Pov´s Arthur

No momento em que sai daquela sala me arrependi perdidamente de ter entregue o caderno de Nyck ao escritor, ela definitivamente arrancaria minhas tripas ao saber que seu preciosos caderno de histórias estava nas mãos de seus pais.

Ela estava entretida com algo, perdida em seus próprios pensamentos.

Como está a perna? – Nyck pareceu não ouvir minha pergunta.

Você quer que eu traga alguma coisa? – Mais uma vez pareci ser ignorado.

Então, qual o próximo evento da sua agenda? Bater em alguém? Fugir de uma delegacia? Que tal algo mais comum como levar um tiro? Já sei! Vamos até Washington Heights pegar um pouco ... – Fui abruptamente interrompido pelo olhar raivoso de Nyck.

Você insiste ... sabe que eu não uso aquilo.- Nyck tentava disfarçar seu incômodo.

“Aquilo”? Você quer dizer o que Dylan vendia para o pessoal do colégio? – Arthur fez uma leve pausa esperando detectar alguma alteração de humor na menina.

Eu sei que não usava.... Pelo menos não aquilo. – um sorriso irônico despontou na face do menino.

Chega Éden. Seja um bom amigo e me conte o que meus pais tanto falavam para você naquela sala. – Ela completou apontando para o casal no outro canto da delegacia entretidos em algo que sua visão não permitia distinguir.

Certo Beckett... Primeiro: Existe uma grande possibilidade de seu pai me matar até o final da semana. Segundo: eu ainda estou muito bravo com você e terceiro: existe uma pequena possibilidade de eu ter entregue seu caderno a eles...- completei distanciando-me consideravelmente de sua pessoa na esperança de terminar aquela conversa sem levar um soco no meio de meu estômago.

Inesperadamente ela não expressou nenhuma reação negativa, seus olhos questionadores me fitaram por alguns segundos inadiavelmente clamando por respostas.

Eu sei que aquele caderno é mais sagrado para você do que qualquer coisa e que você odeia que as pessoas leiam suas estórias ... mas eles precisavam saber, você passou tempo demais remoendo este problema dentro de você, mas eles podem te ajudar. – A esta altura eu não conseguia encará-la, eu dirigia meu olhar ao chão escuro da delegacia e batia levemente meus dedos por dentro dos bolsos da calça jeans.

Eles iriam descobrir de qualquer jeito... Você não pode guardar tantos segredos de todos. Nyck, eu daria tudo para ter os meus pais aqui comigo hoje, não desperdice o tempo que tem com os seus...sei que você acha que está protegendo-os, mas nós temos que resolver este probl... – parei imediatamente ao sentir o calor de seus braços ao redor de meu corpo e o peso de sua cabeça sob meu peito.

Em quatro anos essa deveria ser a segunda ou terceira vez que Nyck me abraçava. Nyck nunca gostou de contato físico, a não ser que tal contato fosse entre sua mão e a cara de algum idiota ( esse tipo de contato ela adora).

Mesmo estando em meus braços ela parecia travada, rija como se o mínimo contato com qualquer pessoa fosse incomum e ultrajante. Bom... ela era incomum.

Quando o ainda desconhecido calor dos braços da garota começava a se tornar familiar para mim, abruptamente ela desvencilhou-se da minha pessoa apoiando-se no encosto da cadeira como se dependesse de tal apoio.

E realmente ela dependia.

Sabe Nyck, você não é o Capitão América ou o Wolverine, sua pele não se reconstitui depois de um tiro, explosão ou ataque de super – vilões furiosos.- Eu gesticulava exageradamente tentando fazê-la rir para que esquecesse a dor.

Claro que não Éden. Eu sou o Batman! – Por um momento o clima tenso de um dia de fuga se dissipou e os dois amigos conseguiram se divertir esquecendo o perigo que os rondava.

Se você é o Batman então eu sou o Robin. – O menino completou fazendo uma pose que fez a menina gargalhar como não fazia a tempos. O momento só foi cortado pelo gemido de dor que a mesma soltou ao tentar mover a perna. A calça agora tinha um tom de vermelho mesclado ao jeans escuro.

Você é a única pessoa que bota jeans depois de levar pontos na perna... – Arthur falou vendo o sangue tomar conta de seus dedos ao tocar a calça da amiga.

Vou pegar alguns curativos, enquanto isso, tente não se matar.