Destruição | Amor Imortal 02
26 Capítulo 26
Assim que Niffie atravessou as portas do castelo e diversos soldados a viram, levou apenas segundos até que Meridius tocasse a mente dela. Ela não estava surpresa pelo arcanjo saber tão rápido que estava o procurando, mesmo quando ninguém podia rastreá-la agora que sua alma estava desaparecida.
Seus soldados eram eficientes o suficiente para notificá-lo da presença da antiga imperatriz caminhando pelo castelo como se ainda pertecensse a ela.
A angelical deveria se importar com essa atitude arrogante e não agir de tal maneira, mas ela não se importava.
Niffie precisava ver Meridius e pedir perdão por ter duvidado do seu amor. Essa era a sua única prioridade e o fato de Victoria, sua suposta inimiga, estar no castelo não a pararia.
Me espere no salão de refeições, Niffe, a voz do arcanjo invadiu sua mente, eu a encontrarei logo.
Ela, definitivamente, não faria o que Meridius mandava. A angelical desejava vê-lo naquele mesmo instante e o fato de não tê-lo visto ainda estava a matando. Niffie já havia esperado demais na noite passada enquanto pensava no que podia fazer a respeito do que Maximus havia revelado, e suas únicas opções eram ignorar e ficar a salvo ou correr o risco.
Considerando que sua vida já estava correndo risco de morte, sem adicionar a ameaça dos anciões, ela preferia estar perto de Meridius ao morrer do que longe.
Niffie também estava ciente de que o arcanjo poderia mandá-la embora mais uma vez, pois seus instintos de proteção eram maiores do que qualquer outro sentimento. Era obvio que o anjo preferia se casar com outra do que vê-la morta.
A angelical não sabia ao certo qual seria o futuro deles, mas naquele momento ela precisava ouvir a verdade vindo da boca dele o mais rápido possível. E isso explicava o motivo de Niffie estar caminhando diretamente para o quarto do arcanjo ao invés do salão em que faziam todas suas refeições.
Faziam apenas algumas horas desde que o dia havia nascido e como Meridius, assim como seus irmãos, sempre dormia mais que o esperado, ela sabia que encontraria o anjo em seu quarto. Se ele não tivesse acordado com a noticia de que ela estava no castelo, Meridius ainda estaria se arrumando, pois Niffie conhecia muito bem os seus horários.
Quando a angelical chegou no corredor do quarto do arcanjo, e seu antigo quarto, ela nem ao menos parou para pensar se sua atitude era correta, muito menos se preocupou em bater nas portas fechadas. As portas duplas se abriram com facilidade sob suas mãos e seus olhos rapidamente encontraram a enorme cama feita para anjos vazia, mas desarrumada.
Do outro lado a janela, que ocupava quase uma parede inteira, estava com suas cortinas abertas para que a claridade invadisse o quarto, fazendo com que a luz artificial fosse desnecessária.
Niffie entrou no quarto com cautela, pois sabia que pegar um arcanjo desprevenido nunca era algo bom. Eles, primeiramente, matavam a ameaça para depois fazer perguntas. E como os poderes de Meridius estavam descontrolados pela nova quantidade que estava recebendo conforme o tempo, ela não pretendia sair ferida daquele castelo.
— Pensei ter falado que a encontraria logo.— Meridius falou no momento em que seus olhos se encontraram.— No salão de refeições. Não em meu quarto.—
A angelical não deu muita atenção ao que o arcanjo falou, pois seus olhos logo acharam algo muito mais interessante atrás do corpo do seu antigo marido. Meridius estava próximo do closet que existia no quarto, ambas as portas estavam abertas e Niffie pode ver que suas roupas ainda estavam lá. Todos os seus vestidos estavam misturados com as roupas do anjo em sua frente.
Ela desviou seus olhos para a penteadeira que havia levado para o quarto quando ambos chegaram a conclusão de que não deviam mais dormir em cômodos diferentes. Cada objeto que pertencia a ela estava no lugar em que havia deixado antes do anjo terminar o relacionamento deles.
