Destiny Clock
6 Ideias e incertezas
Notas iniciais
Não sei quanto tempo passou, só sei que senti braços fortes me abraçando.
— Ok, estou aqui agora. — E eu apenas o segui até o carro.
O silêncio no carro era quebrado apenas por algumas fungadas minhas.
— Quinnie? — Eu olhei pra ele. — Você precisa de mais tempo?
— Obrigada, Tommy. — Respondi virando o rosto pra janela.
— Ela está pirando, Q. Está muito preocupada com você. — Ele estacionou o carro. -Quando você estiver pronta, podemos subir, pois vocês são ameaçadoras! — Ele fez cara de assustado e eu apenas dei um meio sorriso, mas pela expressão dele deve ter saído uma careta. — Ela me ameaçou por eu não deixar ela vir comigo.
— Como Frannie está? — Essa hora já tinha parado de chorar.
— Com as mãos amarradas e trancada dentro do apartamento. — Ele parou pra pensar como se tivesse esquecido de algo. — Amordaçada... Bem que a essa hora já deve ter se liberado e pensando em fugir pela escada de incêndio. — Ele falou essa parte como se fosse mais pra ele do que pra mim. — Você entra primeiro, assim, sei que estarei vivo por mais algumas horas. — Ele fez cara de assustado e dessa vez abri um sorriso.
— Vamos? — Falei já abrindo a porta.
— Fica bem melhor com um sorriso... Mas, pra que tanta pressa? Quem irá enfrentar a cova dos leões sou eu. — Ele piscou pra mim e olhei seria pra ele. — Quem liga se Tommy vai morrer? Mulheres são todas apressadas. — Ele fingiu estar resmungando, eu sabia que era só pra me distrair.
Quando chegamos no apartamento, ele realmente me fez entrar primeiro. Olhava de um lado para o outro e me fez de escudo humano até chegarmos a sala.
— Thomas Samuel! — A voz de Frannie mostrava que estava muito brava, mas bastou olhar pra mim e ela mudou completamente. — Quinnie! — Ela jogou uma corda no chão e correu pra me abraçar, e aí eu chorei mais uma vez. — Estou aqui agora meu bebê, conte o que aconteceu. — Ela fez com que me deitasse no sofá com a cabeça em suas pernas, me fazendo cafuné.
— Fiz burrada. — Falei baixinho e ela parou com os movimentos.
— Oh, meu Deus, você esta grávida? — Ela falou assustada.
— Nãooo! Você sabe que sou... — Acabei ficando vermelha.
— Ufa! — Ela suspirou, como se tivesse tirado um peso das costa . — Sou muito nova pra ser mãe, imagina ser tia.
— Você tem 27 anos, não é tão nova assim. — Ela fez careta. — E deveria ser mãe, pois quero ser titia. — Ela aumentou a careta. — E pare de ficar mudando o assunto.
— Eu???
— Sim, Francine. — Me sentei direito no sofá e encarei ela. — Eu aqui tentando falar que fiz a maior burrada do mundo e você vem perguntar se estou grávida? — Ela fez cara de inocente. — E não me olhe assim não, está vendo? — Apontei para meu braço. — Ele abriu na pior situação possível.- E as lágrimas já se acumulavam novamente.
— Você o matou e quando ia enterrar o relógio abriu? — Ela fez cara de chocada.
— Não, Francine! — Agora estava andando de um lado para o outro em sua frente. — Não é ele, é ela. E não matei ninguém.
— Até agora não vejo problemas. — Ela falou baixo, mas ainda sim escutei.
— É uma menina, Frannie! — Ela concordou como se não fosse nada demais, e olha que ela também foi criada numa família conservadora, quer dizer, ela é minha irmã e vocês entenderam. — Eu esperava um menino, não uma menina. — Sentei ao seu lado e ela me abraçou.
— Diga que Russell não conseguiu fazer sua cabeça. — Ela me olhava aflita. — Não tem problema nenhum em ser uma garota, Lucy.
— Não teria problemas, Frann, se ela não me odiasse. — Abaixei a cabeça. — Não ligo por ser uma menina, mas eu fiz ela me odiar, Frannie.
— Beba um pouco de chá. — Thomas me entregou uma caneca e sentou na poltrona que ficava na minha direção. — Fizemos um progresso, Quinn. Você nos contou o que aconteceu, e nem precisamos esperar o dia inteiro. Falei que sua irmã é um perigo. — Ele piscou pra mim. — Agora nos diga porque ela iria te odiar Quinnie. Não vejo motivos pra alguém não gostar de você. — A voz dele era calma e sua postura passava confiança.
E, assim, narrei toda história para ele: a amizade repentina com Rachel, a conversa com a treinadora, nessa parte, achei que Frannie iria sair atrás de Sue para tortura-la, até os últimos acontecimentos.
— Pelo que você nos falou, a culpa não é sua, Lucy. — Fiz careta à menção do meu primeiro nome e Frannie riu.
— Eu permiti que acontecesse, então a culpa é minha. — Falei frustrada.
