Detalhes
1 Capítulo 1
Notas iniciais
‘Ouça, Mesmo que o mundo inteiro fique sujo de erros. Eu nunca irei soltar sua mão’
Com se o peso do mundo estivesse em seus ombros, Yukari havia sido demitida de sua função como Secretaria de uma escola bem conhecida em Tokio. A garota carregava os seus pertences numa caixa de papelão, tentando não parecer abatida. A voz de sua mãe ecoava em sua mente “Tudo vai ficar bem”. Sim tudo ficaria bem quando ela chegasse na casa de seu namorado e ele desse aquele sorriso contagiante e seus olhos inocentes. Ele era como o sol e ela, como o girassol que necessitava dele. Pensar em seu sorriso a fez andar com mais vontade, não demorando mais que 5 minutos para chegar à frente do apartamento dele. Pegou a chave que ele havia dado há dois anos, logo um acidente que matou seus pais. Ela sempre ficava por lá e ele sempre a consolava nesses momentos, além de ajudar a enxergar as coisas simples da vida. O mundo ao seu lado era incrível. Apertou o botão do 3º andar. Tentou equilibrar a caixa em uma das mãos, enquanto arrumava rapidamente o cabelo com a outra. Em instantes, o elevador já estava parado. Ela deixou a caixa no Hall e percebeu que havia mais um par de sapatos na porta. Como o tamanho deles era bem pequeno em comparação com o seus próprios, ela teve certeza que era o Líder do Arashi, Ohno, quem deveria estar jogando vídeo game ou comendo algo. Tirou os sapatos e abriu a porta. As luzes estavam apagadas, o que deixou há um pouco confusa, mas não se importou, o cheiro do apartamento do seu namorado era tão gostoso, era quase como sua própria casa. Apesar de não ser muito grande, era um local aconchegante. Lembrava-se de ter ajudado a escolher vários objetos de decoração para que deixasse aquele lugar mais com a cara dele.
Olhou na cozinha vendo algumas latas de cerveja. Sempre desorganizado, ela aproveitou e jogou as latas já vazias no lixo, deixando a cozinha em ordem, pois odiava lugares bagunçados e sabia que Nino não tinha o mínimo jeito pra organizar os lugares. O que ela achava engraçado porque ele podia até tentar deixar tudo arrumado, mas simplesmente não conseguia.
Depois foi para o quarto. Ele deveria estar tirando um cochilo, já que os seus horários eram meio malucos por causa do lançamento do CD e da divulgação e das participações em programas.
‘Ao despertar, queria que tudo fosse diferente’
A porta estava aberta e ela parou ao entrar no quarto. Qualquer paz de espírito ou felicidade que restava desapareceram diante da imagem que vi. Engoli em seco ao ver Ohno nu na cama, abraçado com o meu Nino. Pisquei algumas vezes com a esperança de que apenas estivesse vendo algum tipo de miragem.
‘Nem sei se gosto mais de mim ou de você’
As roupas jogadas em todo o quarto, meus pés estavam pregados no chão... Eu não conseguia sair do lugar. Sentia-me por instantes a pessoa mais masoquista do mundo. Lágrimas já caíam de meus olhos. A respiração de ambos era calma, eles dormiam. Enquanto não sabia ao certo o que fazer, tentava buscar a resposta pra aquela cena. Todos os beijos e carinhos agora não significavam nada pra ele... Um sorriso apareceu em meus lábios. Então por que ele me deu esperanças? Por que ele havia me dado um anel? O anel em minha mão direita pesava e agora não tinha utilidade. Tinha sido feita de boba desde o inicio. Agora tinha a certeza de que nunca houve amor. Ninomiya deveria sentir pena da pobre órfã que sempre fez tudo para agradá-lo. A sua pose de hétero deveria ser mantida para que ninguém desconfiasse. Como não se apaixonar por alguém com quem você convive diariamente? E o Ohno, que sempre havia sido tão gentil comigo... Até ele deveria me tratar assim por dó,
já que eu era só a menina da fachada. Desejei apagar essa cena da minha cabeça, para que pudesse continuar a ser enganada. Para que eu pudesse ficar ao lado dele mesmo que tudo fosse mentira... Para que eu pudesse dizer que o amava e que não era nada sem ele.
‘Se eu pudesse ser forte o suficiente para ver que acabou. Eu queria nunca ter te conhecido’
Aquilo fora o suficiente para mim. Limpei as minhas lágrimas e dei uma última olhada na cena, sentindo o meu peito ser esmagado. Saí do quarto, olhando todo o apartamento pela última vez. Coloquei os meus sapatos e fui embora levando a caixa. Naquele momento, era como um robô fazendo tudo no automático, nãotendo consciência do que estava fazendo. Deveria estar parecendo uma insana, mas, naquele momento, eu não me importava com as opiniões alheias. Abaixei a cabeça e continuei andando.
Cheguei em casa algum tempo depois, ou melhor, um bom tempo depois. Minhas pernas fraquejavam e meus pés doíam por causa das recentes bolhas que se formaram. Não me importando de tirar os sapatos, apenas joguei aquele anel em qualquer lugar. Sentei no chão da sala abraçando as minhas pernas, tentando ter algum conforto. Ele não podia fazer isso comigo, aquele não era o meu Nino. Todas aquelas informações e recentes dúvidas me confundiam e machucavam. Eu precisava ouvir a voz dele, precisava de qualquer consolo praquela dor em meu peito.
Peguei o meu celular, olhando o como plano de fundo. Disquei os números que eu havia decorado há tanto tempo. Um, dois, três toques.
- Alô, Yu? – Ele falou baixo
Provavelmente não queria ofender Ohno com um telefonema de uma estúpida como eu.
Não conseguia dizer nada, absolutamente nada. Ao ouvir a sua voz, a dor no meu peito aumentou e me perguntava quantas vezes havia ligado pra ele com o Ohno do seu lado... Quantas vezes ele riu de mim?
— Yu? Você está bem? — Ele falou com uma voz preocupada, mas, no momento, eu achei que era dó. O único sentimento que ele deveria ter por mim.
— Se eu renascesse você me amaria de verdade? – Perguntei tirando forças de algum lugar.
— Do que você está falando? – Ele perguntou confuso.
‘Se existe um lugar que eu possa estar. Então eu seria mais uma memória’
- Você foi o meu maior sonho, Kazuari. Você, por um instante, chegou a me amar? –perguntei.
-Yukari, eu estou indo aí! – Ele disse.
Ri de modo sombrio, deixando-o mudo. Eu nunca agi de modo frio com ele. E não tinha o porquê agir assim com ele no passado.
-Não precisa se mover Kazuari. Eu achei que envelheceríamos juntos. Mais essa não é a realidade. Era a minha fantasia contra a dura realidade. Isto era o que eu queria viver com você, mais não o que você queria. Seja feliz. -disse fria.
-Não faça nada de perigoso, Yu, eu te amo! – Antes que ele pudesse continuar a falar, eu desliguei.
Ouvir a sua voz dizer que me amava me deu um conforto repentino. Não tinha quase controle sobre nada, balançava-me para frente e parar trás com o eco na minha cabeça de sua voz. Mas esse conforto logo desapareceu quando consegui imaginar ele e Ohno juntos. Tirei um velho revólver do meu pai de dentro do armário. Olhei quantas balas tinha, colocando-o em minha bolsa. Peguei uma mala e coloquei as minhas roupas e documentos. Ele ainda teria notícias minhas, ou talvez não.
‘Meus olhos estão cansados de todas as imagens nas palavras. Porque você está nelas... Ainda’
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