Desventuras de Um Estudante

1 Capítulo 1 - Introdução ao meu universo


Tá legal, antes de qualquer coisa preciso deixar algumas coisas bem claras. A primeira coisa que você precisa saber é que isso não é um diário, muito menos um livro de memórias! Tem um garoto chamado Greg que já escreve um e bomba na internet, aquele banana metido. Isso também não é um manual de sobrevivência te ensinando a sobreviver na escola, isso provavelmente seria inútil, a menos que você se chame Ned, nesse caso você pode até ir parar na televisão.

A segunda coisa é que eu odeio escrever. Já sei: “Mas se você odeia escrever, por que está escrevendo isso?”. Bem, o motivo que me leva a escrever isso é o mesmo motivo que te leva a ler. Odeio a escola e a escola me odeia. Esse é o único jeito que tenho de poder falar umas verdades sobre a escola em que estudo e sobre os idiotas musculosos que comem esteroides no café da manhã que estudam lá também.

Isso me leva a terceira coisa que vocês precisam saber: todos os nomes utilizados aqui são falsos. Como vou falar mal de todo mundo que estuda lá, é bom ocultar o nome deles, e é claro, o meu, para evitar que eu tome uma bela surra. O único nome verdadeiro nessa história é o do Jorge, o Jorge se chama Jorge mesmo. E o único motivo pra não mudar o nome do Jorge é o fato dele ser um completo nerd idiota magricela corcunda com óculos maiores que o necessário e corte de cabelo estranho. Concordo que o fato dele ser um completo nerd idiota magricela corcunda com óculos maiores que o necessário e corte de cabelo estranho já me salvou de muitas surras, afinal ele é um alvo mais cobiçado do que eu. O negócio é que quanto mais fracassado o Jorge for, mais surra ele leva. Quanto mais surra o Jorge levar, mais pessoas serão demandadas para bater nele. Quanto mais pessoas baterem no Jorge, menos pessoas batem em mim.

Meu nome é Atlas, nome forte que significa “aquele que é bom em geografia”. O fato de ter escolhido esse nome não tem nada a ver com o livro que está em cima da minha escrivaninha, não tem nada a ver com o significado dele também. Tenho 15 anos e estou no Ensino Médio. A propósito, aí está a minha primeira crítica ácida:

MOMENTO CRÍTICA ÁCIDA:

Ensino Médio não ensina absolutamente nada do ‘médio’ que vamos precisar para a vida.

Ontem mesmo eu estava fazendo um misto-quente para jantar e acidentalmente me distraí com o filme que estava passando na televisão. Mamãe e irmão saíram para assistir um jogo de futebol na casa da minha tia e fiquei sozinho em casa.

Antes de tudo, em minha defesa, queria dizer que quase nunca posso assistir o que quero na televisão. A pirâmide do poder começa com minha mãe, que é mãe e tem todo o poder do mundo. Depois vem meu irmão, que é mais velho e mais forte, e depois, se ninguém quiser assistir nada, vem eu. Enfim, o fato é que como é extremamente raro poder assistir alguma coisa na televisão, me distraí com a cena em que o mocinho atira um braço, que saí voando sobre um campo de futebol e acerta a cara do cara mau, que caiu bem em cima de uma mina, que faz uma explosão gigantesca e com essa explosão o braço do cara mau voa o mesmo campo de futebol e acerta o mocinho que tinha tampado o primeiro braço. Não é necessário, mas só para nutrir sua curiosidade, o cara bom não caiu em cima de uma mina super explosiva que destroça todo o corpo e lança o braço para bem longe, ele só teve um galo na cabeça mesmo.

Enfim, o fato é que me distraí por um breve momento de uns 10 ou 20 minutos e a sanduicheira começou a pegar fogo. Eu, como filho exemplar, fiz a única coisa que podia ser feito: peguei o telefone correndo e liguei para minha mãe. Você pode até estar se perguntando: “Nossa, mas por que você não tentou apagar o fogo?”. Pois bem, acho que você não prestou muita atenção nas coisas que estou escrevendo. A última explosão que presenciei fez com que o braço super grande e pesado de um cara que devia ter aproximadamente 2,10m de altura voasse um campo de futebol inteiro. Imagina o que a explosão de uma sanduicheira poderia fazer com o meu braço!?

Tenho certeza que, se chegasse ao ponto da explosão, meu braço sairia voando até a casa da minha tia e bateria na porta pra avisar que minha mãe ia ter que pintar a parede da cozinha.

