Detectives and Teenagers
3 Ghosts of a Beauty Boy
Notas iniciais
Kate abriu a porta devagar.
No sofá sentado, estava um menino jovem e muito bonito. Os olhos azuis esverdeados brilhavam com a lágrimas que o menino continha, os cabelos castanhos desgrenhados caiam sob sua testa lhe apresentando um ar cansado.
Os traços dele eram finos e bem delineados, ele era alto e magro (de um modo atlético) e estava sentado apoiando os cotovelos nos joelhos, enquanto abraçava um caderno de couro marrom.
Senhor Éden? Sou a Detetive Kate Becke...- Kate foi surpreendida pela fala do menino.
Eu sei quem você é. Eu sei quem os dois são. – o menino encarava os dois copos de café em cima da mesa.
Certo senhor Éden...
Me chame de Arthur, eu não gosto que me chamem de Éden, só ela me chama de Éden. — o menino apertava o caderno contra o peito.
Arthur, o que você viu aquela noite? – Castle tentava se aproximar do menino.
Luzes, pessoas dançando, bebidas no chão. Ela estava lá, e como dançava lindamente, ela estava muito bonita naquela noite, mais bonita do que de costume. Ela sempre foi espetacular, nos conhecemos há 4 anos na escola, a primeira vez que a vi ela me deu um soco na cara e me trancou no vestiário feminino. Ficamos amigos, ela sempre se metia em confusão, mas nunca era pega. Ela seguia as regras quando as regras eram dela, mas quebrava as regras da escola em busca de justiça. Éramos parceiros, eu comprava um café para ela toda a manhã e nós íamos ler na biblioteca da escola toda a tarde. Ela sempre foi tão rebelde e tão amável. Não tem muitos amigos, mas os que tem são verdadeiros. Mas naquela noite ela estava diferente, distante, eu nunca a tinha visto assim. Eu iria ajuda-la, mas não sabia que ela iria tão longe, pensei que ela só iria pegar o vídeo, Eu juro eu não sabia que isso iria acontecer. – o menino contava se referindo a uma garota, os lábios do jovem tremiam.
Arthur? Tenha calma, não tinha nenhuma menina, estamos falando do assassinato de Dylan Harper. Você sabe o que aconteceu? – Kate estava com pena do garoto.
Eu não estou delirando detetive, ela estava lá. Foi ela, e agora ela sumiu. Você tem que acha-la detetive. – o menino apertava o livro contra o peito.
Você está dizendo que esta menina é a assassina de Dylan Harper? – Castle indagou, confuso.
Sim... Sim. Eu não sabia que ela iria fazer isso, mas ela fez. Detetive, ela não fez por querer. Ela não é uma criminosa. Você tem de encontrá-la, antes que ela o ache, se ela o achar ela morre. Ela não pode morrer, porque se ela se for.... eu não vou aguentar detetive. – os olhos dos meninos estavam vermelhos, mas nenhuma lágrima ousava cair.
Quem é esta menina? Quem vai matá-la se a achar? Arthur, você tem que nos explicar tudo o que sabe. – Kate falava, meio agoniada com a postura do garoto. Os olhos aflitos e o modo como as mãos do jovem tremiam a fazia lembrar de seu estado de lamuria durante o desaparecimento de Castle no dia de seu casamento.
Ela estava lá, ela fez por impulso, ela não queria... Detetive você tem que encontrá-la. – o menino apertava o caderno com cada vez mais força.
Arthur? Você pode nos descrever essa garota? Se você descreve-a nós podemos pedir que o desenhista no faça um rascunho aproximado... – Castle tentava não se incomodar com a atitude delirante do menino.
Sim eu posso. Ela ... ela é linda, não linda de um jeito comum, mas linda como uma rosa negra que desabrocha em um jardim albino. Os olhos dela são castanhos escuros com leves riscos dourados que os fazem parecer levemente esverdeados quando estão em contato com a luz do sol. Os lábios são naturalmente rosados e a pele é pálida, o que contrasta com seus longos e repicados cabelos castanhos, que de tão escuros beiram o preto. Ela é bonita como uma rosa, mas tem os mesmos afiados espinhos. Ela sabe ser doce, bondosa e generosa, mas também sabe ser audaciosa, rebelde e perspicaz. – o menino não parecia mais atordoado, agora ele demonstrava uma devoção a garota que fantasma que ele insistia em botar na cena do crime.
A descrição da menina assustava o casal, a suspeita parecia tão próxima e ao mesmo tempo tão distante que mesmo a memória lógica do casal de detetives não conseguiu desvendar nada.
O silêncio reinou pela sala, a mente do menino parecia vagar em algum lugar distante dali, enquanto o casal olhava espantado para a criança que respectivamente teria uma adoração por uma suposta assassina.
– Detetive Beckett? – capitã Gates abrira a porta e os encarava com uma expressão receosa.
Sim capitã?
Podemos conversar? – Beckett nunca vira Gates tão... indecisa?
Beckett e Castle se levantaram e saíram da sala juntamente com a capitã, que os aguardava com um relatório em mãos.
Kate permanecia séria, enquanto Castle resmungava sobre a capitã chama-la de Det. Beckett e não Det. Castle.
Me digam que vocês dois não sabiam sobre nada disso! – a expressão da capitã era de desconfiança.
Sobre isso oque? – Kate soou mais que surpreendida.
Chegaram os resultados da análise de DNA encontrados no corpo da vítima. – Gates falava praticamente fuzilando Castle e Kate com o olhar.
Deu positivo para um nome no sistema. – falou Gates entregando o relatório a Kate.
A detetive abriu o relatório e seus ávidos olhos foram direto para o final da página, onde se confirmava o DNA do principal suspeito.
DNA compatível – menor de idade – estudante – cidadã de NY.
Os olhos de Kate e Rick se cruzaram, os sentimentos se afloraram e a lógica dos dois bateu.
Os adolescentes na delegacia, os filhos mentindo, o menino atordoado, a descrição de um belo fantasma. Os cabelos escuros, os olhos castanhos convidativos, a boca naturalmente rosada e o espírito docemente aventureiro.
A nossa suspeita... – Kate não conseguiu completar a frase.
É sua filha, Nycole Johanna Beckett Castle. – Gates completou atordoada.
Fale com o autor