Suas roupas e pertences pareciam estar esperando por ela para mais um dia de uso, pois não havia nenhum rastro de abandono neles.
A antiga imperatriz, ao observar tudo isso, apenas se sentiu ainda mais tola.
Meridius percebeu que ela estava olhando e estudando cada objeto que a pertencia e esperou em silêncio até que terminasse. Pelo canto dos olhos, Niffie viu que ele estava vestindo uma camisa e fechando os zíperes transparentes que existiam ao redor das suas asas.
A angelical se virou em direção do arcanjo novamente e o encarou. O anjo do paraíso imediatamente parou de mexer em sua camisa para que pudesse olhá-la também, mas diferente dela, não se manteve em silêncio.
— Você está brava por tê-la beijado naquela noite?— Ele perguntou.
— Me desculpe.— Niffie sussurrou. Naquele momento que estava diante dele, ela não sabia o que dizer sobre a situação em que se encontravam. Sua mente ficou totalmente vazia, por mais que tentasse pensar sobre o assunto, Niffie não conseguia e isso apenas a deixou confusa. A única coisa que parecia correto era pedir perdão por ter sido tão tola ao acreditar que ele não a amava.— Me perdoe, Meridius.—
— Você fez alguma errada, Niffie?— O arcanjo assumiu uma expressão séria, mas que ao mesmo tempo se misturava com a confusão.
Como resposta, a angelical balançou sua cabeça negativamente, pois falar já não era mais uma fácil opção. Seus olhos se encheram de lágrimas e Niffie não desejou prendê-las em seu coração, as pequenas gotas quentes escorreram por seu rosto ao mesmo tempo em que sua garganta se tornava apertada.
Meridius se aproximou dela no momento em que sua primeira lágrima caiu, mas ela se afastou. Se o arcanjo a tocasse, seu cérebro não funcionaria mais.
— Fale comigo.— Ele ordenou com certa agonia em seus olhos.— Sua mente está completamente trancada e eu não posso ajudá-la se não falar.—
— Você já fez tudo o que podia para ajudar.— Niffie falou com alguns soluços a atrapalhando.— Agora, o que resta, é me perdoar por sido tão idiota e não ter acreditado nem um pouco em seus sentimentos por mim.—
Meridius franziu o cenho, mas levou apenas um segundo para que sua expressão confusa desaparecesse.
— Oh.— O arcanjo se expressou de maneira sombria.— Quem eu devo matar? Maximus ou Dimitrius? Acredito que Dimitrius demoraria um pouco mais, então...—
— Isso é realmente importante?— Niffie o cortou para fazer sua pergunta, limpando as lágrimas do seu rosto.
— Sim.— Meridius falou em um tom baixo e desviou seus olhos para o chão.— Eu não tenho planos, muito menos cartas nas mangas e tudo o que posso fazer é descontar em meus irmãos para aliviar a tempestade que existe dentro de mim. E não existe razões para perdoá-la quando a machuquei durante anos sem motivos.—
Niffie não concordava com o arcanjo, mas estava obvio que ele estava se torturando por não saber o que fazer.
— Não se case com outra mulher.— Ela pediu.— Não se case, não gere herdeiros. Eu me afastarei de você para que não exista ameaças, mas...—
— Pare.— Meridius a encarou novamente.— Nós sabemos que isso é uma mentira.—
Sim, sim...
Aparentemente, tudo o que acontecia fazia com que ambos se encontrassem. Até mesmo quando estavam fazendo o seu melhor trabalho para se evitar.
— Você me matará aos poucos se casar com qualquer outra mulher.—
— Eu não sei o que fazer.— Meridius sussurrou.
Niffie fechou seus olhos ao ouvir as palavras do anjo e a vontade de continuar chorando apenas aumentou.
Quando um arcanjo não possuía esperanças, o que uma imortal como ela poderia ter?
Nada.
Simplesmente nada.
