Desvendar
1 Desvendar. (capítulo único)
Meus olhos repousavam sobre a grama molhada que crescia em um ritmo silencioso. Minha cabeça pendia para o lado, esperando as idéias chegarem para uma possível solução. Minha boca tremia embora o tempo não estivesse tão frio assim. Eram palavras tentando atravessar os fechos que se denominavam lábios.
Meu pensamento voava por cima das montanhas que me rodeavam em um espírito superior. Meu coração palpitava, em uma velocidade rápida e determinada, como que para alcançar a mim mesma do outro lado da costa leste.
O frio batia rápido e forte na minha pele e meu corpo tremia. Onde estava o Sol para ajudar-me a esclarecer minhas idéias? O que teria acontecido com a vida ontem à noite? Por que todos mudaram de repente? Por quê? O que é esse aperto que me fazer temer a tudo e a todos?
Perguntas e mais perguntas envenenavam meu campo da poesia com lágrimas amargas. Ás vezes eu me perguntava o que seria a felicidade, aquilo que para todos sempre foi um enigma irreparável. Aquilo que é tema de tantos debates paradoxais. “O que é a felicidade?” Eu me pergunto agora e uma voz dentro de mim responde com uma calmaria inesperada: “É estar prestes a morrer por dentro e ainda perfurar a ferida para ver se há algo mais para se libertar desse vazio”.
Então eu fecho os olhos e suspiro, fazendo perguntas às folhas e às flores que recebem a chuva divina. Perguntas infantis que sempre tive necessidade de fazer, mas que por falta de estímulos, morreram com a criança que existia dentro de mim.
E agora...? O que eu farei para desvendar meus próprios sentimentos? Cairei em algum abraço desconhecido e ficarei feliz por isso.
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