pulou em meu colo, gritando histericamente para eu fazer alguma coisa, se debatendo em cima de mim.Percebi que a pessoa em cima de mim era Rose, e ela estava pedindo para eu matar alguma coisa.
–Que foi mulher?-Perguntei agarrando o rosto de Rose obrigando-a olhar em meus olhos.
–Uma aranha!-Ela berrou fazendo meus tímpanos quase explodirem.
–E o que tem a aranha?-Perguntei ficando irritado.
–MATAA!!-Ela gritou se agarrando em mim como uma garotinha de sete anos com medo de um palhaço.
Olhei para a direção em que ela apontava.Realmente havia uma aranha ali, era de tamanho médio, e estava andando lentamente sobre um grande troféu.Suspirei e com um simples floreio de varinha, a aranha tinha sumido.
Mas isso não significa que Rose saiu de cima de mim.
–Acalme-se, ela já foi!-Falei tentando desgrudar Rose de mim.
–NÃO FOI NÃO!!-Ela berrou me fazendo ficar temporariamente surdo.
Foi então que eu percebi.Rose estava tremendo, e dizendo pela sua voz embargada, ela estava chorando.Foi ai que eu senti pena dela.
Acariciei seus cabelos e disse palavras de consolo até ela parar de se agarrar em mim como se sua vida dependesse disso.Logo ela já tinha afastado o rosto de meu pescoço, e me olhava nos olhos.
Então foi aí que eu conheci uma Rose diferente da Rose que eu realmente conhecia.
Os olhos dela, sempre brilhantes de confiança, agora brilhavam de medo, além de estarem vermelhos pelo choro;o rosto sempre jovial com um toque de malícia, agora estava em uma expressão de puro terror, parecendo uma garotinha indefesa de cinco anos, que precisa ser protegida de tudo.
Rose parecia tão diferente, tão delicada, tão desprotegida.
E por algum motivo, aquilo me impulsionou para frente, pronto para beijá-la.E foi exatamente o que eu fiz, o que fez Rose relaxar, descontraindo os músculos e parando de tremer.
Ela correspondeu ao beijo com calma, algo estranho vindo dela, sempre tão desesperada, tão maliciosa, agora estava tão serena quanto o Lago Negro.
E quem queria mais era eu.
Que irônico.
...
Que droga Rose!
Você tinha que berrar feito um ratinho né?Tinha que pular no colo do Malfoy, entrar em pânico e começar a chorar!Tinha que mostrar para ele, justamente ele, que tinha aracnofobia, quando ninguém mais sabia disso!
Que merda!
E o pior de tudo, tinha que aceitar o beijo dele né?Tinha que cair naquela história de príncipe protetor, e querer ser protegida!Sua estúpida!
Assim que me toquei que estava fazendo algo completamente estúpido me afastei de Scorpius.
Eu queria era sair correndo dali e nunca mais aparecer de novo.Mas eu não podia.Nem ao menos conseguia descer do colo dele por culpa daquele maldito medo de aranhas!
–Rose?-Chamou Scorpius depois de um tempo.
–Que?-Perguntei.Minha intenção era perguntar mal-humorada e brava, mas saiu mais como um pedido de ajuda.
–Você tem medo de aranhas?-Ele perguntou com uma voz suave, calma.Ele não estava me acusando, tirando uma comigo ou algo do gênero.
Ele estava apenas perguntando.
Estava apenas curioso.
–Sim.-Respondi envergonhada.E ainda acrescentei:-É aracnofobia na verdade.
Scorpius assentiu.E não disse mais nada.Apenas ficou ali, quietinho, passando a mão pelo meu rosto.Olhei para o chão.Parecia que ele estava limpo de aranhas, mas eu sabia que logo aquilo iria acabar, e aquelas malditas alucinações de medo iriam aparecer.E eu então iria gritar e chorar novamente.
Inconscientemente me agarrei a Scorpius e sussurrei novamente, amaldiçoando minha voz de garotinha.
–Posso voltar para minha cama?
Scorpius acariciou meus cabelos novamente.Não posso dizer que não gostei.
–Acho que não.-Ele falou suave.Eu queria ficar brava, mas eu não conseguia.O medo ainda me dominava.Maldita aracnofobia!Maldito Ronald Weasley que havia passado aquela fobia para mim!
Malditas sejam as aranhas!
–Porque não?-Perguntei fraquinho.Scorpius se levantou, me ajeitando em seu colo, e me colocando no banquinho.
–Você precisa terminar essa detenção.-Ele falou me passando o troféu.Tentei não soltar um gritinho quando vi o interior escuro da taça de ouro.
E de novo aquelas malditas alucinações de medo apareceram.
O interior da taça começou a borbulhar, como se estivesse fervendo.Tentei me convencer de que aquilo era só uma alucinação, que não estava acontecendo de verdade, mas meu cérebro me pregava peças.Enormes peças.
De dentro da taça várias aranhas surgiram.Eram várias mesmo, algumas pequenas, outras enormes, todas peludas e nojentas, completamente apavorantes, andando sobre a taça, subindo pelo braço de Scorpius, saindo de seus olhos, boca, ouvidos.Pequenas aranhas saindo de suas narinas.
Ele mexia a boca, mas não saía som algum.
Então eu gritei, gritei como nunca havia gritado.Senti formigamentos por todo meu corpo.
Elas estavam andando pelo meu corpo.
Então um pensamento horrível me ocorreu.Minha boca estava aberta, elas entrariam por ali.Então eu fechei minha boca e chorei em silencio.Senti mãos envolvendo meu corpo, me abraçando.
Patas!São patas de uma aranha gigante que veio para te matar!