— Permitir e Causar é diferente, Quinnie. — O olhar dele não deixava dúvidas e eu sabia. — E no seu caso você nem sabia, não estava preparada, o que deixa a pessoa sem reação.
— Você só precisa explicar os maus entendidos. — Ela sorriu. — E no seu caso são muitos.
— Mas ela não quer me ver mais. Disse que tem dó da pessoa que ficar comigo, pois eu faria sofrer... Eu afasto as pessoas. — Lagrimas voltavam a se acumular. — Eu falei que ela não me conhece e ela disse que não queria conhecer.
— Ela está magoada, Quinnie, deveria levar isso em consideração. E pelo que nos contou, ela não conheceu você e sim uma imagem negativa de quem você não é. — Thomas deu um sorriso consolador.
—Você precisa conquista-la! — Frannie fala animada. — Lucy Quinn Fabray vai mostrar seu poder de sedução. — Ela deu uma piscadinha pra mim. — E que os Fabrays são irresistíveis e nosso QI não é só pra números.
— E como vou fazer isso? — Com a animação dela, consegui ter esperança.
— Ganhando tempo. — Franzi a sobrancelha. — Amor, pode pegar pra mim? — E Thomas saiu da sala pra pegar algo e voltou correndo com uma caixinha e me entregou. — Abre!
— Como? — Tinha dois relógios idênticos do que era dado pra nós com 16 anos.
— Trabalhamos com isso, Quinnie. — Thomas sorriu orgulhoso. — Esse não é o relógio que você ganha, mas é idêntico e do mesmo material. — Franzi a testa. — Você vai usar um e dar o outro para ela, assim ninguém vai desconfiar que seu relógio abriu e ganha tempo para conquista-la.
— Você tem esse ano todo, Q. — Frannie falou. — Depois tem a faculdade e ficara mais difícil.
— E se eu não conseguir? — Falei preocupada.
— Tem a faculdade para isso. — Ela sorriu. — Falei que seria mais difícil e não que devesse parar de tentar.
— E o que eu faço agora? — Perguntei insegura.
— Enxugar as lágrimas do rosto, e eu levarei você atá a casa dela para que já possamos começar o Plano de Conquistar a Berry. — Thomas abriu um sorriso confiante. — E assim eu verei se ela é bonita. — Frannie deu um tapa na cabeça dele. — Calma, amor, só tenho olhos para você. — Ele ganhou um selinho dela.
— Isso é nojento. -Fechei meus olhos fazendo uma careta, zoando eles. — Prefiro não poluir minha mente com vocês se pegando.
— Mas foi apenas um selinho, você nem viu. — Thomas levou mais um tapa. — Au... Isso machuca, eu nem ia falar nada demais. Ela prefere poluir a mente pensando no que ela pode fazer com a Rachel... — E ele levou tapa de nós duas. — É melhor eu ficar longe de vocês duas, antes que eu precise ir ao hospital. — E foi pra cozinha, eu acho.
— Ele é muito dramático. — Frannie sorri boba apaixonada.
— Igual a ela. — Pensei alto.
— Você vai conseguir, eu tenho certeza. Agora vai se arrumar que temos uma missão!
E foi o que fiz. Me arrumei e eles fizeram eu comer antes de sair. Os guiei até a casa dela. Minhas mãos estavam suando de nervosismo. Desci do carro e bati na porta com a caixinha nas mãos, quando alguém abriu a porta e...
— Boa tarde, senhor Berry! — Falei tentando ser confiante.
— Achei que já tivéssemos passado dessa fase, Quinn. — Ele sorriu.
— Desculpe, Leroy. — Sorri envergonhada. — Rachel está?
— Sim, criança. Está no quarto. Pode subir. — Mas ele olhou pra algo atrás de mim. — Acho que tem um homem tentando roubar seu carro. — Eu me virei e vi Thomas. -Vou ligar para a policia.
— Não precisa. Se fosse um ladrão já teria roubado, aquele é meu cunhado. -Vi ele colocando o celular no bolso novamente.
— Chame ele para entrar também, em vez de ficar esperando ai fora. — Ele olhou para o outro carro. — E sua irmã, assim conheço um pouco da sua família. — Ele falou tão animado que não conseguiria disser não.
Fui até Frannie, que estava rindo, e até Thomas, que finalmente tinha aberto meu carro, e falei que iriam entrar comigo. Eles estranharam, mas foram mesmo assim.
— Leroy, essa é minha irmã Frannie, e o ladrão é Thomas... Quer disser, cunhado. — Sorri.
— Entrem e tomem um chá comigo. — Leroy falou simpático.
— Você falou chá? — Thomas abriu um largo sorriso. — Com certeza! — E saiu acompanhando Leroy.
— Britânico! — Frannie revirou os olhos e deu um sorrisinho.
Estava tão nervosa que nem prestava atenção mais no que ela falava, olhava pra escada e apertava a caixinha na minha mão.
— Você quer que eu vá em seu lugar? — Frannie colocou uma mão em meu ombro.
E agora, vou ou não vou?
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