Notas iniciais
Olá! Feliz ano novo!!! Muita felicidade, paz e amor no coração de vocês!! Espero que tenham tido boas festas e que este ano seja extremamente iluminado pelas mãos de Deus! Vou deixar vocês com este capítulo, que apesar de não ser tão esclarecedor, é bem importante, pois é nele que uma nova fase da vida de nossa protagonista se inicia. Espero que gostem! Bjs mil!!! ♥

"Não chegamos a conhecer as pessoas quando elas vêm a nossa casa; devemos ir a casa delas para ver como são."
Johann Goethe

Aquilo havia me deixado abismada, pois por mais que vê-lo daquela forma, fosse extremamente bom, não compreendia o que estava acontecendo. Ainda não tinha absorvido aquele acontecimento repentino.

— Já era hora. — Daros se pronunciou, tranquilo, andando até o cadáver, tocando no mesmo, meio que o balançando, como se para se certificar de que ele realmente estava morto.

Não demonstrava nem um pouco de espanto, ao contrário de mim, o que me fez acreditar que ele havia sido o autor daquilo e o agradeci mentalmente por isso, pois se não fosse por este pequeno detalhe, eu seria o defunto da vez.

— Como você fez isso? — Estava extremamente curiosa e incerta. — Ele realmente está morto?

— Sim, ele está. — Afirmou com certeza, dando um sorriso de lado para mim, me olhando diretamente nos olhos. — Sabe como é, ele estava querendo saber os mistérios do sangue mestiço, como é que funcionava... Então resolvi mostrar. — Deu de ombros, de forma a me impressionar pelo cinismo, voltando seu olhar para o corpo de Carl.

Sempre soube que Daros não era alguém exatamente "bonzinho", até porque, ele era um vampiro, assim como eu e esperar algo bom de um de nós não era algo inteligente a se fazer, mas nunca o imaginei fazendo algo assim, na verdade, eu nunca esperava nada dele.

— Você realmente deu o sangue do garoto para ele? — Questionei, ainda descrente do recente acontecimento.

— Não me conhece realmente, Katlyn. — Assegurou-me, voltando seu olhar para o cadáver de meu padrasto, sem demonstrar nada, não que eu realmente esperasse remorso, ou algo do tipo, mas não existia nada nem em seus olhos, apenas uma profunda frieza.

— Percebo que não. — Comento, fazendo o mesmo que ele, analisando fascinada os restos mortais de meu padrasto, deixando a satisfação e o alívio tomarem totalmente o espaço dentro de mim.

— Isso não é nada. — Afirmou, voltando sua atenção para mim. — Você realmente não sabe nada, nem sobre mim, nem sobre o que está acontecendo, mas logo vai poder compreender.

— O que quer dizer? — Suas palavras realmente não faziam sentido para mim, pois apesar de não entender a situação totalmente, não conseguia processar em que lugar se encaixava o "nada" do qual ele me falava e isso só servia para provar que eu realmente estava por fora.

Daros se aproximou, com um sorriso largo, desatou minhas mãos habilidosamente e me ajudou a levantar, me sentou na cadeira onde Carl havia estado minutos atrás. Não falou mais nada, ignorando por completo minha pergunta, o que não me ajudou a ficar calma.

Sentia que o sangue em meu corpo era insuficiente para me manter forte, mas não estava da mesma forma que havia ficado ao acordar do coma e que meu labirinto havia sido atacado com a falta deste tão importante componente corpóreo.

— Precisa se alimentar. — Avisou-me do óbvio. — Vou buscar alguma coisa para poder fazer isso enquanto esperamos.

— Esperamos pelo que? — Questionei, mas ele já havia saído do cômodo e fiquei na dúvida entre a possibilidade dele não ter prestado atenção, ou simplesmente ignorado minha pergunta.

Afundei meus dedos nos braços do sofá, gastando um pouco da força que me restava. Aquilo estava ficando ridículo, parecia que eu havia me transformado na donzela em perigo, que sempre estava indefesa, fraca demais para se defender sozinha e a única que nunca sabia o que ocorria ao seu redor — essa era a pior parte.

Fiquei pensando em tudo o que acontecera nos últimos tempos e em como tudo aquilo era estranho. Em primeiro lugar, eu havia ficado em coma, sem conseguir me alimentar de forma alguma. Segundo, acordo e pouco tempo depois sou atacada por Fortis, enviados por Carl, que queria saber o que aconteceu exatamente com Tácia. E em último lugar, Daros havia matado Carl com sangue mestiço.

O quebra cabeça não fazia sentido, parecia mais com um monte de peças desconexas, que só estavam ali para me confundir, apesar de eu saber que aquilo tudo tinha uma ligação e isso estava me deixando louca.