Minha mãe saiu tão desesperada da casa da minha tia que correu de lá até em casa. Tenho que admitir que minha mãe passou pelas 5 casas que estão entre a casa da minha tia e a nossa em tempo recorde. Quando ela chegou em casa ela estava com os olhos arregalados e sem fôlego. Por algum motivo que não sei qual é, ela entendeu que eu tinha dito que a casa toda estava pegando fogo, o que tenho quase certeza que não disse. Nem preciso dizer que levei a maior bronca, né!? Afinal de contas, se tem uma coisa que é intolerável aqui em casa é o desperdício. Perder duas fatias de pão e duas fatias de queijo era algo inaceitável para minha mãe.

Eu, particularmente, acho que ela ficou estressada mesmo é porque ela não pode terminar de assistir seu jogo de futebol. O que não faz o menor sentido, já que o time dela perdeu de 4x2. Ela devia é me agradecer!

A sim, o porquê deu ter falado isso tudo. Se a Escola tivesse me ensinado que no filme Confronto entre gigantes com braços musculosos ocorre uma super cena de ação com explosões e braços voando, não teria assistido ao filme enquanto fazia meu misto e consequentemente a sanduicheira não teria pegado fogo.

FIM DO MOMENTO CRÍTICA ÁCIDA.

Esse caso que aconteceu ontem me rendeu um belo de um castigo de uma semana. UMA SEMANA! O que é um saco, já que nesse sábado vai ter uma festa muito chata onde adolescentes maiores e mais fortes que eu vão para dançar e enxerem a cara que não posso perder! A festa em si é horrível, o que me faz querer ir lá é a tentativa de me tornar mais popular, sabe, indo em um lugar onde adolescentes populares maiores e mais fortes que eu vão para dançar e enxerem a cara.

Eu iria na festa com meus dois únicos amigos. Uma pena eles não irem mais... afinal de contas, já que não vou, eles devem ficar em casa e sofrerem a minha dor junto comigo, é isso que um verdadeiro amigo faz, não é?

A sim, não falei desses amigos ainda. Meus amigos não facilitam nada na minha busca de tentar ser popular. Tem o Jack, que possui origens asiáticas e a Korra. Caso você reclame dos nomes que estou usando, só queria dizer que os nomes falam mais sobre a pessoa do que vocês imaginam.

Exatamente igual vocês imaginam, Korra é daquelas lésbicas que não se assumem mas que todo mundo desconfia. Daquelas que quando tem uma bruxa voando pela sala, enquanto todas as outras meninas ficam gritando, ela aparece do nada dando um golpe de kung fu que todo mundo achava que viria do Jack e mata a pobrezinha da bruxa.

Já Jack é um pacato estudante de origens asiáticas que não condiz com o estereótipo de asiáticos inteligentes, ele é burro feito uma pedra. Na verdade Jack só é burro na sala de aula, já tentei ganhar dele de todas as maneiras possíveis no xadrez e não consegui. Ele é uma daquelas pessoas que não aceitam quando você dá um tapa no rei e grita “XEQUE MATE”. Na minha contagem está 7x3 pra ele, na contagem dele está 10x0.

Nem preciso dizer o quão popular é meu grupo, né? Uma menina que é mais macho que a senhorita Clarisse (e olha que a senhorita Clarisse é tão macho que tem até bigode!), um “japonês” que é burro e gosta de jogar xadrez, e eu. Bem, eu sou o tipo de garoto lindo que as garotas gostam, mas não chamam pra sair porque tem medo que todas as garotas do colégio já tenham me convidado e acabam não me convidando, aí como todas pensam assim, acaba que nenhuma delas me convida.

Mas minha história está prestes a mudar. A minha, a do Jack, a da Korra, e a sua. Claro, isso se você quiser continuar acompanhando meus relatos. Darei um jeito de colocar isso na internet assim que sair do castigo. Vejo vocês na festa de sábado à noite. Se caso vocês não me acharem, eu sou o garoto que vai estar tirando fotos em todos os cantos só para provar que esteve em um lugar frequentado por adolescentes maiores e mais fortes, que vão só para dançar e enxerem a cara.

Como que termina isso? Isso é tudo pessoal? Até amanhã? Nos vemos no próximo capítulo? Ah, que seja, vou parar de escrever e vou dormir. Ponto final.

Notas finais
E então gente, curiosos para saber o que vai acontecer na tão sonhada e chata festa de sábado? Então não percam, porque assim que Atlas sair do castigo ele vai falar sobre ela no seu blog.Deixando Atlas de lado e falando como autor agora, comentem o que acharam, isso ajuda muito a continuar. Vejo vocês na próxima, seus lindos.