— Eu posso morrer a qualquer momento.— Ela falou.— Se não for pelos anciões, será por causa dessa marca em meu pulso. E já estou velha o suficiente para encontrar a morte natural...—
Imortais, mesmo sendo conhecidos por nunca morrer, também podiam encontrar o fim da vida no momento em que se cansavam da imortalidade. Niffie não tinha dúvidas de que desistiria da sua vida se tivesse que assistir Meridius construir um destino com outra mulher.
— Eu te amo. Sempre amarei.— Ele falou.— Mas nós não podemos ficar juntos. Eu não posso ser o motivo da sua morte.—
—Você não pode decidir o meu destino. Não faça escolhas por mim, Meridius.—
— Eu estou te protegendo.—
A angelical sentiu o chão tremer levemento após o humor do arcanjo mudar para a raiva. Ela sabia que estava caminhando em terras perigosas naquele momento, mas não via motivos para desistir daquela conversa.
O anjo deu as costas para ela um segundo depois e Niffie pode ver pelo reflexo do espelho que os seus olhos escuros haviam se tornado amarelos brilhantes. Sabendo que Meridius estava distraído com os seus poderes, a angelical aproveitou o momento para se aproximar dele.
Niffie passou seus braços ao redor da cintura do anjo, passando seus braços pelo vão que existia entre as asas fechadas até que estivsse abraçada a ele de maneira forte. Ela usou as macias penas como um encosto para sua bochecha depois que apoiou sua cabeça contra as costas dele.
— Por favor.— Suas palavras foram um sussurro.
— Se você morrer...— Meridius respirou fundo e o chão tremeu novamente apenas com a ideia que surgiu das suas palavras.— Eu não poderei viver mais.—
— Então nós morreremos juntos.—
O arcanjo do paraíso ficou imóvel e tão quieto quanto o oceano sem ondas que existia na quinta dimensão. Niffie não sabia se ele estava considerando suas palavras, mesmo que fossem insanas, já que uma dimensão não podia ficar sem um arcanjo.
Isso nunca havia acontecido e era provável que o caos existiria.
O caos...
Os anciões odiavam o caos, tudo tinha que estar na perfeita ordem e o funcionamento das dimensões eram com base das regras que eles criaram. E era para isso que serviam os arcanjos, esses imperadores tão poderesos mantinham a ordem em tudo aquilo que foi criado pelos anciões.
Niffie se afastou de Meridius.
Todo mundo sabia que a promessa da morte dos arcanjos existiria se Gaia fosse morta, mas a vida da filha dos elementos não acabaria tão fácilmente. A promessa existia apenas para gerar o medo e deixar a imortal de cabelos brancos em paz.
Tudo estava relacionado a ordem e o desfalque de um arcanjo acabaria com tudo isso.
— É isso...— A angelical múrmuriou.
Meridius se virou para encará-la e ela sorriu para o seu anjo quando isso aconteceu.
— Vocês estavam tão desesperados por respostas que ignoraram a única regra básica do nosso mundo.— Niffie riu, não podendo acreditar que havia pensado em algo tão simples e que poderia resolver os problemas do seu casamento.