Então o pavor tomou conta de mim.Eu comecei a soluçar, me balançando na cadeira, tentando ao máximo não gritar para impedi-las de entrarem na minha boca.
...
Aquilo era simplesmente horrível.Ver Rose chorando, apertando os lábios e se balançando e eu não podia fazer nada.
Não que eu sofresse com aquilo, mas era uma droga não poder ajudar.Eu tentei abraçá-la mas isso só piorou as coisas.Ela pareceu ficar mais apavorada que antes.
Então eu tentei conversar com ela, mas ela não parecia me escutar.O mais estranho era que ela parecia normal há alguns minutos.Ela parecia muito bem.Até eu esticar o troféu para ela.
–Hey, Rose, me escuta!-Pedi retirando as mãos delas de seus ouvidos, fazendo-a me escutar.Ela abriu ligeiramente os olhos e pareceu se acalmar.-Hey, só estou eu aqui!Viu, só eu, nenhuma aranha.
Rose prendeu a respiração, mas pareceu compreender.Ela me olhava com atenção, e estava parecendo relaxar novamente.Beijei com delicadeza seus lábios, envolvendo a língua dela com a minha com uma ternura inimaginável.
Nem eu sabia que eu conseguia atingir tal nível de carinho.Novamente Rose pareceu relaxar.
Pode nos chamar de casalzinho meloso e romântico, mas eu estava gostando daquilo.Eu gostava de proteger Rose.Descolei meus lábios dos dela e coloquei-a em meu colo, andando pela sala de troféus, saindo para os corredores e me dirigindo até as masmorras, até chegarmos em frente a parede que era a entrada para a Sala Comunal da sonserina.Coloquei Rose no chão, e ela parecia mais estável agora.
Ela me lançou um olhar agradecido, e me deu um beijo.Mas era finalmente um beijo digno de Rose Weasley, cheio de calor, desejo e poder.Um beijo realmente delicioso.
–Boa noite, Scorp.-Ela sussurrou.Sorri e saí dali, caminhando até minha Sala Comunal.
Eu não sabia exatamente como funcionava essa coisa que tinha entre mim e Rose agora, mas eu sabia que eu estava gostando.
Eu estava me viciando nela.Me viciando em seus lábios, em suas mãos firmes agarrando meus cabelos, em seus olhos inimaginavelmente azuis, me viciando nas suas sardas sutis espalhadas pelo rosto, pelo tom de sua pele.
Talvez aquilo fosse normal em se tratando de Rose Weasley.
Mas isso não significava que não era perigoso.
...
Entrei na Sala Comunal da sonserina, mais cansada, esgotada, e com a cota de meto estourada por aquele dia.O medo era tanto, que eu temia pregar os olhos e me encontrar com aquelas horrendas aranhas.
Mas ao mesmo tempo feliz e leve, sentindo o cheiro dele por toda parte, o sutil toque dos lábios dele nos meus, a língua quente envolvendo a minha com carinho.
Ai meu Merlin!
Estaria eu apaixonada?
Espero que não.Eu não podia ficar apaixonada.Não quando eu não conseguia nem ao menos deixar de sentir dúvida com tudo em relação a Scorpius.
Além do mais, que eu era conhecida por quebrar corações, sair com vários caras, ser safada e maliciosa.E por algum motivo, eu não queria machucar Scorpius com todos aqueles defeitos.
Talvez isso fosse amar.
Colocar o coração de Scorpius acima de meus desejos.Aquilo era estranho e assustador.Me joguei em cima do sofá com um suspiro.
–Vejamos quem eu encontro aqui.-Diz uma voz clara e forte atrás de mim.Não me viro e espero o falante se avultar de pé acima de mim.
E quando o vejo, uma ideia surge em minha cabeça.Aquilo com toda certeza tiraria aquele loiro azedo da minha mente.
–Lucian Zabini, o que te traz aqui?-Perguntei para o garoto com pele morenas, olhos escuros e incrivelmente bonito que estava parado de pé em frente ao sofá.
–A insônia.-Ele respondeu simplesmente, se sentando ao meu lado.-E você?Se agarrando com muitas caras ultimamente?
Tentei não me ofender com aquilo.Mas lembrei que era só Luke, e que, além da beleza, aquele cara não tinha mais nada ao seu favor.Talvez ele beijasse bem ou algo assim, mas ele não tinha nenhuma qualidade real.Ele era um completo babaca.
–Talvez eu esteja.-Falei rudemente, mas infelizmente minha voz ainda estava fraca por causa do medo que havia tomado conta de mim há alguns minutos.
–Bom para você.-Respondeu Zabini com um sorriso maldoso no rosto.
–O que você quer, Zabini?-Perguntei irritada.Ele deu de ombros.
–Quero ocupar meu tempo sem sono.-Ele respondeu simplesmente.Sorri safada.Eu podia não ter um pingo de sentimentos por aquele cara, mas tinha quilos e mais quilos de sentimentos por Scorpius.
Talvez eu pudesse descontar tudo em Zabini, e esquecer o que rola dentro da sala dos troféus.
Subi no colo de Zabini, uma perna de cada lado de seu corpo.Desci meus lábios para a pele morena e áspera de seu pescoço, mordendo ali, sentindo seu cheiro.
Não pude deixar de pensar que o cheiro de Scorpius era mil vezes melhor.
–Eu ocupo esse tempo pra você.-Sussurrei sedutora em seu ouvido.Pude ouvir a risada rouca de Luke.
–Será um prazer.-Ele disse baixinho, agarrando minhas coxas e me levando para o dormitório masculino, comigo encaixada em seu colo.
É seria uma loooonga noite.
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