Estava tão imersa em meus pensamentos, que nem notei que Daros já tinha voltado e estava segurando algumas bolsas de sangue, de vários tipos, pude perceber somente pelo cheiro, que foi a única coisa que conseguiu chamar minha atenção.

— Não temos tanta coisa, afinal, o que tínhamos aqui não era para isso. O que tiramos de você nem era tanto assim, fiz questão de me incumbir de fazer o serviço e não deixar que a secassem demais. — Explicou-me, estendendo uma delas, que peguei imediatamente, começando logo a esvaziá-la. — Mas fique tranquila, provavelmente vão trazer mais.

— Vão? Quem? — Quis saber, enquanto pegava outra bolsa e fazia o mesmo processo que realizei com a primeira. — Porque não me diz o que está acontecendo?

— Desculpe, não tenho permissão para te contar. — Respondeu calmamente, me oferecendo a terceira bolsa de sangue.

A peguei rapidamente, pouco antes de voltar a perguntar. — E quem não te deu permissão?

— Também não posso te contar, mas logo vai saber. — O encarei, com raiva dessa mesma resposta, mas nada podia fazer, apenas esperar, quem quer que fosse, chegar.

Suspirei e me contentei, por hora, em reabastecer-me de sangue. Daros se sentou na cadeira ao meu lado e fez o mesmo que eu. — Hey! Isso é para mim. — Reclamei quando percebi o que estava fazendo.

— Na verdade não. — Retrucou sorrindo divertido, me mostrando um outro lado dele que eu também nunca tinha visto, o jovial, levemente irritante e infinitamente mais interessante do que o que eu conhecia.

Isso deixava claro que realmente não fazia ideia alguma de quem ele era, apenas tinha visto uma de suas facetas e acabara de vislumbrar mais duas delas. Sempre o vira como alguém extremamente passivo, que só se opunha quando necessário, alguém facilmente manipulável e sério além do comum, mas estava começando a achar que estava errada quanto a isso.

— É sim, não foi você quem teve um dia de cão que acabou com um sequestro e extorsão de sangue, então isto é meu. — Estendi a mão em sua direção, exigindo o que estava na sua.

— Mas fui eu quem te salvou, então mereço uma parte disso aqui. — Levantou um dos pacotes com uma das mãos.

— Não importa. — Me levantei, percebendo uma melhora mínima em meu equilíbrio e peguei de suas mãos o que eu queria, acabando logo com as últimas duas bolsas de sangue.

Daros riu. — Sabe, parecemos duas crianças brigando pelo brinquedo. — Comentou, me fazendo erguer uma das sobrancelhas.

— Talvez — Disse, considerando que estávamos brigando por apenas algumas bolsas de sangue. — A diferença é que eu não brinco com esse tipo de coisa..

— Sei disso. — Falou e sorriu sugestivamente. — Nem com seus "trabalhos".

— Não faço mais isso. — Tentei esclarecer, não fazia mais serviços de mercenária, nem de "limpeza", mas recebi dele uma expressão divertida, que deixava clara sua descrença em minhas palavras, então resolvi acrescentar. — Só por diversão, as vezes.

— Ah! Mais que pena! Estava contando com sua ajuda. — A voz masculina que soou em resposta, não era a de Daros, então procurei pela sala até meus olhos pararem em um homem de blusa cinza e calça surrada.

— Cameron? — Questionei, só para ter certeza de que estava enxergando direito. Se as coisas não estavam fazendo sentido até aquele momento, depois que o vi, pareceram ainda mais insanas.

— O que está fazendo aqui? — Não conseguia conceber a idéia dele ser quem estávamos esperando. Pensei que nunca mais o veria, muito menos que isso fosse acontecer na mesma sala onde o corpo morto de Carl estava largado no chão, apesar de ambas as partes me agradarem muito.

— Nos deixe a sós. — Exigiu para Daros, que se levantou sorrindo, proferindo um breve "Claro". Assim que o outro saiu, ele retomou sua fala enquanto abria os braços e vinha em minha direção. — Quanto tempo minha querida!

— Eu que o diga. — O abracei quando senti seus braços fortes em volta de mim. — Por onde esteve? Voltei a te procurar algumas semanas depois que retornei para casa, mas não te encontrei, tentei te rastrear, mas foi um completo desastre.

— Eu não podia deixar que me encontrasse. — Se afastou de mim, mantendo suas mãos em meus braços e me olhando. -, mas isso não é o mais importante. Acho que você merece algumas explicações sobre tudo isso, não?

Notas finais
E aí, o que acharam? Gostaram? Espero que sim, pois minha maior alegria é entreter vocês, então realmente espero estar conseguindo atingir meus objetivos com Destiny. Espero vê-los nos comentários, pois ainda não perdi as esperanças, apesar de fazer um tempinho que vocês não se dão ao trabalho de me dizer o que estão achando. Bjs mil!!!