— Do que esta falando?—
— Se eu morrer, ninguém irá garantir que você continuará vivendo, Meridius.—
— Isso não é uma peça de Romeu e Julieta...—
— Pare de falar.— Ela ordenou, fazendo com que o arcanjo se calasse.— Os anciões apreciam a ordem, para eles tudo deve funcionar bem e sem nenhum defeito, Meridius.— Os amarelos dos olhos de Meridius sumiram e abriram espaço para a escuridão infinita que ela tanto amava.— Ameaçe-os. Como eles fizeram com você, ameaçe a ordem dos anciões. Nosso mundo não pode funcionar com um arcanjo faltando na pirâmide...—
— Eles são inteligentes demais para serem ameaçados.—
— Tente.— Niffie cruzou seus braços.— Ao invés de ficar se lamentando sobre a falta de opções, use as simples coisas que existem em suas mãos.—
— Niffie...—
— Você me disse, antes de nos casar, que a partir do momento que aceitasse o seu pedido de casamento, minha vida estaria em risco constantemente. Eu o aceitei sabendo que poderia ser sequestrada novamente, que poderia ser morta ou torturada por respostas. E duas dessas coisas já aconteceram, mas mesmo assim nunca considerei a opção de deixá-lo apenas por sentir medo da minha falta de segurança ao seu lado.— Niffie falou.— Pare de me empurrar para longe, Meridius. Eu estou aceitando todos os riscos para ficar ao seu lado e você deveria fazer o mesmo.—
O arcanjo do paraíso desviou seus olhos para o outro lado e depois de alguns segundos, um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
— Eu deveria me envergonhar por ouvir isso.— Ele disse sem encontrar os olhos de Niffie.— No passado eu a apavorei com a verdade e agora não permito que faça parte do meu mundo pelo medo dela.— Meridius a olhou. Seus olhos escuros eram as janelas abertas que permitia a visão de todas as emoções que existiam dentro dele. Mesmo que existissem algumas camadas de gelo, elas estavam ali.— Você tem razão, Niffie. Ao invés de lutar contra os anciões, eu estou fugindo...—
Niffie se aproximou do anjo após ouvir suas palavras e tocou o rosto dele com as pontas dos seus dedos gelados. Ela acariciou a bochecha de Meridius lentamente, como se sua pele fosse fácilmente quebrável.
— Está tudo bem.— Ela falou.— Eu ficarei bem, Meridius. Ao seu lado eu sempre ficarei bem.—
— Me perdoe por tê-la machucado novamente.—
Niffie movimentou sua cabeça para mostrar que não precisava de um pedido de desculpas.
— Se eu fosse tão fraca, não estaria ao lado de um arcanjo.—
— Minha pequena rouxinol.— O anjo sussurrou suas palavras ao mesmo tempo que curvava sua cabeça para que sua boca ficasse mais próxima da dela.— Tão forte, tão corajosa...—
Niffie se movimentou para frente para que o pequeno espaço entre os lábios deles se tornasse inexistente. Para beijá-lo como uma mulher deve beijar seu marido. Meridius a segurou por sua cintura e por um momento ela pensou que ele poderia afastá-la, mas tudo o que o anjo fez foi segurá-la contra o seu corpo com firmeza para que não se afastasse dele.
A angelical passou seus braços ao redor do pescoço dele e se elevou nas pontas dos seus pés para que pudesse jogar todo o seu corpo contra o do arcanjo, permitindo que ele a segurasse completamente. Ela abriu sua boca para que Meridius encontrasse a sua língua com a dele, para deixá-la sem fôlego enquanto a beijava com uma verdadeira fome.
Em seu abdómen, Niffie pode sentir a pressão do membro do arcanjo que havia crescido dentro de sua calça. E ao senti-lo contra seu corpo, uma corrente eletrica passou por toda a sua pele, a fazendo se sentir faminta pelo amor do anjo.
A angelical já não desejava mais ser apenas beijada, ela desejava muito mais do que simples beijosos amorosos.
Niffie moveu suas mãos em direção do botão que mantinha a calça do arcanjo fechada, sua única intenção era abrí-lo para poder amá-lo de uma forma sensual e íntima, mas antes que ela tivesse sucesso nos planos que se formaram em sua mente, Meridius segurou suas mãos.
— Nós não podemos fazer isso.— Ele falou ofegante depois de afastar dos seus lábios e abrir seus olhos para encará-la.— Não assim.— O arcanjo sussurrou, se mantendo próximo da sua boca e levando uma das suas mãos até o rosto dela para acariciar sua bochecha.— Eu quero fazer amor com você, mimá-la e amá-la da maneira certa.—
Ela sorriu para o seu arcanjo depois de ouvir suas palavras carinhosas e permitiu que o imperador do paraíso tomasse o controle daquele momento.
Só que Niffie não conseguia compreender como ele poderia fazê-la se sentir mais amada do que já se sentia por apenas saber que o coração de Meridius nunca a abandonou.
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